
Mercados repercutirão conversa entre EUA e Irã, sabatina do próximo presidente do Federal Reserve e dados nos Estados Unidos
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Aviso: A Agenda de Indicadores Econômicos passou a ser disponibilizada em formato de relatório interativo.
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Nesse novo modelo, será possível acompanhar, de forma dinâmica, tanto as datas de divulgações anteriores quanto os lançamentos programados até o fim do ano.
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- Altista
- Persistência das pressões inflacionárias nos Estados Unidos, a ser confirmada pelos próximos indicadores da economia americana, tende a reduzir a probabilidade de cortes de juros no curto prazo, sustentando o dólar globalmente.
- Baixista
- Possibilidade de avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã pode elevar o apetite por risco global, favorecendo moedas de países emergentes, como o real.
- Sabatina no Senado do provável próximo presidente do Federal Reserve pode reacender dúvidas sobre a independência e a condução futura da política monetária da instituição, o que tende a pressionar o dólar.
Resumo da semana passada
- Apesar da ausência de avanços concretos no último encontro entre as delegações dos EUA e do Irã, o ambiente global seguiu marcado por otimismo e apetite por risco ao longo da semana, ainda que com sinais claros de cautela. Esse pano de fundo sustentou o real relativamente apreciado, mantendo o dólar abaixo de R$5,00 no período.
- O cessar-fogo anunciado entre Israel e Líbano, condição previamente colocada pelo Irã para a evolução das negociações, ajudou a sustentar a melhora do sentimento dos investidores ao final da semana. Na sexta-feira (17), o anúncio da reabertura total do estreito de Ormuz pelo Irã reforçou a percepção de arrefecimento dos riscos geopolíticos no curto prazo.
- Na agenda internacional, o PPI de março dos EUA veio abaixo do esperado, mesmo diante das recentes mudanças na política tarifária e do choque observado nos preços do petróleo. A leitura ajudou a aliviar as preocupações relacionadas ao repasse inflacionário ao consumidor, oferecendo algum suporte adicional aos ativos de risco.
- No Brasil, o resultado do IBC-Br acima das expectativas apontou resiliência da atividade econômica, fator que pode reforçar uma postura mais cautelosa por parte do Copom, especialmente no que diz respeito ao ritmo e à extensão do ciclo de flexibilização monetária.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial
Diária: -0,24% | Semanal: -0,54% | Mensal: -3,86% | Anual: -9,05% | Em 12 meses: -14,22%
Variações do Dollar Index
Diária: +0,02% | Semanal: -0,46% | Mensal: -1,59% | Anual: -0,10% | Em 12 meses: -1,17%
O MAIS IMPORTANTE: Reabertura do Estreito de Ormuz e encontro entre líderes dos EUA e Irã
Impacto esperado no USDBRL: baixista
A atenção dos mercados financeiros na próxima semana seguirá concentrada nos desdobramentos diplomáticos entre EUA e Irã.
- Segundo o presidente Donald Trump, um segundo encontro entre representantes dos dois países deve ocorrer ao longo do final de semana, mantendo os investidores atentos a eventuais sinalizações de avanço nas negociações.
- Na sexta-feira (17), a reabertura do estreito de Ormuz, anunciada pelo Irã, somada ao acordo de cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano firmado na véspera, contribuiu para a retomada do otimismo dos investidores quanto à possibilidade de um acordo mais duradouro.
- Ainda assim, o cenário permanece frágil. Os acordos de cessar-fogo são, por natureza, temporários, e até o momento não houve uma solução definitiva para o conflito regional, o que mantém o ambiente sensível a novas deteriorações.
- Dessa forma, qualquer sinalização negativa ou escalada inesperada das tensões tende a ser suficiente para deteriorar o sentimento dos mercados e reverter parte do movimento observado nas últimas sessões.
Por que isso é importante: Sinalizações positivas e avanços nas negociações entre EUA e Irã tendem a sustentar o apetite por risco global, favorecendo ativos considerados mais sensíveis ao fluxo internacional, como o real.
- Esse ambiente mais construtivo ajudou a explicar o desempenho recente da moeda brasileira, com o dólar permanecendo abaixo do patamar de R$5,00 em boa parte das sessões. Por outro lado, a ausência de um acordo definitivo ou indícios de retomada do conflito podem aumentar a aversão ao risco e inverter esse movimento.
Estreito de Ormuz: A reabertura do estreito traz alívio ao permitir a retomada dos fluxos na principal rota de escoamento de petróleo do mundo, o que tende a aliviar parte da pressão sobre os preços da commodity.
