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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir receios de estagflação nos EUA, novo “choque tarifário”, ata do Copom e plano de contingência brasileiro

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  • Efetivação de tarifas de importação mais elevadas para os EUA aumentam os receios de uma “estagflação” do país, o que dificulta a atração de investimentos estrangeiros aos EUA e tende a desvalorizar o dólar.
  • Dados mais fracos para o mercado de trabalho americano aumentam apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, o que prejudica a atração de investimentos estrangeiros aos EUA e tende a desvalorizar o dólar.
  • Ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) deve reforçar a expectativa de manutenção da taxa básica de juros (Selic) mais alta por mais tempo, favorecendo a atração de investimentos estrangeiros para o Brasil e fortalecendo o real.
  • “Plano de contingência” para suavização dos impactos das tarifas americanas sobre o Brasil deve ser incluído dentro do Orçamento existente para o ano, diminuindo a percepção de riscos fiscais para ativos brasileiros e contribuindo para o fortalecimento do real.

Resumo da semana passada

  • Dados para o mercado de trabalho americano surpreendem com resultados bem mais fracos que o antecipado, aumentando os temores de uma “estagflação”
  • A Casa Branca aumentou as alíquotas para as tarifas de importação de 70 parceiros comerciais, com vigor a partir desta quinta-feira (07).
  • Apesar de confirmar a alíquota de 50% sobre produtos brasileiros, a Casa Branca inesperadamente manteve tarifas reduzidas para quase 700 produtos.
  • Federal Reserve manteve sua taxa de juros estável, citando riscos de pressões inflacionárias como resultado das tarifas mais elevadas.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | No dia: -0,99% | Na semana: -0,31% | No mês: -0,99% | No ano: -10,24% | Em 12 meses: -3,33% |
Variações do Dollar Index | No dia: -1,34% | Na semana: +1,11% | No mês: -1,34% | No ano: -8,69% | Em 12 meses: -5,45% |

 

O MAIS IMPORTANTE: novo “choque tarifário” americano
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Tarifas de importação – alíquotas anunciadas em 02 de abril pela Casa Branca (esquerda) e em julho (direita)

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    Fonte: Casa Branca. Elaboração: StoneX.
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    Fonte: Casa Branca. Elaboração: StoneX.

A Casa Branca voltou a aumentar as tarifas de importação para 70 parceiros comerciais a partir desta quinta-feira (07).

  • As demais economias continuarão sendo taxadas em 10%.
  • Após meses de inconsistências, os Estados Unidos sinalizam que, desta vez, irão cumprir a ameaça de aumentar significativamente as suas barreiras comerciais.

Por que isso é importante: O endurecimento da postura comercial dos EUA aumenta os temores entre investidores de uma aceleração da inflação e de uma desaceleração do crescimento simultaneamente.

  • Isto, por sua vez, prejudica a atração de investimentos produtivos e financeiros para os Estados Unidos, contribuindo para uma desvalorização global do dólar.
  • Por outro lado, os receios de uma estagflação nos EUA pode resultar em maior aversão global a riscos e estimular a busca por ativos considerados “portos seguros” para momentos de estresse, o que tende a desvalorizar o real.

Postura firme: A seriedade das intenções da Casa Branca também são observáveis nos acordos comerciais que firmou com outras economias, mantendo alíquotas elevadas mesmo após os acordos.

  • Por exemplo, a alíquota para Japão, Coreia do Sul e União Europeia será de 15%, de 19% para Filipinas e Indonésia e de 20% para o Vietnã.

Receios de “estagflação”: Até a sexta-feira passada (01), embora houvesse quase consenso entre analistas de que o aumento das tarifas aumentaria as pressões inflacionárias e reduziria o crescimento econômico, os indicadores disponíveis apresentavam poucos indícios desses efeitos.

  • O Federal Reserve, por exemplo, justificou a decisão de manter seus juros estáveis na última quarta-feira (30) em função dos riscos de que as tarifas de importação resultem em pressões inflacionárias mais abrangentes e persistentes.
  • Isso mudou com a divulgação do Relatório da Situação do Emprego de julho, que mostrou tanto uma geração líquida de empregos mais fraca que o esperado para o mês como revisou drasticamente para baixo os saldos de maio e de junho.

