
Dólar deve refletir primeiro turno das eleições, ata do FOMC e IPCA
- Altista
- A ata do FOMC deve reforçar a expectativa de juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos, o que tende a aumentar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e a favorecer a atração de recursos externos para o país, fortalecendo o dólar globalmente.
- Baixista
- O fortalecimento da percepção de uma disputa eleitoral acirrada, ao ampliar a possibilidade de alternância de governo e de uma condução fiscal mais conservadora, pode reduzir o prêmio de risco dos ativos nacionais e favorecer o real.
- Uma leitura mais forte do IPCA deve aumentar as preocupações com o quadro inflacionário doméstico, diminuindo as apostas de novos cortes para a taxa Selic e fortalecendo o real.
Resumo da semana passada
- Na semana, a corrida eleitoral foi o fator de volatilidade para a taxa de câmbio. De forma geral, a leve recuperação de Lula nas intenções de voto prejudicou a perspectiva de mudança de governo e condução da política econômica no país.
- No cenário internacional, o acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio somado à perspectiva de juros elevados por mais tempo nos EUA fortaleceu o dólar globalmente.
- Já os dados para a economia americana mostraram um quadro misto, com leituras aquecidas para a atividade produtiva, porém mais moderadas para inflação e mercado de trabalho.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
Variações do dólar comercial | Diária: -0,03% | Semanal: +0,63% | Mensal: +0,86% | Anual: -4,70% | Em 12 meses: -2,25%
Variações do dollar index | Diária: -0,11% | Semanal: +0,91% | Mensal: +0,40% | Anual: +3,65% | Em 12 meses: +4,12%
O MAIS IMPORTANTE: Primeiro turno das eleições
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista
Durante o final de semana, os investidores devem acompanhar o resultado do primeiro turno das eleições para presidentes, que deve ser concluído até a noite de domingo (04).
- No sábado (03), uma série de pesquisas de intenção de voto serão divulgadas, o que deve ajudar na calibração das expectativas para a reta final da votação.
- Considerando improvável uma vitória de algum dos candidatos em um primeiro turno, o foco dos investidores deve recair sobre a margem de diferença entre os candidatos, podendo fornecer pistas para o resultado de um eventual segundo turno.
Por que isso é importante? Uma disputa eleitoral acirrada pode diminuir a previsibilidade sobre as políticas econômicas brasileiras para os próximos quatro anos, aumentando a percepção de riscos de ativos nacionais, amplificando a volatilidade e prejudicando o desempenho do real.
- Em particular, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.
- Por isso, um resultado que fortaleça a perspectiva de mudança de governo tende a reduzir a percepção de risco de ativos nacionais e favorecer o desempenho do real.
Pesquisa de intenção de voto: Na quinta-feira (01), o Datafolha divulgou sua pesquisa de intenção de voto, com os candidatos Lula e Flavio Bolsonaro em empate técnico tanto no primeiro quanto no segundo turno, reforçando a percepção de eleições acirradas.
- Para o primeiro turno, as projeções mostram Lula com 42% das intenções de voto e Flavio com 38%. Na semana anterior, os candidatos estavam com 40% e 36%, respectivamente, assim, mantendo o cenário de empate no limite das margens de erro.
- Em um eventual segundo turno, as intenções de voto em Lula avançaram de 47% para 48%, enquanto as de Flávio Bolsonaro mantiveram-se em 45%, ainda configurando empate técnico.
Vitória no primeiro turno? Apesar de as intenções de voto estarem concentradas entre Lula e Flavio, um desfecho já no primeiro turno parece pouco provável.
- Nesse contexto, investidores devem acompanhar o resultado do primeiro turno para calibrarem suas expectativas para um eventual segundo turno, com destaque para a diferença de votos entre os dois principais candidatos.
- Considerando que os demais os candidatos à Presidência da República figuram no campo da direita, parece mais provável que a maior parte dos votos desses candidatos migre para Flavio do que para Lula, favorecendo a campanha do senador em uma eventual disputa de segundo turno, sobretudo em um contexto de margens apertadas.
- Dessa forma, uma liderança de Flavio ou uma diferença reduzida entre os dois candidatos no primeiro turno tende a reforçar o otimismo dos investidores em relação a uma possível mudança de governo.
Ata do FOMC
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: altista
EUA: Histórico e expectativa para a taxa de juros – atualizado em 02 de outubro de 2026
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
Fonte: CME FedWatch Tool. Elaboração: StoneX. Refere-se à aposta com maior probabilidade no mercado futuro de juros na data indicada.
No cenário externo, investidores devem repercutir a divulgação da ata da última decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), que elevou os juros americanos para a faixa entre 3,75% e 4,00% a.a. e mostrou uma postura mais firme que o esperado na busca pela estabilização de preços.
Por que isto é importante: O documento pode reforçar a expectativa de juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos, o que tende a aumentar o rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e a favorecer a atração de recursos externos para o país, fortalecendo o dólar globalmente.
Postura firme contra a inflação: Embora a publicação das atas ocorra apenas três semanas após a decisão do FOMC, o documento ganha uma importância maior em função do estilo de comunicação enigmático de Kevin Warsh, presidente do Fed desde maio.
- Embora a alta de juros tenha sido largamente antecipada, a postura do FOMC surpreendeu ao se mostrar mais firme que o antecipado, reforçando a expectativa de juros mais altos por mais tempo nos EUA.
