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Panorama Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar deve refletir ameaça de aumento das tarifas americanas, decisão de juros no Brasil e nos EUA e dados para os Estados Unidos

 
Leonel Oliveira Mattos
Vitor Andrioli

 

  • Fatores baixistas
  • Decisão de juros do Banco Central do Brasil deve reforçar expectativa de manutenção da taxa básica de juros (Selic) mais alta por mais tempo, favorecendo a atração de investimentos estrangeiros para o Brasil e fortalecendo o real.
  • Fatores altistas
  • Endurecimento da postura comercial americana pode resultar em maior aversão global ao risco, o que tende a desvalorizar o real.
  • Ameaça de tarifas americanas de 50% sobre o Brasil pode aumentar a percepção de riscos para ativos brasileiros e prejudicar o desempenho do real.
  • Decisão de juros do Federal Reserve deve diminuir as apostas para cortes de juros no curto prazo, o que favorece a atração de investimentos financeiros aos EUA e tende a valorizar o dólar.
  • Dados econômicos aquecidos para os EUA devem diminuir as apostas para cortes de juros pelo Federal Reserve, o que favorece a atração de investimentos financeiros aos EUA e tende a valorizar o dólar.

 

Resumo da semana passada

•    A Casa Branca anunciou acordos comerciais com o Japão, Filipinas e Indonésia com tarifas de 20%, 19% e 19% sobre as exportações desses países, respectivamente.
•    Investidores mostraram otimismo com a possibilidade de um acordo com a União Europeia.
•    Brasil tenta negociar um consenso com os EUA, mas encontra pouca receptividade.
•    Banco Central Europeu manteve sua taxa de juros estável em 2,00% a.a.
•    IPCA-15 acelerou mais que o previsto no Brasil.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | No dia: +0,75% | Na semana: -0,46% | No mês: +2,34% | No ano: -9,96% | Em 12 meses: -1,51% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,28% | Na semana: -0,86% | No mês: +0,82% | No ano: -9,69% | Em 12 meses: -6,43% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Fim do novo prazo da “trégua” nas tarifas americanas

Impacto esperado no USDBRL: altista

O novo prazo para a redução temporária da maior parte das tarifas de importação americanas para uma alíquota de 10% se encerra nesta quinta-feira, 31 de julho.

 

Por que isso é importante: Em tese, o endurecimento da postura comercial dos EUA tende a alimentar receios de uma desaceleração mais intensa tanto da economia global quanto da americana, o que, por sua vez, estimula a busca por ativos considerados “portos seguros” para momentos de estresse e tende a desvalorizar o real.

 

Endurecendo as ameaças: Em tese, as alíquotas das tarifas de importação deveriam ter retornado aos valores anunciados em 02 de abril na quinta-feira passada (10).

  • Porém, Trump estendeu o prazo para uma redução temporária de quase todas as tarifas a 10% até o final de julho e voltou a anunciar novas alíquotas para um conjunto de países, sem explicar como se chegou aos novos valores.
  • O presidente americano tem insistido que não haverá nova prorrogação do prazo de redução temporária das tarifas, e alertou que aumentará as alíquotas dos países que imponham tarifas sobre produtos americanos como retaliação.
  • Adicionalmente, o presidente americano anunciou uma tarifa de importação de 50% sobre o cobre, também a partir de 01 de agosto.

 

Novos acordos preocupam: Até o momento, a Casa Branca atingiu entendimentos comerciais mais formais com Reino Unido, Vietnã, Japão, Filipinas e Indonésia, além de um “consenso” com a China para manter o comércio bilateral durante a trégua de 90 dias.

  • Porém, nesses acordos, os países concordaram com pesadas tarifas sobre a maior parte de seus produtos: 10% para o Reino Unido, 15% para o Japão, 19% para Filipinas e Indonésia e 20% para o Vietnã.
  • Isso mostra que a Casa Branca realmente pretende aumentar pesadamente suas barreiras comerciais, o que aumenta os receios de uma “estagflação” dos Estados Unidos, isto é, desaceleração do crescimento junto com um aumento das pressões inflacionárias.
  • Adicionalmente, a Casa Branca informou as novas alíquotas para apenas 25 economias. Para os mais de 150 países que restam, Trump afirmou que enviará uma única carta definindo essa alíquota nesta semana.
  •  “Será a mesma [tarifa] para todos (...) em algum lugar entre 15% e 50%”, afirmou.
  • A maior parte dos analistas acreditam que as tarifas americanas se elevarão substantivamente neste segundo semestre.

