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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir expectativa por corte de juros nos EUA e IPCA-15 no Brasil

  • Altista
  • Possível deflação do IPCA-15 pode reforçar a percepção de uma estabilização mais rápida dos preços no Brasil e aumentar as apostas de cortes na taxa básica de juros (Selic), o que tende a dificultar a atração de investimentos estrangeiros ao Brasil e prejudicaria o desempenho do real.
  • Baixista
  • Discurso de Jerome Powell em Jackson Hole aumenta as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve em setembro, o que tende a dificultar a atração de investimentos estrangeiros aos EUA e desvalorizaria o dólar globalmente.

Resumo da semana passada

  • Jerome Powell sinaliza a possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve, enfraquecendo o dólar globalmente.
  • Donald Trump se reuniu com Volodymyr Zelensky e outros líderes europeus para discutir conflito entre Rússia e Ucrânia.
  • Ata da última decisão de juros do Federal Reserve mostrou que seus integrantes estavam mais preocupados com os riscos inflacionários que com os riscos de desemprego nos EUA.
  • Flávio Dino, do STF, decidiu que leis e ordens judiciais estrangeiras não valem no Brasil de forma automática, o que anularia os efeitos das sanções americanas sobre o ministro Alexandre de Moraes.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | No dia: -1,00% | Na semana: +0,43% | No mês: -3,18% | No ano: -12,22% | Em 12 meses: -2,99% |
Variações do Dollar Index | No dia: -0,93% | Na semana: -0,11% | No mês: -2,33% | No ano: -9,61% | Em 12 meses: -3,71% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Discurso de Powell em Jackson Hole
Impacto esperado no USDBRL: baixista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 22 de agosto de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.  Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Em seu discurso no Simpósio Anual de Política Monetária de Jackson Hole, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, indicou a possibilidade de cortes de juros pelo Fed no curto prazo.

  • Porém, Powell defendeu que esse ajuste ocorra de forma cautelosa, gradual e apenas se os dados fundamentarem essa decisão.
  • O discurso de Powell ocorreu em um momento de elevada incerteza quanto à evolução da economia americana no segundo semestre e de ataques constantes pela Casa Branca contra a condução da política monetária pelo Federal Reserve.

 

Por que isso é importante: O aumento das apostas por cortes de juros pela instituição diminui a rentabilidade esperada para os títulos americanos, dificulta a atração de investimentos estrangeiros ao país e contribui para um enfraquecimento global do dólar.

 

Mudanças no balanço de riscos: Em suas falas, o presidente do Fed sugeriu que uma redução do nível de juros pode ser apropriada a partir de agora por conta “[d]o cenário-base para as perspectivas econômicas e [d]a mudança no balanço de riscos” para o duplo mandato do Fed, de estabilidade de preços e máximo emprego.

  • “No curto prazo, os riscos para a inflação estão inclinados para cima, e os riscos para o emprego, para baixo, uma situação desafiadora”.

 

Riscos de desaceleração: Por um lado, Powell reconheceu que há riscos importantes de uma piora das condições do mercado de trabalho, que está em “um curioso tipo de equilíbrio” por conta tanto de um número menor de trabalhadores disponíveis quanto de uma desaceleração no ritmo de contratações.

  • “Esta situação incomum sugere que os riscos de queda no emprego estão aumentando. E se esses riscos se materializarem, eles poderão fazê-lo rapidamente na forma de demissões acentuadamente maiores e aumento do desemprego.”
  • Ele também destacou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos desacelerou de forma significativa no primeiro semestre.

 

Riscos inflacionários: Por outro lado, Powell também reconheceu que existem riscos importantes de uma aceleração inflacionária, tanto por conta das tarifas de importação como pela atividade econômica.

  • Ele destacou que “os efeitos das tarifas sobre os preços ao consumidor estão claramente visíveis agora. Nós esperamos que esses efeitos se acumulem nos próximos meses, com grande incerteza quanto à sua velocidade e magnitude”.
  • O presidente do Fed também afirmou que “um cenário-base razoável é que os efeitos serão relativamente curtos”, ou seja, um ajuste pontual nos preços que não precisaria influenciar a política monetária.
  • “É claro, um ajuste pontual nos preços não quer dizer que vai acontecer tudo de uma vez. Ainda levará um tempo para os efeitos das tarifas se manifestarem nas cadeias logísticas”.
  • “Contudo, também é possível que as pressões inflacionárias causadas pelas tarifas possam resultar em uma dinâmica inflacionária mais persistente, e isso é um risco a ser avaliado e administrado”.
  • “Não podemos tomar a estabilidade das expectativas inflacionárias como garantida. Não permitiremos que um aumento pontual no nível de preços se transforme em um problema inflacionário persistente”, afirmou Powell.

 

Independência e imparcialidade: Em um recado sutil, Powell reiterou que a política monetária não segue um curso predefinido e que os membros do Fed tomarão suas decisões com base na avaliação dos dados.

  • “Os membros do FOMC decidirão baseado somente em sua avaliação dos dados e suas implicações para o cenário econômico e para o balanço de riscos. Nós nunca desviaremos dessa conduta/abordagem”.
  • A fala sutilmente responde às críticas e ameaças do presidente americano, Donald Trump, e líderes do partido Republicano ao nível de juros do país.
  • Trump tem ameaçado processar ou demitir Powell por conta de custos além do previsto para obras de renovação do Fed, e nesta semana também ameaçou processar ou demitir a membra do Conselho de Governadores da instituição, Lisa Cook, por suposta fraude hipotecária.

 

Dados para a economia americana: Adicionalmente, a última semana de agosto trará alguns indicadores importantes para ajudar investidores a calibrarem suas expectativas para a evolução da economia americana nos próximos meses.

  • PCE: A mediana das estimativas para o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) em julho mostra um aumento de 0,3% tanto para o indicador cheio como para seu núcleo, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, mesmo valor registrado por ambos em junho. Assim como no Índice de Preços ao Consumidor, não deve haver efeitos generalizados das tarifas de importação nos preços de itens mais sensíveis ao comércio internacional.
  • Renda e despesa: Tanto a Renda Pessoal como as Despesas de Consumo Pessoal devem ter se acelerado, passando de 0,3% em junho para 0,4% em julho no caso da renda e de 0,3% para 0,5% no mesmo período no caso do consumo. A expansão moderada sugere uma desaceleração gradual da demanda no país, sem sugerir riscos de uma queda abrupta da economia.
  • PIB: A segunda prévia do Produto Interno Bruto americano no segundo trimestre deve manter o crescimento anualizado de 3% registrado na primeira prévia.
  • Confiança do consumidor: As projeções apontam leve melhora no Índice de Confiança do Consumidor medido pelo Conference Board, de 97,2 pontos em julho para 98,0 pontos em agosto, enquanto apontam para leve piora do Índice de Confiança do Consumidor medido pela Universidade de Michigan, de 61,7 pontos para 58,6 pontos no mesmo período.

 

IPCA-15 de julho
Impacto esperado no USDBRL: altista

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) deve apontar deflação em seu índice cheio, segundo a mediana das estimativas.

 

Por que isso é importante: Se confirmada, a maior moderação dos dados pode reforçar a expectativa de cortes para a taxa básica de juros (Selic) antes do previsto inicialmente, em meio à percepção maior estabilização dos preços.

  • Esse cenário tende a reduzir a atratividade dos títulos públicos brasileiros, ao diminuir suas perspectivas de rendimento, e dificultar a entrada de capital estrangeiro, prejudicando o desempenho o real.

 

Expectativa: A mediana das projeções para o IPCA-15 de agosto indica recuo de 0,2%, após alta de 0,33% em julho.

  • O resultado deve ser influenciado principalmente pela queda nos preços de alimentos e transportes, favorecida pela sazonalidade e pela valorização do real no primeiro semestre.
  • Apesar da retração, o acumulado em 12 meses deve permanecer ligeiramente abaixo de 5%, ainda acima do teto da meta de inflação do Banco Central, fixado em 4,5%.

 

Panorama geral: Conforme registrado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central segue avaliando os “impactos acumulados do ajuste monetário já realizado, ainda por serem observados, (...) [e se são] suficientes para assegurar a convergência da inflação à meta”.

  • Caso o IPCA-15 de fato venha mais moderado, o resultado pode reforçar apostas para o enfraquecimento da rigidez da política monetária, sobretudo após as expectativas para a alta anual do IPCA em 2025 cair abaixo de 5% pela primeira vez desde fevereiro deste ano.
  • Ainda assim, uma eventual redução da Selic ainda no segundo semestre dependeria de novas evidências de estabilização da inflação nos próximos meses.

 

Taxa Ptax de fim de mês
Impacto esperado no USDBRL: indefinido

Taxa Ptax de fim de mês – venda (R$/US$)

 

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos.

 

Por que isso é importante: Operadores do mercado financeiro intensificam suas operações nos intervalos de formação da última taxa Ptax do mês, o que dificulta a leitura sobre os movimentos do real no dia.

  • O volume de negócios e a volatilidade costumam aumentar durante as janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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