
Dólar deve refletir conversa entre Trump e Lula, possibilidade de paralisação do governo americano, dados econômicos no Brasil e nos EUA e taxa Ptax de fim de mês
- Altista
- Possível paralisação do governo americano deve atrasar a divulgação de indicadores econômicos, o que dificultaria a compreensão da conjuntura do país e prejudicaria a atração de investimentos estrangeiros.
- Baixista
- Reunião entre Trump e Lula aumenta a expectativa de uma reaproximação comercial e diplomática entre Brasil e Estados Unidos, o que pode diminuir a percepção de riscos para ativos nacionais e favorecer o desempenho do real
- Relatório da Situação de Emprego de setembro deve reforçar percepção de enfraquecimento do mercado de trabalho americano, aumentando as apostas por cortes rápidos de juros nos EUA e desvalorizando o dólar globalmente.
- Dados mais aquecidos para o mercado de trabalho brasileiro devem reforçar a expectativas de juros mais altos por mais tempo no país, o que favorece a atração de investimentos estrangeiros e tende a fortalecer o real.
Resumo da semana passada
- Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) americano cresceu em linha com as estimativas de analistas, sem indícios de pressões inflacionárias abrangentes pelas tarifas de importações.
- Produto Interno Bruto (PIB) americano do segundo trimestre foi inesperadamente revisado para cima em sua leitura final, enquanto o consumo pessoal cresceu acima do esperado em agosto.
- Donald Trump elogiou Luiz Inácio Lula da Silva e anunciou inesperadamente uma conversa entre ambos para a semana seguinte.
- Ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e Relatório de Política Monetária do Banco Central reforçaram a expectativa de que a taxa básica de juros (Selic) se manterá estável por um longo período.
- IPCA-15 acelerou em setembro por conta do avanço de energia elétrica, porém núcleo mostrou moderação.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | No dia: -0,49% | Na semana: +0,33% | No mês: -1,54% | No ano: -13,58% | Em 12 meses: -1,96% |
Variações do Dollar Index | No dia: -0,31% | Na semana: +0,51% | No mês: +0,38% | No ano: -9,24% | Em 12 meses: -2,37% |
O MAIS IMPORTANTE: Conversa entre Trump e Lula
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Na última terça-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu investidores ao informar que se reuniria com o presidente de República, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta semana.
- Ambos os presidentes participaram da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, e Trump afirmou que teve uma “química excelente” em breve conversa com Lula.
Por que isso é importante: Apesar de ser cedo para avaliar qual será o saldo da conversa, a expectativa pela reunião aumenta as expectativas por uma diminuição das tensões entre os dois países, aumentando as esperanças de uma solução negociada para as tarifas de importação implementadas pela Casa Branca a produtos brasileiros.
- Isto, por sua vez, pode diminuir a percepção de riscos relacionado a ativos brasileiros e impulsionar o desempenho do real.
Panorama: Até o momento, há poucas informações sobre o formato, a data e os temas centrais da conversa. Segundo reportagens, o encontro deve ocorrer de forma remota e pode abordar temas estratégicos como minerais críticos e regulação das “big techs”.
- Os Estados Unidos demonstram interesse em firmar acordos com o Brasil para acesso a minerais estratégicos, como lítio, nióbio e terras raras. Lula já havia admitido, em entrevista no mês passado, a possibilidade de negociar esses ativos.
- No campo da tecnologia, o governo brasileiro tem se movimentado para facilitar acordos com grandes empresas do setor, como mostra a recente Medida Provisória que estimula a instalação de datacenters no país.
- O Brasil tem interesse em discutir a possibilidade de diminuição das tarifas de importação sobre seus produtos ou a inclusão de outros segmentos na lista de isenções.
- Trump pode desejar discutir reivindicações de natureza política, como suas insatisfações com os processos judiciais do ex-presidente Jair Bolsonaro. Porém, Lula já afirmou que esses temas estão completamente fora de cogitação por parte do governo brasileiro.
Paralisação do governo americano
Impacto esperado no USDBRL: altista
O governo americano se aproxima de nova paralisação, com os recursos para financiamento das atividades não essenciais se esgotando em 30 de setembro, o que deixaria centenas de milhares de servidores públicos em licença sem remuneração (“furlough”).
Por que isso é importante: Uma paralisação afetaria a maior parte do setor público americano, incluindo os departamentos responsáveis pela coleta e publicação de estatísticas econômicas, o que pode atrasar todas as divulgações de indicadores a partir de 01 de outubro.
- Isto prejudicaria a leitura de investidores quanto à conjuntura econômica americana em um momento de dados e riscos contraditórios para inflação, mercado de trabalho e atividade produtiva.
Atraso nos dados: Uma paralisação pode atrasar todas as divulgações de indicadores a partir de 01 de outubro, incluindo o Relatório da Situação do Emprego do dia 03 e o Índice de Preços ao Consumidor do dia 15.
- Estas são as últimas divulgações para inflação e mercado de trabalho antes da decisão de juros do Fed de 29 de outubro.
- Na paralisação de 16 dias de 2013, as divulgações foram divulgadas com atraso por dois meses e meio. Já na paralisação de 35 dias em 2018 e 2019, não houve atraso, pois o Congresso já havia autorizado recursos para o funcionamento das agências estatísticas e elas continuaram funcionando.
Campos opostos: O funcionamento da maior parte do setor público americano a partir de outubro depende da aprovação de um novo Orçamento ou extensão do Orçamento atual pelo Congresso do país.
- Contudo, Republicanos e Democratas demandam prioridades opostas no direcionamento dos gastos públicos na elaboração de um novo Orçamento e as negociações entre os partidos e seus líderes é quase inexistente.