 

Otimismo com acordos comerciais: Apesar desses indícios de que os EUA cumprirão sua ameaça e endurecerão sua postura comercial, os mercados financeiros têm apresentado flutuações bastante contidas, sugerindo que investidores se mantêm otimistas mesmo diante dessas ameaças.

  • Talvez investidores ainda acreditem que o presidente dos Estados Unidos esteja blefando, utilizando as ameaças de tarifas mais elevadas como instrumento de negociação para pressionar outros países a fecharem acordos comerciais.
  • Outra possibilidade seria um otimismo de que a Casa Branca atingirá novos acordos comerciais com outras nações, resultando em alíquotas mais baixas que o antecipado.
  • Nesta semana, especulou-se que tanto a União Europeia como a Índia estariam próximos de chegar a um acordo com os EUA.

 

Pessimismo no Brasil: De todas as alíquotas prometidas para 01 de agosto, a maior foi a do Brasil, de 50% sobre seus produtos.

  • Há uma percepção de que a Casa Branca deseja punir o Brasil de forma exemplar por conta de suas insatisfações com os processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • Essa percepção é reforçada pela ausência de respostas do governo americano às tentativas de negociação do governo brasileiro.
  • O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tem demonstrado que pretende equiparar qualquer aumento unilateral de tarifas com base na Lei de Reciprocidade Econômica.
  • Ao mesmo tempo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo prepara um plano de contingência “com propostas de todo tipo” para suavizar os impactos pela aplicação dessas tarifas.
  • Ainda assim, a efetivação de uma tarifa dessa magnitude pode prejudicar seriamente a economia e as exportações brasileiras, o que pode resultar em uma desvalorização do real.

 

Decisão de juros do FOMC

Impacto esperado no USDBRL: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 25 de julho de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deve manter sua taxa de juros inalterada em sua decisão desta quarta-feira (30), no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a.

 

Por que isso é importante: Tanto o comunicado da decisão como a entrevista coletiva de Jerome Powell, presidente do Fed, devem sinalizar que o FOMC não tem pressa para cortar juros, diminuindo apostas por novos entre investidores e valorizando o dólar globalmente.

 

Panorama: Após reduzir os juros em 1,00 p.p. em 2024, o Federal Reserve tem adotado uma postura cautelosa e mantido os juros estáveis em 2025 por conta do ritmo intenso de mudanças do governo em áreas como comércio exterior, imigração, política fiscal, política energética, regulamentação dos negócios, estrutura da administração federal e diplomacia, com dúvidas importantes sobre os possíveis impactos dessas políticas.

  • Em particular, o FOMC acredita que a elevação brusca das tarifas de importação deve resultar em pressões inflacionárias sobre a economia, e que é prudente aguardar pela evolução dos dados antes de voltar a cortar juros.
  • O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho reforçou essa preocupação ao mostrar os primeiros efeitos identificáveis das tarifas sobre os preços de alguns setores mais expostos ao comércio internacional, como eletroeletrônicos, vestuário, calçados e mobiliário.
  • Nesse sentido, o Comitê deve possuir maior clareza até sua decisão de setembro, podendo observar os dados de inflação de julho e agosto até lá.

 

Outros riscos inflacionários: Além do risco de impactos das tarifas, outros dois fatores podem resultar em pressões inflacionárias mais altas no segundo semestre.

  • Em primeiro lugar, a desvalorização da moeda americana no primeiro semestre também tende a encarecer os custos de importação das empresas do país.
  • Adicionalmente, a redução expressiva na entrada de imigrantes nos Estados Unidos pode contribuir para a manutenção de uma taxa de desemprego mais baixa no país, o que, por sua vez, pode favorecer os ganhos salariais e impulsionar a inflação ao manter a demanda mais aquecida.

 

Entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos por trimestre (milhões de pessoas)

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Fonte: Federal Reserve de São Francisco.

 

Possível dissenso: Embora a maior parte dos integrantes do FOMC tenham mostrado um consenso quanto à necessidade dessa postura mais cautelosa, dois membros do Conselho de Governadores do Fed têm sinalizado que acreditam que Comitê deveria cortar juros na decisão desta semana: Christopher Waller e Michelle Bowman.

 

Pressão da Casa Branca: A decisão de manter os juros estáveis seguramente deve provocar novas críticas da Casa Branca, que tem acelerado uma campanha de pressão sobre Jerome Powell para tentar influenciar as decisões de política monetária da autarquia.

