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Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

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Câmbio deve refletir conflito no Oriente Médio e decisão de juros nos EUA, Brasil e Zona do Euro

  • Altista
  • A continuidade do conflito entre EUA, Israel e Irã mantém o estreito de Ormuz praticamente fechado, elevando o risco inflacionário global e ampliando a aversão ao risco, o que tende a pressionar ativos arriscados e moedas emergentes como o real.
  • O Banco Central deve o início de seu ciclo de cortes na “super‑quarta”, o que reduz a atratividade relativa dos ativos domésticos e pode enfraquecer o real.
  • Expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve deve favorecer o dólar em âmbito global.
  • Baixista
  • A decisão de política monetária do BCE, acompanhada de sinais de compromisso com a estabilidade de preços e possível valorização do euro, pode contribuir para um dólar globalmente mais fraco e, indiretamente, apoiar o real.

Resumo da semana passada

  • O conflito no Oriente Médio segue sendo o principal fator de movimentações nos mercados financeiros. Apesar das falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o conflito estaria "próximo de uma resolução", a continuidade dos ataques e falas do governo iraniano seguem indicando a disposição do regime para prolongar o conflito e o bloqueio no estreito de Ormuz, gerando incerteza entre os investidores.
  • Na tentativa de garantir o abastecimento e frear as altas do petróleo, a Agência Internacional de Energia (EIA) anunciou a liberação de estoques emergenciais, ao passo que o governo americano concedeu uma isenção de 30 dias liberando a compra de derivados de petróleo russos atualmente em trânsito. As medidas, no entanto, não foram suficientes para tirar o petróleo da faixa dos 100 dólares por barril.
  • Em meio à incerteza geopolítica global, importantes indicadores econômicos dos EUA e Brasil foram divulgados, ajudando os investidores a calibrarem suas expectativas para a “super-quarta” (18).
  • No Brasil, apesar do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter saído acima das expectativas, a aproximação do acumulado de 12 meses com o centor da meta do Banco Central tende a reforçar a perspectiva de cortes juros mais rápidos pela instituição.  
  • Já nos EUA, por outro lado, o cenário foi misto. Enquanto a inflação se mostrou resiliente em patamares elevados, o Produto Interno Bruto (PIB) foi novamente abaixo do esperado, gerando sinais contraditórios.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: +1,47% | Semanal: +1,37% | Mensal: +3,58% | Anual: -2,84% | Em 12 meses: -8,23%

Variações do Dollar Index

Diária: +0,74% | Semanal: +1,48% | Mensal: +2,95% | Anual: +2,18% | Em 12 meses: -3,26%


O MAIS IMPORTANTE: Conflito no Oriente Médio

Impacto esperado no USDBRL: altista 

A continuidade do conflito entre EUA, Israel e Irã se encaminha para a terceira semana, com o estreito de Ormuz praticamente fechado durante todo o período, gerando incerteza e temores de inflação global entre os investidores.

 

Por que isso é importante: O ambiente global permanece marcado por elevada incerteza, refletida em forte volatilidade nos mercados financeiros. Os preços futuros do petróleo continuam sendo um importante termômetro do sentimento de risco dos investidores, reagindo a cada novo desdobramento do conflito.

  • As preocupações com a passagem pelo estreito de Ormuz praticamente interrompida e, consequentemente, uma alta do petróleo e riscos inflacionários generalizado, pode aumentar o sentimento de aversão ao risco, o que tende a ser negativo para ativos de maior risco e moedas de países emergentes, como o real.
  • Embora, por outro lado, o distanciamento geográfico e político do Brasil em relação ao conflito, e o bom desempenho do setor energético nacional, tornem o país em uma alternativa relativamente mais previsível em relação a outras economias mais tradicionais.

 

Duração do conflito: No momento, as notícias indicam um cenário misto, gerando incerteza entre os investidores.

  • Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início da semana, sinalizou que o conflito estaria "próximo de uma resolução", o governo iraniano segue realizando ataques na região, indicando uma disposição do país para prolongar os ataques e bloqueios.

 

Alta do petróleo: Nesta sexta-feira (13), investidores repercutiram a notícia de que os Estados Unidos teriam concedido uma isenção de 30 dias permitindo que países comprem derivados de petróleo russos atualmente em trânsito, apesar das sanções impostas no início da Guerra da Ucrânia.

  • Embora inesperada, e responsável por uma leve acomodação dos preços na manhã de sexta, a isenção demonstra efeito limitado de curto prazo, com o Brent ainda negociado acima de 100 dólares por barril.
  • Alguns analistas avaliam que tais iniciativas emergenciais para aliviar interrupções na oferta podem transmitir ao mercado um sinal negativo, de que autoridades enxergam poucas chances de uma rápida desescalada do conflito.
  • A medida se somou a uma liberação de estoques emergenciais de petróleo coordenada pela Agência Internacional de Energia (EIA) no início da semana, mas que gerou impactos limitados, devido a leitura de que a ação não deve ser suficiente para compensar o choque de oferta.
  • Assim, os esforços recentes não parecem ser o suficiente para compensar o choque de oferta para além do curto prazo, o que deve ser um fator de suporte para os preços do petróleo nos níveis atuais, gerando preocupações inflacionárias.

