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Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

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Câmbio deve refletir ilegalidade de tarifas de Trump, tensões no Oriente Médio, dados no Brasil e saída de Lagarde do BCE

  • Altista
  • Caso o IPCA‑15 e os dados do mercado de trabalho indiquem desaceleração da inflação e enfraquecimento da atividade, devem aumentar as apostas de um corte mais amplo da Selic em março, reduzindo o diferencial de juros e pressionando o real.
  • Rumores sobre uma possível saída antecipada da presidente do BCE, Christine Lagarde, tendem a manter elevada a incerteza sobre a política monetária europeia, o que pode prejudicar o euro em relação ao dólar nos próximos dias e, indiretamente, o real.
  • Baixista
  • A decisão da Suprema Corte dos EUA de invalidar as tarifas recíprocas impostas pela administração Trump aumenta a incerteza sobre a política econômica americana e deve gerar custos fiscais elevados, o que tende a prejudicar o dólar.
  • Apesar da escalada das tensões entre EUA e Irã ampliarem a aversão ao risco globalmente, a alta recente do petróleo sustentou ativos brasileiros ligados ao setor e podem seguir impulsionando o real.

Resumo da semana passada

  • Os dados mais esperados da semana, o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE) dos EUA apontaram sinais contraditórios.
  • A primeira leitura do PIB do 4ºtri indicou um crescimento aquém do esperado, sinalizando um enfraquecimento mais rápido da economia americana. Por outro lado, o PCE de dezembro apontou uma alta mais acelerada dos preços do que o previsto em relação ao mês anterior.
  • No âmbito político, o principal destaque aconteceu nesta sexta-feira (20), após a decisão da Suprema Corte dos EUA de que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sem a aprovação do Congresso são ilegais, o que enfraqueceu o dólar globalmente ao longo da sessão. Algumas questões práticas da decisão, contudo, seguem em aberto.
  • O acirramento inesperado das tensões entre EUA e Irã elevou as percepções de riscos geopolíticos na semana, impulsionando as cotações futuras de petróleo. Apesar disso, o real foi favorecido, diante da alta das ações nacionais do setor petrolífero
  • Na agenda nacional, o destaque foi o Índice de Atividade Econômica do BCB (IBC-Br) que apontou para um leve enfraquecimento da atividade econômica, e reforça as expectativas de um ciclo mais rápido de cortes na taxa básica de juros (Selic).

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: -1,00% | Semanal: -1,00% | Mensal: -1,31% | Anual: -16,18% | Em 12 meses: -9,23%

Variações do Dollar Index

Diária: -0,13% | Semanal: +0,90% | Mensal: +0,76% | Anual: -9,58% | Em 12 meses: -8,08%


O MAIS IMPORTANTE: Suprema corte americana decide que tarifas de Trump são ilegais

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Nesta sexta‑feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos publicou sua decisão sobre o caso envolvendo as chamadas “tarifas recíprocas”, aplicadas pela administração do presidente Donald Trump.

  • Por 6 votos a 3, o colegiado concluiu que o uso da IEEPA para instituir essas tarifas extrapolou a autoridade conferida ao presidente, alinhando‑se às três instâncias inferiores que já haviam considerado a medida indevida.
  • Com isso, as tarifas recíprocas devem ser imediatamente suspensas.
  • A controvérsia teve início em abril do ano passado, quando o presidente Donald Trump decidiu impor unilateralmente as tarifas recíprocas, sem submeter a medida ao Congresso, como usualmente ocorre nesse tipo de ação.
  • Em coletiva de imprensa após a decisão da Suprema Corte, Donald Trump afirmou que buscaria formas alternativas para manter política tarifária ativa e anunciou tarifas gerais de 10% a partir da próxima segunda-feira (23). 
  • As novas tarifas seriam impostas com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. A Lei prevê que elas podem vigorar por, no máximo 150 dias, com necessidade de aprovação do congresso para a manutenção das taxas.
  • Trump defendeu também o início de investigações pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos para viabilizar a tarifação através de outros artigos da Lei de Comércio de 1974, como a seção 301 e a seção 201.

Por que isso é importante: Ao reacender incertezas no plano fiscal e econômico da atual administração americana, a decisão tende a exercer pressão negativa sobre o dólar no cenário internacional, o que pode favorecer o desempenho do real.

  • A política comercial tem sido um dos principais pilares da estratégia econômica do governo, e a decisão fragiliza a posição política e o planejamento da administração, levantando dúvidas sobre quais poderão ser as próximas medidas compensatórias.
  • É relevante destacar que, ao declarar as tarifas recíprocas ilegais, a Suprema Corte abre espaço para que agentes afetados busquem ressarcimento dos valores pagos junto à alfândega americana. Esse processo pode exigir desembolso superior a 130 bilhões de dólares, o que, caso se concretize, tende a agravar os crescentes desafios fiscais do país.

Panorama: Uma análise mais aprofundada sobre o tema foi publicada ainda nesta sexta‑feira (20) em matéria especial disponível aos assinantes do portal de inteligência de mercado da StoneX. Acesse o conteúdo pelo link.

