Dólar deve refletir expectativas de juros mais altos nos EUA, pressão da Casa Branca contra Powell, IPCA-15 e decisão do BCE
- Fatores baixistas
- Pressão da Casa Branca contra o presidente do Federal Reserve pode reduzir a credibilidade da política monetária americana, dificultando a atração de capitais externos e prejudicando o desempenho global do dólar.
- Fatores altistas
- Queda das apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve tende a favorecer a atração de investimentos financeiros aos EUA, fortalecendo o dólar.
- Moderação do IPCA-15 de julho pode aumentar as apostas de um corte da taxa básica de juros (Selic) ainda este ano, o que tende a prejudicar a atração de investimentos estrangeiros e a enfraquecer o real.
- Decisão de política monetária do Banco Central Europeu pode reforçar a expectativa por novos cortes de juros ao longo do ano, o que, por sua vez, tende a fortalecer o dólar frente ao euro e, indiretamente, enfraquecer o real.
Resumo da semana passada
• A Casa Branca anunciou tarifas de importação de 30% sobre produtos do México e da União Europeia
• O Escritório de Comércio dos Estados Unidos anunciou uma investigação sobre práticas comerciais injustas do Brasil.
• Dados econômicos americanos sugerem que a economia continua saudável e a inflação continua contida, embora tenham surgidos os primeiros efeitos das tarifas sobre os preços.
• STF validou a maior parte do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em vitória para o governo.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | No dia: +0,72% | Na semana: +0,72% | No mês: +2,81% | No ano: -9,55% | Em 12 meses: -0,02% |
Variações do Dollar Index | No dia: -0,14% | Na semana: +0,63% | No mês: +1,69% | No ano: -8,91% | Em 12 meses: -5,45% |
O MAIS IMPORTANTE: Queda das apostas de cortes de juros nos Estados Unidos
Impacto esperado no USDBRL: altista
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 18 de julho de 2025

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
Nas últimas duas semanas, a diminuição das apostas de investidores para cortes de juros pelo Federal Reserve impulsionou uma recuperação do valor global do dólar.
Por que isso é importante: A expectativa de juros mais altos nos EUA favorece a entrada de investimentos estrangeiros no país e favorece um fortalecimento do dólar, o que tende a prejudicar o desempenho do real.
Economia saudável: Nas últimas duas semanas, dados para o mercado de trabalho americano e para a demanda dos consumidores tiveram um desempenho melhor que o esperado, diminuindo os receios de uma desaceleração econômica do país.
- Isto, por sua vez, reforça a leitura de que o Federal Reserve não precisa ter pressa para baixar sua taxa de juros, diminuindo as apostas de investidores para cortes.
Impacto das tarifas na inflação: Embora a inflação americana em junho tenha avançado menos que o estimado, os números também mostraram os primeiros indícios de pressões inflacionárias por conta das tarifas de importação, ainda que a um grupo limitado de produtos.
- Alguns setores mais expostos ao comércio internacional, de fato, mostraram uma aceleração importante em seus preços em junho, como eletroeletrônicos, vestuário, calçados e mobiliário.
- Como resultado, os primeiros indícios de efeitos das tarifas sobre os preços aumentaram os receios de uma pressão inflacionária maior nos próximos meses, o que também diminui diminuindo as apostas para cortes de juros pelo Fed e contribuindo para um fortalecimento global do dólar.
Riscos de inflação mais alta: Há praticamente consenso entre analistas de que os impactos das tarifas sobre a inflação devem aumentar nos próximos meses, embora exista um debate sobre a magnitude e a duração desses impactos.
- O aumento das tarifas de importação pode ser observado nas receitas alfandegárias, que cresceram 231% no segundo trimestre deste ano frente ao mesmo período do ano passado.
Receita alfandegária mensal dos Estados Unidos (US$ bilhões)

Fonte: U.S. Treasury Fiscal Data. Elaboração: StoneX.
