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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir decisões de juros no Brasil e nos EUA, bem como expectativa por acordo de paz no Oriente Médio

  • Altista
  • A decisão de juros do Federal Reserve deve reforçar as expectativas de juros mais altos por mais tempo nos EUA, favorecendo o rendimento dos títulos do Tesouro americano e fortalecendo o dólar globalmente.
  • O Copom deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p., o que tende a diminuir a rentabilidade dos títulos públicos domésticos e prejudicar a atração de capitais externos, enfraquecendo o real.
  • Baixista
  • A Expectativa por um acordo diplomático entre EUA e Irã que permita a reabertura do Estreito de Ormuz deve aumentar o apetite por riscos de investidores, o que tende a desvalorizar o dólar globalmente.

Resumo da semana passada

  • Notícias contraditórias no Oriente Médio manteve os mercados financeiros voláteis, ora aumentando e ora diminuindo as esperanças por um acordo de paz na região.
  • No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) acumulado avançou para 4,72%, acima do teto da meta. Adicionalmente, o núcleo do índice também acelerou, o que gerou preocupações de uma inflação mais persistente.
  • Nos EUA, o núcleo do Índices de Preços ao Consumidor (CPI) avançou menos que o esperado em maio, com alta de 0,2%, o que diminuiu parcialmente as preocupações com o cenário inflacionário americano.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)

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Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: -2,09% | Semanal: -1,72% | Mensal: +0,31% | Anual: -7,55% | Em 12 meses: -8,65%
Variações do dollar index | Diária: -0,17% | Semanal: -0,27% | Mensal: +0,90% | Anual: +1,48% | Em 12 meses: +1,90%


O MAIS IMPORTANTE: Decisão de juros do Federal Reserve

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 12 de junho de 2026

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Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deve manter sua taxa básica de juros inalterada em sua decisão desta quarta-feira (17), no intervalo entre 3,50% e 3,75% a.a.

  • Como há praticamente consenso quanto à decisão, investidores devem voltar suas atenções para modificações no Comunicado, para a atualização das Projeções Econômicas Sumarizadas e para a primeira coletiva de imprensa de Kevin Warsh como presidente da instituição.

Por que isso é importante: A expectativa de uma postura mais cautelosa do Federal Reserve deve reforçar as apostas de juros mais altos por mais tempo no país.

  • Isto, por sua vez, tende a elevar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favorecer a atração de capitais externos, fortalecendo o dólar globalmente.

Economia americana aquecida: Os dados recentes para os Estados Unidos apontam para uma economia mais vigorosa que o antecipado, com uma reaceleração do mercado de trabalho nos últimos três meses.

  • Por outro lado, há uma aceleração dos índices de inflação, pressionados principalmente por conta da rápida aceleração dos preços de itens energéticos após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
  • Essa pressão inflacionária também se disseminou a um ritmo mais lento para os demais bens e serviços do país, como observado no núcleo dos indicadores, isto é, quando se exclui do cálculo os componentes voláteis de alimentação e energia.

Variação no total de empregos urbanos nos Estados Unidos – média de 3 meses (mil pessoas)

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Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Alguns contrapontos para o mercado de trabalho: Embora a criação líquida de empregos urbanos nos EUA tenha se intensificado nos últimos três meses, outros indicadores sugerem que o mercado de trabalho ainda não representa um risco inflacionário mais sério.

  • Primeiramente, a despeito do forte ritmo de contratação reportado pelas empresas, a taxa de desemprego, que é calculada em pesquisa junto aos domicílios, se manteve estável em 4,3% nesse período.
  • Adicionalmente, o rendimento do trabalho também se manteve estável no período.
  • Por isso, sem uma aceleração da renda do trabalho ou sem uma queda da taxa de desemprego, é improvável que os integrantes do FOMC concluam que há um sobreaquecimento do mercado de trabalho.

O que esperar do FOMC: Normalmente, o Federal Reserve se movimenta gradualmente quando decide modificar sua política monetária, ou seja, são raras as decisões que mudam bruscamente a postura da autoridade.

  • Por isso, o primeiro passo deve ser dado na decisão desta quarta (17), com a remoção do viés de baixa (isto é, que o próximo passo provavelmente será um corte de juros) do Comunicado.
  • Com isto, o Comitê sinalizaria que o balanço de riscos para a economia americana está equilibrado, ou seja, que os riscos de um enfraquecimento do mercado de trabalho são aproximadamente iguais aos riscos de uma aceleração da inflação.
  • Caso o cenário inflacionário permaneça desafiador, o passo seguinte seria a inclusão de um viés de alta no Comunicado, afirmando que são necessárias condições financeiras mais restritivas.
  • Isto poderia ocorrer na decisão de juros de julho ou setembro.
  • Por fim, uma alta de juros, se for determinada que é necessária, seria mais provável apenas na decisão de outubro ou dezembro.

