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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir decisão de juros do Fed, negociações dos EUA com Brasil e China, paralisação do governo americano e Ptax de fim de mês

  • Altista
  • Formação da taxa Ptax de fim de mês e aumento da volatilidade intradiária do câmbio na sexta-feira (31).
  • Baixista
  • Possível reunião entre Lula e Trump e expectativa de redução das tensões comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
  • Nova rodada de negociações comerciais entre Estados Unidos e China e perspectiva de redução das barreiras comerciais entre os dois países.
  • Corte esperado na taxa de juros pelo Federal Reserve na reunião da próxima quarta-feira (29)
  • Nova semana de paralisação do governo americano e aumento da percepção de riscos sobre ativos dos EUA.

Resumo da semana passada

  • Permanência das incertezas comerciais entre Estados Unidos e China manteve a cautela entre investidores.
  • Sanções dos EUA a empresas de petróleo russas impulsionaram os preços da commodity, ações de empresas do setor e moedas de países exportadores do óleo, incluindo o real.
  • Inflação ao consumidor dos EUA em setembro avançou menos que o esperado, reforçando apostas por corte de juros pelo Federal Reserve na próxima semana.
  • Expectativa pela reunião entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para este domingo, manteve investidores em compasso de espera.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | No dia: +0,13% | Na semana: -0,24% | No mês: +1,32% | No ano: -12,70% | Em 12 meses: -5,28% |

Variações do Dollar Index | No dia: +0,00% | Na semana: +0,52% | No mês: +1,18% | No ano: -8,50% | Em 12 meses: -5,26% |

O MAIS IMPORTANTE: Conversa entre Lula e Trump

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Há grande expectativa em torno da possível reunião entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, prevista para ocorrer no próximo domingo (26), durante evento internacional realizado na Malásia.

 

Por que isso é importante: Apesar de ser cedo para avaliar qual será o resultado da conversa, a perspectiva de uma reunião aumenta as expectativas por uma diminuição das tensões comerciais e diplomáticas entre os dois países.

  • Isto, por sua vez, pode reduzir a percepção de riscos relacionado a ativos brasileiros e favorecer o desempenho do real.

 

Panorama: Caso de fato ocorra, este seria o primeiro encontro bilateral formal entre os dois chefes de Estado desde a imposição da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, em agosto, além do breve contato na Assembleia-Geral da ONU, em setembro, em Nova York.

  • Desde então, diplomatas de ambos os países têm buscado reconstruir canais de comunicação, indicando disposição mútua para uma reaproximação gradual
  • Por um lado, os Estados Unidos podem tentar avançar em acordos voltados ao acesso a minerais estratégicos, como lítio, nióbio e terras-raras. O tema ganha relevância diante das restrições impostas pela China, responsável por cerca de 90% da produção global processada desses minerais.
  • Em contrapartida, o Brasil deve pleitear flexibilizações tarifárias, buscando reduzir ou eliminar as barreiras à importação impostas pelos Estados Unidos a determinados produtos, além de discutir a remoção de sanções aplicadas a autoridades brasileiras.
  • Em declaração nesta sexta-feira, o presidente brasileiro demonstrou otimismo em relação aos possíveis avanços do diálogo, mas ressaltou que o processo de negociação deverá ser gradual, afirmando que o acordo “não será feito amanhã ou depois de amanhã, mas pelos negociadores que vão sentar com o governo americano para avançar nas tratativas.”

 

Reunião entre autoridades da China e dos EUA

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Segundo notícias, autoridades da China e dos Estados Unidos realizarão uma nova rodada de negociações comerciais na Malásia neste final de semana, em um movimento que busca restabelecer o diálogo diplomático e reduzir as tensões bilaterais entre os dois países.

  • As delegações serão lideradas pelo Secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, pelo Representante de Comércio, Jamieson Greer, e pelo Vice-Primeiro-Ministro chinês, He Lifeng.
  • A expectativa é que a conversa facilite a realização da reunião aguardada entre os líderes dos dois países, Trump e Xi Jinping, agendada para a próxima quinta-feira, na Coreia do Sul.

 

Por que isso é importante: A perspectiva de amenização das tensões entre os dois países gera otimismo quanto à redução das barreiras comerciais entre as duas maiores economias globais, o que pode evitar uma desaceleração mais intensa do crescimento de ambas.

  • Esse cenário, por sua vez, pode reverter a aversão a riscos globais entre investidores, o que beneficiaria o desempenho de ativos arriscados, como o real.

 

Panorama: Em maio, os dois países alcançaram uma trégua temporária após semanas de um conflito tarifário intenso, que foi prorrogada e segue em vigor até 10 de novembro.

  • No entanto, as tensões voltaram a se intensificar nas últimas semanas, com a adoção de novas medidas restritivas por ambas as partes, revertendo o cenário de relativa estabilidade recente.
  • No início deste mês, a China anunciou novas restrições à exportação de terras-raras, justificando a decisão como uma resposta à ampliação dos controles norte-americanos sobre exportações de tecnologia.
  • Em contrapartida, o presidente Trump declarou sua intenção de impor tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses e de ampliar os controles sobre exportações de softwares, ameaçando inclusive cancelar o encontro com Xi Jinping.
  • Diante desse cenário, a instabilidade no discurso do presidente norte-americano, alternando entre sinais de desconfiança e de otimismo quanto ao possível acordo, tem contribuído para elevar a volatilidade dos mercados financeiros internacionais.

 

Decisão de juros nos Estados Unidos

Impacto esperado no USDBRL: baixista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 17 de outubro de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Há praticamente consenso de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) reduzirá sua taxa de juros em sua decisão da quarta-feira (17), do intervalo 4,25% e 4,00% a.a. para a faixa entre 4,00% a.a. e 3,75% a.a.

