O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

Banner Currencies

Câmbio deve refletir “payroll” americano e dados de inflação no Brasil e nos EUA

  • Altista
  • Expectativa de manutenção do CPI dos Estados Unidos em patamar acima da meta do Fed deve reforçar a leitura de resiliência inflacionária, reduzindo as apostas por cortes de juros pelo Federal Reserve.
  • Dados domésticos devem sugerir perda gradual de fôlego da economia e inflação em trajetória de moderação, o que pode ampliar as apostas por um ciclo de cortes de juros mais rápido no Brasil.
  • Indicação de um dirigente historicamente associado a uma postura mais contracionista contribui para limitar expectativas de afrouxamento monetário mais agressivo nos EUA.
  • Baixista
  • Expectativa de que o “payroll” de janeiro confirme uma desaceleração mais rápida do mercado de trabalho americano pode intensificar apostas de cortes de juros mais rápidos pelo Federal Reserve.

Resumo da semana passada

  • O Comitê de Política Monetária (Copom) emitiu a ata da última reunião e, em linha com o comunicado emitido no dia da decisão, antecipou um possível corte de juros na próxima reunião, no dia 18 de março, caso o cenário atual seja mantido. Apesar da sinalização, a magnitude do corte não é certa e vai depender dos próximos dados.
  • Na economia americana, o principal indicador do mercado de trabalho (“payroll”) foi adiado para a próxima quarta-feira (11) devido ao já encerrado shutdown do governo. Apesar disso, nos últimos dias foram publicadas a Pesquisa de Abertura de Vagas e Turnover ( JOLTS) e a criação de vagas do setor privado, da ADP, que apresentaram um cenário mais deteriorado do que o esperado.
  • Por fim, ao longo da semana, a indicação de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve por Donald Trump seguiu contribuindo para o fortalecimento do dólar. Já no Brasil, notícias de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apoia a escolha de Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para completar as duas vagas abertas no Copom gerou preocupação entre os investidores, principalmente em relação a uma possível visão mais favorável a juros baixos por parte de Mello.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

image 126229

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: -0,68% | Semanal: -0,54% | Mensal: -0,54% | Anual: -15,53% | Em 12 meses: -9,48%

Variações do Dollar Index

Diária: -0,35% | Semanal: +0,61% | Mensal: +0,61% | Anual: -9,72% | Em 12 meses: -9,35%


O MAIS IMPORTANTE: Dados de emprego nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Na semana passada, a divulgação de indicadores importantes sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos foi adiada em função do breve período de paralisação parcial do governo federal, que se estendeu entre os dias 31 de janeiro e 3 de fevereiro.

  • Como consequência, o Relatório de Situação de Emprego (“payroll)” referente a janeiro, originalmente previsto para esta sexta‑feira (6), foi remarcado para a próxima quarta‑feira (11).
  • A expectativa mediana do mercado aponta para a criação de 68 mil novas vagas, acima das 50 mil registradas no mês anterior, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer estável em 4,4%
  • Vale ressaltar, contudo, que a leitura do relatório JOLTS de dezembro, divulgada na semana passada, sinalizou um enfraquecimento mais pronunciado do mercado de trabalho do que o antecipado pelos investidores, elevando os receios de que o “payroll” possa corroborar um quadro de desaceleração mais acentuada da atividade nos Estados Unidos.

Variação no total de empregos urbanos (mil pessoas) e da taxa de desemprego (%) nos Estados Unidos

image 125939

Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: A evolução da atividade econômica, do mercado de trabalho e da inflação continua a exercer influência decisiva sobre as decisões de política monetária do Federal Reserve.

  • Caso o “payroll” reforce a percepção de deterioração no mercado de trabalho americano, as expectativas por cortes de juros mais rápidos no país tendem a se acentuar, o que pode prejudicar os rendimentos dos títulos do Tesouro e enfraquecer o dólar em nível global.

Panorama: Na última divulgação do relatório de emprego, referente a dezembro, observou-se a criação líquida de 50 mil vagas, resultado ligeiramente abaixo do esperado, mas ainda compatível com um cenário de desaceleração gradual e controlada do mercado de trabalho.

  • Diante disso, os investidores buscam nos dados de janeiro sinais adicionais sobre a condição do mercado de trabalho no início do ano, especialmente considerando que, desde então, os indicadores econômicos têm apresentado leituras divergentes.
  • As estatísticas mais recentes seguem apontando um cenário contraditório, com alguns números sugerindo perda de fôlego da atividade enquanto outros indicam resiliência econômica.
  • Nesse contexto, a divulgação de novos dados é vista como essencial para trazer maior clareza sobre a trajetória da economia americana e, consequentemente, sobre a evolução futura da política monetária.

Mercado de trabalho têm mostrado sinais de desaceleração: Outros dados referentes ao mercado de trabalho americano foram publicados ao longo da última semana, que mostraram um cenário de desaceleração do emprego.  

  • Na quarta-feira (04), o relatório de empregos no setor privado da ADP apontou para uma criação líquida de 22 mil vagas no mês de janeiro, abaixo da mediana das estimativas, que giravam em torno das 45 mil vagas.
  • Na quinta-feira (05), os dados de vagas de trabalho abertas nos Estados Unidos (JOLTS) em dezembro recuou para 6,542 milhões, ao passo que o número de novembro também foi revisado para baixo.
  • Os dados de novos pedidos semanais de auxílio desemprego no país, por outro lado, avançaram acima do esperado, atingindo 231 mil solicitações do benefício.

