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Relatório Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Estoques, clima e câmbio pressionam
cotações de café
 
Fernando Maximiliano
Leonardo Rossetti
William Rutherford-Roberts
Alexis Rubinstein
DIVULGAÇÃO DOS ESTOQUES DE CAFÉ NOS PORTOS AMERICANOS E PREVISÃO DO RETORNO DAS CHUVAS PRESSIONARAM OS PREÇOS EM NOVA IORQUE
 
Na última semana, os preços de café arábica recuaram 425 pontos (2,28%) em relação à sexta-feira anterior (13) para terminar o período a US₵ 181,50/lb para o contrato mais ativo (dezembro). 
Os preços de café arábica seguiram trajetória relativamente estável. O balanço de oferta e demanda mais apertado, devido forte redução na produção brasileira, associado aos impactos das geadas no Brasil e o clima seco nos últimos meses tem atuado de forma altista para o mercado de café. No entanto, o aumento de mais de 290 mil sacas nos estoques de café nos portos americanos em julho, divulgado na segunda-feira (16) pela GCA, e a previsão do retorno das chuvas ao cinturão produtor no Brasil contribuíram para pressionar as cotações durante a semana.
Intraday semanal (Contrato mais ativo)  - 16/08 a 20/08
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.
No mercado doméstico, mesmo com a queda dos preços em Nova Iorque, a forte alta do dólar contribuiu para suportar novos ganhos para os preços de café. O indicador CEPEA avançou 1,4% nos preços de café arábica, que fecharam a semana cotados a R$ 1043,41 por saca. O café conilon terminou a semana cotado a R$ 652,13 por saca, apresentando um ganho de 3,3% na semana – os preços de café robusta seguem avançando no mercado doméstico devido ao aumento da demanda da variedade pela indústria no Brasil, que tenta compensar o forte avanço dos preços de café arábica.
O clima continuará sendo o foco do mercado. No Brasil, os modelos de previsão já apontam para o retorno das chuvas a partir do fim do mês de agosto e início do mês de setembro. Nos próximos 14 dias, municípios produtores na região sul de Minas Gerais, Cerrado Mineiro, no estado de São Paulo e Paraná deverão receber acumulados entre 40 e 100 mm. Municípios na região das Matas de Minas, Espírito Santo e Bahia deverão receber volumes menores, mas que devem totalizar entre 20 e 50 mm. Os volumes de chuvas previstos devem ser suficientes para promover a primeira florada nas lavouras de café arábica, além de contribuir com a florada do café conilon. A abertura de uma florada ampla e manutenção de um clima favorável tem tom baixista para os preços de café, já que esta etapa é crucial para definir o potencial produtivo para 2022/23. Além disso, o retorno das chuvas arrefece as preocupações ligadas ao clima seco observado nos últimos meses.
Todavia, se por um lado a previsão de chuvas trouxe algum alívio quanto à produção brasileira, os riscos de clima adverso em outros países produtores seguem mantendo alguma apreensão entre os agentes. Na última divulgação do NOAA, a agência apontou para a probabilidade de 70% da ocorrência de La Niña final do segundo semestre de 2021 e início do próximo ano. No Brasil, a ocorrência do La Niña entre dezembro e fevereiro está associado ao clima mais ameno durante o verão. No entanto, a ocorrência do evento está associada a um clima mais úmido na Colômbia, América Central e Asia, o que pode ser um ponto de atenção, pois vários países dessas regiões estarão no período de colheita no fim do ano, como o Vietnã, Colômbia, Indonésia, Honduras, Índia, Guatemala e Costa Rica. 
Impacto potencial do La Niña sobre a safra e café da Colômbia
Por vezes, o La Niña é referido como a fase fria da ENSO, enquanto o El Niño é a fase quente. Esses desvios das temperaturas normais da superfície podem ter impactos de larga escala não apenas nos processos oceânicos, mas também no tempo e clima globais, e, portanto, na produção global de café.
Muitos dos centros meteorológicos globais estão prevendo um possível surgimento do La Niña na temporada de agosto-outubro, com duração por todo o inverno do hemisfério norte de 2021 a 2022. Cada La Niña é diferente, por isso o impacto para a cultura de café da Colômbia terá muito a ver com o momento e a gravidade do fenômeno; historicamente, no entanto, um evento de La Niña pode reduzir a safra da Colômbia em mais de 5%. 
