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Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

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Câmbio deve refletir “Payroll” nos EUA, ata do Copom, paralisação do governo americano, temores geopolíticos e decisão do BCE

  • Altista
  • Caso os indicadores de mercado de trabalho americano reforcem a leitura de estabilidade do emprego, a expectativa de manutenção dos juros americanos por período prolongado tende a se consolidar, sustentando os rendimentos dos Treasuries e fortalecendo o dólar globalmente.
  • Sinalização de início do ciclo de afrouxamento em março na ata do Copom tende a reduzir perspectiva para o diferencial de juros brasileiro e prejudicar o real.
  • A intensificação das tensões envolvendo os EUA e o Irã aumenta a aversão ao risco global, favorecendo ativos considerados "porto-seguro" e podendo prejudicar moedas emergentes, como o real.
  • Baixista
  • A possibilidade de paralisação dos serviços públicos nos EUA pode intensificar a aversão ao dólar e estimular a diversificação de portfólios em direção a mercados emergentes, beneficiando o real.
  • A manutenção da taxa básica na zona do euro tende a sustentar a valorização do euro frente ao dólar, movimento que pode enfraquecer o dólar globalmente e favorecer o real de forma indireta.

Resumo da semana passada

  • O Copom e o FOMC votaram pela manutenção das suas respectivas taxas básicas de juros em 15,00% e o intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano. O Banco Central do Brasil manteve a taxa inalterada pela sexta reunião consecutiva, ao passo que Federal Reserve encerrou um ciclo de três cortes.
  • O presidente Donald Trump indicou Kevin Warsh para suceder Jerome Powell na presidência do Federal Reserve. Warsh ficou conhecido por defender uma política monetária mais restritiva no contexto da crise de 2008, embora, recentemente, tenha defendido cortes nas taxas básicas de juros. Após a nomeação, o dólar se forlateceu em âmbito global.
  • No mercado de trabalho brasileiro, dados do CAGED e da PNAD apresentaram um cenário misto. Enquanto o primeiro indicou a criação de 1,28 milhão de novos empregos com carteira assinada ao longo de 2025, o pior resultado desde a pandemia em 2020, o segundo apontou que a taxa média de desemprego encerrou o ano em 5,6%, a menor média anual da série histórica. Esses dados contraditórios podem reduzir as apostas por cortes de juros na reunião de março do Copom.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: +1,00% | Semanal: -0,77% | Mensal: -4,20% | Anual: -15,07% | Em 12 meses: -10,37%

Variações do Dollar Index

Diária: +0,89% | Semanal: -0,60% | Mensal: -1,31% | Anual: -10,27% | Em 12 meses: -10,00%


O MAIS IMPORTANTE: Dados de emprego nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: altista

A semana concentra a divulgação de indicadores econômicos relevantes, que devem auxiliar os investidores a calibrar suas expectativas para a economia dos Estados Unidos.

  • O principal foco recai sobre os dados do mercado de trabalho, que serão divulgados ao longo da semana. Na terça-feira (3), será publicado o relatório JOLTS. Na quarta-feira (4), saem os números de empregos privados da ADP. Já na sexta-feira (6), ocorre a divulgação do Relatório de Situação de Emprego payroll, considerado o indicador mais relevante do conjunto.
  • Cabe ressaltar, no entanto, o risco de que parte desses dados não seja divulgada, diante da perspectiva de paralisação do governo americano, o que pode suspender as atividades do Departamento do Trabalho, responsável pela coleta e publicação de alguns desses indicadores.

Variação no total de empregos urbanos (mil pessoas) e da taxa de desemprego (%) nos Estados Unidos

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Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: A evolução da atividade econômica, do mercado de trabalho e da inflação continua a exercer influência decisiva sobre as decisões de política monetária do Federal Reserve.

  • Caso os dados de emprego reforcem a percepção de estabilidade no mercado de trabalho americano, tende a se consolidar a expectativa de manutenção da taxa de juros por mais tempo, o que pode elevar os rendimentos dos títulos do Tesouro e favorecer o fortalecimento do dólar em nível global.

Panorama: Na última divulgação do relatório de emprego, referente a dezembro, observou-se a criação líquida de 50 mil vagas, resultado ligeiramente abaixo do esperado, mas ainda compatível com um cenário de desaceleração gradual e controlada do mercado de trabalho.

  • Diante disso, os investidores buscam na divulgação de janeiro sinais adicionais sobre a condição do mercado de trabalho no início do ano, especialmente considerando que, desde então, os indicadores econômicos têm apresentado leituras divergentes.
  • As estatísticas mais recentes seguem apontando um cenário contraditório, com alguns dados sugerindo perda de fôlego da atividade enquanto outros indicam resiliência econômica.
  • Nesse contexto, a divulgação de novos dados é vista como essencial para trazer maior clareza sobre a trajetória da economia americana e, consequentemente, sobre a evolução futura da política monetária.

