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Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

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Câmbio deve refletir decisões de juros do FOMC e Copom, tensões geopolíticas globais e dados econômicos no Brasil

  • Altista
  • Expectativa de manutenção da taxa de juros americana, aliada à possibilidade de sinalização de pausa prolongada no ciclo de cortes, tende a sustentar os rendimentos dos Treasuries e favorecer o dólar globalmente.
  • Possível abertura retórica para início do ciclo de cortes da Selic já em março pode reduzir as expectativas para o diferencial de juros brasileiro e diminuir a atratividade relativa dos ativos domésticos, exercendo pressão depreciativa sobre o real.
  • Baixista
  • Aumento da participação americana em disputas externas tem elevado a percepção de instabilidade política no país, estimulando fuga de ativos norte-americanos e favorecendo moedas de maior diferencial de juros, como o real.
  • Indicadores domésticos seguem apontando desaceleração gradual da inflação e mercado de trabalho aquecido, reforçando a expectativa ritmo mais lento de cortes da Selic e sustentando os rendimentos dos títulos nacionais, o que tende a favorecer o real.

Resumo da semana passada

  • A semana se iniciou com novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, a respeito de tarifas alfandegárias adicionais para países contrários à anexação da Groenlândia pela nação americana, o que gerou um movimento de fuga generalizada de ativos norte-americanos e contribuiu para o fortalecimento do real e de ativos considerados “porto-seguro”, como o ouro.
  • Ao longo da semana, contudo, Trump aliviou seu discurso e retirou as ameaças de uso de força militar e de tarifas adicionais para os países contrários à anexação. Apesar do alívio parcial das tensões, as negociações envolvendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o acesso americano à Groenlândia seguem sem definição.
  • Na esfera econômica, foram divulgadas a leitura final do produto interno bruto (PIB) no terceiro trimestre e o índice de preços de despesas pessoais (PCE) de novembro nos EUA. Os indicadores apresentaram resultados de 4,4% (taxa anualizada) e 0,2%, respectivamente, em linha com as projeções. Esse cenário reforçou a leitura de que a economia americana segue resiliente e contribuiu para reduzir as apostas de cortes adicionais de juros no curto prazo, inclusive na próxima reunião do Federal Reserve

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: +0,08% | Semanal: -1,59% | Mensal: -3,46% | Anual: -14,41% | Em 12 meses: -10,76%

 

Variações do Dollar Index

Diária: -0,76% | Semanal: -1,79% | Mensal: -0,71% | Anual: -9,72% | Em 12 meses: -9,66%


O MAIS IMPORTANTE: Decisão de juros no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

Probabilidades para as próximas reuniões do Banco Central (atualizado em 23/01/2026)

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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve manter a taxa Selic em 15,00% ao ano na reunião da próxima quarta-feira (28), preservando o atual grau de restrição monetária.

  • Mais do que a decisão em si, a atenção dos investidores deve se concentrar nas sinalizações contidas no comunicado, sobretudo em eventuais indicações sobre os fatores que poderiam levar o Comitê a iniciar um ciclo de cortes de juros já na reunião de março.
  • As principais projeções de mercado indicam que o início do afrouxamento monetário tem se aproximado, e cresce a expectativa de que o Copom possa abrir espaço retórico para essa possibilidade no próximo encontro.

Por que isso é importante: Caso o comunicado sinalize de forma mais clara a possibilidade de cortes já em março, o movimento pode reduzir a atratividade relativa dos ativos domésticos, ao comprimir o diferencial de juros entre o Brasil e outras economias, o que tenderia a exercer pressão depreciativa sobre o real.

  • Por outro lado, caso o Copom volte a reforçar a narrativa de que os cortes ainda estão distantes, os rendimentos dos títulos domésticos podem se manter elevados ou até subir, o que contribuiria para sustentar ou fortalecer a moeda brasileira no curto prazo.

