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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir expectativa de cortes de juros mais lentos nos EUA, ata do Copom, RPM e IPCA-15 no Brasil

  • Altista
  • A divulgação de dados econômicos da semana deve reduzir as expectativas por cortes rápidos de juros nos EUA, o que tender a aumentar a perspectiva de rendimentos de títulos americanos e a valorizar o dólar globalmente.
  • Nova leitura moderada do IPCA-15 pode aumentar apostas de um corte na taxa básica de juros (Selic) este ano, o que tende a dificultar a atração de investimentos estrangeiros e a prejudicar o desempenho do real
  • Baixista
  • Ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e Relatório de Política Monetária do Banco Central devem reforçar a expectativa de que a taxa básica de juros (Selic) se manterá estável por um período prolongado, o que favorece a perspectiva de diferencial de juros brasileiro e o fortalecimento do real.

Resumo da semana passada

  • Federal Reserve cortou sua taxa de juros pela primeira vez no ano, mas emitiu sinais mistos sobre a velocidade de cortes nos próximos meses.
  • Banco Central do Brasil manteve a taxa básica de juros (Selic) inalterada e sinalizou que ela deve se manter estável por um longo período.
  • Vendas do varejo americano cresceram acima do esperado em agosto, sinalizando a resiliência do consumo dos americanos e diminuindo temores de uma possível desaceleração da economia.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | No dia: +0,03% | Na semana: -0,64% | No mês: -1,87% | No ano: -13,87% | Em 12 meses: -1,85% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,28% | Na semana: +0,06% | No mês: -0,12% | No ano: -9,69% | Em 12 meses: -2,95% |

 

O MAIS IMPORTANTE: Expectativa para a trajetória dos juros nos EUA
Impacto esperado no USDBRL: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 19 de setembro de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.  Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Investidores devem continuar repercutindo as dúvidas sobre a trajetória dos juros americanos, após o Federal Reserve (Fed) emitir sinais contraditórios em sua decisão de juros da quarta passada (17).

 

Por que isso é importante: A expectativa de cortes de juros mais lentos pelo Federal Reserve nos próximos meses aumenta a perspectiva de rentabilidade de títulos americanos e favorece a atração de investimentos estrangeiros, o que tende a valorizar o dólar globalmente.

 

FOMC reduz seus juros: Na última quarta, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve reduziu sua taxa de juros em 0,25 p.p., do intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. para a faixa entre 4,00% e 4,25% a.a.

  • O presidente do Fed, Jerome Powell, notou que o corte de juros foi resultado da mudança no balanço de riscos, que apresenta riscos mais baixos de uma inflação mais alta e persistente e riscos mais altos de uma piora do desemprego.

 

Por precaução: Entretanto, Powell ressaltou que o cenário continua desafiador e que esses riscos continuam presentes e exigindo medidas opostas para sua gestão.

  • Em suas palavras, “[este foi] um corte para gerenciamento de riscos, visto que a inflação acelerou menos que o antecipado e com poucos indícios de efeitos das tarifas de importação, enquanto o mercado de trabalho se desacelerou mais intensamente que o previso.
  • Além disso, Powell afirmou que “não houve amplo apoio para um corte de 0,50 p.p.”, sugerindo que não há pressa para novas reduções.

 

Projeções contraditórias: As Projeções Econômicas Sumarizadas divulgadas após a decisão mostraram que 10 dos 19 integrantes do FOMC antecipam pelo menos mais dois cortes nas duas decisões que restam este ano, enquanto 7 não enxergavam mais nenhuma redução.

  • Adicionalmente, as projeções para 2026 para inflação e crescimento econômico foram revisadas levemente para cima, enquanto a de desemprego foi revisada levemente para baixo. Em tese, esse cenário sugeriria menos cortes de juros, pois indica uma economia mais aquecida.
  • Adicionalmente, há elevado grau de dispersão nas expectativas para os juros em 2026 e 2027, o que sugere baixo grau de confiança entre os integrantes quanto à evolução da economia nos próximos anos.
  • Os comentários de Powell e a dispersão das projeções econômicas resultaram em uma leve diminuição das apostas de investidores por cortes de juros pelo Fed.

 

Mudanças à vista no Fed? Ao contrário do esperado, apenas o membro mais recente do FOMC, Stephen Miran, divergiu dos demais integrantes do colegiado.

