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Panorama Semanal de Câmbio

By: Vitor Andrioli, Market Intelligence Manager - Brazil

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Câmbio deve reagir ao "Payroll" nos EUA em meio às incertezas do conflito no Oriente Médio

  • Aviso: Agenda de Indicadores Econômicos passou a ser disponibilizada em formato de relatório interativo.

  • Nesse novo modelo, será possível acompanhar, de forma dinâmica, tanto as datas de divulgações anteriores quanto os lançamentos programados até o fim do ano.

  • Para acessar, clique no link.    

  • Altista
  • Persistência do conflito no Oriente Médio, com risco contínuo de interrupções no Estreito de Ormuz e pressão sobre os preços de energia, mantém elevada a aversão ao risco global e reforça a busca por segurança e liquidez, favorecendo o dólar e pressionando o real.
  • Baixista
  • Divulgação do "payroll" e do JOLTS pode confirmar um enfraquecimento do mercado de trabalho americano, elevando as expectativas de cortes de juros mais rápidos pelo Federal Reserve.
  • Dados de PMI dos EUA podem indicar perda de fôlego da atividade, sobretudo nos serviços, reforçando a leitura de desaceleração econômica e contribuindo para reduzir os rendimentos dos Treasuries.

Resumo da semana passada

  • Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio seguem sendo o principal catalisador de volatilidade nos mercados financeiros. Na quinta-feira (26), o presidente dos EUA, Donald Trump, estendeu o prazo do ultimato – que venceria hoje (27) - para que Irã aceitasse as condições americanas, em troca de evitar ataques às instalações energéticas do país.
  • Apesar da extensão do ultimato americano, as recentes sinalizações contraditórias geram preocupação entre os investidores, que se mostram pessimistas a respeito de um acordo de cessar-fogo nos próximos dias.
  • O Banco Central do Brasil, em seu Relatório de Política Monetária (RPM), manteve a projeção de crescimento da economia em 2026 estável em 1,6%, ao passo que elevou as projeções de inflação no ano, que devem se afastar do centro da meta, mas inda permanecendo dentro das bandas de tolerância, tendo em vista os riscos inflacionários do conflito no Oriente Médio.
  • Na agenda de indicadores econômicos, o Índice de Preços ao Consumidor 15 (IPCA-15) registrou avanço dos preços além das expectativas em março, gerando preocupações de uma reaceleração inflacionária. Contudo, apesar da leitura acima das expectativas, o índice acumulado apresentou recuo.
  • Além disso, a Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílio (PNAD), reforçou a percepção de desaquecimento gradual do mercado de trabalho nacional, cuja taxa de desemprego subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, se distanciando das mínimas da série histórica atingidas em dezembro.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial

Diária: -0,13% | Semanal: -1,37% | Mensal: +2,14% | Anual: -4,19% | Em 12 meses: -8,87%

Variações do Dollar Index

Diária: +0,14% | Semanal: +0,58% | Mensal: +2,62% | Anual: +1,85% | Em 12 meses: -3,97%


O MAIS IMPORTANTE: Conflito no Oriente Médio completa 1 mês

Impacto esperado no USDBRL: altista 

Apesar de informações divergentes nos últimos dias, uma resolução rápida do conflito envolvendo o Irã, Estados Unidos e Israel parece cada vez menos provável no horizonte de curto prazo, o que mantém elevado o grau de incerteza sobre o cenário econômico global.

  • A alta dos preços de commodities energéticas seguem elevando a percepção de riscos inflacionários, o que gera um ajuste defensivo nos portfolios, com pressão vendedora sobre ativos arriscados e fortalecimento generalizado do dólar.
  • Na quinta‑feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou o prazo do ultimato ao Irã, que se encerraria nesta sexta‑feira, condicionando a suspensão de ataques às instalações energéticas iranianas à aceitação dos termos propostos por Washington.
  • Diante da ausência de avanços diplomáticos e do aumento do ceticismo entre investidores, o dollar index (DXY), que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas líquidas e consideradas seguras, acumula alta mensal superior a 2,4%.

