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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir decisões de juros do FOMC e Copom e tensões geopolíticas no Oriente Médio

  • Altista
  • FOMC deve manter sua taxa de juros estável, o que favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e facilita a atração de capital externo para os EUA, fortalecendo o dólar globalmente.
  • Copom deve cortar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p., o que reduz a atratividade dos títulos públicos domésticos e dificulta a atração de investimentos estrangeiros, desvalorizando o real.
  • Baixista
  • Expectativa por avanço nas negociações entre EUA e Irã para um fim do conflito deve aumentar o apetite global por riscos e beneficiar o desempenho de moedas de economias emergentes, como o real.

Resumo da semana passada

  • Em semana esvaziada de indicadores econômicos relevantes, investidores monitoraram os desdobramentos das tensões no Oriente Médio.
  • No meio da semana, notícias de apreensão de navios no estreito de Ormuz tanto pelos EUA quanto pelo Irã deterioraram as expectativas dos investidores quanto a uma possível solução diplomática entre os países.
  • O Departamento de Justiça dos EUA encerrou as investigações envolvendo o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em movimento que deve facilitar a confirmação de Kevin Warsh no Senado.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: -0,13% | Semanal: +0,40% | Mensal: -3,47% | Anual: -8,69% | Em 12 meses: -12,16%
Variações do dollar index | Diária: -0,30% | Semanal: +0,28% | Mensal: -1,32% | Anual: +0,18% | Em 12 meses: -0,80%


O MAIS IMPORTANTE: Impasse diplomático no Oriente Médio
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

Investidores devem seguir monitorando o noticiário a respeito do conflito entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio, em meio a certo otimismo por uma solução diplomática e pela reabertura do Estreito de Ormuz.

  • Na última sexta-feira (24), noticiou-se que o ministro de Relação Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, viajaria para o Paquistão para retomar as negociações com os EUA.
  • Embora seja prematuro antecipar uma solução diplomática neste momento, a disposição de ambos os lados para manter o diálogo e se mostrou suficiente para melhorar o humor dos investidores.
  • Cabe destacar a fragilidade do cenário, de forma que qualquer mudança no sentimento dos investidores pode gerar uma reversão do movimento.

 

Por que isso é importante: A expectativa por uma solução diplomática para o conflito tende a aumentar o apetite global por riscos e favorecer o desempenho de ativos arriscados, como o real.

  • Por outro lado, uma frustração dessa expectativa atuaria em sentido inverso.

 

Estreito de Ormuz: Embora EUA e Irã tentem retomar as negociações diplomáticas, a passagem pelo estreito segue bloqueada por ambos os países.

  • A interrupção dos fluxos de petróleo na região tem elevado a preocupações quanto a uma escassez global da commodity e possíveis repercussões inflacionárias.
  • Vale destacar que, mesmo que ocorra um rápido desbloqueio da passagem, levará tempo até ocorra a normalização da produção e fluxos globais de petróleo, tendo em vista os danos às estruturas produtivas e tempo de frete, o que deve manter os preços do petróleo ainda elevados no curto prazo.

 

Decisão de juros do FOMC
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 24 de abril de 2026

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Os mercados financeiros globais devem reagir à decisão de juros desta quarta-feira (29) do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), que deverão ser mantidas no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano.

 

Por que isso é importante: A manutenção dos juros americanos favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e facilita a atração de capital externo para os EUA, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

 

Compasso de espera: Há praticamente consenso entre investidores de que o FOMC deve manter sua taxa de juros inalterada na decisão desta quarta-feira enquanto aguarda por maior clareza a respeito das tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus efeitos sobre a economia global.

  • Com poucas dúvidas sobre a decisão, a atenção de investidores deve recair sobre a entrevista coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell.
  • Em falas recentes, integrantes do FOMC se mostraram confortáveis com uma postura mais cautelosa enquanto houver incertezas sobre os efeitos das restrições à navegação no Estreito de Hormuz sobre os preços globais de commodities, em particular as energéticas.

 

Fim das investigações: Na última sexta (24), o Departamento de Justiça americano encerrou inesperadamente sua investigação contra Powell sobre supostas irregularidades na reforma da sede do Federal Reserve.

  • A investigação ocorreu em meio a uma longa campanha de pressão da Casa Branca contra o Fed e contra Powell por uma insatisfação com o atual patamar de juros americanos.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, tentou demitir a membra do Conselho de Governadores, Lisa Cook, porém a Suprema Corte do país suspendeu a decisão enquanto um recurso de Cook não é julgado no tribunal.
  • Além disso, Trump ameaçou demitir Powell em diversas ocasiões, a mais recente no último dia 16.

 

Abrindo caminho para Warsh: O encerramento da investigação contra Powell é interpretada como uma ação da Casa Branca para facilitar a aprovação no Senado de Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve.

  • O senador republicano Thom Tillis havia afirmado que não votaria a favor de Warsh no Comitê de Assuntos Bancários do Senado antes dessa investigação ser encerrada.
  • O mandato atual de Powell como presidente do Fed se encerra em 15 de maio, podendo ser estendido temporariamente após essa data até haver a aprovação no Senado de seu substituto.
  • Analistas acreditam que Warsh deve ser mais receptível aos desejos da Casa Branca por novos cortes de juros no futuro.

 

E agora? O mandato de Powell como membro do Conselho de Governadores, contudo, se estende até janeiro de 2028.

  • Embora, no passado, era comum que os presidentes do Fed renunciassem aos seus mandatos de conselheiros juntamento com o término da sua presidência, Powell já havia afirmado que continuaria como membro no mínimo até o encerramento formal das investigações.
  • No momento, não há clareza se o término das investigações incentivará Powell a renunciar como membro do Conselho após a posse de Warsh.

 

Decisão de juros do Copom
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 17 de abril de 2026

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p., de 14,75% para 14,50% ao ano.

 

Por que isso é importante: Um corte na taxa básica de juros no Brasil tende a reduzir a atratividade dos títulos públicos domésticos e dificultar a atração de investimentos estrangeiros, desvalorizando o real.

 

Mudança nas expectativas: Na última divulgação do Boletim Focus do Banco Central do Brasil, a mediana das projeções das instituições financeiras para a Selic no final de 2026 se elevou para 13,00% a.a., após três semanas estável em 12,50% a.a.

  • Adicionalmente, desde o início do conflito, as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no final do ano avançaram de 3,91% para 4,71%, acima do limite máximo da meta de inflação.
  • Isto sugere que investidores antecipam pressões inflacionárias no Brasil derivadas dos preços altos para combustíveis e energia, o que reduziria a capacidade do Copom de realizar novos cortes de juros na Selic.

 

IPCA-15: Nesse contexto, ganha importância a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de abril, na próxima terça (28).

  • Na leitura mais recente, o IPCA-15 de março acelerou de 0,70% para 0,88%, acima das expectativas. Com o resultado, o acumulado nos últimos 12 meses subiu para 4,14%.
  • O núcleo do indicador, que exclui componentes voláteis de alimentação e energia, por sua vez, desacelerou de 0,91% para 0,46%.
  • Dessa forma, essa leitura indica que a pressão inflacionária veio, sobretudo, da alta das commodities energéticas, destacando o impacto do conflito no Oriente Médio sobre os preços nacionais.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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