- Isto significa que os custos de importação estão subindo. Por outro lado, os preços de importação estão praticamente estáveis, o que mostra que as empresas estrangeiras não estão reduzindo seus preços para seus clientes americanos.
Variação acumulada em 12 meses dos preços de importação nos Estados Unidos (%)

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
- Como tanto o Índice de Preço ao Consumidor (CPI) como o Índice de Preço ao Produtor (PPI) não mostram efeitos abrangentes das tarifas sobre os preços, é razoável concluir que, no momento, as empresas estão mantendo os preços estáveis e reduzindo suas margens de lucro.
- É razoável imaginar que em algum momento essas empresas podem repassar os custos mais elevados aos consumidores, o que geraria pressões inflacionárias.
Endurecendo as ameaças: Estes riscos podem se tornar ainda maiores se a Casa Branca cumprir sua ameaça de aumentar expressivamente as alíquotas das tarifas a partir de 01 de agosto.
Outros riscos inflacionários: Além do risco de impactos das tarifas, outros dois fatores podem resultar em pressões inflacionárias mais altas no segundo semestre.
- Em primeiro lugar, a desvalorização da moeda americana no primeiro semestre também tende a encarecer os custos de importação das empresas do país.
- Adicionalmente, a redução expressiva na entrada de imigrantes nos Estados Unidos pode contribuir para a manutenção de uma taxa de desemprego mais baixa no país, o que, por sua vez, pode favorecer os ganhos salariais e impulsionar a inflação ao manter a demanda mais aquecida.
Entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos por trimestre (milhões de pessoas)

Fonte: Federal Reserve de São Francisco.
Casa Branca aumenta as pressões sobre o Federal Reserve
Impacto esperado no USDBRL: baixista
A Casa Branca acelerou uma campanha de pressão sobre o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, tentando influenciar as decisões de política monetária da autarquia.
Por que isso é importante: A pressão de autoridades do Executivo e Legislativo sobre o Fed pode prejudicar seriamente a credibilidade da política monetária americana, o que tende a afastar investidores estrangeiros de ativos americanos e a prejudicar o desempenho global do dólar.
Panorama: O presidente dos EUA, Donald Trump, tem criticado Jerome Powell quase diariamente, frustrado pelas decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto de não reduzir as taxas de juros americanas.
- Em abril, Trump afirmou em rede social que “a demissão de Powell não pode chegar mais rápido”.
- No mesmo mês, o Wall Street Journal reportou que advogados da Casa Branca exploraram opções legais para tentar remover Powell do Federal Reserve, incluindo se poderiam fazê-lo sob “justa causa”.
- Em maio, Trump confirmou reportagens de imprensa de que ele estudava antecipar o anúncio do sucessor de Powell a fim de influenciar as expectativas para a política monetária americana.
- Em junho, Trump voltou a afirmar em rede social que poderia demitir Powell.
- Em julho, a Casa Branca elevou a pressão contra Powell, alegando que ele mentiu ou foi grosseiramente negligente em seu testemunho ao Congresso quanto às renovações da sede do Fed, buscando uma alternativa legal para sua demissão.
- Na terça-feira passada (15), o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o “processo formal” para encontrar o sucessor de Powell já havia começado.
- E na quarta (16), Trump confirmou reportagens de imprensa de que ele discutiu a demissão de Powell com deputados do Partido Republicano na noite anterior, porém que era “altamente improvável” que ele o faria.
Legalidade questionável: Há desafios jurídicos importantes para essa demissão. A Suprema Corte americana decidiu em 1935 que membros de órgãos independentes, como o Fed, não podem ser demitidos sem justa causa.
- Adicionalmente, em decisão de 22 de maio deste ano, a Suprema Corte afirmou que “discordamos que [as demissões de membros de agências independentes] necessariamente implica na constitucionalidade da remoção de membros do Federal Reserve sem justa-causa”.
Alternativas: Mesmo que Trump não demita Powell, ele ainda pode influenciar as expectativas para a política monetária americana de outras formas.
- Powell tem apenas mais dez meses de mandato, e talvez não compense o risco de provocar turbulência nos mercados financeiros com sua demissão.