Panorama: Se confirmada, esta será a quinta reunião consecutiva em que o Copom mantém a Selic inalterada, mantendo as condições financeiras em território claramente restritivo.

  • O Comitê tem fundamentado essa estratégia principalmente nas expectativas de inflação ainda elevadas, na resiliência da atividade econômica e em um mercado de trabalho persistentemente aquecido, apesar de sinais incipientes de desaceleração da atividade e de uma melhora gradual no comportamento da inflação corrente.
  • Na última decisão, em dezembro, o comunicado destacou “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência da atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, reforçando que não há pressa para iniciar o ciclo de afrouxamento monetário.
  • Ainda assim, a suavização progressiva dos indicadores inflacionários e os primeiros sinais de perda de fôlego da economia aumentam a probabilidade de que o Banco Central comece a preparar o mercado para cortes no curto prazo.

Monitoramento da economia: É provável também que o Copom volte a reforçar a dependência de dados na condução da política monetária, destacando que ainda há poucas evidências concretas de arrefecimento do mercado de trabalho capazes de justificar um ciclo de cortes mais agressivo.

  • Nesse contexto, alguns indicadores a serem divulgados ao longo da semana ganham relevância adicional, com destaque para os dados do mercado de trabalho da PNAD Contínua e do CAGED, ambos referentes a dezembro, e o IPCA-15 de janeiro.


Decisão de juros nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: altista

Probabilidades para as próximas reuniões do Federal Reserve (atualizado em 23/01/26)

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Fonte: CME FedWatch. Elaboração: StoneX.

Para a próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Baerto (FOMC), nos dias 27 e 28 de janeiro, aposta-se num consenso quanto à manutenção dos juros norte-americanos na faixa entre 3,50 e 3,75 ao ano.

  • Diante do consenso quanto à decisão, as maiores expectativas devem recair quanto ao tom do comunicado pós reunião, bem como das falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Por que isso é importante: A coletiva de imprensa após a reunião pode sinalizar qual será a postura da autoridade monetária quanto aos juros dos Estados Unidos em 2026. Caso reforce as apostas de que o Comitê deve pausar o ciclo de cortes por período prolongado, pode elevar os rendimentos dos ativos americanos, o que tende a favorecer o dólar globalmente.

  • Vale destacar também que, em maio, outro presidente assumirá a presidência do Fed, com expectativas de um maior alinhamento a Donald Trump, que insiste que os juros poderiam estar em patamares bem menores.

Panorama: De qualquer forma, antes de qualquer mudança de direção no Fed, com as informações disponíveis atualmente, parte dos agentes espera que um novo corte dos juros norte-americanos poderia ocorrer somente a partir de meados deste ano, uma vez que o mercado de trabalho mostra comportamento misto e a inflação ainda continua acima da meta.

  • O número mais recente de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos aumentou menos do que o esperado na semana encerrada em 17 de janeiro, atingindo 200 mil. Tal resultado reforçou a percepção de um cenário de certa estabilidade no mercado de trabalho do país.
  • Ao mesmo tempo, a divulgação do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE), do mês de novembro, indicou um avanço de 0,2% em comparação a outubro. Considerando os 12 meses até novembro, a alta foi de 2,8%, superando os 2,7% registrados em outubro e ficando acima da expectativa do mercado.
  • Além disso, os últimos dados mais do Produto Interno Bruto (PIB) mostraram avanço acima do esperado, de 4,4%, do crescimento da economia no terceiro trimestre de 2025.
  • Por outro lado, parte das pesquisas sobre o mercado de trabalho sugerem dificuldades por parte dos trabalhadores para encontrar novos empregos, o que seria um sinal de demanda mais fraca por mão-de-obra e desaquecimento do mercado de trabalho.