 

IPCA-15 e dados de emprego no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

No Brasil, a agenda da semana inclui importantes indicadores para os investidores calibrarem suas expectativas sobre a condução da política monetária pelo Banco Central.

  • O destaque deve ser a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que será divulgado na sexta-feira (27).
  • No mesmo dia do IPCA-15, investidores também devem acompanhar dados do mercado de trabalho formal brasileiro em dezembro através da Evolução Mensal do Emprego do CAGED.

Por que isso é importante: Caso os dados reforcem a percepção de desaceleração inflacionária e de enfraquecimento do mercado de trabalho, as apostas de que o Copom realize um corte de juros mais amplo na próxima reunião, em março, devem aumentar, o que tende a enfraquecer o real.

Panorama: O dado mais recente de nível de preços, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a janeiro, apontou para uma alta de 0,33% nos preços, estável em relação ao mês anterior.

  • No acumulado dos 12 meses anteriores, por outro lado, o índice acelerou para 4,44%, mas ainda dentro das margens de tolerância.
  • No mercado de trabalho, os dados do CAGED referente a dezembro apontaram para um saldo líquido de 618,16 mil demissões. Contudo, vale destacar que, sazonalmente, dezembro costuma ser um mês de mais demissões do que contratações.
  • No acumulado de 2025, houve um saldo de 1,28 milhão de novos empregos formais criados. Apesar do número positivo, o consolidado é o pior desde a pandemia, em 2020.

Sinais de enfraquecimento: Ao longo das últimas semanas, outros indicadores referentes à atividade econômica brasileira apontaram para um desaquecimento da economia.

  • O IBC-Br de dezembro – conhecido como prévia do PIB - apontou para um recuo de 0,18% na economia brasileira.
  • Nas últimas leituras da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) – o principal setor da economia brasileira - e da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) foram registrados recuos de 0,4%.

De olho no início dos cortes de juros: Desde a última decisão de juros, o Copom sinalizou que caso o cenário de desaceleração inflacionária e desaquecimento da atividade econômica seja mantido, o comitê deve iniciar o ciclo de afrouxamento da taxa de juros na próxima reunião, ainda que com “serenidade”

  • Apesar da sinalização de corte na próxima reunião, a magnitude do corte não é certa. 
  • No momento, a maioria dos investidores apostam num corte de 0,50 pontos percentuais. Dessa forma, sinais mais claros de maior estabilidade nos preços devem consolidar as apostas de um corte mais amplo.

 

Tensões entre EUA e Irã

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Apesar de um início de semana otimista para um possível acordo nuclear entre EUA e Irã, a segunda metade da semana foi marcada pelo acirramento das tensões militares entre os dois países, o que intensificou os sentimentos de aversão ao risco em âmbito global e impulsionou os preços futuros do petróleo.

  • Um dos movimentos noticiados ao longo do período foi a da movimentação militar dos Estados Unidos, com o aumento de tropas e o deslocamento de um porta-aviões para o Oriente Médio, elevando os receios de um possível ataque na região.
  • Além disso, na quinta-feira (19), no Conselho da Paz, o presidente Donald Trump indicou que decidirá “ao longo dos próximos 10 dias” se ordenará ou não uma intervenção no país.
  • Nos últimos dois dias, os temores de um conflito na região e impacto na oferta global de petróleo contribuíram para um movimento de alta dos preços do Brent, apesar de os preços da commodity apresentarem leve recuo na sessão desta sexta-feira.

Por que isso é importante: Por um lado, a possibilidade de um aumento das tensões geopolíticas tende a aumentar a aversão ao risco por parte de investidores, o que pode ser prejudicial para ativos arriscados e moedas de países emergentes, como o real.

  • Por outro lado, entretanto, na última semana a alta dos preços do petróleo favoreceu ações de empresas ligadas ao setor petrolífero nacionais, o que impulsionou o real por algumas sessões.

 

Possível saída de Lagarde do BCE

Impacto esperado no USDBRL: altista

Na última quarta-feira (18), foi noticiado de que a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, poderia estar considerando deixar o seu cargo antes do término do seu mandato, previsto para abril de 2027.

  • De acordo com a publicação do jornal Financial Times, a decisão viria para permitir uma participação de Emmanuel Macron na decisão do sucessor ou sucessora antes das próximas eleições francesas.
  • Porém, no dia seguinte da notícia, Lagarde negou uma saída antecipada e disse que consolidação exige conclusão de seu mandato.
  • Na próxima semana, a presidente fará dois pronunciamentos, um na segunda-feira (23) e outro na quinta-feira (26). Os investidores devem seguir atentos à suas falas buscando sinais mais claros sobre o futuro da gestão da autoridade monetária.

Por que isso é importante: Lagarde foi considerada por boa parte do mercado como bem-sucedida na tarefa de controlar a inflação na zona do euro ao longo dos últimos anos. Portanto, uma possível mudança na presidência da autarquia poderia entregar uma maior incerteza com relação aos caminhos da política monetária da União Europeia daqui para frente.

  • Um clima de incertezas no BCE tende a enfraquecer o euro frente ao dólar, o que pode, indiretamente, também prejudicar o valor do real em relação à moeda americana.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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