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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir tensões geopolíticas no Oriente Médio e dados para mercado de trabalho e atividade nos EUA

  • Altista
  • A divulgação de indicadores americanos deve reforçar a percepção de uma economia mais resiliente e robusta, aumentando as expectativas de juros mais altos por mais tempo no país e favorecendo um fortalecimento global do dólar.
  • Baixista
  • Expectativa por um acordo diplomático entre EUA e Irã que permita a reabertura do Estreito de Ormuz deve aumentar o apetite por riscos de investidores, o que tende a desvalorizar o dólar globalmente.

Resumo da semana passada

  • Notícias contraditórias sobre o progresso das negociações diplomáticas entre EUA e Irã provocaram forte volatilidade nos mercados financeiros globais, embora investidores se mantenham otimistas quanto à proximidade de um fim do conflito.
  • Nos Estados Unidos, o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), métrica inflacionária mais utilizada pelo Federal Reserve, avançou para 3,3% no acumulado dos últimos 12 meses, bem acima de meta americana de 2%.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: +0,38% | Semanal: +0,45% | Mensal: +1,89% | Anual: -7,83% | Em 12 meses: -10,91%
Variações do dollar index | Diária: -0,11% | Semanal: -0,41% | Mensal: +0,85% | Anual: +0,57% | Em 12 meses: -0,46%


O MAIS IMPORTANTE: Expectativa por um acordo no Oriente Médio

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

Variação da produção de petróleo por países selecionados entre fevereiro e abrilimage 132070

Fonte: EIA, OPEP e DOE. Elaboração: StoneX.

O mercado de divisas deve repercutir a maior expectativa entre investidores por um acordo diplomático entre Estados Unidos e Irã que possa encerrar ao conflito entre ambos e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz.

 

Por que isto é importante: Indícios mais claros de progresso nas negociações diplomáticas devem elevar o apetite por risco dos investidores, favorecendo o desempenho de ativos considerados mais arriscados, como o real.

  • Por outro lado, notícias que sinalizem a persistência de desacordos entre os países tendem a piorar o humor dos investidores, o que prejudicaria o desempenho do real.

 

Avanços e retrocessos: Na tarde da última quinta-feira (27), a Axios noticiou que Washington e Teerã haviam chegado a um acordo preliminar para firmar um Memorando de Entendimento, porém que ainda era necessário o aval do presidente dos EUA, Donald Trump, para sua formalização.

  • Segundo o site, o supremo líder iraniano já teria concordado com os termos negociados, porém Trump teria solicitado “alguns dias” para refletir.
  • Na sexta-feira (29), o presidente americano insinuou que esse acordo seria verdadeiro ao afirmar que iria se reunir na Casa Branca para tomar uma “decisão final” sobre o tema.
  • Ele listou que o acordo incluiria, dentre outros tópicos, a remoção e destruição do urânio enriquecido iraniano.
  • Contudo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, declarou que “neste momento, estamos focados em encerrar a guerra; não estamos negociando o programa nuclear do Irã”.
  • Vale mencionar, ainda, que já havia sido reportado que Washington e Teerã teriam chegado a um acordo tanto em 06 de maio como em 23 de maio, porém não houve formalização em nenhum dos casos.

 

Fé inabalável: Mesmo que a situação permaneça frágil e incerta, investidores se mostram otimistas com a perspectiva de que o final do conflito está próximo.

  • Esse otimismo levou a uma queda de mais de 9% dos preços internacionais do petróleo na semana.

 

Detalhes do acordo: De acordo com as reportagens, o suposto acordo preveria estender o cessar-fogo por 60 dias tanto para as hostilidades contra o Irã como contra o Líbano.

  • Adicionalmente, a navegação no Estreito de Ormuz seria liberada sem restrições ou pedágios, e Teerã teria 30 dias para remover as minas lançadas no local.
  • Durante o cessar-fogo, ambos continuariam discutindo a questão nuclear iraniana e a redução das sanções americanas contra o país persa.

