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Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

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Câmbio deve refletir tensões no Oriente médio e dados nos EUA, no Brasil e na Zona do Euro

  • Altista
  • Interrupção das conversas entre EUA e Irã elevou o risco geopolítico e impulsionou o petróleo, mas também fortaleceu ativos brasileiros ligados ao setor, contribuindo para um real mais resistente em alguns pregões.
  • Possibilidade de maior instabilidade na zona do euro após rumores sobre a renúncia de Christine Lagarde, ainda que negados, mantém o mercado atento às falas da presidente e à ata do BCE. Um euro mais forte pode reduzir a força do dólar globalmente, beneficiando o real.
  • Baixista
  • A divulgação do Payroll pode confirmar a resiliência do mercado de trabalho americano, reforçando a visão de que o Fed não tem pressa para cortar juros; esse cenário sustenta os rendimentos dos Treasuries e tende a fortalecer o dólar frente ao real.
  • Os dados brasileiros da semana podem reforçar sinais de desaceleração econômica e inflação mais persistente, aumentando a chance de um corte maior da Selic e pressionando o real pela redução do diferencial de juros.

Resumo da semana passada

  • O destaque da última semana se deu na esfera política. Após a derrubada do tarifaço pela Suprema Corte dos EUA, o presidente Donald Trump decretou novas tarifas de 10% para todos os países, que entraram em vigor na terça-feira (24).
  • Apesar da tarifa de 10%, o valor ficou abaixo do número dado por Trump em um segundo anúncio, que correspondia a 15%. A diferença nos valores ampliou as incertezas em relação à política comercial americana.
  • Além disso, as rodadas de negociações entre EUA e Irã seguem em pauta. Após um início promissor na quinta-feira (26), as conversas sobre o programa nuclear iraniano e as sanções econômicas contra o país não foram para frente, o que contribuiu para o aumento da percepção de risco de conflito armado e alta dos preços dos futuros do petróleo.
  • Na esfera econômica, o dado mais relevante foi o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). O indicador apontou aceleração dos preços acima do esperado – apesar da redução no acumulado dos 12 meses anteriores -, o que contribuiu para uma redução das apostas de um corte de juros amplo pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: -0,60% | Semanal: -0,99% | Mensal: -2,32% | Anual: -6,42% | Em 12 meses: -10,90%

Variações do Dollar Index

Diária: -0,16% | Semanal: -0,11% | Mensal: +0,68% | Anual: -0,64% | Em 12 meses: -8,10%


O MAIS IMPORTANTE: Dados do mercado de trabalho nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: altista

O destaque da próxima semana será a divulgação do relatório de situação de emprego (“payroll”), na sexta-feira (6), que deve auxiliar os investidores a calibrarem suas leituras sobre o mercado de trabalho americano.

  • O último dado do relatório de empregos não agrícolas, referente a janeiro, apontou para a criação de 130 mil novos empregos, ante estimativas na casa de apenas 70 mil.
  • Com o resultado positivo, a taxa de desemprego no país caiu para 4,3%, apesar de projeções de manutenção em 4,4%.
  • Esse cenário indica que o mercado de trabalho americano apresenta sinais de resiliência, apesar da inflação em níveis elevados e desaceleração da atividade econômica.

 

Por que isso é importante: A evolução da atividade econômica, do mercado de trabalho e da inflação continua a exercer influência decisiva sobre as decisões de política monetária do Federal Reserve.

  • Caso o “payroll” mantenha a percepção de resiliência no mercado de trabalho americano, as expectativas por cortes de juros mais rápidos no país tendem a diminuir, o que pode elevar os rendimentos dos títulos do Tesouro e favorecer o dólar em nível global.

 

Panorama: Apesar do último dado do “payroll” ter indicado resiliência no mercado de trabalho americano, os números referentes à atividade econômica e ao nível de preços apresentaram sinais contraditórios, o que prejudica a formação das expectativas dos investidores.

  • A primeira leitura do PIB no 4º trimestre indicou um crescimento de 1,4% (taxa anualizada), abaixo das projeções que apontavam para 2,8% (taxa anualizada), o que sinaliza um arrefecimento da atividade econômica.
  • Por outro lado, o Índice de Preços com Consumo Pessoal (PCE) – métrica favorita do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) na condução da política monetária –acumulado nos últimos 12 meses apresentou leve alta de 2,8% para 2,9%, acima da meta de 2.0%.