- Na semana passada, O Senado americano rejeitou uma extensão do atual Orçamento até 21 de novembro aprovada pela Câmara, enquanto Trump cancelou uma reunião com a liderança parlamentar dos Democratas, classificando suas demandas como “ridículas” e afirmando que não negociaria com eles.
- Adicionalmente, a Casa Branca instruiu as agências do governo a planejarem demissões de servidores federais caso efetivamente ocorra uma paralisação.
- Caso uma extensão de curto prazo seja aprovada até terça (30), a paralisação seria evitada, porém o confronto orçamentário provavelmente se repetirá em alguns meses.
Dados econômicos americanos
Impacto esperado no USDBRL: baixista
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 26 de setembro de 2025

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
A semana traz diversos indicadores econômicos importantes que devem ajudar os investidores a calibrarem suas expectativas para a economia dos Estados Unidos e, consequentemente, para a trajetória dos juros.
Por que isso é importante: Por um lado, investidores apostam em um ciclo rápido de cortes de juros pelo Federal Reserve por conta de indícios de um enfraquecimento mais intenso do mercado de trabalho, o que diminui a perspectiva de rendimentos de títulos americanos e tende a enfraquecer o dólar globalmente.
- Por outro, os indicadores mais recentes de atividade produtiva, renda e demanda interna nos EUA se mostraram mais aquecidos que o antecipado, sugerindo que a inflação pode se manter mais elevada e diminuindo o espaço para cortes de juros pelo Fed.
O que esperar: Dentre os diversos indicadores previstos para esta semana, cabe destaque para:
- Relatório da Situação do Emprego: Sua divulgação, prevista para sexta (03), pode atrasar (veja no tópico acima). A mediana das projeções antecipa uma geração líquida de 39 mil empregos em setembro, acima dos 22 mil registrados em agosto, porém abaixo da média de 75 mil observada neste ano. Já a taxa de desemprego deve se manter estável, em 4,3%. O primeiro dado sugere um enfraquecimento do mercado de trabalho, enquanto o segundo sugere estabilidade.
- Pesquisa de abertura de vagas e turnover (JOLTS): Em linha com o “payroll”, o número de vagas em aberto deve continuar diminuindo em agosto, sugerindo que o ritmo de contratações continua desacelerando.
- Índice Gerente de Compras (PMI): Tal como nos meses anteriores, a atividade de serviços deve permanecer em expansão, enquanto a atividade industrial deve permanecer em contração. Porém, em ambos os casos, deve-se observar forte aceleração dos preços pago e recuo no nível de emprego.
Panorama: No último dia 17, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve reduziu sua taxa de juros pela primeira vez no ano, em 0,25 p.p.
- O presidente do Fed, Jerome Powell, notou que o corte de juros foi resultado da mudança no balanço de riscos, que apresenta riscos mais baixos de uma inflação mais alta e persistente e riscos mais altos de uma piora do desemprego.
- Entretanto, Powell ressaltou que o cenário continua desafiador e que esses riscos continuam presentes e exigindo medidas opostas para sua gestão.
Cenário contraditório: Por um lado, o ritmo de contratação de trabalhadores pelas empresas americanas desacelerou intensamente, gerando receios de um enfraquecimento mais intenso do mercado de trabalho.
- A variação líquida de empregos nos EUA está no seu menor patamar desde a pandemia de Covid-19, e a geração desses empregos está concentrada nos setores de educação, serviços de saúde, lazer e hospitalidade, com um desempenho significativamente mais fraco nos demais segmentos.
- Adicionalmente, os efeitos das tarifas de importação sobre a inflação foram menores e mais pontuais que o esperado.
- Isto sugere que o Federal Reserve deveria cortar juros, visto que a economia precisaria de estímulos e os riscos inflacionários estariam menores.
- Por outro lado, dados para o Produto Interno Bruto, vendas do varejo, renda pessoal e demanda dos consumidores apresentam dinamismo maior que o esperado.
- Além disso, não há evidências de aceleração no ritmo de demissões e a taxa de desemprego subiu apenas levemente nos últimos 12 meses
- Já a inflação se encontra acima da meta de 2% anuais perseguida pelo Fed há 54 meses, impulsionada principalmente pelos preços de serviços.
- Isto sugere que o Federal Reserve não deveria cortar juros, visto que a economia não precisaria de estímulos e os riscos inflacionários estariam maiores.
Dados de emprego no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Na agenda doméstica, o destaque da semana será a divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de agosto, na terça-feira (30).
- A estimativa mediana é de que a taxa de desemprego permaneça estável em 5,6%, resultado que reforçaria a leitura de um mercado de trabalho aquecido.
Por que isso é importante: Se confirmada a estabilidade da taxa de desemprego, a leitura deve fortalecer a percepção de que o Banco Central manterá a taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado por mais tempo, sustentando um amplo diferencial em relação a outras economias.
- Esse cenário tende a estimular a entrada de capitais externos e a favorecer o desempenho do real frente ao dólar.
Panorama: Nas comunicações mais recentes, o BC tem mantido um tom firme, destacando que o cenário segue marcado por expectativas desancoradas de inflação, resiliência da atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.
- Assim, qualquer mudança na postura da autoridade monetária em relação à trajetória da Selic dependerá de uma alteração concreta nos dados, em especial de sinais de perda de fôlego do mercado de trabalho.
Taxa Ptax de fim de mês
Impacto esperado no USDBRL: indefinido
Taxa Ptax de fim de mês – venda (R$/US$)

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.
A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos.
Por que isso é importante: Operadores do mercado financeiro intensificam suas operações nos intervalos de formação da última taxa Ptax do mês, o que dificulta a leitura sobre os movimentos do real no dia.
- O volume de negócios e a volatilidade costumam aumentar durante as janelas de horários utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.