A posterior divulgação da ata da reunião deve dar ainda mais pistas sobre os próximos passos da autoridade monetária. Após a reunião de dezembro, o documento mostrou divisão nos votos. Votaram a favor do último corte de juros 9 das 12 autoridades. Mas, mais que os votos, houve uma pequena sinalização de que há dúvidas sobre quando o próximo corte de juros poderia ocorrer.  


Tensões geopolíticas envolvendo os EUA

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Ao longo dessa semana, os EUA estiveram envolvidos em novas discussões geopolíticas, em meio ao acirramento das tensões com a União Europeia sobre a Groenlândia e a retomada das ameaças sobre uma incursão militar no Irã.

Por que isso é importante: Apesar da situação influenciar na busca por ativos considerados “portos-seguros”, a participação dos EUA nessas pautas externas tem reforçado as inseguranças entre investidores sobre a estabilidade política no país, resultando na fuga de ativos norte-americanos, incluindo o dólar, e procurando outras moedas, com o real brasileiro estando entre as principais moedas beneficiadas.

Panorama: Além de ameaçar militarmente a Groenlândia, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que poderia aplicar novas tarifas contra os produtos exportados pela União Europeia aos EUA.

  • Após pressões, Trump descartou a possibilidade de uma tomada à força do território groenlandês, afirmando ter discutido um acordo com a União Europeia que atenda os interesses de Washington, o que ampliou o apetite por risco no mercado em meados dessa semana.
  • Ao final da semana, no entanto, Trump voltou aos holofotes da geopolítica, afirmando o envio de aviões militares para bases norte-americanas próximas ao Irã, como resposta às novas execuções de manifestantes no país e a falta de informações sobre os estoques de urânio enriquecido.
  • Para a próxima semana, o cálculo dos investidores deve seguir pautado entre buscar ativos mais seguros e compreender os riscos associados aos ativos norte-americanos.
  • Em um cenário de acirramento das tensões entre EUA e outras nações, é provável que o dólar siga perdendo frente a outras moedas, com o real brasileiro se destacando por conta do diferencial de juros.
  • Já no caso de uma menor participação norte-americana nas discussões externas e um aumento do risco geopolítico e macroeconômico, é possível que o dólar volte a se valorizar perante outras moedas.


IPCA-15 e dados de emprego no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: baixista

No Brasil, a agenda da semana inclui indicadores importantes para investidores calibrarem suas expectativas sobre a condução da política monetária do Banco Central.

  • O destaque deve ser a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que será divulgado pouco antes da reunião do Copom.
  • Adicionalmente, no final da semana investidores devem acompanhar dados do mercado de trabalho brasileiro em dezembro através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) e a Evolução Mensal do Emprego do CAGED.
  • Os dados mais recentes vêm reforçando a interpretação de uma economia resiliente, com dados positivos para a atividade econômica, desemprego em mínimas históricas e inflação se aproximando gradualmente da meta do BC, o que reforça as apostas de manutenção dos juros no encontro da próxima semana e adia as apostas para o início do ciclo de cortes.

Por que isso é importante: Caso os dados de inflação e de desemprego no país voltem a sugerir moderação, a tendência é de que o Copom siga reforçando a perspectiva de cautela e ritmo gradual nas reduções de juros do país, o que tende a fortalecer o real.

Panorama: O dado mais recente de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, apontou para aceleração de 0,33%, ante 0,18% no mês anterior.

  • Apesar da aceleração, no acumulado dos últimos 12 meses o país fechou 2025 com uma taxa de 4,26%, o segundo mês consecutivo dentro das bandas de tolerância.
  • No mercado de trabalho, o nível de desemprego está próximo das mínimas históricas. Os dados da PNAD e do CAGED referentes a novembro apontaram para uma taxa de desemprego de 5,2% e a geração de 85,86 mil empregos, respectivamente.
  • Cabe ressaltar que dezembro, sazonalmente, costuma ser um mês de números negativos, resultado dos empregos temporários de final de ano, o que pode contribuir para um saldo negativo na geração de novos empregos com carteira assinada.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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