 

Comprometimento com a estabilidade dos preços: Na ata referente à última reunião do FOMC, a autoridade monetária sinalizou um posicionamento cauteloso em relação a novos cortes de juros.

  • Um ponto de destaque na ata foi a menção à possibilidade de novos aumentos na taxa básica de juros caso a inflação permaneça acima da meta de 2%, reforçando o compromisso do Comitê com a estabilidade dos preços.
  • Dessa forma, mesmo com o desaquecimento da atividade econômica, a inflação segue em patamares elevados e não apresentou sinais de desaceleração no último mês, o que deve afastar o senso de necessidade por novos cortes no curto prazo.

Variação no total de empregos urbanos (mil pessoas) e da taxa de desemprego (%) nos Estados Unidos

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Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Dados no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: baixista

A semana concentra a divulgação de indicadores econômicos relevantes, que devem auxiliar os investidores a ajustarem suas leituras sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho brasileiro.

  • O dado mais importante do mercado brasileiro será a leitura do PIB no 4º trimestre.
  • Além do PIB, também serão divulgados os números do mercado de trabalho, através da PNAD e do CAGED.

 

Por que isso é importante: Em sua última reunião de política monetária, o Copom sinalizou que deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) no encontro de 18 de março, com a magnitude da redução devendo depender do desempenho dos indicadores econômicos.

  • Dessa forma, sinais mais claros de arrefecimento da atividade econômica e, principalmente, de desaceleração inflacionária, podem aumentar as apostas de um corte mais amplo por parte do Comitê. Isso, por sua vez, tende a prejudicar o rendimento de ativos domésticos e enfraquecer o real.

 

Atividade econômica: Na última leitura do PIB, referente ao 3º trimestre, foi registrado um crescimento de 0,1%.

  • O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), conhecido como prévia do PIB, indicou um crescimento de 0,4% no 4º trimestre de 2025 em relação ao anterior, o que pode indicar um certo crescimento para a economia brasileira no final de 2025.
  • Adicionalmente, os últimos números da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) – principal setor da economia brasileira – e da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), referentes a dezembro, registraram recuo de 0,4%.
  • Na próxima semana também será divulgado o Índice de Atividade dos Gerentes de Compras (PMI) e os números de produção industrial (PIM-PF), que, junto do PIB, devem oferecer um bom termômetro sobre um possível desaquecimento da atividade econômica brasileira.

 

Mercado de trabalho: No mercado de trabalho, os dados da PNAD de dezembro registraram a menor taxa de desemprego da série histórica, 5,1%.

  • Os dados de dezembro do CAGED – que tratam do mercado de trabalho formal -, por outro lado, registraram um saldo negativo de 618,18 mil vagas de emprego.
  • Mas vale destaque que, sazonalmente, dezembro costuma ser um mês de mais demissões do que contratações.
  • Já para janeiro, as estimativas apontam para um saldo de 90 mil vagas de emprego.
  • Dessa forma, apesar dos sinais de desaquecimento da atividade econômico, os números do mercado de trabalho ainda se mostram resilientes.

 

Inflação como ponto de atenção: Na sexta-feira (27), foi divulgado o IPCA-15, que serve como uma prévia para o IPCA. Na divulgação, os preços avançaram 0,84% em fevereiro, ante expectativas de 0,60%.

  • Apesar do avanço mensal, no acumulado dos últimos 12 meses a variação dos preços reduziu de 4,50% para 4,10%, tendo em vista que a exclusão da leitura de fevereiro de 2025 no cálculo.
  • Contudo, o valor acima do esperado pelos investidores gerou certa preocupação a respeito da estabilidade dos preços, o que abriu maior incerteza sobre a possibilidade de reduções mais amplas na Selic ao longo do ano, como cortes de 0,75 ponto percentual.
  • No comunicado e na ata da última decisão do Copom, o Comitê reforçou a estado de “serenidade” na condução da política monetária, o que reforça a cautela por parte da autoridade monetária com cortes mais amplos sem dados sólidos.

Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil (%) (esquerda) e Taxa de desemprego do Brasil (%) (direita)

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Fonte: IBGE. Elaboração: StoneX.

Conversas entre EUA e Irã em Genebra são interrompidas

Impacto esperado no USDBRL: baixista

 

(texto inspirado no Diário de Petróleo do dia 27/02)

Ontem, as negociações diplomáticas entre Washington e Teerã terminaram sem um acordo entre as partes, com autoridades do Irã confirmando a necessidade de separar os “temas nucleares dos não-nucleares”.

