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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir decisões de juros do FOMC e Copom, bem como o cenário eleitoral de 2026

  • Altista
  • Banco Central pode sinalizar a proximidade de um ciclo de cortes para a taxa básica de juros (Selic), o que prejudicaria a atração de investimentos estrangeiros e enfraqueceria o real.
  • Notícias sobre o cenário eleitoral em 2026 podem ampliar a percepção de riscos fiscais para ativos nacionais, o que enfraqueceria o real.
  • Baixista
  • O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) pode decidir por um corte de juros pelo Fed, o que prejudicaria a atração de capital externo e enfraqueceria o dólar globalmente.

Resumo da semana passada

  • Dados do instituto ADP mostrou retração no nível de emprego privado americano, ampliando apostas de cortes de juros pelo Fed.
  • PIB brasileiro moderou sua alta trimestral de 0,4% para 0,1% no terceiro trimestre, evidenciando que os juros elevados estão desacelerando a economia e a demanda interna.
  • Na sexta-feira, a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu seu filho, Flávio, para ser candidato às eleições presidenciais de 2026 elevaram bruscamente a percepção de riscos para ativos nacionais e desvalorizaram intensamente o real.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | No dia: +2,35% | Na semana: +1,88% | No mês: +1,88% | No ano: -12,03% | Em 12 meses: -9,55% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,02% | Na semana: -0,44% | No mês: -0,44% | No ano: -8,44% | Em 12 meses: -6,36% |

O MAIS IMPORTANTE: Decisão de juros do FOMC
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Apostas para a decisão de juros do Federal Reserve de 10 de dezembro

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Probabilidades no mercado futuro de juros com referência a 05 de dezembro de 2025.

Os mercados financeiros globais devem reagir à decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) desta quarta-feira (10), em que há uma expectativa majoritária por uma redução da taxa de juros da faixa entre 3,75% e 3,50% para a faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.

 

Por que isso é importante: A redução dos juros americanos deve prejudicar a rentabilidade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e dificultar a atração de capital externo, enfraquecendo o dólar globalmente.

 

Cenário contraditório: Apesar de investidores apostarem majoritariamente em um corte de juros, essa decisão ainda parece indefinida e de difícil antecipação.

  • As estatísticas para a economia americana seguem apresentando um cenário contraditório, com alguns indicadores sugerindo um desempenho mais vigoroso e outros sugerindo um desempenho mais fraco que o esperado.
  • De fato, é possível justificar tanto uma redução quanto uma manutenção do nível de juros, dependendo de quais indicadores se atribuir maior importância.
  • Adicionalmente, há elevado grau de divergência entre os membros do Comitê quanto à conduta mais apropriada para a política monetária, com parte defendendo um nível de juros mais elevado para contribuir na estabilização da inflação e outros defendendo redução dos juros para estimular a sustentação do mercado de trabalho.
  • Nas últimas semanas, as apostas no mercado futuro por um corte de juros na decisão de dezembro oscilaram amplamente, caindo de mais de 90% antes da decisão de 29 de outubro para menos de 30% em 19 de novembro e, na sequência, voltando a aumentar para quase 90% nas últimas duas semanas.

 

Apostas majoritárias: Ainda que o cenário econômico, o balanço de riscos e as opiniões de membros do FOMC estejam divergentes, os investidores apostam majoritariamente em uma queda dos juros nesta decisão.

  • Essa apostas se apoiam em alguns dados que sugerem maior fraqueza no mercado de trabalho e na ausência de falas de Powell nas últimas semanas.
  • Segundo essa interpretação, acredita-se que Powell buscaria modificar as expectativas de investidores caso o FOMC estivesse propenso a manter seus juros estáveis nesta decisão.
  • É importante destacar, porém, que essa interpretação não apresenta fundamentos sólidos.

 

Projeções: Além da decisão do Comitê, investidores devem reagir à divulgação das Projeções Econômicas Sumarizadas que acompanham esta decisão.

  • Divulgadas a cada trimestre, essas projeções trazem estimativas de todos os integrantes do FOMC para crescimento econômico, desemprego, inflação e taxa de juros nos EUA para os próximos anos.
  • Nas Projeções divulgadas em setembro, houve elevado grau de dispersão nas expectativas para os juros em 2026 e 2027, evidenciando o baixo grau de confiança entre os integrantes quanto à evolução da economia nos próximos anos.

 

Antecipando mudanças no Fed: Adicionalmente, contribui para as expectativas por um ciclo mais rápido de cortes de juros a perspectiva de substituição de presidência do Federal Reserve.