  • O presidente dos EUA, Donald Trump, tem criticado Jerome Powell quase diariamente, frustrado pelas decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto de não reduzir as taxas de juros americanas.

 

Indicadores econômicos nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: altista

A semana terá a divulgação de diversos indicadores econômicos para os Estados Unidos, como o Relatório de Situação de Emprego (“payroll”), Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) e o Índice Gerente de Compras (PMI) do setor industrial.

 

Por que isso é importante: A divulgação desses dados ajudará investidores a calibrarem suas expectativas para dinâmica econômica norte-americana em meio à vigência das tarifas de importação impostas pela Casa Branca desde abril.

  • A expectativa de dados mais aquecidos tende a diminuir as apostas para cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, o que favorece a valorização global do dólar.

 

Panorama geral: Apesar dos receios quanto a existência de potenciais impactos adversos decorrentes das medidas comerciais sobre o desempenho da economia americana, prevalece a expectativa de continuidade da trajetória de resiliência e inflação moderada observada nos dados recentes.

  • Essa percepção, por sua vez, aumenta as expectativas de que os juros americanos permanecerão mais altos por mais tempo.

 

Expectativas:

  • Mercado de trabalho: O Relatório da Situação do Emprego, principal divulgação sobre o mercado de trabalho americano, deve sinalizar nova desaceleração no ritmo de geração líquida de empregos, com expectativa mediana de um saldo de 110 mil novas vagas em julho, ante 147 mil no mês anterior. Apesar da moderação esperada, os números ainda não indicam deterioração mais expressiva do mercado de trabalho, ao se manter em patamar considerado saudável.
  • Produto Interno Bruto: A primeira prévia do PIB do segundo trimestre será acompanhada de perto após o desempenho abaixo do esperado no trimestre anterior, quando registrou recuo anualizado de 0,5%. Para o segundo trimestre, projeta-se recuperação, com crescimento anualizado estimado em 2,5%.
  • PMI industrial: O indicador referente a julho deve permanecer ligeiramente abaixo da linha de expansão (50 pontos), com expectativa de leitura em torno de 49,6, após 49,0 em junho. Embora ainda em terreno contracionista, o patamar sinaliza continuidade de atividade moderada. Investidores devem observar atentamente os subcomponentes, especialmente os ligados à inflação ao produtor e a encomendas.
  • Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE): Métrica de inflação ao consumidor utilizada pelo Federal Reserve, o PCE deve apresentar alta mensal de 0,3% tanto no índice cheio como em seu núcleo, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia. A aceleração moderada nos preços reforça a leitura de que os impactos das tarifas ainda não se manifestaram de forma abrangente sobre os preços.

 

Decisão de juros do Copom

Impacto esperado no USDBRL: altista

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 18 de julho de 2025

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Há consenso entre investidores de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deverá manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada na reunião da próxima quarta-feira, permanecendo em 15,00% ao ano.

 

Por que isso é importante: A expectativa de que o comunicado oficial da decisão reforce a sinalização de manutenção da Selic em patamar elevado por período prolongado tende a elevar as projeções de retorno dos títulos públicos brasileiros. Esse movimento tende a favorecer a atratividade dos ativos brasileiros, contribuindo para a valorização do real.

 

Panorama geral: Na reunião de junho, o Copom havia indicado que a elevação da Selic para 15,00% representaria a conclusão do ciclo de aperto monetário iniciado em setembro de 2024.

  • No entanto, a permanência da inflação acima da meta estipulada, que se contrapõe às preocupações quanto aos efeitos contracionistas dos juros sobre a atividade econômica, mantém elevado o grau de incerteza quanto à condução futura da política monetária.
  • Nesse contexto, os agentes de mercado devem direcionar atenção ao comunicado da decisão, que deverá fornecer pistas sobre os próximos passos do BC e o tempo de permanência da taxa nesse patamar.
  • Por isso, durante a semana, investidores devem acompanhar também a divulgação de novos dados econômicos, em especial para o mercado de trabalho.

 

Taxa Ptax de fim de mês

Impacto esperado no USDBRL: indefinido

Taxa Ptax de fim de mês – venda (R$/US$)

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos.

 

Por que isso é importante: Operadores do mercado financeiro intensificam suas operações nos intervalos de formação da última taxa Ptax do mês, o que dificulta a leitura sobre os movimentos do real no dia.

  • O volume de negócios e a volatilidade costumam aumentar durante as janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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