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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir ata do Copom, IPCA e negociações para reabertura do governo americano

  • Altista
  • Leitura moderada do IPCA de outubro e ata do Copom devem reforçar a percepção de desaceleração inflacionária no Brasil, o que aumentaria apostas por cortes de juros a partir
  • Baixista
  • Possível reabertura do governo americano permitiria a publicação gradual das estatísticas econômicas suspensas desde 01 de outubro, o que pode impulsionar o apetite por riscos entre investidores e favorecer o desempenho do real.

Resumo da semana passada

  • Banco Central do Brasil manteve a taxa básica de juros (Selic) estável, em 15% a.a., reforçando um tom conservador em seu comunicado.
  • Dados privados americanos apresentaram leituras contraditórias, com geração de empregos privados maior que o esperado e aceleração dos índices PMI simultaneamente a divulgação de cortes de empregos maior que o antecipado e queda inesperada do índice de confiança do consumidor do país.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | No dia: -0,27% | Na semana: -0,84% | No mês: -0,84% | No ano: -13,65% | Em 12 meses: -6,01% |
Variações do Dollar Index | No dia: -0,14% | Na semana: -0,20% | No mês: -0,20% | No ano: -7,90% | Em 12 meses: -4,64% |

O MAIS IMPORTANTE: IPCA e Ata do Copom
Impacto esperado no USDBRL: altista

Brasil: Histórico e expectativa mediana para a taxa de juros – boletim Focus de 31 de outubro de 2025

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

No cenário doméstico, os investidores devem repercutir a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, cuja mediana das estimativas aponta para alta de 0,16%, após avanço de 0,48% em setembro.

  • Caso confirmado, o resultado desaceleraria o aumento acumulado de 12 meses de 5,17% para 4,75% no período, o que reforçaria a percepção de que a inflação vem perdendo fôlego.
  • Tal leitura foi incorporada pelo Banco Central na decisão do Copom da última quarta-feira (5), quando o comunicado mencionou sinais de “arrefecimento da inflação”.
  • Diante disso, a divulgação da ata da reunião, que também ocorrerá nesta semana, deve ser acompanhada de perto pelos agentes de mercado, em busca de detalhes sobre a avaliação do comitê e possíveis indicações para os próximos passos da política monetária no país.

 

Por que isso é importante: Embora a ata deva reiterar a manutenção da Selic em patamar elevado por “período prolongado”, a sinalização de que o comitê identifica sinais de desaceleração pode antecipar expectativas de cortes já no início de 2026.

  • Ao mesmo tempo, ainda que a inflação permaneça acima da meta, a confirmação da tendência de estabilização dos preços deve contribuir para reduzir a percepção de riscos inflacionários.
  • Esse ajuste de expectativas, ainda que com impacto limitado, pode diminuir as projeções de rentabilidade dos títulos domésticos e contribuir para a desvalorização do real.

 

Ata do Copom: O documento deve manter o viés do comunicado divulgado após a decisão, o que deve levar os investidores a buscarem mais detalhes sobre as mudanças sutis apresentadas pelo Comitê.

  • A mais importante mudança no comunicado da decisão está relacionada ao reconhecimento de sinais incipientes de desaceleração, conforme trecho: “a inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”.
  • Essa inclusão indica percepção de arrefecimento, embora insuficiente para garantir convergência à meta ou caracterizar uma tendência consolidada.
  • Tal reconhecimento foi aprofundado em outro trecho, ao destacar que “o Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.
  • Essa formulação, por sua vez, demonstra que o Copom considera o atual nível de juros adequado para conter pressões inflacionárias, afastando a necessidade de novas altas e posicionando-se de forma confortável para manter a Selic estável enquanto aguarda sinais mais claros de desinflação.

 

IPCA: Caso a projeção mediana de alta de 0,16% do IPCA em outubro se confirme, o índice deve atingir 4,75% no acumulado de 12 meses, ainda acima da meta de 3%, mas mais próximo do teto de 4,5% estipulado pelo Banco Central.

  • Esse resultado representaria desaceleração significativa frente ao pico recente de 5,53% registrado em abril de 2025, evidenciando avanço no processo de desinflação.
  • Além do índice cheio, os investidores estarão atentos ao comportamento dos preços de serviços e do núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como alimentação e energia. Em setembro, o núcleo recuou de 0,34% (agosto) para 0,03%, enquanto os serviços, mais sensíveis à demanda, caíram de 0,41% para 0,09% no mesmo período.