 

Impactos inflacionários: Em meio ao cenário de alta dos preços do petróleo, os riscos de choques inflacionários duradouros é o maior temor dos investidores e autoridades monetárias.

  • O secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, afirmou que países superavitários em petróleo, como o Brasil, embora ainda estejam sujeitos a pressões inflacionárias, podem encontrar mais formas de mitigar os impactos, como, por exemplo, via aumento do superávit comercial.  
  • A maior preocupação, contudo, se dá para os países deficitários na commodity, como o Japão e os países da Europa.
  • Em meio a esse contexto, além do Brasil e EUA, autoridades monetárias de outras das principais economias globais realizarão suas reuniões de decisão na quinta-feira (19): Banco Central Europeu (BCE), Banco da Inglaterra (BOE) e Banco do Japão (BoJ).

 

Decisão de juros no Brasil

Impacto esperado no USDBRL: altista

No Brasil, o foco dos investidores deve recair na chamada “super-quarta” (18), quando o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve realizam suas reuniões de decisão de juros no mesmo dia.

  • A reunião ganha ainda mais importância dado que, no comunicado da sua última reunião, o Copom havia sinalizado a intenção de corte na taxa básica de juros (Selic), com a magnitude do corte a depender dos indicadores.

 

Por que isso é importante: O corte na taxa básica de juros reduz a atratividade dos ativos domésticos, o que tende a enfraquecer globalmente o real.

 

Inflação: A última divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi levemente acima das expectativas e gerou surpresa entre os investidores.

  • O índice cheio acelerou e apontou uma inflação de 0,7% dos preços em fevereiro, acima das expectativas de 0,65%. Vale lembrar que por ser referente ao mês de fevereiro, o indicador não captou impactos do conflito no Oriente Médio.
  • Apesar da alta mensal, o acumulado dos 12 meses anteriores apresentou desaceleração, com o índice saindo de uma variação acumulada de 4,41% para 3,81%, mais próximo do centro da meta de 3,0%.
  • O núcleo do indicador, que exclui componentes voláteis, como alimentação e energia, acelerou de 0,41% para 0,91%, ao passo que no setor de serviços, mais sensíveis à demanda, o avanço foi de 0,18% para 1,46%.
  • Diante disso, apesar da inflação ter se aproximado da meta, os avanços no núcleo e setor de serviços – o principal da economia brasileira -, junto do contexto de guerra no Oriente Médio, acendem um sinal de alerta nos investidores a respeito do processo de desinflação.

 

Atividade econômica: A divulgação do PIB, referente ao 4º trimestre de 2025, foi em linha com as expectativas e indicou arrefecimento da atividade econômica na segunda metade do ano.

  • A leitura indicou crescimento trimestral de 0,1%, enquanto o número do período anterior foi revisado para 0,0%. Com esses números, a economia brasileira expandiu 2,3% em 2025, puxada, sobretudo, pelo desempenho no primeiro semestre.
  • Apesar da leitura de desaquecimento da economia brasileira no final de 2025, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e Pesquisa Mensal do Comércio (PMC)

 

Mercado de trabalho: O último dado do país apontou para uma alta da taxa de desemprego para 5,4%, em linha com as expectativas.

  • Em dezembro, a taxa apontou para 5,1%, o menor nível de toda a série histórica, iniciada em 2012.

 

De olho nos juros: Na última semana de fevereiro, a maioria absoluta das apostas era de um corte de 0,5 ponto percentual. No entanto, após a eclosão do conflito no Oriente Médio e a surpresa trazida pelo IPCA, as apostas se encontram mais dispersas

  • Na semana passada, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a esperada “calibração” da Selic neste mês não deve ser interpretada como início de um processo de afrouxamento da política monetária.
  • Com isso, o discurso contribuiu para reduzir as apostas de um ciclo mais prolongado ou intenso de cortes, inclusive diminuindo em certa medida as apostas em um movimento de 0,50 ponto percentual na próxima reunião.
  • Até quarta-feira (11), a maioria das apostas eram para um corte de 0,25 ponto percentual (51%).
  • indicaram recuperação de 0,3% e 0,4% em janeiro, respectivamente.

Panorama de indicadores econômicos do Brasil

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Fonte: IBGE

Decisão de juros nos EUA

Impacto esperado no USDBRL: altista

Nos EUA, ao contrário do Brasil, a expectativa é de manutenção da taxa básica de juros. O foco dos investidores recai sobre as declarações das autoridades do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), sobretudo em relação aos impactos do conflito no Oriente Médio e a condução futura da política monetária.

 

Por que isso é importante: A perspectiva de manutenção na taxa básica de juros durante mais tempo pode aumentar a atratividade dos ativos domésticos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

Preocupações inflacionárias: Nesta semana, o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) - indicador de inflação mais acompanhado pelo Federal Reserve – indicou desaceleração da inflação. O núcleo do indicador, contudo, segue preocupando.