- Por exemplo, houve unanimidade pela decisão de aumentar juros e 16 dos 18 membros que participaram das Projeções Econômicas Sumarizadas (Warsh se recusa a participar) enxergavam pelo menos mais um aumento de juros em 2026.
- Por isso, o documento pode oferecer novas pistas sobre a trajetória dos juros americanos, influenciando a expectativa de investidores.
Dados mistos nos EUA: Na semana passada, os indicadores econômicos divulgados para a economia dos Estados Unidos apresentaram um cenário misto, com algumas leituras sugerindo uma economia bastante aquecida e, outras, um cenário mais estável.
- A taxa de crescimento anualizada do Produto Interno Bruto do segundo trimestre foi revisada inesperadamente para cima, de 1,5% para 2,2%, impulsionada por uma expansão mais forte do consumo pessoal.
- Já o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) apresentou leitura mais branda que o antecipado, influenciado por uma revisão metodológica para o cálculo do indicador que reduziu o peso de alguns componentes.
“low fire, low hire”: Adicionalmente, o Relatório da Situação do Emprego de setembro também mostrou um quadro misto para o mercado de trabalho do país.
- A economia americana criou um saldo de apenas 29 mil postos de trabalho em setembro, bem abaixo da estimativa mediana de 89 mil empregos.
- Além disso, os números de julho e agosto foram revisados para baixo em 60 mil postos de trabalho em relação ao reportado inicialmente.
- Ainda assim, a geração média de empregos em três meses permaneceu praticamente inalterada.
- Já a taxa de desemprego subiu para 4,2%, porém impulsionada pela entrada de mais pessoas na busca por emprego, e não por um aumento do nível de desligamentos.
Variação no total de empregos urbanos nos Estados Unidos – média de 3 meses (mil pessoas)
Fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
Altas de juros mais lentas: Na prática, esses indicadores não mudam fundamentalmente o balanço de riscos enfrentado pelo Federal Reserve, que é de atividade produtiva mais aquecida, mercado de trabalho resiliente e saudável e inflação mais persistente.
- Porém, ao mostrar números mais brandos para emprego e inflação, esses dados sugerem que não há urgência para que o Fed torne as condições financeiras mais restritivas.
- Essa impressão foi reforçada pelas falas de integrantes do Federal Reserve, como seu vice-presidente, Phillip Jefferson, ou o presidente do Fed de Nova Iorque, John Williams, que defenderam uma pausa em outubro para acumular mais informações sobre a conjuntura econômica antes de decidirem por futuras altas.
- Assim, investidores ainda antecipam um ciclo de altas de juros, porém a um passo mais lento e com magnitude um pouco menor.
Índice Gerente de Compras (PMI): Adicionalmente, investidores devem acompanhar o PMI do setor de serviços, divulgado pelo Instituto ISM, que deve fornecer pistas sobre o grau de aquecimento do principal setor de atividade da economia norte-americana.
- As projeções apontam para uma leitura de 55,7, um aumento em relação aos 55,4 registrados no mês anterior.
- Isto, por sua vez, representaria uma aceleração do setor de serviços, sugerindo resiliência da atividade econômica e espaço para novas altas de juros.
Inflação no Brasil
Impacto esperado na taxa de câmbio do real: baixista
Brasil: Histórico e expectativa para a taxa de juros – boletim Focus de 25 de setembro de 2026
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.
Na agenda de indicadores domésticos, os investidores devem repercutir a leitura de setembro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que deve influenciar as expectativas de investidores para a trajetória da taxa básica de juros (Selic) no país.
- A estimativa mediana do último Boletim Focus aponta que o IPCA passará de -0,32% em agosto para 0,52% em setembro, impulsionado pelo aumento dos preços de alimentos e de energia elétrica.
- Caso essa projeção se confirme, a alta acumulada em 12 meses passaria de 4,22% para 4,26%, mantendo o indicador dentro do intervalo de tolerância da meta.
Por que isso é importante: Uma leitura mais forte do IPCA deve aumentar as preocupações com o quadro inflacionário doméstico, diminuindo as apostas de novos cortes para a taxa Selic.
- Isso, por sua vez, tende a aumentar os rendimentos dos títulos públicos nacionais e o diferencial de juros em relação ao exterior, fortalecendo o real.
Próximos passos em aberto: Em sua última decisão de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) reconheceu um cenário de incertezas elevadas, reforçando o tom de cautela para os próximos passos e sem se comprometer com nenhuma medida específica no futuro.
- O Copom manteve sua avaliação de assimetria altista para riscos inflacionários (isto é, maior risco de uma inflação mais acelerada do que mais moderada) e alertou para o descolamento das expectativas inflacionárias de investidores em relação à meta para 2027 e 2028.
- O Comitê também elevou suas próprias projeções para a inflação em 2026 e 2027, sinalizando que o quadro inflacionário permanece desafiador, embora tenha mantido a estimativa de inflação para o primeiro trimestre de 2028.
- Por outro lado, o Copom reforçou o cenário de moderação da economia brasileira e incluiu um parágrafo de análise sobre a desaceleração do crédito bancário, indicando que o atual patamar de juros está restringindo a atividade econômica e a demanda.
- Isto reforça o tom neutro do Comitê – se, por um lado, um quadro inflacionário desafiador exigiria juros mais elevados para recuperar a estabilidade de preços, por outro a desaceleração do crescimento exigiria juros mais baixos para estimular a atividade econômica.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS

Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.