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Panorama Semanal de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Dólar deve refletir busca por sinais do Federal Reserve, novas tarifas americanas e decisão de juros do BCE

  • Altista
  • A perspectiva de entrada de novas tarifas americanas sobre produtos brasileiros tende a reduzir a entrada de dólares no país e gera incerteza entre os investidores, o que tende a prejudicar o desempenho do real.
  • Baixista
  • Dados recentes indicando recuo das pressões inflacionárias nos EUA reduziram a perspectiva de necessidade de altas da taxa básica de juros no curto prazo, o que enfraquece o dólar globalmente.
  • A perspectivas de possíveis altas de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) tende a fortalecer o euro globalmente e pode, indiretamente, favorecer o desempenho do real ante o dólar.

Resumo da semana passada

  • Índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) nos EUA surpreenderam e indicaram uma deflação de 0,4% e 0,2%, respectivamente. A leitura benigna reduziu as apostas de uma alta de juros no curto prazo.
  • Novas tarifas americanas contra produtos brasileiros foram confirmadas. Com a medida, as exportações enfrentam uma taxa adicional de 25% a partir de quinta-feira (22), embora haja uma ampla lista de exceções.
  • No Oriente Médio, a retomada das operações militares entre EUA e Irã afasta as expectativas de resolução e eleva a percepção de risco geopolítico por parte dos investidores.

 

Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)image 134411

Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.

Variações do dólar comercial | Diária: +0,14% | Semanal: +0,02% | Mensal: -1,08% | Anual: -6,70% | Em 12 meses: -7,89%
Variações do dollar index | Diária: -0,02% | Semanal: -0,22% | Mensal: -0,45% | Anual: +2,47% | Em 12 meses: +2,14%

 

O MAIS IMPORTANTE: Próximos passos do Federal Reserve

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista

EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 17 de julho de 2026image 134412

Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX.   Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.

Com os últimos dos principais indicadores macroeconômicos anteriores à decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) já divulgados, os investidores buscam calibrar suas expectativas para a trajetória da política monetária nos EUA.

 

Por que isso é importante: Sinais de desaceleração inflacionária reduzem as apostas de altas da taxa básica de juros no curto prazo, o que reduz o rendimento dos títulos públicos americanos (Treasuries) e prejudica o desempenho global do dólar.

 

Dados de inflação surpreendem: Na última semana, as leituras de junho dos Índices de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) surpreenderam com leituras abaixo das expectativas e apontaram para uma deflação de 0,4% e 0,2%, respectivamente.

  • Na inflação acumulada dos últimos 12 meses dos indicadores, houve uma desaceleração de 4,2% para 3,5% (CPI) e 6,0% para 5,5% (PPI).
  • Com a leitura benigna, os investidores reduziram suas apostas para uma alta de juros no curto prazo. Contudo, vale destacar que junho foi marcado pelo alívio das tensões militares no Oriente Médio e o recuo de possíveis pressões inflacionárias vindas do petróleo, o que pode ter contribuído para o resultado.
  • Para julho, com a reescalada do conflito e a recuperação dos preços do petróleo para próximo dos USD 90/barril, é possível que parte das pressões inflacionárias retornem.
  • Após a leitura de junho do CPI, o presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, ponderou que uma única leitura benigna não deve ser o suficiente para convencer de que a inflação está voltando à meta, o que reforça o tom de cautela por parte das autoridades monetárias.

 

Medidas de inflação para os Estados Unidos (acumuladas em 12 meses)image 134413

Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Kevin Warsh no Congresso Americano: Durante a semana, Kevin Warsh, participou do depoimento semestral do presidente do Federal Reserve ao Congresso americano.

  • Em linha com seu estilo enigmático, Warsh não ofereceu qualquer expectativa futura (“forward guidance”) ou comentou a conjuntura econômica, o que dificultou os investidores a calibrarem suas expectativas.
  • Durante o depoimento, Warsh apenas reiterou o compromisso do Fed com o controle da inflação e afirmou que a leitura benigna dos dados de inflação não significava uma “missão cumprida” para o Federal Reserve.
  • Contudo, para atingir seu objetivo de retomar a inflação à meta, o presidente do Fed não forneceu pistas de qual seria o instrumento implementado.
  • Em declarações anteriores, Warsh respondeu os críticos da falta de sinalização afirmando para eles olharem os dados e não o Federal Reserve.


