• Café arábica avança 0,9% na semana em Nova Iorque, cotado a US₵ 228,95/lb
• Na bolsa de Londres, os preços do café robusta avançaram 4,3% para USD 4185/t
• Dólar recua 2,4% para USDBRL 5,46 na semana
• Indicador Cepea para o café arábica registra alta de 1,4%, cotado a R$ 1.389,75/sc
• Indicador Cepea de café robusta avança 1,1% para R$ 1.235,99/saca
• Oferta reduzida na Ásia segue dando suporte aos preços de café
• Possível otimismo com florada brasileira pode pressionar as cotações
• Cecafé divulgará na quarta-feira (10) os dados com as exportações em junho
• Dados do Cecafé deve apontar para novo recorde de exportações
• Na quinta-feira (11) o NOAA divulgará sua atualização para o La Niña
• Produção colombiana avançou 23% em junho
• Colheita de café avança para 65% no Brasil
• Comercialização de café segue lenta em algumas regiões
Depois de terminar o mês de junho com um incremento de 2,5%, os preços futuros de café arábica apresentou um avanço de apenas 0,9% na última semana, reagindo as movimentações dos preços no terminal londrino – o café arábica terminou a sexta-feira (05) cotado em US₵ 228,95/lb. Em Londres, as cotações de café robusta terminaram o mês de junho com um avanço de apenas 0,6%, pressionados no fim do mês em meio ao grande número de avisos de entrega para o contrato de julho. No entanto, na última semana, o café robusta voltou a avançar e terminou o período com uma valorização de 4,3%, fechando a última sexta cotado em USD 4184/ton.
Na última semana houve um menor volume de contratos negociados devido ao feriado no dia 04 de julho nos EUA. Ademais, sem grandes mudanças do ponto de vista dos fundamentos, as movimentações foram predominantemente impactadas por fatores técnicos. Na semana, o Dollar Index apresentou uma queda de 0,9% para 104,53 pontos e o par USDBRL teve uma queda de 2,4% para 5,46.
Intraday semanal (contrato mais ativo) – 01/07 a 05/07

No mercado doméstico brasileiro, os preços de café arábica e café robusta seguiram a tendência no exterior e terminaram a semana em alta, mesmo com a queda de 2,4% do dólar na semana. O indicador Cepea para o café arábica teve uma alta de 1,4% para R$ 1389,75/sc e o indicador para o café robusta avançou 1,1% para R$ 1235,99/sc. Como será abordado a frente, parte dos produtores de café no Brasil tem segurado sua produção na expectativa de preços melhores, além do cenário de as lavouras apresentaram um rendimento aquém do esperado para a safra que está sendo colhida.
Com relação aos fundamentos, não houve grandes mudanças nas últimas semanas. Com relação ao balanço global de oferta e demanda (O&D), o USDA divulgou no dia 20 de junho uma projeção de um excedente de 5,6 milhões de sacas para a temporada 2024/25, o que a princípio tem um viés baixista para as cotações. No entanto, este cenário é contestado por parte dos players do mercado, tendo em vista o otimismo do USDA para a produção no Vietnã (29 milhões de sacas [-0,3%]), na Indonésia (10,9 milhões de sacas [+33,7%]) e no Brasil (69,9 milhões de sacas [+5,4%]). Desta forma, a expectativa de grande parte dos participantes do mercado é de um balanço de O&D mais apertado que o proposto pelo departamento.
Além disso, o cenário de oferta limitada de café robusta na Ásia segue sendo um fator altista para as cotações em Londres e, consequentemente, para as cotações de café arábica em Nova Iorque. Os dados de exportação da autoridade aduaneira na Indonésia indicaram uma queda de 54% nas exportações da ilha de Sumatra no mês de maio. Para os próximos meses, existe a expectativa de uma recuperação parcial dos embarques, tendo em vista o início da safra no país.
No entanto, considerando as exportações mundiais de robusta, estas só devem voltar a se aquecer a partir de dezembro com a nova safra vietnamita, cuja colheita terá início em meados de novembro. O Vietnã segue no período de entressafra, condição que é acentuada pela menor oferta no mercado local. Desta forma, os dados preliminares do escritório geral de estatística do país apontaram para uma queda de 40% nas exportações em junho e os diferenciais no país seguem fortalecidos na casa de +1000 dólares por tonelada.
No Brasil, segue como foco de atenção o desenvolvimento da safra no Brasil, o inverno brasileiro e as perspectivas para o clima nos próximos meses. Com relação a colheita, existem vários relatos que o rendimento na safra atual está aquém do esperado, o que tem um viés altista e pode justificar a revisão das estimativas por parte dos agentes. Com relação ao inverno, não existe a expectativa de geada nas próximas semanas, mas qualquer nova onda de frio que se aproxime do cinturão cafeeiro pode atuar de forma altista para as cotações. Ademais, com o avanço da safra, será foco dos agentes a abertura das floradas de café no Brasil e uma condição climática adequada é necessária para garantir o potencial produtivo para 2025/26.