- Além disso, Trump precisa indicar um sucessor para Adriana Kugler, membra do Conselho de Governadores do Federal Reserve cujo mandato termina em 31 de janeiro.
- Bessent indicou em entrevista que a Casa Branca provavelmente aproveitará a indicação para a vaga de Kugler para inserir seu candidato à presidência do Fed no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) antes do fim do mandato de Powell.
E o FOMC? Vale lembrar, por fim, que o FOMC é composto por 12 membros – os sete integrantes do Conselho de Governadores do Fed e cinco presidentes de Federal Reserves regionais.
- Portanto, mesmo que o sucessor de Powell compartilhe da visão de Trump de que os juros americanos precisam ser reduzidos rapidamente, isto não significa automaticamente que os demais integrantes do Comitê seguirão sua visão.
IPCA-15 de julho
Impacto esperado no USDBRL: altista
Nesta semana, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) deve novamente apresentar uma aceleração moderada em julho.
- Esta será a última leitura de inflação antes da decisão do Comitê de Politica Monetária (Copom) do dia 30 de julho.
Por que isso é importante: Se confirmada, a moderação dos dados de inflação pode reforçar a expectativa de cortes de juros antes do esperado pelo Banco Central, ao passo em que se observa uma convergência gradual da inflação à meta do órgão.
- Isto, por sua vez, pode diminuir a perspectiva de rendimentos de títulos nacionais e a dificultar a atração de investimentos estrangeiros, o que tenda a prejudicar o desempenho do real.
Expectativa: A estimativa mediana para o IPCA-15 de julho é de uma ligeira aceleração do índice mensal, para 0,29%, após registrar avanço de 0,26% em junho.
- Isto manteria o acumulado em 12 meses em 5,3%, substancialmente acima do teto da meta de inflação estipulada pelo Banco Central (BC), de 4,5%.
Panorama geral: O dado mais recente de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, registrou alta de 0,24%, consolidando a quarta desaceleração mensal consecutiva de seu índice cheio.
- Apesar do recuo, o acumulado em 12 meses atingiu 5,35%.
- Com isso, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, encaminhou uma carta explicando os motivos do descumprimento da meta, conforme nova metodologia adotada este ano, que exige tal justificativa sempre que o índice ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.
Decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE)
Impacto esperado no USDBRL: altista
Há consenso entre analistas de que o Banco Central Europeu (BCE) deverá manter inalterada sua taxa básica de juros na próxima quinta-feira (17), em 2,25% a.a.
- Caso confirmada, a decisão encerra o ciclo de sete diminuições consecutivas realizada pelo órgão desde setembro do ano passado.
Por que isso é importante: Mais do que a própria decisão em si, investidores devem buscar por indícios sobre os próximos passo da entidade, que deve agir com cautela mediante incertezas com relação aos impactos reais das novas barreiras tarifárias americanas na economia europeia.
- Caso a comunicação reforce o pessimismo com relação à economia do bloco, pode favorecer a expectativa por novos cortes de juros em futuro próximo, o que, por sua vez, tende a fortalecer o dólar frente ao euro e, indiretamente, enfraquecer o real.
Panorama geral: O prolongado ciclo de cortes promovido pelo BCE se baseou em na melhora nas projeções de inflação para a União Europeia, na desaceleração da atividade econômica e na recente intensificação dos riscos associados à escalada das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
- Na última semana, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a implementação de tarifas de 30% sobre a importação de produtos vindos da União Europeia a partir de 01 de agosto.
- No entanto, especialmente diante do contexto de forte imprevisibilidade com relação à política comercial americana promovida pela Casa Branca, é difícil de prever se essa taxa permanecerá de fato ou os reais impactos dessa alíquota na economia europeia.
- Nesse sentido, a provável pausa promovida pelo BCE deve ser justificada como um tempo necessário para que o órgão consiga avaliar o cenário de incertezas, podendo voltar a cortar juros na decisão de outubro.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS






