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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir dados de inflação no Brasil e nos EUA, decisão de juros do BCE e julgamento de Bolsonaro

  • Altista
  • Inflação ao consumidor e produtor americano devem apresentar nova alta moderada, o que tende a diminuir as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve nos próximos meses e, assim, fortalecer o dólar globalmente.
  • Possível condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF pode piorar as relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e aumentar a percepção de riscos para ativos nacionais, o que tende a prejudicar o desempenho do real.
  • Baixista
  • Inflação brasileira deve apresentar nova aceleração em seu núcleo, o que deve consolidar expectativas de manutenção da taxa básica de juros (Selic) no segundo semestre e favorecer o fortalecimento do real.
  • BCE deve manter seus juros estáveis ao mesmo tempo em que investidores antecipam cortes de juros pelo Federal Reserve, o que tende a fortalecer o euro perante o dólar e, indiretamente, a favorecer o real.

Resumo da semana passada

  • Dados do mercado de trabalho americano continuaram desacelerando, reforçando as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve.
  • PIB brasileiro desacelera no segundo semestre e aumentou apostas de que o Banco Central possa voltar a cortar a taxa básica de juros (Selic) ainda este ano.
  • Início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado resultou em maior cautela de investidores com ativos brasileiros.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | No dia: -0,60% | Na semana: -0,14% | No mês: -0,14% | No ano: -12,36% | Em 12 meses: -2,84% |
Variações do Dollar Index | No dia: -0,53% | Na semana: +0,01% | No mês: +0,01% | No ano: -9,58% | Em 12 meses: -3,30% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Inflação nos Estados Unidos
Impacto esperado no USDBRL: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 05 de setembro de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.  Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

A divulgação de números para a inflação nos Estados Unidos deve influenciar as expectativas de investidores para a trajetória dos juros no país neste segundo trimestre.

 

Por que isso é importante: A estabilização da inflação americana em um patamar distante da meta perseguida pelo Federal Reserve, de 2% anuais, pode diminuir as apostas por cortes de juros pela instituição e favorecer a perspectiva de rendimentos de títulos americanos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

O que esperar: A mediana das estimativas para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto é de uma alta mensal de 0,3% tanto no indicador cheio como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia.

  • Caso essa projeção se confirme, o aumento anual do CPI passaria de 2,7% em julho para 2,9% em agosto, enquanto o aumento anual de seu núcleo iria de 3,0% para 3,1% no mesmo período.
  • Adicionalmente, a mediana das estimativas para o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de agosto também de uma alta mensal de 0,3% tanto no indicador cheio como em seu núcleo, o que manteria o aumento anual em 3,3% e 3,7%, respectivamente.

 

Panorama: O Federal Reserve persegue duas metas principais, a estabilidade de preços e a manutenção do pleno emprego.

  • Após a divulgação de dados mais fracos para o mercado de trabalho americano, investidores reforçaram suas apostas em um ciclo acelerado de cortes de juros pelo Fed por acreditar que os riscos de uma desaceleração da economia estão maiores.
  • Porém, a estabilização da inflação americana em um patamar distante da meta perseguida pelo Federal Reserve, de 2% anuais, e os riscos de uma pressão inflacionária provocada pelas tarifas de importação diminuem a capacidade de redução de juros pela instituição.
  • Por isso, investidores podem diminuir suas apostas de juros mais baixos em curto prazo caso os números de inflação desta semana confirmem as previsões de resiliência e persistência do aumento de preços.

 

Fraqueza nos indicadores de emprego: Na última sexta-feira (05), o Relatório da Situação do Emprego dos EUA mostrou uma geração líquida de 22 mil empregos em agosto, abaixo da projeção mediana de 75 mil postos de trabalho e do saldo de 79 mil de julho.

  • Adicionalmente, a geração de empregos nos EUA em 2025 está muito concentrada nos setores de educação, serviços de saúde, lazer e hospitalidade, enquanto os demais segmentos mostra um desempenho significativamente mais fraco.
  • Contudo, se é inegável que o ritmo de contratações está desacelerando, ainda não há indícios que o ritmo de demissões esteja se intensificando. Isto sugere que o enfraquecimento do mercado de trabalho continua gradual e diminui a probabilidade de uma piora abrupta e aguda da economia.

 

Variação de empregos urbanos nos EUA em setores selecionados (mil pessoas)

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Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Variação no total de empregos urbanos nos Estados Unidos – média de 3 meses (mil pessoas)

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Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

 

Inflação ainda elevada: Ao mesmo tempo, o crescimento anual da inflação americana está acima de 2% há mais de quatro anos, sem sinais de estabilização nos últimos 12 meses.

  • Desde 2023, essa alta de preços é resultado majoritariamente da inflação nos segmentos de moradia e do núcleo de serviços, que exclui serviços de alimentação e energia.
  • Até o momento, ao contrário do previsto por analistas, as tarifas de importação impostas pela Casa Branca não resultaram em aumento de preços dos setores mais expostos ao comércio internacional, em particular os bens industriais.
  • Porém, há quase consenso de que os efeitos das tarifas sobre a inflação devem aumentar nos próximos meses, embora exista um debate sobre a magnitude e a duração desses impactos.

