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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir ata do FOMC, IPCA e cenário político doméstico

  • Altista
  • Ata da decisão de juros do FOMC pode reforçar a leitura de um Federal Reserve mais preocupado com a inflação e elevar as apostas por novas altas de juros nos EUA ainda este ano, elevando o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e fortalecendo o dólar globalmente.
  • Participação de Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA sobre tarifas contra o Brasil pode aumentar a percepção de riscos políticos para ativos nacionais e prejudicar o desempenho do real.
  • Baixista
  • No Brasil, o IPCA de junho deve apontar para sinais de pressões inflacionárias persistentes e elevar as apostas de interrupção do ciclo de cortes para a taxa Selic, favorecendo a atração de capitais externos e fortalecendo o real.

Resumo da semana passada

  • O Relatório de Situação de Emprego (“payroll”) indicou arrefecimento do mercado de trabalho americano, com um saldo abaixo do esperado e revisão para baixo dos dois meses anteriores na criação líquida de empregos.
  • No Fórum de Banco Centrais organizado anualmente pelo Banco Central Europeu (BCE), o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou que acredita que os riscos inflacionários nos Estados Unidos caíram, fala que foi interpretada como uma postura menos firme no combate à inflação e contribuiu para o enfraquecimento do dólar na semana.
  • Apesar do enfraquecimento global do dólar, o real não acompanhou essa tendência devido à piora na percepção de riscos para ativos locais, à medida que as eleições se aproximam.

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)image 133701

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: -0,73% | Semanal: +0,04% | Mensal: +0,07% | Anual: -5,62% | Em 12 meses: -4,35%
Variações do dollar index | Diária: +0,00% | Semanal: -0,48% | Mensal: -0,34% | Anual: +2,58% | Em 12 meses: +3,81%

O MAIS IMPORTANTE: Ata do FOMC

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 03 de julho de 2026image 133702

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

O mercado de divisas deve repercutir a divulgação da ata da última decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), que surpreendeu os investidores tanto pelo número de integrantes do Comitê que antecipavam novas altas de juros ainda em 2026 como pela postura firme de Kevin Warsh na defesa da estabilidade de preços.

 

Por que isto é importante: O documento pode reforçar a leitura de preocupações do Fed com a inflação acima da meta, sugerindo uma disposição para manter os juros mais elevados para recuperar a estabilidade de preços.

  • Isto, por sua vez, elevaria o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e favoreceria a atração de capitais estrangeiros para o país, fortalecendo o dólar globalmente.

 

Escondendo o jogo: Embora a publicação das atas ocorra apenas três semanas após a decisão do FOMC, o documento desta semana ganha importância por poder oferecer pistas sobre a trajetória dos juros americanos que o novo presidente do Fed, Warsh, se recusa a oferecer.

  • Contudo, dada a reformulação da estratégia de comunicação do Federal Reserve, que encurtou substancialmente o Comunicado da decisão, há um risco que a ata também seja encurtada ou menos detalhada que o padrão vigente sob Jerome Powell.

 

O enigma de Warsh: Na semana passada, em uma participação em um importante evento do Banco Central Europeu, Warsh continuou se recusando a oferecer qualquer tipo de expectativa futura (“foward guidance”) ou a comentar sobre a conjuntura econômica.

  • O estilo lacônico do novo presidente do Fed lembra o adotado durante a gestão de Alan Greenspan, considerado imprevisível por investidores.
  • Por exemplo, embora o novo presidente do Fed tenha repetido a importância da estabilização de preços nos Estados Unidos, não está claro o que ele entende por estabilização de preços nem qual é o horizonte que ele tem em mente para que isso ocorra.
  • Warsh também afirmou que acredita que os riscos inflacionários nos Estados Unidos caíram e repetiu que as inovações tecnológicas recentes elevarão a produtividade e trarão efeitos desinflacionários para o país, falas que foram interpretadas como uma postura menos firme no combate à inflação.

 

“Payroll” surpreende em junho: Na semana passada, o Relatório da Situação do Emprego surpreendeu investidores ao mostrar números bem mais fracos que o antecipado para o mercado de trabalho.

  • A economia americana criou um saldo de apenas 57 mil postos de trabalho em junho, bem abaixo da estimativa mediana de 110 mil empregos.
  • Além disso, os números de abril e maio foram revisados para baixo em 74 mil postos de trabalho.
  • A taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2% após 720 mil pessoas saírem da força de trabalho.
  • Com isso, a taxa de participação recuou para 61,5%, o menor patamar desde março de 2021.

 

Alta de juros em dúvida: Estes dados trouxeram dúvidas quanto ao real grau de aquecimento do mercado de trabalho nos Estados Unidos, embora sejam necessários mais dados para estabelecer se realmente houve uma mudança de tendência.