  • Miran foi empossado na terça-feira (16) como membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve, para terminar um mandato que se encerra em 31 de janeiro.
  • Ele continua tecnicamente ligado ao Executivo, visto que apenas tirou uma licença do cargo de chefe do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca enquanto não sabe se será indicado para continuar no Fed para o mandato de 14 anos que se inicia em fevereiro.
  • Por um lado, o voto unificado dos demais integrantes do Comitê, especialmente os de Christopher Waller e Michelle Bowman, membros indicados por Donald Trump em sua primeira gestão, diminuiu os receios de investidores quanto a uma possível interferência da Casa Branca na condução da política monetária.
  • Por outro, Miran defendeu que o FOMC realizasse três cortes de juros consecutivos de 0,50 p.p., uma posição bastante destoante de seus pares e de difícil justificativa com base no cenário econômico e no balanço de riscos atuais.
  • Esta posição, entretanto, é coerente com a visão de Donald Trump e demais autoridades econômicas da Casa Branca, como o secretário do Tesouro e o diretor do Conselho Econômico Nacional, que argumentam que os juros americanos estão excessivamente elevados.
  • Como consequência, investidores acreditam que o próximo presidente do Federal Reserve, que substitui Powell a partir de maio, deve adotar uma visão bastante leniente em relação a riscos inflacionários e bastante favorável a estímulos monetários para o crescimento econômico.
  • Resta saber se esse presidente conseguiria convencer os demais membros do FOMC a votar de acordo com essa visão, sob pena de sofrerem ataques pela Casa Branca assim como os experimentados recentemente por Powell e por Lisa Cook, membra do Conselho de Governadores.

 

Indicadores da semana: Adicionalmente, investidores devem acompanhar a divulgação de indicadores para calibrarem suas expectativas para a evolução da economia americana nos próximos meses.

  • Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE): O PCE deve apresentar alta de 0,2% em agosto tanto em seu índice cheio como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, uma suave desaceleração frente a julho em função de impactos menores que o antecipado das tarifas de importação sobre os preços.
  • Renda e Consumo: O consumo pessoal dos americanos deve manter seu ritmo de alta de 0,5% em agosto, sinalizando a resiliência do consumo dos americanos e diminuindo temores de uma possível desaceleração da economia. Já o crescimento da renda pessoal deve diminuir levemente, com alta de 0,3% no mês.
  • Produto Interno Bruto (PIB): a terceira e última leitura para o PIB do segundo trimestre deve manter a sua taxa de crescimento trimestral anualizada de 3,3%, com uma desaceleração da expansão da demanda interna sendo compensada pela queda das importações.

 

Ata do Copom e Relatório de Política Monetária (RPM)
Impacto esperado no USDBRL: baixista

No Brasil, investidores devem repercutir a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada na última quarta-feira (17), quando o colegiado decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15,00% ao ano.

  • Além disso, o Banco Central publicará o Relatório de Política Monetária (RPM) referente ao terceiro trimestre, divulgação que será seguida por entrevista coletiva do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen.

 

Por que isso é importante: Tanto a ata quanto o RPM devem reforçar o compromisso do Banco Central com a estabilização da inflação, consolidando a percepção de que o Brasil manterá por mais tempo um amplo diferencial de juros em relação a outras economias.

  • Esse cenário tende a sustentar o fluxo de capitais externos e a favorecer o desempenho do real.

 

Ata do Copom: O documento deve manter o tom observado no comunicado após a decisão, reiterando que “o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”.

  • Investidores também devem buscar detalhes adicionais sobre uma das alterações feita no comunicado, que retirou a referência de que a decisão representava uma “continuação na interrupção do ciclo de alta de juros”, frase presente no texto anterior.
  • A mudança foi interpretada por analistas como um sinal de que o Copom considera a taxa atual adequada para o momento e não vê, pelo menos por ora, necessidade de novas elevações para a Selic.

 

Relatório de Política Monetária (RPM): O RPM é a análise mais abrangente do Banco Central sobre o ambiente macroeconômico doméstico e internacional e inclui projeções para os principais indicadores macroeconômicos nos próximos anos.

  • A atenção do mercado deve se concentrar em eventuais revisões das projeções de inflação e do hiato do produto, medida da ociosidade da economia.
  • As declarações de Galípolo e Guillen também serão monitoradas, pois podem oferecer sinais sobre os próximos passos da política monetária e sobre a leitura da autoridade monetária a respeito dos riscos para a convergência da inflação à meta.

 

IPCA-15 de julho
Impacto esperado no USDBRL: altista

Ainda no cenário doméstico, investidores observarão a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de setembro.

  • A expectativa é de que o indicador deva novamente mostrar um avanço mais brando de preços, após a deflação de 0,14% observada em agosto.

 

Por que isso é importante: Se confirmada, a maior moderação dos dados pode reforçar a expectativa de cortes para a taxa básica de juros (Selic) antes do previsto inicialmente, em meio à percepção de maior estabilização dos preços.

  • Esse cenário tende a reduzir a atratividade dos títulos públicos brasileiros, ao diminuir suas perspectivas de rendimento, e dificultar a entrada de capital estrangeiro, prejudicando o desempenho o real.

 

Panorama: A divulgação de índices de inflação mais moderados em agosto elevou marginalmente as apostas de que o início do ciclo de cortes pudesse ser discutido antes do que o esperado.

  • No entanto, para uma reprecificação mais ampla das expectativas de corte da Selic ainda no segundo semestre, devem ser necessários sinais mais consistentes de estabilização da inflação, especialmente no núcleo de serviços.
  • Em entrevista recente, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, ponderou que, embora as projeções de inflação estejam sendo revisadas para baixo, elas permanecem acima da meta para os próximos dois anos e a convergência ocorre de forma lenta.
  • Segundo ele, isso justificaria a manutenção da política monetária restritiva e reforça que o “Banco Central não pode se emocionar com dados pontuais”.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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