  • O índice cheio desacelerou e fechou janeiro em alta de 0,3%, ante 0,4% no mês anterior, em linha com as expectativas. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador superou as expectativas ao desacelerar e fechar o período em 2,8%.
  • Por outro lado, o núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis, indicou nova aceleração, o que mantém os temores de uma nova reaceleração inflacionária.
  • Vale lembrar que por ser referente ao mês de janeiro, o indicador não captou impactos do conflito no Oriente Médio
  • Na ata referente à última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), a autoridade monetária sinalizou um posicionamento cauteloso em relação a novos cortes de juros, inclusive, com menção à possibilidade de novos aumentos na taxa básica caso a inflação volte a se afastar da meta de 2%.

 

Indicadores de atividade econômica e mercado de trabalho: Enquanto a inflação segue se mostrando resiliente, comum em cenários de economia aquecida, outros indicadores sinalizam o oposto.

  • A segunda leitura do PIB no 4º trimestre indicou crescimento de 0,7% em taxa anualizada, abaixo das expectativas de 1,4%. Além disso, vale destacar que para a primeira leitura, a expectativa era de um crescimento de 2,8%, mas foi de 1,4%.
  • No 3º trimestre, a economia apresentou crescimento de 4,4% em taxa anualizada, o que mostra enfraquecimento da economia americana no final de 2025.
  • Já no mercado de trabalho, o cenário também foi de surpresas negativas. O desemprego aumentou para 4,4%, ante expectativas de manutenção em 4,3%, ao passo que o “payroll” indicou saldo negativo de 92 mil vagas de emprego, sendo que as expectativas eram de 58 mil positivo.

 

De olho nos juros: Com os últimos indicadores, o cenário na economia americana tem-se mostrado misto. Ao passo que a inflação segue em patamares elevados, a atividade econômica e mercado de trabalho tem apresentado sinais de fraqueza.

  • Esse cenário gera um dilema entre os investidores e as autoridades monetárias, em relação ao controle dos preços ou a manutenção da atividade econômica e emprego.
  • Além disso, com a guerra no Oriente Médio e possíveis impactos inflacionários, o temor por um cenário de estagflação – economia estagnada junto de inflação elevada – se eleva, o que deve aumentar a cautela por parte das autoridades monetárias.
  • Dessa forma, as expectativas de manutenção do aperto monetário devem ganhar espaço, diante uma provável postura de “espera para ver” do Fed.Source: Type or use Ctrl+Shift+V here to paste

Panorama de indicadores econômicos dos EUA

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Fontes: BLS e FRED. Elaboração: StoneX,

Decisão de juros na Zona do Euro

Impacto esperado no USDBRL: altista

Na próxima semana, o mercado também acompanhará a decisão de juros pelo Banco Central Europeu (BCE).

  • As apostas do mercado apontam para uma manutenção de juros no patamar de 2%.
  • Com a inflação anual da Alemanha, divulgada nesta semana, ficando em 1,9%, abaixo da meta de 2%, as apostas de um posicionamento precisamente neutro foram reforçadas.

 

Por que isso é importante: A manutenção da taxa de juros na União Europeia tende a favorecer a valorização do euro frente ao dólar. Esse movimento pode, de forma indireta, beneficiar o real, na medida em que um euro mais forte costuma estar associado a um dólar globalmente mais fraco.

 

Previsões dos membros: Junto da decisão de juros, o BCE também divulgará as previsões oficiais dos membros do comitê. O mercado estará atento às atualizações das previsões conforme crescem os temores de uma escalada inflacionária frente a elevação dos custos com energia após o fechamento do estreito de Ormuz, na semana passada.

  • Na última quarta-feira (11) a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a política monetária europeia fará o que for necessário para que a escalada dos conflitos no Oriente Médio não leve a um choque inflacionário semelhante ao que se observou após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
  • A Zona do Euro, por ser importadora líquida de petróleo e gás natural, tende a sentir com mais força os impactos inflacionários da guerra.
  • Ainda assim, a fala de Lagarde reforça o papel da política monetária como ferramenta de combate à inflação, bem como sugere uma postura mais contracionista pela autoridade monetária no caso de uma aceleração dos preços na economia.

 

Análise: Em um cenário em que o poder aquisitivo ganha relevância crescente no debate público global, uma nova escalada inflacionária tende a ampliar a insatisfação popular com os governos em exercício.

  • Na Europa, esse risco se intensifica diante do calendário eleitoral: a Alemanha enfrentará uma sequência de eleições regionais entre março e setembro, enquanto a França se aproxima de uma decisão presidencial no início do próximo ano.
  • Nesse contexto, o fortalecimento de candidaturas com perfis mais extremos aumenta a incerteza em torno da escolha do sucessor ou sucessora de Christine Lagarde na presidência do BCE.
  •  Assim, uma postura firme do bloco no combate à inflação pode ter um efeito político importante de reduzir o apelo de propostas mais radicais e, consequentemente, favorecer a continuidade de um perfil mais alinhado ao mercado no comando do banco central a partir do ano que vem.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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