
Dólar deve refletir decisão de juros do Copom e dados econômicos americanos
- Altista
- Copom deve cortar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 p.p., reduzindo a rentabilidade dos títulos nacionais e dificultando a atração de capitais externo, o que tende a desvalorizar o real.
- Dados econômicos americanos aquecidos devem aumentar as apostas de uma elevação de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, elevando o rendimento dos títulos do Tesouro americano e fortalecendo o dólar globalmente.
Resumo da semana passada
- O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) manteve a taxa básica de juros inalterada no patamar de 3,75% a 3,50% ao ano. Porém, a ausência de sinalizações mais claras quanto à possibilidade de uma alta de juros no curto prazo frustrou a expectativa de investidores e reduziu as apostas de uma alta ainda em 2026.
- No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho indicou uma inflação de 0,06%, abaixo das expectativas. Com a leitura, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,80% para 4,52%.
- Por fim, no noticiário geopolítico, a falta de avanços diplomáticos no Oriente Médio eleva a incerteza entre os investidores e mantiveram os preços do petróleo elevados, gerando preocupações inflacionárias globais.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | Diária: +0,02% | Semanal: -0,24% | Mensal: -1,88% | Anual: -7,45% | Em 12 meses: -9,50%
Variações do dollar index | Diária: -0,03% | Semanal: -1,55% | Mensal: -1,29% | Anual: +1,60% | Em 12 meses: -0,17%
O MAIS IMPORTANTE: Decisão de juros do Copom
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 24 de julho de 2026
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.
O mercado de divisas deve repercutir a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de quarta-feira (05), que deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00% ao ano.
- A mediana das projeções do Boletim Focus antecipa um último corte de juros na decisão desta quarta-feira, seguido de manutenção da Selic em 14,00% a.a. até encerrar o ano.
- Além da decisão, os investidores buscam calibrar suas expectativas para os próximos passos da autoridade monetária, tendo em vista a reescalada do conflito no Oriente Médio e o cenário incerto da política monetária nos EUA.
Por que isso é importante: Um corte de juros pelo Banco Central reduz o rendimento dos títulos públicos domésticos e prejudica a atração de capitais externos, enfraquecendo o real.
Dados inflacionários: O dado de inflação mais recente foi o Índice Nacional de Preços ao Consumidor 15 (IPCA-15) de julho, que apontou uma inflação de 0,06%, ante expectativas de 0,19%.
- Com a leitura, o IPCA-15 acumulado em 12 meses recuou de 4,80% para 4,52%, levemente acima da margem de tolerância de 4,5%.
- O núcleo do indicador, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, desacelerou sua alta de 0,37% em junho para 0,19% em julho, reforçando a percepção de uma leitura benigna da inflação no mês.
- Contudo, a incerteza sobre a duração do conflito no Oriente Médio e sobre os preços internacionais do petróleo permanecem como um fator de risco inflacionário que deve pesar sobre a decisão dos diretores do Copom.
- Além disso, no último boletim Focus, a mediana das projeções das instituições financeiras do país apontou uma inflação acumulada de 5,12% no ano, o que representaria um aumento em relação aos níveis atuais e deve ser mais um fator de atenção.
Mercado de trabalho resiliente: No mercado de trabalho, a taxa de desemprego caiu de 5,6% em maio para 5,4% em junho, nível próximo da mínima histórica de 5,1% registrados em dezembro de 2025.
- Nesse contexto, o dado indica que o mercado de trabalho segue resiliente, mesmo com a Selic em níveis restritivos, e reforça a percepção de que não há urgência para novos cortes de juros.
Incertezas externas: No momento, o cenário externo segue como um relevante fator de risco para a política monetária doméstica.
- No Oriente Médio, a nova escalada do conflito sem sinais de avanços diplomáticos concretos sustenta os preços do petróleo Brent próximos de US$ 90/barril, gerando preocupações sobre possíveis pressões inflacionárias no país.
- Além disso, nos EUA, a falta de sinalizações futuras (“foward guidance”) do Federal Reserve também traz incertezas, uma vez que gera dúvidas sobre o diferencial de juros entre os países.
- No caso de redução desse diferencial, a tendência é de redução da atratividade dos títulos brasileiros e, consequentemente, um enfraquecimento do real, o que pode elevar o custo das importações e intensificar as pressões inflacionárias.
Dados econômicos americanos
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 31 de julho de 2026
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
O mercado de divisas deve repercutir a divulgação de indicadores econômicos para os Estados Unidos, em especial para o mercado de trabalho.
