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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir ata do FOMC, cenário eleitoral brasileiro e tensões geopolíticas no Oriente Médio

  • Altista
  • Ata do FOMC deve reforçar leitura de que o Federal Reserve não antecipa cortes de juros no curto prazo nos EUA, favorecendo o rendimento dos títulos do Tesouro americano e fortalecendo o dólar globalmente.
  • Notícias sobre o cenário eleitoral em 2026 podem ampliar a percepção de riscos fiscais para ativos nacionais, o que enfraqueceria o real.
  • Persistência do impasse diplomático entre EUA e Irã diminui a expectativa de uma reabertura do Estreito de Ormuz, o que pode resultar em maior aversão global ao risco e contribuir para o fortalecimento do dólar.
  • Baixista

Resumo da semana passada

  • Reportagem de imprensa ligou o pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro, à Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, diminuindo as expectativas de mudanças na política fiscal após 2027 e desvalorizando intensamente o real.
  • Na agenda econômica, dados aquecidos para a economia americana elevaram as preocupações de investidores com o cenário inflacionário do país e aumentaram as expectativas de juros mais altos por mais tempo, fortalecendo o dólar globalmente

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: +1,58% | Semanal: +3,53% | Mensal: +2,29% | Anual: -7,47% | Em 12 meses: -10,78%
Variações do dollar index | Diária: +0,42% | Semanal: +1,44% | Mensal: +1,27% | Anual: +0,99% | Em 12 meses: -1,51%


O MAIS IMPORTANTE: Ata do FOMC e desafios inflacionários nos EUA

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 15 de maio de 2026

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Em uma semana de poucos indicadores, investidores devem repercutir a divulgação da ata da última decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), em meio a preocupações com a dinâmica inflacionária nos EUA.

 

Por que isto é importante: A inflação mais persistente e disseminada nos EUA resulta em uma expectativa de juros mais altos por mais tempo no país, o que favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e contribui na atração de recursos externos, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Riscos inflacionários: Na semana passada, os indicadores econômicos americanos apontaram para pressões inflacionárias mais fortes e disseminadas no país.

  • O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, acelerou em 0,4% em abril, acima da estimativa mediana de 0,3%.
  • Já o núcleo do Índice de Preços ao Produtor (PPI) acelerou em 1,0% no mesmo mês, bem acima da estimativa mediada de 0,3%.
  • Esses números mostram que a pressão inflacionária provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelos temores de uma escassez global na oferta de petróleo se disseminaram mais rapidamente para além dos preços energéticos.

 

Sem espaço para cortes de juros: Em meio a esse desafio inflacionário, investidores inverteram suas apostas para o próximo movimento de juros pelo Federal Reserve, deixando de antecipar um corte e passando a antever uma alta.

  • Nesse sentido, investidores devem observar a ata da última decisão do FOMC em busca de detalhes sobre como os integrantes do Comitê avaliam o cenário de riscos inflacionários e, com isso, como enxergam a evolução da política monetária americana.
  • Embora o FOMC tenha mantido os juros estáveis, três membros votaram contra a manutenção do viés de baixa no texto do Comunicado, sugerindo maior preocupação com os riscos inflacionários.

 

O desafio de Warsh: Vale mencionar, também, que o Senado dos EUA aprovou a indicação de Kevin Warsh para se tornar o próximo presidente do Federal Reserve, a partir desta segunda-feira (18).

  • Warsh assume em um contexto de numerosas críticas da Casa Branca contra o patamar atual de juros.
  • Por isso mesmo, investidores entendem que Warsh se mostra mais receptivo às demandas do Executivo por juros mais baixos.
  • Contudo, em meio a um cenário inflacionário mais desafiador e a uma postura cautelosa dos demais integrantes do FOMC, não se antecipa a possibilidade de cortes de juros nos próximos meses.

 

Percepção de riscos políticos no Brasil

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

Volatilidade mensal da taxa de câmbio (USDBRL) em anos de eleição presidencial.

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Investidores devem se manter atentos ao noticiário referente às eleições presidenciais de outubro de 2026, após o real ter se desvalorizado intensamente na semana passada por conta de preocupações com o cenário fiscal do país.

 

Por que isso é importante: Investidores se mostram cada vez mais sensíveis à aproximação das eleições presidenciais de outubro, reagindo com intensidade a notícias sobre o pleito.

  • Em particular, investidores temem que uma reeleição do governo atual resulte em um aumento do nível de gastos públicos nos anos seguintes, o que eleva a percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e dificulta a atração de capital estrangeiro, desvalorizando do real.

 

Receios fiscais: Nos últimos meses, investidores já haviam reagido negativamente a notícias relacionadas ao ciclo eleitoral, como após a definição das pré-candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

  • Na prática, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.
  • Nesse sentido, as notícias da semana passada que ligaram Flávio ao polêmico banqueiro Daniel Vorcaro geraram receios de que suas chances de vitória na eleição poderiam ser prejudicadas.
  • Até então, as pesquisas de intenção de voto indicavam que a disputa eleitoral seria acirrada, sem uma liderança definida.

 

Impasse prolongado no Oriente Médio

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

Movimentação de navios no Estreito de Ormuz (média móvel de sete dias)

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Fonte: FMI PortWatch. Elaboração: StoneX.

Investidores devem se manter atentos, também, ao prolongado bloqueio de navegação no Estreito de Ormuz e à falta de perspectiva para uma solução diplomática entre EUA e Irã no curto prazo.

  • Durante o encontro entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, o líder americano afirmou estar “perdendo a paciência” com o Irã, elevando os temores de uma possível retomada das operações militares no Oriente Médio.
  • Ademais, apesar das constantes ameaças de Trump, o impasse entre EUA e Irã se mantém, o que reduz as expectativas de normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz, impulsiona o preço das commodities energéticas e eleva as preocupações inflacionárias globais.

 

Por que isso é importante: Uma deterioração da frágil relação entre EUA e Irã tende a aumentar a aversão ao risco dos investidores, o que pode prejudicar o desempenho de ativos considerados arriscados, como o real.

  • Além disso, os temores de persistência inflacionária global tendem a elevar as apostas de maiores juros globais e reduzir a atratividade relativa dos ativos nacionais, enfraquecendo o real.

 

Encontro entre EUA e China: No encontro entre as lideranças das maiores potências econômicas globais, a expectativa era de que fosse discutida soluções para a situação no Oriente Médio.

  • Durante o encontro, ambos os líderes afirmaram a necessidade de abertura do estreito de Ormuz sem pedágios e se opuseram à ideia de que o Irã possuísse armamento nuclear.
  • Contudo, a falta de soluções práticas limita o impacto das declarações dos líderes sobre a confiança dos investidores.
  • Além disso, segundo analistas, não parece provável que a China pressione o Irã para aceitar uma proposta de paz, sobretudo devido seu valor estratégico para Pequim como oposição direta aos EUA.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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