
Dólar deve refletir PIB nos EUA, IPCA-15, temores políticos no Brasil, nomeação ao Fed e saída sazonal de dólares
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Aviso: Devido às festas de fim de ano, as rotinas de publicação da Inteligência de Mercado da StoneX serão adaptadas nas próximas semanas.
- O Panorama Semanal de Câmbio não será publicado nos dias 26 de dezembro e 2 de janeiro, retornando em 09 de janeiro de 2024.
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- Boas Festas!
- Altista
- Divulgação do PIB e do PCE do 3º trimestre deve reforçar percepção de que não há urgência para novos cortes de juros pelo Federal Reserve, mantendo rendimentos dos Treasuries elevados e fortalecendo o dólar globalmente.
- Pesquisas eleitorais para 2026 e declarações de lideranças políticas podem aumentar percepção de risco fiscal, dificultando a atração de capital estrangeiro e pressionando negativamente o real.
- Divulgação do IPCA-15 e dados de emprego pode sustentar apostas por cortes mais rápidos na Selic, reduzindo a atratividade dos títulos nacionais e enfraquecendo o real.
- Remessas de lucros, pagamentos internacionais e rebalanceamento de portfólios no fim do ano podem reduzir a oferta de moeda americana no mercado doméstico, ampliando a volatilidade e pressionando o câmbio.
- Baixista
- Provável indicação de presidente alinhado a postura mais agressiva de afrouxamento monetário nos EUA pode reduzir a atratividade do dólar globalmente, favorecendo moedas de economias com juros mais altos, como o real.
Resumo da semana passada
- Declarações de lideranças e pesquisas eleitorais para 2026 aumentaram percepção de risco fiscal, reduzindo a atratividade de ativos domésticos e pressionando negativamente o real.
- Divulgação do CPI e do ”Payroll”, apesar de mistos, reforçou sinais de resiliência da economia americana, sustentando expectativas de manutenção dos juros por mais tempo e fortalecendo o dólar globalmente.
- Falas de dirigentes e Relatório de Política Monetária (RPM) indicaram postura cautelosa do Banco Central, reduzindo apostas de cortes agressivos na Selic.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | No dia: +0,15% | Na semana: +2,18% | No mês: +3,67% | No ano: -10,47% | Em 12 meses: -9,69% |
Variações do Dollar Index | No dia: +0,16% | Na semana: +0,18% | No mês: -0,86% | No ano: -8,83% | Em 12 meses: -9,05% |
O MAIS IMPORTANTE: PIB nos Estados Unidos
Impacto esperado no USDBRL: altista
Taxa de crescimento trimestral anualizada do PIB americano

Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Nas próximas duas semanas, investidores estarão atentos à divulgação de indicadores sobre a economia dos Estados Unidos enquanto tentam calibrar suas expectativas com relação à trajetória dos juros no país.
- Em destaque, estão a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), ambos referentes ao terceiro trimestre de 2025.
- As projeções indicam moderação no ritmo de crescimento do PIB e manutenção da inflação em patamar superior à meta de 2% ao ano perseguida pelo Federal Reserve.
Por que isso importa: Caso as estimativas se confirmem, os dados devem reforçar a percepção de que não há urgência para novos cortes no país, o que pode sustentar uma postura mais cautelosa dos membros do Federal Reserve.
- Esse cenário, por sua vez, tende a manter os rendimentos dos Treasuries elevados, favorecendo a entrada de capital externo e fortalecendo o dólar globalmente.
Dúvidas sobre cortes de juros: Na última reunião, em 10 de dezembro, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) reduziu a taxa básica em 0,25 p.p., para a faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
- Apesar do corte, o Comitê sinalizou prudência e registrou três votos contrários, algo inédito desde setembro de 2019.
- As Projeções Econômicas Sumarizadas, divulgadas junto da decisão, mostraram elevada dispersão nas expectativas para os juros em 2026 e 2027, refletindo incerteza sobre o desempenho da economia e nível de preços.
- O elevado grau de dispersão é fruto, principalmente, de estatísticas econômicas contraditórias para os EUA, com alguns indicadores sugerindo um desempenho mais vigoroso e outros sugerindo um desempenho mais fraco que o esperado.
Atraso nos dados: A divulgação da maior parte dos dados nas próximas duas semanas havia sido postergada devido à paralisação de 43 dias do governo americano, o que pode comprometer a qualidade das estatísticas, já que parte da coleta foi interrompida durante os meses de referência.
O que esperar:
- PIB: A mediana das estimativas indica desaceleração do crescimento anualizado para 3,2%, após avanço de 3,8% no segundo trimestre. Apesar da perda de ritmo, caso se confirme, o resultado deve ser considerado suficiente para afastar percepções de enfraquecimento excessivo da economia. Vale lembrar que a expansão acima do esperado no segundo trimestre esteve relacionada à recuperação frente ao desempenho fraco observado no início do ano
- PCE: As estimativas medianas para o 3º trimestre apontam avanço de 2,9% anualizado tanto no índice cheio quanto no núcleo, que exclui alimentação e energia. Esse ritmo avança ligeiramente frente à variação anterior, sinalizando que a pressão inflacionária permanece consistente, ainda que tenha desacelerado ao longo do ano. O PCE é a métrica inflacionária preferida pelo Federal Reserve por refletir melhor os padrões de consumo das famílias. A taxa anualizada próxima a 3% indica que a inflação segue acima da meta de 2%, o que pode reduzir as apostas por cortes adicionais de juros nas próximas reuniões do FOMC, reforçando a postura cautelosa da autoridade monetária.