  • O mandato de Powell como presidente do Fed se encerra em 15 de maio, embora ela possa querer continuar como membro do Conselho de Governadores até janeiro de 2028.
  • Reportagens de imprensa apontam que o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, é o favorito a ser indicado como próximo presidente do Federal Reserve.
  • Investidores entendem que Hassett é o candidato mais alinhado à Casa Branca e que provavelmente seria o mais cooperativo para avançar as prioridades de Donald Trump.
  • Trump defende que as taxas de juros americanas podem cair substancialmente sem acelerar a inflação. Por isso, acredita-se que Hassett se esforçaria para reduzir os juros mais rapidamente, talvez até mais do que seria prudente.

 

Decisão de juros do Copom
Impacto esperado no USDBRL: altista

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 28 de novembro de 2025

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve manter inalterada a taxa básica de juros (Selic) na decisão desta quarta-feira (10), em 15,00% ao ano, e sinalizar a possibilidade de cortes de juros nos próximos meses.

 

Por que isso é importante: A possível sinalização de um início de cortes de juros no Brasil pode reduzir o rendimento dos títulos domésticos, dificultando a atração de capitais externos e desvalorizando o real frente ao dólar.

 

Panorama: Há praticamente consenso de que o Copom manterá a taxa Selic inalterada em 15,00% a.a. pela quarta decisão consecutiva nesta quarta (10), refletindo uma estratégia cautelosa do BC para estabilizar os preços em um contexto de expectativas inflacionárias elevadas, mercado de trabalho aquecido e atividade econômica resiliente.

  • Por haver praticamente consenso quanto à decisão, investidores estarão atentos ao seu comunicado, especialmente quanto à possível retirada da expressão que indica manutenção da Selic por “período bastante prolongado”, o que seria interpretado como um passo em direção ao corte de juros.
  • Com a inflação convergindo gradualmente para a meta de 3% anuais e o PIB do terceiro trimestre mostrando desaceleração, o balanço de riscos do Copom parece cada vez mais compatível com cortes de juros no curto prazo.
  • As apostas majoritárias de investidores indicam que a primeira redução deve ocorrer na reunião de janeiro, embora o tom do comunicado desta semana deva ser importante para calibrar essas expectativas.

 

Falas de Galípolo: Na última segunda-feira (01), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, chamou a atenção ao afirmar que a expressão “período bastante prolongado” não é reiniciada a cada reunião, sugerindo que esse período se inicia em junho, quando a Selic foi elevada para 15%,00 a.a.

  • Investidores interpretaram essa fala como uma sinalização de maior proximidade do início do ciclo de cortes.
  • Por outro lado, Galípolo também reforçou que o Copom manterá uma postura cautelosa e dependente da evolução dos dados.

 

Eleições de 2026 em foco
Impacto esperado no USDBRL: altista

Volatilidade mensal da taxa de câmbio do real (USDBRL) em anos de eleição presidencial.

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Investidores devem se manter atentos ao noticiário referente às eleições presidenciais de outubro de 2026, em meio a preocupações crescentes com o cenário fiscal e com a sustentabilidade do endividamento público brasileiro.

 

Por que isso é importante: Investidores se mostram cada vez mais sensíveis à aproximação das eleições presidenciais de outubro, reagindo com intensidade a notícias sobre o pleito.

  • Em particular, investidores temem que o governo atual aumente seu nível de gastos públicos durante 2026 e nos anos seguintes caso reeleito, o que eleva a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e dificulta a atração de capital estrangeiro, desvalorizando do real.

 

Panorama: Na tarde da última sexta-feira (05), a divulgação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato à Presidência em 2026 foi mal-recebida pelo mercado financeiro.

  • A notícia provocou forte desvalorização dos ativos domésticos, com alta expressiva do dólar e queda expressiva da bolsa brasileira, interrompendo a sequência positiva dos últimos dias.
  • Investidores entendem que a escolha de Flávio como o candidato do PL à Presidência da República aumentaria as chances de reeleição de Lula, associado a políticas fiscais mais expansionistas.
  • Isto, por sua vez, decorre tanto da interpretação de que Flávio seria menos competitivo que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como por entenderem que sua candidatura aumenta a possibilidade de que exista mais de um candidato na eleição representando o legado de Bolsonaro, dividindo os votos da direita.

 

Receios fiscais: Nos último meses, investidores já haviam reagido negativamente a notícias relacionadas ao ciclo eleitoral, como a confirmação de que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, concorreria à reeleição e de que a proposta de tarifa zero no transporte público faria parte de suas propostas.

  • Na prática, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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