 

Possível reabertura do governo americano
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Duração das paralisações do governo americano desde 1980 (dias)

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Fonte: U.S. House of Representatives Office of Art and Archives. Nota: considera apenas paralisações superiores a 24 horas.

Na semana passada, líderes parlamentares dos partidos republicanos e democratas deram os primeiros sinais de um possível acordo entre eles para reabrir o governo americano.

  • Esta já é a paralisação do governo mais longa da história dos EUA.

 

Por que isso é importante: A reabertura do setor público americano permitiria a retomada da coleta e da publicação de estatísticas econômicas, suspensas desde o dia 1º de outubro.

  • Isto, por sua vez, permitiria uma melhor compreensão gradativa da evolução da economia do país, favorecendo o apetite por riscos entre investidores e beneficiando o desempenho de ativos arriscados, como o real.

 

Panorama: São necessários 60 votos de senadores para aprovar um novo orçamento ou prorrogar o anterior, porém o Senado está dividido entre 53 republicanos e 47 democratas.

  • Os líderes dos dois partidos, porém, mantiveram um rígido impasse, com democratas demandando garantias de que os subsídios para os programas de saúde pública nos EUA sejam prorrogados e efetivamente gastos.
  • Neste ano, a Casa Branca “rescindiu” diversas despesas aprovadas pelo Congresso americano com consentimento de parlamentares republicanos, que possuem maioria tanto na Câmara quanto no Senado e votaram contrariamente às contestações de congressistas a essas rescisões.
  • Na semana passada, porém, alguns parlamentares de ambos os partidos sinalizaram os primeiros avanços na obtenção de um novo consenso.
  • Alguns democratas questionam a exigência do seu partido por garantias de uma renovação de subsídios para a saúde pública antes de votar uma prorrogação do orçamento anterior.
  • Já alguns republicanos questionam a exigência do seu partido pela aprovação da reabertura do governo antes de negociar os subsídios para a saúde pública.

 

Uma alternativa: Em linhas gerais, a proposta sendo debatida para solucionar o impasse envolve três elementos:

  • A aprovação de uma prorrogação de curto prazo do orçamento em vigor até 30 de setembro;
  • A pautação dos subsídios para a saúde pública americana no Plenário das casas legislativas; e
  • A aprovação em um processo separado de um orçamento de longo prazo para financiar o funcionamento das áreas militares, legislativas e agrícolas do setor público.
  • Contudo, ainda há bastante debate quanto ao prazo da possível prorrogação do orçamento.

 

Pressão crescente: As dificuldades resultantes da longa paralisação começam a pressionar o Executivo e o Congresso americano a encontrarem uma solução para a reabertura do governo.

  • Apesar da Casa Branca ter conseguido realocar alguns recursos para pagar o salário de outubro dos militares, a maior parte dos servidores públicos caminha para um segundo mês sem remuneração.
  • Adicionalmente, o fim dos subsídios para os programas de saúde pública levou a um aumento expressivo de seu custo desde 01 de novembro, enquanto um programa de auxílio-alimentação para 42 milhões de americanos deixou de ser pago neste mês.
  • Já o órgão regulador da aviação civil do país determinou a redução em 10% do número de voos em 40 aeroportos em função da falta generalizada de controladores de tráfego aéreo.
  • A pressão sobre republicanos também aumentou após a vitória de democratas em algumas eleições importantes na última terça-feira (04), como para a prefeitura de Nova Iorque, para o governo da Virgínia e para uma proposta de reforma dos distritos eleitorais da Califórnia.
  • Na sexta-feira passada (07), o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, declarou que os impactos econômicos da paralisação estão “muito maiores” que o esperado, em particular sobre os setores de viagens e lazer.

 

Atraso nos dados: Com uma reabertura do governo, os indicadores econômicos com publicação suspensa desde 01 de outubro voltariam a ser divulgados, dos mais antigos aos mais recentes.

  • Esses números serão importantes para a avaliação da conjuntura econômica e, assim, para o ajuste das expectativas para a trajetória dos juros americanos pelos investidores.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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