Cenário político de 2026 no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista
Nesta semana, a moeda brasileira foi novamente pressionada por pesquisas eleitorais para 2026, que sinalizaram uma vantagem da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva contra as principais lideranças da oposição.
- O aumento da preocupação política entre investidores se intensificou desde o início do mês após declaração do senador Flávio Bolsonaro sobre sua escolha como candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
- Investidores temem que uma reeleição do governo atual resulte em maior nível de gastos públicos durante os próximos quatro anos
- Por isso, essas notícias aumentaram a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e dificultaram a atração de capital estrangeiro, desvalorizando do real.
- Na próxima semana, segundo notícias, o ex-presidente Jair Bolsonaro deverá conceder a sua primeira entrevista desde que foi preso, o que pode intensificar volatilidades de âmbito político.
Por que isso é importante: Caso novas notícias sobre o tema surjam nas próximas semanas, a aversão a ativos domésticos pode se intensificar, pressionando negativamente o real, especialmente à medida que as eleições se aproximam.
IPCA-15 e dados de emprego no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista
No Brasil, a agenda da semana inclui indicadores importantes para investidores calibrarem suas expectativas sobre a condução da política monetária do Banco Central.
- O destaque deve ser a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que tende a mostrar nova divulgação alta moderada em dezembro.
- Adicionalmente, investidores devem acompanhar a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de outubro, que deve indicar estabilidade nas condições do mercado de trabalho, com provável manutenção da taxa de desemprego.
Por que isso é importante: Se confirmada, a moderação dos dados de inflação tende a aumentar as apostas de investidores por cortes de juros mais rápidos pelo Banco Central, ao passo em que se observa uma estabilização gradual da inflação à meta do órgão.
- Esse movimento pode reduzir a atratividade dos títulos nacionais e dificultar a entrada de capital estrangeiro, prejudicando o desempenho do real.
- Além disso, se os dados de emprego trouxerem alguma surpresa negativa, após um período longo de estabilidade nas condições do mercado de trabalho brasileiro, também podem contribuir para as apostas de um início antecipado do ciclo de cortes.
Panorama: O dado mais recente de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro que apontou alta de 0,20%, após avanço de 0,09% em outubro.
- Apesar da aceleração mensal, o resultado desacelerou o aumento acumulado de 12 meses de 4,68% para 4,46% no período, reforçando a percepção de que a inflação vem perdendo fôlego.
- Com a desaceleração da inflação, apesar do índice permanecer acima da meta de 3%, ficou abaixo do teto de 4,5% estipulado pelo Banco Central.
Nomeação do próximo presidente do Federal Reserve
Impacto esperado no USDBRL: baixista
Nesta semana, o presidente Donald Trump afirmou que está avaliando “três ou quatro” nomes para assumir a presidência do Federal Reserve, indicando que pretende anunciar sua escolha em breve.
- Segundo Trump, a decisão deve ocorrer nas próximas semanas, embora não tenha confirmado se será divulgada ainda este ano.
- O presidente tem reiterado sua preferência por um dirigente que adote uma postura mais agressiva na redução das taxas de juros, com o objetivo de reduzir custos de financiamento, especialmente no mercado imobiliário.
- Em declarações anteriores, Trump chegou a mencionar que já possui “uma boa ideia” sobre quem será indicado.
Por que isso importa: A indicação de um presidente alinhado a uma postura de maior afrouxamento monetário tende a elevar a percepção de risco sobre ativos americanos, pressionando os rendimentos dos Treasuries e reduzindo a atratividade do dólar no mercado global.
Saída sazonal de dólares do Brasil
Impacto esperado no USDBRL: altista
A dinâmica do mercado de divisas nas próximas semanas pode refletir efeitos técnicos associados à saída sazonal de dólares do país.
- O fim do ano é tradicionalmente marcado por maior volume de remessas de lucros ao exterior, reduzindo a oferta de moeda americana no mercado doméstico e potencializando movimentos especulativos, o que tende a acentuar oscilações no câmbio.
- Por isso, é comum também que aconteçam intervenções cambiais por parte do Banco Central nesse período, a fim de estabilizar a demanda por dólares no mercado.
Panorama: Do ponto de vista cambial, esse movimento é recorrente e distribuído ao longo de dezembro, impulsionado por vetores específicos:
- Remessas de lucros e dividendos por empresas com controle estrangeiro, concentradas após o fechamento contábil.
- Pagamentos de serviços e contratos internacionais (royalties, tecnologia, afretamento, seguros), frequentemente liquidados no encerramento do exercício.
- Rebalanceamento de portfólios por investidores estrangeiros, com redução de exposição a mercados emergentes.
- Fechamento de posições cambiais por bancos e empresas antes do encerramento do ano, visando ajustes contábeis e regulatórios.
Taxa Ptax de fim de ano
Impacto esperado no USDBRL: incerto
Na última sessão do ano, marcada para 30 de dezembro, o mercado tende a registrar maior volume de negócios e volatilidade durante as janelas utilizadas pelo Banco Central para o cálculo da taxa Ptax de fechamento, entre 10h00 e 13h10.
- A Ptax é uma taxa de referência divulgada diariamente pelo BC, amplamente utilizada na liquidação de contratos de câmbio e derivativos.
- Os valores de fim de mês e, especialmente, de fim de ano possuem relevância adicional, pois servem como parâmetro para ajustes contábeis e financeiros.
- Diante disso, operadores costumam intensificar suas operações nesses intervalos, disputando a formação da taxa, o que tende a gerar oscilações mais acentuadas no câmbio.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.