Nesta semana, será repercutido os dados de exportações no Brasil e a atualização da agência americana NOAA com a probabilidade para a ocorrência do La Niña. Na quarta-feira (10) o Cecafé conduzirá uma conferência para divulgar os dados de exportação no mês de junho e fazer um balanço no ano-safra 2023/24, que terminou no mês de junho. O Cecafé provavelmente reportará que o Brasil bateu um novo recorde no volume exportado na temporada 2023/24. Os dados divulgados pelo Cecafé até o mês de maio apontam que no ano-safra até aquele mês o Brasil havia exportador 43,7 milhões de sacas, tendo uma diferença de apenas 1,96 milhões de sacas para a recorde observado em 2020/21, quando o país exportou 45,7 milhões de sacas.
Com a inclusão dos volumes exportações em junho, o total exportado pelo país deve facilmente ultrapassar as exportações observadas em 2020/21. De acordo com os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou em junho quase 3,4 milhões de sacas, representando um avanço de 47% se comparado com junho de 2023; se o Cecafé reportar um valor próximo ao número divulgado pela Secex, o Brasil contabilizará uma exportação total de 47 milhões de sacas na temporada 2023/24. O forte avanço nas exportações brasileiras se deve ao expressivo aumento das exportações de café robusta, condições que tem prevalecido desde o início da temporada 2023/24 no Brasil devido ao choque de oferta de robusta na Ásia.
Exportações brasileiras de café (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé e Secex. Elaboração: StoneX.
Será de suma importância acompanhar a divulgação dos dados pela agência americana NOAA, que atualizará nesta quinta-feira (11) as probabilidades da ocorrência do La Niña no segundo semestre de 2024. A última atualização da agência havia reduzido substancialmente a probabilidade da ocorrência do fenômeno e a sua intensidade. Em um cenário de um La Niña fraco ou condição neutra, a expectativa seria de uma condição climática favorável para a florada no Brasil, com o retorno adequado das chuvas. A abertura ampla da florada no Brasil pode alimentar um otimismo com relação a produção em 2025/26 e atuar de forma baixista para as cotações de café. No entanto, caso o fenômeno ganhe forma e o La Niña alcance uma intensidade moderada ou forte, poderia haver atrasos da chegada das chuvas no cinturão cafeeiro no Brasil.
Finalmente, é um fator com um viés baixista para as cotações o avanço da produção de café na Colômbia. Sob efeito do El Niño no último ano, o clima mais seco contribuiu para uma abertura adequada da florada no país, o que favoreceu a recuperação da produção nacional. Os últimos dados da Federação Nacional dos Cafeteiros apontaram que a Colômbia produziu 1,17 milhões de sacas em junho, o que representa um incremento de 23% se comparado com junho de 2023. Isso trouxe o acumulado da produção no primeiro semestre de 2024 para 5,82 milhões de sacas, alta de 16% se comparado com o mesmo período do ano anterior. Nos últimos 12 meses a produção colombiana avançou 14% para 12,14 milhões de sacas.
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Acompanhamento de safra – Brasil
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No último levantamento realizado pela StoneX, foi aferido que a safra brasileira se encontra com 65% da produção colhida, sendo que a safra de café robusta segue mais avançada com 86% colhido enquanto a safra de café arábica tem 55% do seu total colhido. O ritmo de colheita segue um pouco mais acelerado se comparado ao ano anterior, reflexo do clima seco nas regiões produtores, que favoreceu um melhor ritmo de colheita nas regiões produtoras.
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Ritmo de colheita do café no Brasil
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Fonte: StoneX. Design: StoneX. * calculado a partir do ritmo de colheita da Conab.
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Com relação a comercialização, os produtores de arábica no Sul de Minas, Cerrado e São Paulo estão de forma geral cautelosos em relação as vendas, com um volume comercializado maior por pequenos produtores e através de comerciantes locais. Grandes produtores, que tem um poder de barganha maior, estão mais seguros nas vendas na expectativa de preços melhores. Além disso, algumas empresas estão com dificuldades para originar devido aos preços e a menor oferta de cafés com peneiras maiores. Na região das Matas de Minas e Sul do Espírito Santo, os volumes de vendas estão sendo melhores, devido ao maior número de pequenos produtores, que precisam vender a sua produção para honrar seus compromissos.
Nas regiões de café robusta a comercialização também segue reduzida, com os produtores segurando as vendas na expectativa de preços melhores. Essa condição acontece devido a capitalização dos produtores e o maior poder de barganha. Além disso, outras culturas produzidas, como a pimenta-do-reino, o cacau e o mamão, tem dado bons resultados aos produtores.
TABELA DE INDICADORES