 

Por que isso é importante: Uma menor perspectiva por cessar-fogo tende a fomentar a aversão ao risco globalmente, diante da percepção de que o prolongamento do conflito manteria a interrupção dos fluxos de navios pelo Estreito de Ormuz, um dos principais gargalos logísticos para o fluxo de petróleo e derivados do Golfo Pérsico, acarretando pressões inflacionárias mais prolongadas e uma desaceleração mais rápida da economia global.

 

Condições impostas para um cessar‑fogo: Na quarta‑feira (25), vieram a público informações de que os EUA teriam encaminhado ao Irã uma proposta de cessar‑fogo estruturada em 15 pontos.

  • Segundo fontes, os termos incluiriam a remoção de estoques de urânio enriquecido, a contenção do programa de mísseis balísticos e o encerramento do financiamento a aliados regionais.
  • Autoridades iranianas classificaram a proposta como “unilateral e injusta”. Para considerar um acordo, fontes próximas ao governo indicam que Teerã exigiria garantias contra futuras ações militares, compensações pelas perdas sofridas e algum grau de controle formal sobre o Estreito de Ormuz.
  • Diante do impasse, o presidente Trump afirmou não saber se os EUA estariam dispostos a avançar nas negociações, mantendo a sinalização de possível intensificação das ações militares caso os termos não sejam aceitos.

 

Força do dólar reflete busca por segurança e liquidez: Com a escalada do conflito, observou‑se a reativação do papel do dólar como principal ativo de segurança do sistema financeiro internacional.

  • Desde o início de 2025, essa característica vinha perdendo força, à medida que parte relevante dos investidores passou a questionar a previsibilidade institucional dos Estados Unidos e a própria estabilidade do dólar como reserva de valor.
  • O choque geopolítico, no entanto, alterou essa dinâmica. Em um ambiente de elevada incerteza, a preferência dos agentes passou a se concentrar não apenas em ativos tradicionalmente seguros, mas sobretudo em instrumentos altamente líquidos, capazes de permitir ajustes rápidos de portfólio.
  • Esse fator ajuda a explicar o desempenho mais fraco de outros ativos defensivos, como o ouro, que, apesar de seu status de porto seguro, apresenta menor liquidez relativa quando a velocidade de realocação passa a ser crucial.

 

Possível envio de novas tropas americanas: Paralelamente, veículos da imprensa americana informaram que o Pentágono estaria avaliando ampliar sua presença militar no Oriente Médio, com o eventual envio de cerca de 10 mil soldados adicionais para operações terrestres.

  • A movimentação ocorre em meio a relatos de que o presidente Donald Trump considera uma ofensiva terrestre contra o Irã.
  • Entre os alvos estratégicos mencionados estão a ilha de Kharg, infraestrutura central para as exportações de petróleo iranianas, além de áreas ao longo da costa do país.
  • Ainda não há confirmação sobre o destino exato das tropas, mas as informações sugerem um posicionamento que permitiria resposta militar rápida, inclusive com capacidade de atuação sobre a ilha.

 

Viagem de Marco Rubio à Europa: Nesse contexto, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, viajou à França nesta sexta‑feira (27) para reuniões com representantes do G7.

  • Segundo o Departamento de Estado, o objetivo da agenda é promover interesses estratégicos americanos e discutir preocupações de segurança compartilhadas, além de oportunidades de cooperação.
  • De acordo com fontes, Rubio não solicitou apoio militar imediato para a liberação do Estreito de Ormuz, cuja navegação segue severamente comprometida desde o início do conflito, mas sim assistência no cenário pós‑guerra.
  • Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o tipo de apoio esperado. Ainda assim, o secretário sinalizou a interlocutores que, na visão do governo americano, o conflito poderia ser encerrado em “questão de semanas”.

 

Dados do mercado de trabalho dos EUA 

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Os dois mais importantes indicadores do mercado de trabalho nos EUA serão publicados na próxima semana, devendo auxiliar investidores a calibrarem suas leituras sobre a conjuntura econômica no país.