 

Demora para normalização: Mesmo que os países solucionem o impasse rapidamente, é necessário considerar que haverá uma demora para a normalização dos fluxos no Estreito de Ormuz.

  • O primeiro empecilho seria o período necessário para a retirada das minas lançadas na região para que os navios pudessem trafegar na região com segurança.
  • Além disso, devido às restrições para exportação do petróleo, as petroleiras estão operando em capacidade reduzida, sendo necessário semanas para retornar a operação aos níveis pré-guerra.
  • Por fim, ainda haveria o tempo de deslocamento da commodity energética do Oriente Médio até seu país de destino, visto que navios tanqueiros se movem lentamente.
  • Nesse contexto, mesmo que houvesse uma resolução imediata, o tempo para normalização de toda a cadeia deve manter o preço do petróleo em níveis elevados, sustentando as preocupações inflacionárias globais.

 

Dados econômicos americanos

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 29 de maio de 2026image 132071

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Investidores devem reagir à divulgação de indicadores para atividade econômica e mercado de trabalho nos EUA, buscando calibrar expectativas para a trajetória dos juros no país.

 

Por que isso é importante: Os dados devem reforçar a percepção de uma economia americana mais resiliente e robusta, aumentando as expectativas de juros mais altos por mais tempo no país.

  • Isto, por sua vez, tende a elevar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favorecer a atração de capitais externos, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Estimativas: A mediana das estimativas para o Relatório da Situação do Emprego aponta para a criação líquida de 96 mil postos de trabalho nos EUA no mês de maio, bem como a estabilidade da taxa de desemprego em 4,3%.

  • Adicionalmente, a estimativa mediana para o Índice Gerente de Compras (PMI) medido pelo instituto ISM é de nova expansão em maio, mantendo-se em 53,6 pontos no PMI de serviços e passando de 52,7 pontos para 52,6 pontos no PMI industrial.

 

Desafios inflacionários: Os dados devem sugerir que a economia americana continua vigorosa e que, portanto, não haveria necessidade de cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.

  • Por outro lado, os índices inflacionários apontam para uma inflação mais persistente e disseminada no país, o que exigiria juros mais elevados para conter essas pressões de preço.
  • O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, acelerou em 0,4% em abril, acima da estimativa mediana de 0,3%.
  • O núcleo do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), métrica utilizada pelo Fed para acompanhar a inflação, cresceu em 0,2%, puxado por bens industriais e serviços empresariais.
  • Já o núcleo do Índice de Preços ao Produtor (PPI) acelerou em 1,0% no mesmo mês, bem acima da estimativa mediada de 0,3%.
  • Esses números apontam que a pressão inflacionária provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelos temores de uma escassez global na oferta de petróleo se disseminaram mais rapidamente para além dos preços energéticos.

Medidas de inflação para os Estados Unidos (%)image 132072

Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Sem espaço para cortes de juros: Em meio a esse desafio inflacionário, investidores inverteram suas apostas para o próximo movimento de juros pelo Federal Reserve, deixando de antecipar um corte e passando a antever uma alta.

  • Adicionalmente, diversos integrantes do Fed têm alertado para os riscos inflacionários enfrentado pelos EUA e para a possibilidade de novas altas de juros pelo Fed no futuro.
  • Por exemplo, o membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Christopher Waller, afirmou que o Fed deveria tirar o viés de baixa (corte) de seus comunicados e que seria “loucura” defender cortes de juros nesse momento.
  • O presidente do Federal Reserve de Kansas City, Jeffrey Schmid, afirmou que “a principal preocupação é a inflação, que está muito aquecida e se mantém acima da meta inflacionária há muito tempo”.
  • Já o presidente do Federal Reserve de St. Louis, Alberto Musalem, afirmou que “nesse momento, o balanço de riscos está mais inclinado para a inflação do que para o mercado de trabalho”.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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