Risco de novo shutdown: Na paralisação mais recente do governo americano, que se estendeu por 43 dias, todas as divulgações de dados do mercado de trabalho realizadas pelo Departamento do Trabalho foram suspensas imediatamente após o início do shutdown.

  • Isso incluiu os relatórios de payroll e JOLTS, enquanto indicadores privados, como o da ADP, continuaram sendo publicados por não dependerem de órgãos governamentais.
  • Informações adicionais sobre o risco de nova paralisação serão detalhadas em tópico específico mais adiante.


Ata do Copom

Impacto esperado no USDBRL: altista

Investidores devem repercutir a divulgação da ata da decisão da última quarta-feira (10) do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que manteve a taxa básica de juros (Selic) estável em 15,00% a.a. pela quarta decisão consecutiva.

  • O comunicado da decisão, contudo, surpreendeu ao antecipar que, caso o cenário atual seja mantido, o comitê deve iniciar o ciclo de afrouxamento da taxa de juros na próxima reunião, no dia 18 de março, ainda que com “serenidade”.
  • As apostas agora se dividem, com parte dos investidores indicando que o BC deve iniciar o ciclo de cortes com a magnitude de 0,25%, e outra parte com 0,50%.

Probabilidades para as próximas reuniões do Banco Central – atualizado em 30/01/2026

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Fonte: CME FedWatch. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: Caso o comunicado confirme de forma mais clara a possibilidade de cortes já em março, o movimento pode reduzir a atratividade relativa dos ativos domésticos, ao comprimir o diferencial de juros entre o Brasil e outras economias, o que tenderia a exercer pressão depreciativa sobre o real.

Em detalhes: Segundo o comunicado divulgado após a decisão, o BC deve "iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

  • A inclusão de mais um forward guidance (orientação futura) no comunicado reforça uma prática adotada pela atual gestão do Banco Central, que tem buscado antecipar, sempre que possível, suas intenções ao mercado. Essa estratégia tem contribuído para reduzir ruídos de comunicação e limitar episódios de volatilidade excessiva nos ativos domésticos, especialmente no câmbio.
  • Ao mesmo tempo, o comitê reiterou a presença de riscos relevantes para o processo de desinflação, sustentando uma retórica de cautela quanto ao ritmo e à extensão do ciclo de cortes.
  • O comunicado destacou que os indicadores de atividade econômica seguem mostrando, conforme esperado, uma trajetória de moderação do crescimento, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente. As leituras mais recentes da inflação cheia e das medidas subjacentes indicam arrefecimento, embora ainda em níveis superiores à meta estabelecida.

Trocas no Copom: A reunião deste mês do Copom ocorreu com apenas sete dos nove membros, após o encerramento dos mandatos de Diogo Guillen, ex‑diretor de Política Econômica, e Renato Gomes, ex‑diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.

  • A ausência de indicações, até o momento, para as vagas em aberto adiciona um elemento de incerteza ao cenário, uma vez que os novos nomes poderão influenciar a percepção de risco e a credibilidade da condução da política monetária nos próximos meses.

 

Risco de novo shutdown do governo americano

Impacto esperado no USDBRL: baixista

As chances de uma paralisação do governo americano cresceram nesta sexta-feira (30), após entraves no senado americano para um acordo que mantenha o financiamento de uma ampla gama de programas governamentais, incluindo o DHS, departamento responsável pelo financiamento da segurança interna do país, que inclui a atuação de agentes de imigração (ICE).

  • A votação foi interrompida na noite da quinta-feira e o prazo para o financiamento expira à meia-noite desta sexta-feira. Mesmo com aprovação do senado, ainda será necessária aprovação da câmara dos representantes, o que reduz a probabilidade de que a votação ocorra antes de meia-noite.
  • A expectativa, contudo, é de que qualquer paralisação seja breve, ao contrário do observado ano passado, já que o consenso entre parlamentares de ambos os partidos é de impedir que a questão da imigração interrompa outras atividades do governo.

Por que isso é importante: Interrupções nos serviços do governo americano podem intensificar o sentimento de aversão ao dólar e busca por diversificação de ativos, o que tende a promover a continuidade do influxo de capital estrangeiro no Brasil e venda de ativos americanos.

Impacto: Caso confirmada a paralisação, ela teria início 0h01 de sábado (31/01) e incluiria os departamentos que ainda não receberam financiamento.