Revisões no saldo total de empregos urbanos nos Estados Unidos (mil pessoas)

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Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Expectativa de cortes de juros: os dados fracos para o mercado de trabalho resultaram em um rápido aumento das apostas de investidores por cortes de juros pelo Federal Reserve a fim de reduzir seus impactos negativos sobre a economia americana.

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 01 de agosto de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.  Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Isenções para o Brasil: De todas as alíquotas anunciadas pelos Estados Unidos, a maior será a do Brasil, de 50% sobre seus produtos.

  • Contudo, o anúncio surpreendeu ao manter a alíquota em 10% para quase 700 produtos brasileiros, como suco de laranja, minério de ferro, produtos primários de ferro e aço, fertilizantes, celulose, produtos energéticos e de aviação civil.
  • Essa redução se aplica a quase metade das exportações brasileiras para os EUA, o que deve suavizar o impacto negativo dessa taxação.
  • Ainda assim, alguns segmentos importantes serão tarifados, como café, carnes, peixes e frutas.

 

Ata do Copom
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Nesta terça-feira (05), o Banco Central (BC) divulga a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da última quarta-feira (30), em que o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15,00% ao ano.

  • No comunicado, o Comitê indicou que os juros deverão permanecer estáveis “por período bastante prolongado”, enquanto avalia se “os impactos acumulados do ajuste já realizado (...) [são] suficiente[s] para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Por que isso é importante: A manutenção da Selic em patamar elevado por longo período favorece a perspectiva de diferencial dos juros domésticos frente a outras economias, o que favorece a atração de capital estrangeiro e contribui para fortalecer o real.

Expectativa: A ata da decisão deve aprofundar a análise do Comitê sobre o balanço de riscos inflacionários e oferecer pistas sobre a trajetória futura da política monetária.

  • Por um lado, o documento deve reforçar a postura de cautela diante do cenário de imprevisibilidade gerado pelas novas tarifas americanas, especialmente no que diz respeito aos potenciais efeitos sobre o crescimento econômico brasileiro.
  • Adicionalmente, o Comitê deve reforçar seu tom firme em relação à estabilização inflacionária. Nesse sentido, o comunicado voltou a sinalizar a resiliência do mercado de trabalho como fator de risco para estabilização inflacionária no país.
  • Nesse contexto, vale adicionar que a divulgação de ontem da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) corroborou essa leitura ao mostrar queda da taxa de desemprego para 5,8% no trimestre encerrado em junho, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.
     

Plano de contingência do governo federal
Impacto esperado no USDBRL: baixista

No Brasil, os investidores devem seguir atentos à reação do governo federal à tarifa de 50% oficializada pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais, cuja vigência começa na próxima quarta-feira (6).

  • Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a partir da semana que vem, o Executivo já deve sinalizar as primeiras medidas de proteção da indústria e da agricultura nacionais
  • Ainda segundo Haddad, as medidas propostas não exigirão gastos fora do marco fiscal vigente, com eventual uso de crédito extraordinário, sem comprometer o resultado primário.

Por que isso é importante: Caso o plano seja bem recebido e de fato não implique em riscos adicionais ao cenário fiscal, o real pode se beneficiar de uma redução nas percepções de risco com relação a ativos domésticos.

Panorama geral: Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, as novas tarifas devem incidir em cerca de 35,9% das exportações brasileiras aos EUA, apesar da exclusão de alguns itens importantes como energia, suco de laranja e aeronaves.

  • Para as empresas afetadas, o plano deve contemplar reformulações em programas de apoio à exportação, proteção ao trabalhador e suporte direcionado a empresas do agronegócio e da indústria.
  • Haddad destacou também que parte das empresas afetadas poderá redirecionar sua produção ao mercado interno, reduzindo a necessidade de apoio adicional.
  • A expectativa por avanços nas negociações bilaterais com os Estados Unidos também será monitorada, especialmente após Haddad indicar que aguarda agendamento de reunião com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, figura considerada estratégica para a mediação de um eventual entendimento.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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