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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir dados americanos, ata do Copom, RPM e decisão de juros do BCE

  • Altista
  • Dados para mercado de trabalho e inflação nos EUA devem diminuir apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve nos próximos meses, favorecendo a atração de capital externo e fortalecendo o dólar globalmente.
  • Baixista
  • Divulgação da ata da decisão de juros do Copom e do Relatório de Política Monetária devem diminuir apostas de cortes de juros na Selic em janeiro, o que favorece a atração de investimentos estrangeiros e tende a fortalecer o real.
  • Banco Central Europeu deve manter sua taxa de juros inalterada em decisão esta semana, o que tende a fortalecer o euro frente ao dólar e contribui indiretamente para valorizar o real.

Resumo da semana passada

  • Federal Reserve reduziu sua taxa básica de juros em 0,25 p.p. e buscou se manter flexível quanto à possibilidade de novos cortes de juros no curto prazo.
  • Banco Central do Brasil manteve a taxa básica de juros (Selic) estável em 15,00% a.a. e também buscou se manter flexível quanto à possibilidade de cortes de juros no curto prazo.
  • Possibilidade de candidatura de Flávio Bolsonaro às eleições presidenciais de 2026 aumentaram a percepção de riscos de ativos nacionais e trouxeram forte volatilidade para o câmbio.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | No dia: +0,08% | Na semana: -0,40% | No mês: +1,47% | No ano: -12,38% | Em 12 meses: -9,98% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,05% | Na semana: -0,60% | No mês: -1,03% | No ano: -8,99% | Em 12 meses: -7,97% |

O MAIS IMPORTANTE: Dados econômicos americanos
Impacto esperado no USDBRL: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 12 de dezembro de 2025

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Investidores devem repercutir a divulgação de indicadores para mercado de trabalho e inflação nos Estados Unidos, buscando calibrar expectativas para a trajetória dos juros americanos.

  • As projeções de analistas apontam para uma leve moderação nos dados para o mercado de trabalho e uma estabilidade da inflação acima da meta perseguida pelo Federal Reserve, de 2% anuais.

 

Por que isso é importante: Caso essas projeções se confirmem, estes dados devem reforçar a percepção de que não há urgência para novos cortes de juros, estimulando uma postura mais cautelosa do Federal Reserve em suas próximas decisões de política monetária.

  • Isto, por sua vez, tende a ampliar o rendimento de títulos do Tesouro americano (Treasuries), favorecendo a atração de capital externo e fortalecendo o dólar globalmente.

 

Dúvidas quanto a cortes de juros: Em sua decisão da última quarta-feira (10), o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) reduziu sua taxa de juros em 0,25 p.p., da faixa entre 3,75% e 3,50% para a faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.

  • Apesar da redução, o Comitê trouxe sinais de cautela sobre as próximas decisões de juros e teve três votos contrários à decisão, algo que não ocorria desde setembro de 2019.
  • Adicionalmente, as Projeções Econômicas Sumarizadas mostraram que seis membros do Fed julgavam mais apropriado manter os juros estáveis nessa decisão, bem como apresentaram um elevado grau de dispersão nas expectativas para os juros em 2026 e 2027, evidenciando o baixo grau de confiança dentre os integrantes quanto à evolução da economia nos próximos anos.
  • O elevado grau de dispersão é fruto, principalmente, de estatísticas econômicas contraditórias para os EUA, com alguns indicadores sugerindo um desempenho mais vigoroso e outros sugerindo um desempenho mais fraco que o esperado.

 

Dados atrasados: Nesta semana, o Departamento de Estatísticas Trabalhistas (BLS) americano irá divulgar o Relatório da Situação de Emprego, na terça (16), e o Índice de Preços ao Consumidor (CPI), na quinta (18), ambos referentes aos meses de outubro e novembro.

  • A divulgação destes dados foi atrasada pela paralisação de 43 dias do governo americano.
  • A qualidade dos dados de inflação pode ser menor que o habitual para esses dois meses, visto que aproximadamente 2/3 dos cerca de 100 mil preços pesquisados pelo CPI são coletados em visitas presenciais a lojas.
  • Adicionalmente, não haverá a publicação da pesquisa de domicílios do Relatório da Situação do Emprego referente a outubro, pois a paralisação impediu a realização de aproximadamente 60 mil ligações telefônicas para coleta de suas informações.