- No entanto, o bloqueio imposto pela Marinha dos EUA a navios iranianos na região deverá ser mantido até a conclusão das negociações entre os países.
- Diante disso, o Irã voltou a ameaçar retomar restrições à passagem caso os americanos não suspendam o bloqueio, mantendo o estreito de Ormuz como um foco relevante de tensão geopolítica.
Oferta de petróleo: Apesar do alívio pontual nas tensões e da expectativa de normalização gradual dos fluxos, persistem preocupações relevantes do lado da oferta. Danos à infraestrutura produtiva na região e a ausência de carregamentos regulares por mais de um mês seguem como fatores restritivos.
- Segundo a Agência Internacional de Energia (EIA), a recuperação plena da capacidade produtiva afetada pelo conflito pode levar cerca de dois anos — impacto que, na avaliação da entidade, vem sendo subestimado pelo mercado. Nesse contexto, limitações estruturais à oferta devem manter os preços do petróleo elevados no curto prazo, o que permanece como um ponto de atenção para as autoridades monetárias.
- Na última semana do mês, bancos centrais do Brasil e das principais economias globais se reúnem para decidir sobre suas taxas básicas de juros. Mesmo em um cenário de avanços diplomáticos, a avaliação dos potenciais impactos inflacionários decorrentes do petróleo e do ambiente geopolítico deve ser central para a condução da política monetária.
Kevin Warsh enfrenta sabatina no Senado por vaga no Fed
Impacto esperado no USDBRL: baixista
A atenção dos mercados também se volta ao processo de confirmação de Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve, indicado por Donald Trump para substituir Jerome Powell.
- A audiência de confirmação no Senado, aguardada há meses, foi finalmente agendada para terça-feira, 21 de abril, após a conclusão da entrega de documentos obrigatórios sobre potenciais conflitos de interesse.
- Apesar do avanço formal no processo, o cenário segue rodeado de incertezas. A aprovação da indicação depende do apoio integral dos republicanos no Comitê Bancário do Senado, onde a maioria é estreita.
- O senador republicano Thom Tillis mantém a ameaça de barrar a nomeação enquanto o Departamento de Justiça não encerrar as investigações envolvendo Jerome Powell, o que cria um risco concreto de impasse político.
- Dado que restam apenas poucas semanas para o fim do mandato de Powell como presidente, a possibilidade de atraso ou paralisia no processo adiciona um novo vetor de incerteza aos mercados.
Por que isso é importante: A indefinição em torno da liderança do Federal Reserve ocorre em um contexto já sensível, marcado por pressões recorrentes de Donald Trump sobre a autoridade monetária.
- A combinação entre incerteza institucional e questionamentos à independência do Fed pode enfraquecer a percepção de previsibilidade e credibilidade da política monetária americana.
- Esse ambiente tende a reduzir a atratividade dos títulos do Tesouro dos EUA, pressionando o dólar e ampliando a volatilidade nos mercados globais, sobretudo em ativos sensíveis ao fluxo internacional de capitais.
Índice de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan (UMich)
Impacto esperado no USDBRL: altista
Na próxima semana, o Índice de Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan de abril nos EUA deve ser um importante indicador para os investidores calibrarem suas perspectivas para a conjuntura econômica no país.
- O indicador é relevante pois ele mede as expectativas futuras dos consumidores, o que corrobora na formulação de projeção de tendências futuras.
- Além do índice cheio, a atenção também deve recair sobre um dos seus componentes, que trata das expectativas de inflação no próximo ano.
Por que isso é importante: Sinais de aumento das expectativas inflacionárias tendem a reforçar a leitura de desancoragem das expectativas na economia americana, o que fortalece a leitura de necessidade de maior período de aperto monetário.
- Esse cenário, por sua vez, pode elevar o rendimento dos títulos públicos e fortalecer o dólar em nível global.
Últimos dados: Na divulgação preliminar do indicador de abril, o índice cheio caiu de 53,3 em março para 47,6.
- Já as expectativas de inflação nos próximos 12 meses aceleraram de 3,8% para 4,8%.
- Tais números corroboram a leitura de deterioração da atividade econômica e controle inflacionário no país, o que pode ter sido agravado pelo conflito no Oriente Médio e alta das commodities energéticas.
Inflação esperado nos próximos 12 meses nos Estados Unidos (%)

Fonte: Universidade do Michigan (UMich). Elaboração: StoneX.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.