 

Inflação e dados de atividade no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

No Brasil, a agenda da semana inclui importantes indicadores econômicos, que podem ajudar investidores a calibrarem suas expectativas sobre a magnitude do corte de juros na próxima reunião do Copom, no dia 18 de março.

  • O destaque é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a janeiro, que deve seguir indicando desaceleração da inflação.
  • De acordo com o Boletim Focus do Banco Central mais recente, a mediana das expectativas indica uma alta de 0,34% no índice cheio do mês, abaixo do avanço observado em janeiro do ano passado, quando o IPCA registrou variação de 0,52%.
  • Adicionalmente, ao longo da semana serão divulgadas as pesquisas mensais do setor de serviços (PMS) e comércio (PMC), importantes indicadores da atividade econômica.

Por que isso é importante: Em sua última reunião de política monetária, o Copom sinalizou que deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) no encontro de março, com a magnitude da redução devendo depender do desempenho dos indicadores econômicos.

  • Dessa forma, sinais mais claros de arrefecimento da atividade econômica e, principalmente, de desaceleração inflacionária, podem aumentar as apostas de um corte mais amplo por parte do Comitê.
  • Isso, por sua vez, tende a prejudicar o rendimento de ativos domésticos e pode enfraquecer o real.

Panorama: O dado mais recente de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) referente a janeiro, apontou para uma desaceleração da inflação, com os preços subindo 0,20% ante 0,25% no mês anterior.    

  • A leitura foi considerada moderada, especialmente diante do avanço mais brando dos componentes de serviços (+0,19%) e do núcleo do indicador (+0,30%), que exclui componentes voláteis de alimentação e energia.
  • Segundo o Boletim Focus mais recente, do Banco Central, a estimativa mediana para o dado de janeiro é um avanço de 0,34% para o índice cheio, abaixo do avanço do mesmo mês do ano passado.
  • Em relação à atividade econômica, o setor de serviços, o principal segmento da economia brasileira, apresentou um leve recuo de 0,1% em novembro, o primeiro após nove meses consecutivos de crescimento.
  • Já no comércio, as duas últimas divulgações indicaram crescimento de 1,0% e 0,5%, respectivamente, acima das estimativas do mercado.

 

Inflação nos Estados Unidos

Impacto esperado no USDBRL: altista

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) desta sexta-feira (13) deve indicar manutenção da inflação americana em janeiro, com a mediana das estimativas projetando avanço de 2,7% ao ano para o índice cheio, mesmo patamar de dezembro.

  • Caso confirmado, esse resultado evidenciaria o cenário de resiliência inflacionária no país, que mantém patamar acima da meta de 2% ao ano do Federal Reserve.

Contribuições do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos - mensal, com ajuste sazonal

image 126230

Fonte: Census. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: A provável leitura ainda aquecida do CPI tende a diminuir as apostas por cortes de juros pelo Federal Reserve e favorecer a perspectiva de rendimentos de títulos americanos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

Panorama: Em coletiva após a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que “os riscos de alta para inflação e os riscos para o emprego diminuíram. Mas eles ainda existem”, indicando que não há pressa para novos cortes.

  • A decisão foi aprovada por 10 votos a 2, indicando que há um certo consenso entre os diretores do Comitê a respeito da atual conjuntura econômica.
  • Na última semana, vale adicionar, que os subíndices de preços dos Índices de Gerentes de Compras (PMIs) do ISM, tanto do setor industrial quanto de serviços, apontaram para aceleração das pressões inflacionárias, o que sugere que as próximas leituras do CPI podem indicar cenário parecido.

 

Sinalização de Kevin Warsh como novo diretor do Federal Reserve americano

Impacto esperado no USDBRL: altista

Kevin Warsh foi nomeado na sexta-feira (30/01) por Donald Trump como o novo diretor do Federal Reserve, devendo assumir o cargo em maio caso haja aprovação do senado. Warsh é historicamente conhecido como uma figura mais contracionista ou “Hawkish” em termos de política monetária, priorizando o controle da inflação sob juros mais altos.

Panorama: A grande dúvida do mercado que permanece, contudo, é quanto a figura de Warsh poderá estar suscetível a pressões políticas por parte do presidente americano Donald Trump para reduzir a taxa básica de juros do país, tendo em vista críticas recentes à gestão do atual presidente do FED Jerome Powell.

  • Nesse sentido, apesar de apaziguar parte da apreensão do mercado, que tem visto uma tendência crescente de diversificação em relação ao dólar, a atuação de Warsh na prática ainda permanece incerta, limitando seu impacto sobre o par USDBRL.

Por que isso é importante: A nomeação de uma figura mais ortodoxa para o FED tende a limitar a tendência global de diversificação frente ao dólar, com potencial impacto depreciativo sobre o real e ativos de risco.

  • Por isso, investidores devem permanecer atentos a eventuais notícias à respeito do futuro presidente do Fed ao longo da semana.

 

image 71959

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

image 126231

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.