 

O que esperar:

  • Relatório da Situação do Emprego: A mediana das estimativas indica que a criação líquida de empregos passe de 119 mil em setembro para 45 mil em novembro. Esse resultado sugere uma desaceleração gradativa do mercado de trabalho americano, porém ser sugerir uma piora intensa
  • CPI: A mediana das projeções aponta para uma alta de 0,3% no índice cheio e 0,2% em seu núcleo, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, variação idêntica à registrada em setembro. Os preços de bens industriais devem seguir pressionados, compensando a desaceleração nos serviços. Caso se confirme, a alta acumulada em 12 meses do CPI passaria de 3% em setembro para 3,1% em novembro, enquanto a de seu núcleo permaneceria em 3,0%.

 

Ata do Copom e Relatório de Política Monetária (RPM)
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 05 de dezembro de 2025

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Investidores devem repercutir a divulgação da ata da decisão da última quarta-feira (10) do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que manteve a taxa básica de juros (Selic) estável em 15,00% a.a. pela quarta decisão consecutiva.

  • Em particular, investidores buscam calibrar expectativas quanto à possibilidade de um corte de juros na decisão de 29 de janeiro, após o Comitê realizar apenas mudanças sutis em seu comunicado.
  • Adicionalmente, o Banco Central publicará o Relatório de Política Monetária (RPM) referente ao quarto trimestre, divulgação que será seguida por entrevista coletiva do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen.

 

Por que isso é importante: A sinalização de que o Banco Central possa ser mais cauteloso na realização de um ciclo de cortes de juros no Brasil pode aumentar o rendimento dos títulos domésticos e favorecer a atração de capitais externos, o que tende a valorizar o real frente ao dólar.

 

Mudanças sutis no comunicado: Ao contrário do antecipado por analistas, o trecho que explicita a estratégia de manutenção dos juros altos por “período bastante prolongado” foi mantido no comunicado.

  • Nas semanas anteriores, integrantes do BC haviam sinalizado que esse “período prolongado” tem seu início desde a decisão de junho, quando a Selic foi elevada para 15,00% a.a., com efeitos cumulativos sobre a economia desde então.
  • Por isso, investidores antecipavam que o Copom retiraria da comunicação oficial a avaliação de que os juros devem permanecer em 15% ao ano por “período bastante prolongado” para sinalizar a proximidade de um ciclo de cortes, o que não ocorreu.
  • Por outro lado, o Comitê acrescentou a expressão “em curso” e substitui “suficiente” por “adequado” no trecho “O Comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
  • Isto sugere que o período prolongado já começou no passado e continua em vigor, aproximando a possibilidade de seu fim, porém não há clareza quanto ao significado da mudança de “suficiente” por “adequado”.

 

Dúvidas quanto ao começo dos cortes: Embora essas mudanças tenham sido em direção à possibilidade de um corte de juros, elas foram tão sutis que investidores interpretaram que é mais provável que esse corte ocorra em março.

  • Por isso, ao descrever as discussões e análises ocorridas na reunião do Copom, a ata pode fornecer detalhes importantes para calibrar as expectativas de investidores quanto ao momento de início do ciclo de cortes.

 

Relatório de Política Monetária (RPM): O RPM é a análise mais abrangente do Banco Central sobre o ambiente macroeconômico doméstico e internacional e inclui projeções para os principais indicadores macroeconômicos brasileiros para os próximos anos.

  • Em particular, investidores estarão atentos às projeções para inflação e Produto Interno Bruto do país, que podem influenciar as expectativas para a trajetória da Selic.
  • Adicionalmente, as declarações de Galípolo e Guillen também serão monitoradas, pois podem oferecer sinais sobre os próximos passos da política monetária.

 

Decisão de juros do BCE
Impacto esperado no USDBRL: baixista

Nesta quinta-feira (18) o Banco Central Europeu (BCE) deve manter sua taxa básica de juros inalterada em 2,00% ao ano, em meio a sinais positivos para crescimento econômico e uma inflação dentro da meta.

 

Por que isso é importante: A manutenção dos juros da União Europeia deve fortalecer o euro perante o dólar, especialmente após o último corte de juros realizado pelo Fed. Isto, por sua vez, pode favorecer o desempenho de real indiretamente, por conta de um possível enfraquecimento do dólar.

 

Panorama: Embora a alta acumulada em 12 meses do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da área do euro tenha avançado de 2,1% em outubro para 2,2% em novembro, a expectativa de queda de preços de energia diminui a preocupação com o cenário inflacionário do bloco.

  • Adicionalmente, o Produto Interno Bruto acelerou sua expansão trimestral de 0,1% no segundo trimestre para 0,3% no terceiro, melhorando as expectativas para o dinamismo econômico da região.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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