Outros dirigentes do Federal Reserve: Em contrapartida à postura de Kevin Warsh, os outros conselheiros do Fed foram mais claros e forneceram maiores sinalizações ao longo da semana.

  • A conselheira Lisa Cook afirmou que prefere aguardar mais evidências de desinflação, mas sinalizou estar preparada para apoiar uma nova alta de juros caso a inflação não continue desacelerando nos próximos meses.
  • Já o conselheiro Christopher Waller afirmou que precisaria observar vários meses consecutivos de inflação mais baixa antes de ganhar confiança de que o processo de convergência para a meta de 2% está de fato consolidado.
  • Por outro lado, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, apresentou uma leitura mais otimista e afirmou que a inflação segue elevada, mas destacou que existem motivos encorajadores para acreditar que ela tenha atingido seu pico recente e deva desacelerar gradualmente nos próximos trimestres. Williams também classificou a política monetária atual como "bem posicionada".
  • Apesar das diferenças de tom, as declarações dos dirigentes sugerem que a maioria dos membros do FOMC adota uma postura de “esperar para ver”, ainda buscando maiores evidências para considerar um ciclo de aperto ou afrouxamento monetário.

 

Arranjo tarifário entre EUA e Brasil

Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista

Entre os temas que podem influenciar o comportamento do real na próxima semana, o avanço das medidas comerciais impostas pelos Estados Unidos surge como um vetor relevante de risco.

  • Com a entrada em vigor da sobretaxa de 25% prevista para o dia 22, a tarifa média sobre os produtos brasileiros deve saltar dos atuais 11,7% para 18,22%, antes de recuar para cerca de 14,4% a partir do dia 26, quando expira a sobretaxa complementar de 10%.
  • Ainda assim, o patamar final representa elevação relevante frente ao vigente até a semana passada e tende a pressionar o desempenho exportador nos próximos meses.

 

Por que isso é importante: O encarecimento dos produtos brasileiros no mercado americano reduz a competitividade das exportações e o ingresso de moeda estrangeira, enquanto a maior imprevisibilidade nas relações comerciais tende a afastar investimentos externos dos ativos domésticos.

  • No plano interno, o governo sinalizou intenção de reforçar o Plano Brasil Soberano para amparar empresas afetadas, mantendo o compromisso com as metas fiscais, ao passo que a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade segue no radar como instrumento de contramedida.
  • O tema deve permanecer no centro do debate político, ampliando a sensibilidade dos ativos e mantendo o viés de depreciação sobre o real enquanto o arranjo tarifário final não for consolidado.

 

Decisão de juros no Zona do Euro

Impacto esperado no USDBRL: baixista

Para a reunião do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira (23), é esperada uma manutenção da taxa básica de juros em 2,25% ao ano.

  • Para as próximas reuniões os investidores apostam em mais duas altas até meados de 2027, sendo uma delas já em setembro. Contudo, vale destacar que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e suas possíveis pressões inflacionárias via petróleo serão determinantes para os próximos passos da autoridade monetária.

 

Por que isso é importante? A perspectiva de manutenção da taxa básica de juros na Zona do Euro em patamares elevados, e até mesmo de possíveis novas altas, tende a fortalecer o euro globalmente.

  • Esse cenário tende a enfraquecer o dólar e pode, indiretamente, favorecer o desempenho do real.

 

Em detalhes: Dados recentes do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) indicaram uma desaceleração, com a inflação acumulada nos últimos 12 meses reduzindo de 3,2% para 2,8% em junho, mas ainda acima da meta de 2% do BCE.

  • O núcleo do indicador, que exclui bens considerados voláteis como alimentos e energia, também apresentou uma desaceleração de 2,6% para 2,4%.
  • Em meio às incertezas decorrentes da reescalada do conflito no Oriente Médio, mas com dados de desaceleração inflacionária, é esperada uma postura de “esperar para ver” antes do BCE tomar uma direção.
  • Recentemente, o presidente do Banco Central da Alemanha, Joachim Nagel, afirmou que “Continua sendo aconselhável reagir com cautela, mas agir com determinação se necessário”, indicando o caráter de atenção das autoridades monetárias.

 

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TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
  • Moedas

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