  • O mais importante indicador do mercado de trabalho americano, o Relatório de Situação de Emprego (“payroll”), será publicado na sexta-feira (03).
  • O segundo mais importante dado, a Pesquisa de Abertura de Vagas e Turnover (JOLTS), será publicado na terça-feira (31).
  • Dados recentes dos indicadores tem mostrado um cenário contraditório, mas que devem exerecer menor peso na condução da política monetária frente as preocupações inflacionárias, sobretudo dado o contexto de alta das commodities energéticas com o conflito no Oriente Médio.

 

Por que isso é importante: Caso os relatórios mantenham a percepção de desaceleração no mercado de trabalho americano, as expectativas por cortes de juros mais rápidos no país tendem a aumentar, o que pode diminuir os rendimentos dos títulos do Tesouro e enfraquecem o dólar em nível global.

 

Últimos dados: A última leitura do “payroll”, referente a fevereiro, foi significativamente abaixo do esperado com um saldo negativo de 92 mil novos empregos, ante expectativas de saldo positivo de 58 mil, ao passo que a taxa de desemprego no país aumentou para 4,4%.

  • Por outro lado, a última divulgação da JOLTS, referente à janeiro, apontou para uma melhora na relação entre vagas em aberto e desempregados, que avançou de 0,87 para 0,94.
  • Esse avanço na relação se deve a um aumento nas vagas em aberto e redução no número de desempregados naquele período, indicando um mercado de trabalho menos folgado.

 

De olho na política monetária: Apesar dos sinais contraditórios, a preocupação das autoridades monetárias americanas seguem no controle da inflação, com o Índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) – indicador de preços favorito do Federal Reserve – e seu núcleo se mostrando resilente em níveis acima da meta.

  • No último Resumo das Projeções Econômicas (SEP), divulgadas após a última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), a mediana das projeções dos membros aponta para apenas um corte ao longo de 2026, indicando o compromisso das autoridades monetária com o controle dos preços, sobretudo dado o contexto de conflito no Oriente Médio e alta das commodities energéticas.

 

PMI e primeiros impactos do conflito no Oriente Médio

Impacto esperado no USDBRL: baixista

O que observar nos dados: Além do nível geral dos índices, a atenção dos investidores deve se concentrar principalmente no subcomponente de preços pagos do PMI industrial.

  • Esse indicador tende a capturar, de forma mais imediata, eventuais repasses de aumentos nos custos de energia e insumos, especialmente em um contexto de tensões geopolíticas que afetam os preços do petróleo e derivados.
  • Leituras mais pressionadas nesse subíndice podem reforçar preocupações inflacionárias e alterar a percepção sobre a trajetória da política monetária americana.

 

Por que isso é importante: Sinais de deterioração das condições econômicas nos Estados Unidos, especialmente se acompanhados por moderação da atividade sem aceleração adicional dos preços, tendem a reforçar expectativas de cortes de juros em um horizonte mais curto. Esse cenário pode reduzir os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e enfraquecer o dólar globalmente, contribuindo para um viés mais favorável a moedas emergentes, como o real.

 

Contexto recente dos indicadores: O PMI é um indicador de difusão que varia de 0 a 100, em que leituras acima de 50 indicam expansão da atividade econômica, enquanto valores abaixo desse patamar sugerem contração.

  • Nos Estados Unidos, as leituras preliminares do PMI da S&P Global referentes a março surpreenderam ao apontar expansão no setor industrial. O índice avançou de 51,6 em fevereiro para 52,4, indicando aceleração da atividade. O resultado chamou a atenção por ocorrer em um segmento tradicionalmente mais sensível a oscilações nos preços de commodities energéticas, como petróleo e diesel.
  • Já o setor de serviços, responsável por cerca de 70% do PIB americano, apresentou leve desaceleração, com o índice recuando de 51,7 para 51,1. Apesar da perda de fôlego, o setor permaneceu em território de expansão, sugerindo resiliência da demanda doméstica.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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