  • Departamentos não financiados: Defesa, Educação, Saúde e Serviços Humanos, Segurança Interna, Trabalho, Estado, Transportes, Habitação e Desenvolvimento Urbano e Tesouro.
  • Para investidores globais, o principal impacto da falta de orçamento seria a interrupção da coleta de dados e da divulgação de estatísticas elaboradas pelo Departamento do Trabalho, incluindo o importante “payroll”, que detalha as condições do mercado de trabalho americano.

 

Risco de intervenção americana no Irã

Impacto esperado no USDBRL: altista

Nos últimos dias, o mercado observou uma intensificação dos riscos na região do Oriente Médio, com foco principalmente no Irã. O país já foi alvo de uma ação militar pontual dos Estados Unidos em junho do ano passado que buscava desestruturar o programa nuclear iraniano. Desde então, o país persa viu a sua política interna efeverscendo-se, com protestos populares sendo acompanhados de uma repressão violenta pelo regime dos Aiatolás, deixando milhares de mortos.

  • Desde a intervenção militar americana do ano passado, o Irã deixou de ser transparente com dados relacionados a etoques de urânio enriquecido, o que ampliou os temores de um retorno do desenvolvimento acelerado do programa nuclear do país.
  • Nesse cenário, o presidente americano, Donald Trump, tem usado de ameaças militares para pressionar Teerã pela assinatura de um novo acordo nuclear.
  • Na semana passada, Trump confirmou o envio de aviões militares a bases americanas no Oriente Médio, o que foi entendido como uma preparação a possíveis novas intervenções. Nesta semana, os temores de um ataque foram ainda mais reforçados com rumores sugeririndo que a Casa Branca estava considerando ataques contra alvos do exército iraniano.

Por que isso é importante: O aumento das tensões geopolíticas globais pode gerar uma fuga de investimentos em ativos considerados arriscados, como moedas de países emergentes, enquanto ativos considerados "porto-seguros" se favorecem. Caso esse movimento se confirme, o real pode ser prejudicado.

 

Decisão de juros do BCE

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Nesta quinta-feira (5), o Banco Central Europeu (BCE) deve manter a taxa básica de juros inalterada em 2,00% ao ano.

  • A decisão ocorre em um contexto no qual os dados mais recentes indicam que a economia da zona do euro cresceu 0,3% no terceiro trimestre, ritmo acima do projetado pelo BCE em sua reunião de setembro, ao mesmo tempo em que a inflação tem se mostrado mais persistente do que o esperado.

Por que isso é importante: A manutenção da taxa de juros na União Europeia tende a favorecer a valorização do euro frente ao dólar. Esse movimento pode, de forma indireta, beneficiar o real, na medida em que um euro mais forte costuma estar associado a um dólar globalmente mais fraco.

Panorama: O consenso de mercado indica que o BCE deve manter os juros inalterados no curto prazo, mas as apostas passaram a precificar uma probabilidade gradualmente maior de elevação da taxa até o final de 2026.

  • A trajetória futura da política monetária, contudo, dependerá de alguns fatores-chave, incluindo o impacto do estímulo fiscal alemão sobre o crescimento, a evolução do câmbio especialmente após a valorização acumulada do euro no ano e os efeitos desinflacionários associados à queda dos preços de energia e à maior oferta de bens chineses a preços mais baixos.

 

Dados de atividade econômica no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

Ao longo da próxima semana também serão divulgados alguns índices da atividade econômica no Brasil, com destaque para os Índices de Atividade dos Gerentes de Compras (PMI) e a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF).

Por que isso é importante: Caso os índices reforcem a percepção de um quadro de desaceleração da atividade econômica, a tendência é que os investidores aumentem suas apostas para um ciclo de corte de juros mais rápido pelo Banco Central.

  • Isso, por sua vez, pode impactar os rendimentos de ativos domésticos e, por consequência, enfraquecer o real.

Dados de serviços: O setor de serviços é o principal motor da economia brasileira, respondendo direta e indiretamente por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB).

  • O desempenho do setor será acompanhado por meio do PMI de serviços. Em dezembro, o índice avançou para 53,7, ante 50,1 no mês anterior, sinalizando aceleração e expansão da atividade.

Dados da indústria: Embora seja menos acompanhado do que o setor de serviços pelos investidores, os indicadores referentes ao setor industrial têm apontado há diversos meses para uma desaceleração da atividade.

  • Enquanto o PIM-PF apontou para a estagnação da produção em novembro, a PMI referente a dezembro indicou o índice de 47,6, ante 48,8 no mês anterior, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos que sugere deterioração das condições no setor.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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