 

Por que isso é importante: A falta de formalização de um acordo entre os dois países acabou ampliando as expectativas de embates militares no Golfo Pérsico e eventuais disrupções logísticas pelo Estreito de Hormuz, o que afetaria cerca de um quarto da oferta global de petróleo.

  • Tal situação acabou revertendo boa parte das perdas do petróleo de ontem e renovando as altas da commodity hoje, que chegou a superar os USD 72 bbl mais uma vez.
  • Por um lado, a possibilidade de um aumento das tensões geopolíticas tende a aumentar a aversão ao risco por parte de investidores, o que pode ser prejudicial para ativos arriscados e moedas de países emergentes, como o real.
  • Por outro lado, contudo, nas última semanas a alta dos preços do petróleo favoreceu ações de empresas ligadas ao setor petrolífero nacionais, o que impulsionou o real por algumas sessões.

 

Panorama: Ao longo das conversas, alguns rumores apontaram que os EUA mostraram uma menor flexibilidade em relação à alguns pontos demandados pelo Irã, como a criação de um consórcio regional de enriquecimento de urânio e o maior monitoramento das atividades iranianas.

  • Nesse sentido, Washington seguiu pressionando para a interrupção total do programa nuclear, o que resultou em novas travas para a evolução das conversas entre as delegações.
  • Vale destacar que, no dia 19 de fevereiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que, caso não houvesse uma consolidação do acordo nucelar nos próximos 10 – 15 dias, “coisas ruins” aconteceriam, o que ampliou os temores sobre uma escalada militar no Golfo Pérsico.
  • Paralelo a isso, nas últimas semanas, o mercado vem observando um aumento significativo das exportações de petróleo pelo Golfo Pérsico, principalmente pela Arábia Saudita, gerando sinais sobre um possível plano de contingência do país em meio à percepção de que uma guerra se aproxima.
  • No caso do Irã, entre os dias 15 – 20 de fevereiro, as exportações da commodity triplicaram, operando ao redor dos 3 mbpd – o que evidencia a busca por Teerã em acelerar as vendas ao exterior em um período marcado por grandes incertezas nas relações com Washington.

 

O que esperar: Para as próximas semanas, o mercado deve se manter atento à evolução das negociações entre os dois países. Um eventual ataque norte-americano em território iraniano deve resultar em uma maior volatilidade dos preços do petróleo, a depender das proporções da ofensiva.

  • Um ataque menor e concentrado em algumas localidades, por exemplo, deve resultar em uma queda dos prêmios de risco, dado que os investidores podem entender como um sinal de que um conflito maior não deve ocorrer no curto prazo.
  • Por outro lado, as atenções também devem se dirigir a como o Irã pode responder a uma eventual ofensiva, com a possibilidade de restrição temporária dos fluxos pelo Estreito de Hormuz podendo resultar em altas ainda mais expressivas.

Variação de ativos selecionados em 2026 (Base 100)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Ata do BCE e falas de Lagarde

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Na próxima esperada, são esperadas duas declarações da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, junto da ata da reunião da última reunião de política monetária do comitê, que aconteceu no inicio de fevereiro e que manteve os níveis de juros básicos em 2% na zona do euro pela quinta reunião consecutiva.

  • Tanto as falas de Lagarde quanto a ata da última reunião do BCE devem apontar para a manutenção do comprometimento da política monetária europeia com uma inflação próxima dos 2% a.a..
  • Recentemente, a inflação no bloco tem apresentado um movimento de desaceleração. Exemplo disso é a pesquisa divulgada neste dia 27/fev, que apontou que as expectativas medianas para a inflação anualizada na zona do euro recuaram de 2,8% para 2,6%.

 

Por que isso é importante: Uma inflação mais baixa na zona do euro tende a favorecer a perspectiva de posicionamentos mais expansionistas pelo BCE no futuro. Isso tenderia a aumentar o nível de liquidez nos mercados globais, podendo incentivar o fluxo de capital para países emergentes, tendo potencial efeito baixista para o USDBRL, embora possa se refletir também em altas para o DXY.

 

Boatos de uma renúncia antecipada de Lagarde: As falas da presidente do BCE acontecem em um momento de grande apreenssão do mercado após uma reportagem do Financial Times na semana passada ter noticiado uma possível renúncia antecipada da banqueira central. Lagarde posteriormente descartou essa possibilidade, sinalizando que cumprirá o seu mandato até o fim, em outubro de 2027.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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