  • Adicionalmente, as apostas de investidores por novas altas de juros pelo Federal Reserve ainda este ano recuaram apenas discretamente após a divulgação do payroll.
  • Uma explicação para a mudança discreta nas apostas pode ser a concentração do desempenho negativo no setor de lazer e hospitalidade, que registrou uma perda líquida de 61 mil postos de trabalho.
  • Restaurantes e bares eliminaram 32,9 mil empregos, enquanto hotelaria cortou outros 21,7 mil postos, contrariando expectativas de que a Copa do Mundo impulsionaria as contratações no setor.
  • Excluindo-se esse setor, o payroll americano seria de 118 mil novos empregos, bem próximo à estimativa inicial.

 

IPCA de junho

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)image 133703

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.

Na agenda nacional, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho deve ajudar os investidores a calibrarem suas expectativas para a trajetória inflacionária e da política monetária.

 

Por que isso é importante: Sinais de pressões inflacionárias persistentes devem elevar as apostas de interrupção do ciclo de cortes de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

  • Isto, por sua vez, deve aumentar os rendimentos dos títulos públicos domésticos e favorecer a atração de capitais externos, impulsionando o desempenho do real.

 

Preocupações inflacionárias: As preocupações inflacionárias geram dúvidas a respeito da continuidade do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic), sobretudo após o IPCA ultrapassar as bandas de tolerância na última leitura do indicador.

  • Na ata referente à última decisão do Copom, foi sinalizado uma piora do quadro inflacionário brasileiro desde a reunião anterior e que as estimativas do Comitê para a inflação foram elevadas.
  • Por outro lado, o documento ponderou que parte importante dessa pior se deviam a “choques de oferta”, como a elevação dos preços de petróleo e derivados ocasionada pelo conflito no Oriente Médio, e que havia incertezas elevadas quanto a extensão e magnitude dos efeitos desses choques.
  • A falta de sinalização clara da autoridade monetária gera dúvidas entre os investidores. Se, por um lado, a deterioração do quadro inflacionário pesa a favor da interrupção do ciclo de cortes de juros, o alívio dos “choques de oferta” permitiria a continuidade desses cortes.
  • Nesse contexto, a última leitura do núcleo do IPCA, que exclui componentes voláteis como energia e alimentos, indicou aceleração tanto mensal quanto do acumulado nos últimos 12 meses, indicando que ainda podem existir pressões inflacionárias relevantes.

 

Dados recentes: Na última edição do Boletim Focus, a mediana das projeções apontou para uma leitura de 0,32% em junho, o que seria uma desaceleração em relação aos 0,58% registrados no período anterior.

  • Apesar da desaceleração, com o resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses deve avançar de 4,72% para 4,81%, acima da banda de tolerância de 4,5%.
  • A leitura mais recente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) trouxe uma trajetória semelhante. Apesar da desaceleração mensal, as leituras ainda elevadas aumentaram a inflação acumulada.
  • No Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, o Banco Central elevou suas projeções para a inflação acumulada no final de 2026 e 2027 para 5,2% (+1,3 p.p.) e 3,7% (+0,4 p.p.), respectivamente.
  • Nesse cenário, a inflação só voltaria para as margens de tolerância no 2º trimestre de 2027, indicando uma piora no controle dos preços após o conflito no Oriente Médio.

 

Cenário político e eleitoral brasileiro

Impacto esperado no USDBRL: altista

Na semana passada, a taxa de câmbio do real voltou a ser pressionada pela percepção de riscos políticos para ativos brasileiros por conta da sensibilidade de investidores quanto à disputa para presidente da República.

  • Nesse contexto, investidores podem reagir à participação do pré-candidato Flávio Bolsonaro em audiência pública em Washington na segunda-feira, 07, sobre a propostas de tarifas de 25% sobre o Brasil.

 

Por que isso é importante: Caso a participação de Flávio prejudique a leitura de investidores quanto à viabilidade de sua vitória, ela pode aumentar a percepção de riscos políticos de ativos nacionais e enfraquecer o real.

 

Receios fiscais: Nos últimos meses, investidores já haviam reagido negativamente a notícias relacionadas ao ciclo eleitoral, como após a definição das pré-candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

  • Na prática, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.

 

Piora na percepção de riscos: Na semana passada, a divulgação de pesquisas de intenção de voto que mostravam um aumento da vantagem do presidente Lula sobre Flávio piorou a percepção de riscos de investidores para ativos nacionais.

  • Essa percepção de riscos se intensificou após o Departamento do Tesouro americano anunciar sanções a brasileiros e empresas por supostas ligações com a facção criminosa PCC.
  • Tanto a imposição de tarifas punitivas ao Brasil como a denominação de facções criminosas como grupos terroristas foram ações dos Estados Unidos ligadas à família Bolsonaro e que representam pontos sensíveis junto ao eleitorado nacional.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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