 

Por que isso é importante: A expectativa de um novo corte de juros pelo Federal Reserve diminui a perspectiva de rentabilidade de títulos americanos e prejudica a atração de investimentos estrangeiros, o que tende a desvalorizar o dólar globalmente.

 

Panorama: Apesar do “apagão” de dados econômicos enfrentado pelos Estados Unidos, os agentes de mercado avaliam que o Fed dispõe de informações suficientes para sustentar um novo corte moderado nos juros, especialmente diante da ausência de evidências de aceleração inflacionária decorrente das novas tarifas de importação.

  • Tal percepção foi novamente reforçada pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), publicada com atraso nesta sexta-feira (24), que apontou uma alta de preços inferior às estimativas.
  • Paralelamente, os indicadores de atividade econômica mais recentes disponíveis sinalizaram desaceleração, especialmente no mercado de trabalho, o que amplia a perspectiva de uma política monetária menos contracionista.
  • Por essas razões, o FOMC deve justificar seu corte de juros diante do cenário menos condizente com uma reaceleração inflacionária e de riscos mais elevados de enfraquecimento do mercado de trabalho.
  • Mais do que a decisão em si, contudo, investidores devem observar com atenção a coletiva de imprensa do presidente do órgão, Jerome Powell, marcada para depois da decisão.

Paralisação do governo americano

Impacto esperado no USDBRL: baixista

A paralisação do governo americano entrou nesta sexta-feira no seu 24º dia, sem perspectiva de solução no curto prazo, em meio a um rígido impasse entre republicanos e democratas quanto a um acordo para aprovar o novo Orçamento no Congresso.

  • Neste momento, a perspectiva segue sendo de uma longa paralisação, que se estenda por pelo menos mais uma semana.

 

Por que isso é importante: A paralisação afeta a maior parte do setor público americano, incluindo os departamentos responsáveis pela coleta e publicação de estatísticas econômicas, que suspenderam as divulgações desde o dia 1º de outubro.

  • Isto deve gerar maior percepção de riscos para ativos americanos ao longo da próxima semana à medida em que dificulta a leitura de investidores quanto à evolução da conjuntura econômica do país, o que tende a desvalorizar o dólar globalmente.

 

Mais atrasos nos dados: A paralisação ameaça novamente o calendário de divulgações de indicadores da economia americana desta semana, sendo altamente provável a postergação da primeira leitura do PIB do 3º trimestre de 2025 e do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de setembro, métrica mais utilizada pelo Federal Reserve para monitorar a inflação e calibrar suas decisões de juros.

  • Esses números teriam grande importância no contexto atual, pois ajudam o Fed a equilibrar a percepção de riscos entre desaceleração da demanda e persistência inflacionária, servindo de base para ancorar as apostas sobre o ritmo e a direção da política monetária.
  • Até o momento, não foram divulgados o Relatório de Situação de Emprego (“payroll”), o Índice de Preços ao Produtor (IPP), as Vendas do Varejo e a Produção Industrial, todos referentes a setembro.
  • A única exceção foi o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), publicado com atraso nesta sexta-feira (24), por exigência legal vinculada ao reajuste das aposentadorias a ser informado até 1º de novembro.
  • Na prática, o apagão estatístico deve ter efeitos limitados na reunião de 29 de outubro, uma vez que a autoridade monetária já vinha sinalizando a perspectiva de pelo menos um novo corte e o CPI de setembro mostrou uma alta de preços menor do que a esperada. Entretanto, se o bloqueio persistir nas próximas semanas, a ausência de novos dados sobre atividade e inflação deve prejudicar a leitura prospectiva do Fed e aumentar a incerteza para a reunião de dezembro.

 

Impactos econômicos: Com a postergação do impasse sobre o orçamento do governo americano, investidores começam a buscar entender quais os impactos econômicos de curto e longo prazo decorrentes do “shutdown”.

  • De acordo com estimativas de economistas divulgadas em reportagem nesta sexta-feira, o shutdown estaria subtraindo entre 0,1 e 0,2 ponto percentual do crescimento anualizado do PIB americano a cada semana, refletindo principalmente a desaceleração do consumo das famílias e a redução da eficiência do setor público.
  • Cerca de 700 mil servidores federais permanecem afastados, enquanto outros trabalham sem remuneração, o que restringe o gasto doméstico e gera atrasos em projetos e contratos governamentais.
  • A Casa Branca também segue comentando que não realizará o pagamento retroativo aos servidores, o que reforça a cautela no consumo e deve agravar o impacto sobre a demanda agregada para esse conjunto de famílias.
  • Por outro lado, parte dos investidores ainda considera que o efeito líquido deve ser limitado, dado o peso relativamente pequeno do governo federal no PIB e no emprego total. Em experiências semelhantes no passado, as perdas diretas foram revertidas após o fim da paralisação, embora a incerteza crescente e o vácuo de dados oficiais aumentem o risco de movimentos desordenados nos mercados financeiros.

 

Taxa Ptax de fim de mês

Impacto esperado no USDBRL: indefinido

Taxa Ptax de fim de mês – venda (R$/US$)

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

A taxa Ptax é uma referência divulgada diariamente pelo BC e seu valor de fim de mês é muito utilizado em contratos de câmbio e derivativos.

 

Por que isso é importante: Operadores do mercado financeiro intensificam suas operações nos intervalos de formação da última taxa Ptax do mês, o que dificulta a leitura sobre os movimentos do real no dia.

  • O volume de negócios e a volatilidade costumam aumentar durante as janelas de horário utilizadas pelo BC para o cálculo da taxa Ptax de fim de mês, entre as 10h00min e as 13h10min.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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