Por que isso é importante: Uma reaceleração da geração de empregos nos EUA pode aumentar as apostas para uma alta de juros no curto prazo pelo Federal Reserve, o que favorece a atração de capitais externos para o país e fortalece o dólar globalmente.
Estimativas: A mediana das projeções aponta que a geração líquida empregos deve passar de 57 mil em junho para 80 mil em julho.
- Já a taxa de desemprego deve voltar a 4,3% em julho após recuar para 4,2% em junho por conta de uma redução da força de trabalho inesperada e provavelmente pontual.
- Por sua vez, o Índice Gerente de Compras medido pelo instituto ISM deve acelerar de 53,3 pontos para 54,0 pontos, no índice industrial, e de 54,0 pontos para 54,2 pontos, no índice de serviços.
Alta de juros em dúvida: Os dados referentes ao mês de junho surpreenderam investidores ao desacelerarem, sugerindo que a economia americana não estaria tão aquecida e que, dessa forma, não haveria urgência para o Federal Reserve aumentar os juros.
- Os Índices de Preços ao Consumidor (CPI), ao Produtor (PPI) e de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) apresentaram leituras menores que o antecipado por analistas.
- Adicionalmente, o Relatório da Situação do Emprego apresentou um saldo líquido de empregos abaixo do estimado e revisou para baixo os números de abril e maio.
- Porém, em sentido contrário, a reescalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio em julho voltou a impulsionar os preços globais de petróleo, elevando temores de pressões inflacionárias no segundo semestre.
Credibilidade do Fed questionada: Adicionalmente, na semana passada, as apostas por altas de juros no curto prazo caíram substancialmente após a decisão de juros do Federal Reserve causar mal-estar entre operadores do mercado financeiro.
- A decisão, em si, não causou surpresa – o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Fed manteve sua taxa de juros estável, no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, em linha com as expectativas majoritárias de investidores.
- Adicionalmente, três dos doze membros do Comitê votaram a favor de uma alta de juros imediata – os presidentes regionais Neel Kashkari (Minneapolis), Lorie Logan (Dallas) e Beth Hammack (Cleveland).
- O mal-estar foi causado, principalmente, pela entrevista coletiva de Kevin Warsh, presidente do Fed, que se amparou em respostas vagas e trouxe mais dúvidas do que clareza aos investidores.
Panorama: Na coletiva, Warsh manteve seu discurso firme contra a inflação que fora muito bem-recebido na decisão de junho, porém se recusou repetidamente a se comprometer com um plano de ação para buscar a estabilidade de preços.
- Por exemplo, Warsh se recusou a explicar por que o FOMC preferiu manter os juros estáveis se haveria tamanho incômodo com a inflação acima da meta.
- Além disso, ao se recusar em oferecer qualquer tipo de sinalização futura, Warsh não quis dizer quais critérios poderiam levar o Fed a aumentar juros no Futuro.
- Na sequência, Warsh insinuou que talvez não seria necessário o Federal Reserve elevar os juros, visto que os mercados financeiros já tinham aumentado suas taxas no mercado futuro de juros – movimento que se desfez durante a coletiva de imprensa.
- Por fim, para piorar a situação, Warsh afirmou que observa “um conjunto de dados de inflação mais amplo que o PCE”, sem detalhar o que seriam, e sugeriu que o índice poderia deixar de ser a principal referência para a meta de inflação a partir de janeiro.
Possíveis dissensos: Além de presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh é presidente do FOMC, que conta com 19 integrantes (somente 12 votam a cada ano, em um sistema de rotação).
- É razoável questionar se Warsh estava representando adequadamente a opinião do Comitê naquela coletiva, pois provavelmente muitos integrantes não devem concordar com boa parte das respostas do novo presidente.
- Três dissensos em uma mesma direção de política monetária, tal como ocorreu na última decisão, é bastante raro no atual formato do FOMC, estabelecido em 1936; quatro dissensos seria algo inédito.
- É possível que o estilo enigmático de Warsh possa resultar em mais dissensos na decisão de juros de 16 de setembro.
- Vale lembrar que, nas projeções econômicas de julho, causou surpresa o número de integrantes do Comitê que antecipavam altas de juros ainda este ano.
- Portanto, é bastante plausível que mais integrantes defendam um aumento de juros em setembro se ocorrer uma piora das expectativas inflacionárias até lá.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.