 

Decomposição da variação anual do Índice de Preços ao Consumidor americano (%)

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Fonte: Federal Reserve Bank of San Francisco. Elaboração: StoneX.

 

Inflação no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: baixista

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve apresentar deflação de 0,15% em agosto, após alta de 0,33% em julho, segundo a mediana das estimativas do último Boletim Focus do Banco Central.

  • Se confirmado, será a primeira variação negativa do indicador desde julho de 2023.
  • Apesar da desaceleração do índice cheio, espera-se que o núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como alimentação e energia, permaneça resiliente, conforme já apontado na prévia divulgada há duas semanas.

 

Por que isso é importante: A moderação do índice cheio, por um lado, contribui para reduzir o acumulado em 12 meses e pode reforçar a percepção de convergência da inflação à meta do Banco Central.

  • Por outro lado, a provável aceleração do núcleo de preços deve sugerir que a melhora é pontual e manter a expectativa de que a taxa básica de juros (Selic) se manterá estável no segundo semestre, favorecendo o rendimento de títulos brasileiros e contribuindo para um fortalecimento do real.

 

O que esperar?: A deflação esperada no índice cheio deve ser influenciada principalmente pelo recuo da energia elétrica residencial, o item de maior impacto negativo no IPCA-15 mais recente.

  • Também deve contribuir o grupo de Alimentação e Bebidas, que apresentou desaceleração relevante.
  • Como o núcleo exclui justamente esses dois componentes, sua variação tende a se manter mais resistente no mês.

 

Panorama geral: Embora a deflação de agosto deva reduzir o acumulado em 12 meses e aliviar os temores inflacionários, isoladamente, o dado não deve alterar de forma significativa as apostas em torno da política monetária.

  • Para uma reprecificação mais ampla das expectativas de corte da Selic ainda no segundo semestre, serão necessários sinais mais consistentes de estabilização da inflação, especialmente nos núcleos.
  • Na ata da última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reiterou que segue avaliando os “impactos acumulados do ajuste monetário já realizado, ainda por serem observados, (...) [e se são] suficientes para assegurar a convergência da inflação à meta”.
  • Nesse sentido, a leitura predominante entre investidores é de que o Banco Central deve manter cautela, acompanhando os próximos dados de inflação e atividade antes de qualquer flexibilização.
  • Nesse âmbito, também devem ser observados longo da semana novos dados de atividade econômica, especialmente as pesquisas mensais de comércio e serviços de junho, divulgados pelo IBGE.

 

Julgamento de Bolsonaro
Impacto esperado no USDBRL: altista

Investidores devem monitorar, também, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, previsto para terminar nesta semana.

Por que isso é importante: Investidores temem que uma eventual condenação de Bolsonaro possa piorar as relações comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o que aumentaria a percepção de riscos de ativos domésticos e enfraqueceria o real.

Panorama: A Casa Branca vinculou explicitamente a imposição de tarifas e sanções sobre o Brasil às insatisfações com processos judiciais no país, em particular contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e as plataformas de mídias sociais.

  • Por isso, o julgamento de Bolsonaro apresenta riscos de desagradar ainda mais os americanos e resultar na aplicação de novas sanções ao país.
  • Acusação e defesa apresentaram seus argumentos na semana passada, e os ministros da Primeira Turma devem apresentar seus votos nesta semana. Caso haja condenação dos réus, os ministros irão definir a pena a ser cumprida após trânsito em julgado (quando não há mais possibilidade de recursos).

 

Decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE)
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Há consenso entre analistas de que o Banco Central Europeu (BCE) deverá manter inalterada sua taxa básica de juros na próxima quinta-feira (11), em 2% a.a.

  • A manutenção deve ser justificada pela necessidade de tempo para avaliar os efeitos do atual nível de aperto monetário, em um contexto em que a inflação próxima da meta permite uma postura mais cautelosa.

 

Por que isso é importante: Mais do que a decisão em si, o mercado buscará sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária, especialmente quanto ao período em que pretende manter as taxas estáveis.

  • Caso o BCE reforce a perspectiva de cautela e manutenção do patamar atual, sobretudo em um momento em que os Estados Unidos devem iniciar seu ciclo de cortes de juros, o movimento tende a fortalecer o euro frente ao dólar e, indiretamente, apoiar o real.

 

Panorama geral: No comunicado, espera-se que o BCE reitere a mensagem da reunião de julho, quando também manteve as taxas inalteradas e afirmou estar “bem posicionado para navegar as incertezas acerca das tarifas comerciais americanas”.

  • Do ponto de vista inflacionário, a instituição conseguiu trazer a inflação para próximo da meta de 2% a.a. há alguns meses e considera ter atingido um patamar neutro de política monetária.
  • Ainda assim, persistem riscos relevantes de desaceleração econômica no bloco, com indicadores de atividade recentes abaixo da média e potenciais impactos negativos decorrentes da dependência das exportações para os EUA, que podem se intensificar nos próximos meses.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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