Ajustes sutis são incomuns: Vale a pena destacar que, em geral, quando um Banco Central avalia que ele precisa mudar sua política monetária, seja com juros mais altos ou mais baixos, é muito raro que ele decida que apenas uma alta ou uma queda de 0,25 p.p. é o suficiente para reposicionar sua postura.

  • O mais comum é observar uma sequência de altas ou de baixas consecutivas no intervalo de algumas reuniões.
  • Quer dizer, se o Federal Reserve, em algum momento, avaliar que os riscos inflacionários são maiores que os riscos de enfraquecimento da atividade econômica, é extremamente improvável que ele aumente seu juros apenas uma vez, tal como as apostas dos investidores apontam hoje.
  • Por isso, tal cenário deve envolver pelo menos duas ou três altas de 0,25 p.p. aos juros americanos.
  • Então, o mais provável neste momento é que os juros americanos continuem estáveis ao longo do ano.
  • Esse cenário é reforçado pelo início do mandato de Kevin Warsh como presidente do Fed, de quem investidores esperam maior receptividade às demandas da Casa Branca por juros mais baixos.
  • Como Warsh teria muita dificuldade em tentar buscar um consenso para reduzir juros no quadro atual, é mais provável que ele busque consolidar uma leitura de que aumentos de juros ainda não são necessários para a economia americana.

 

Decisão de juros no Brasil

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 5 de junho de 2026

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Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Na quarta-feira (17), a mediana das estimativas aponta que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 14,50% para 14,25% ao ano.

Por que isso é importante: A redução da Selic tende a diminuir a rentabilidade dos títulos públicos domésticos e prejudicar a atração de capitais externos, enfraquecendo o real.

Desafios inflacionários: Embora o Copom esteja num ciclo de cortes da Selic, os desafios inflacionários seguem como o principal fator de preocupação, sobretudo com o conflito do Oriente Médio se estendendo para o quarto mês, o que pode limitar o ciclo de cortes.

  • Na última sexta-feira (12), a leitura de maio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado avançou de 4,39% para 4,72%, acima do teto de 4,5% da meta inflacionária.
  • Além disso, o núcleo do indicador, que excluir os itens voláteis de alimentação e energia avançou 0,41%, indicando que as pressões inflacionárias de itens energéticos está se espalhando para outras mercadorias.
  • Até o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, o IPCA acumulado estava em 3,81%, dentro da meta, reforçando os impactos da guerra nos preços domésticos.

Trajetória dos juros: Segundo o último Boletim Focus, a expectativa mediana é de que o Copom siga cortando a taxa Selic em 0,25 pontos percentuais nas próximas 4 reuniões, e manter estável no último encontro do ano, até fechar o ano em 13,50% ao ano.

  • Contudo, a evolução da trajetória inflacionária será crucial para a definição da condução da política monetária. Caso as pressões inflacionárias se mantenham, é possível que o Copom adote um tom mais restritivo.
  • Para isso, sinais de avanços diplomáticos entre EUA e Irã e a liberação do Estreito de Ormuz devem permanecer no radar dos investidores.
  • Para título de comparação, desde o início do conflito, as projeções do Boletim Focus para a Selic no final do ano avançaram de 12,00% para 13,50%.

 

Avanços diplomáticos no Oriente Médio

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

Na próxima semana, os investidores devem seguir acompanhando o vai-e-vem do noticiário sobre as negociações diplomáticas entre EUA e Irã.

  • No momento, a expectativa é de que os países possam assinar um acordo de paz já neste domingo (14), em Genebra, na Suíça.

Por que isso é importante: A possibilidade de fim do conflito no Golfo Pérsico reduz a percepção de riscos geopolíticos pelos investidores, o que tende a favorecer o desempenho de ativos considerados arriscados, como o real.

  • Adicionalmente, a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz diminui temores inflacionários causados por uma escassez global de petróleo, o que reduz a atratividade do dólar como ativo de proteção.

Sinalizações positivas de ambos os lados: O presidente americano, Donald Trump, afirmou que "fizemos um grande acordo para encerrar a guerra com o Irã" e que o Estreito de Ormuz será oficialmente reaberto assim que o memorando for assinado.

  • Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, o país persa alcançou “entendimentos” em grande parte das questões com os EUA, e que o processo está em fase final de “conclusões internas”.

Termos e condições: Apesar das sinalizações positivas sobre a proximidade de uma resolução diplomática, os termos do acordo ainda não estão claros.

  • Entre os pontos noticiados pela mídia estão: cessar-fogo em todas as frentes de combate, inclusive o Líbano, reabertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágios, retirada do bloqueio naval estadunidense, flexibilização das sanções contra o Irã e o comprometimento do país persa em não construir uma arma nuclear.
  • Contudo, as mídias dos países divergem em alguns pontos sobre os termos, sobretudo em relação ao controle da passagem pelo Estreito de Ormuz e o direito de enriquecimento de urânio pelo Irã.
  • Nesse contexto, o presidente Donald Trump acusou o Irã de agir de má fé nas negociações e que as informações dadas pelo país não refletem o que foi acordado.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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