Geralmente na Colômbia, o La Niña leva a chuvas mais pesadas do que o normal, o que foi devastador durante 2010/11, conforme níveis mais elevados de umidade significaram maior incidência do roya, causador da ferrugem no café. Desde então, 83% das variedades do país são agora resistentes; portanto, não suscetíveis à doença. No entanto, caso o La Niña ocorra, ele coincidirá com o início da colheita da safra principal da Colômbia, que representa até 65% da produção total de café do país.
Chuvas intensas podem bloquear estradas e provocar deslizamentos de terras, causando desafios e atrasos com o transporte. No caso da colheita secundária, a florada pode ser negativamente afetada se as chuvas forem torrenciais, uma vez que isso reduziria a luz solar crítica e estressaria as plantas de café, o que pode reduzir a produção em 2022.
O La Niña, juntamente com a segunda estação chuvosa do país (que começa em meados de setembro e dura até meados de dezembro), poderia aumentar a precipitação entre 60% e 80% acima do normal em algumas regiões.
Robusta encontra suporte em fatores macroeconômicos e técnicos mais amplos 
O contrato de setembro/21 do robusta registrou ganhos marginais na semana passada, subindo 1,4% e fechando em USD 1.828/t, enquanto a tela de novembro/21 (mais ativa) ganhou 2,5% e fechou em USD 1.836/t. Com a ausência de desenvolvimentos fundamentais na última semana, o robusta tem sido impulsionado por fatores técnicos e macro, juntamente com a evolução do clima no Brasil, onde o tempo seco e quente fornece suporte. O relatório da Green Coffee Association publicado na última terça-feira revelou um aumento maior do que o esperado dos estoques norte-americanos no final do mês passado, o que pressionou o complexo mais amplo na primeira metade da semana. A isso seguiu-se uma recuperação na sessão de quarta-feira em meio a evidências de shortcovering, essencialmente invertendo as perdas do dia anterior. O contrato de novembro/21 encontra suporte técnico em torno da média móvel de 20 dias, fechando a semana passada entre os suportes em USD 1.860/t e USD 1.885/t. 
1º vencimento de  café robusta em londres com retrações de um mês
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Fonte: Bloomberg. Elaboração: StoneX.
Relatos continuam a indicar que o comércio no Vietnã permanece lento, conforme a oferta apertada e os problemas atuais com contêineres inibem a atividade comercial. Além disso, a disseminação da variante delta do covid-19 pelo sudeste asiático também apresenta dificuldades, com aumento contínuo dos casos no Vietnã a 11.352 ontem, um novo recorde para o país. Os preços internos no Vietnã continuam uma trajetória ascendente constante, atingindo USD 1.670/t em Dak Lak no final da semana passada, embora ainda se mantenham com um desconto de cerca de USD 210/t em relação à tela de novembro/21 de Londres.
2º Vencimento de café robusta vs Preços em Dak Lak (vietnã)
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Fonte: ICE London; Giacaphe. Elaboração: StoneX.
As Terras Altas do Centro, no Vietnã, devem receber chuvas moderadas a pesadas esta semana, com temperaturas médias em torno de 25°C. Após uma queda na densidade da vegetação no começo do mês, chuvas recentes ajudaram o desenvolvimento da safra. Os bons níveis de precipitação na semana que se inicia devem continuar a promover essa evolução. 
Os fundos reduziram suas posições liquidamente compradas em futuros e opções de robusta por 1.631 sacas na semana passada, marcando a quinta redução semanal consecutiva. A queda foi impulsionada predominantemente por um aumento das posições vendidas por 1.028 contratos.
Posição de futuros e opções de café robusta na ICE Londres
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Fonte:  ICE London. Elaboração: StoneX.
Os estoques certificados de robusta registraram queda de 19 mil sacas na semana passada, fechando a sexta-feira com 2,34 milhões. Isso ocorre em meio à ausência de novas classificações, que o continua a levar a uma tendência de queda constante nos estoques certificados. 
Cenário altista para o dólar pressiona cotações de café na semana
Os avanços do dólar na última semana tiveram contribuição importante para a queda dos preços do café em Nova Iorque na última semana. Afetado por uma maior aversão ao risco tanto no mercado doméstico quanto no exterior, a divisa americana encerrou a semana cotada com valorização de 2,6% no mercado cambial brasileiro, cotada a R$ 5,385. Altas significativas do dólar elevam a rentabilidade dos exportadores brasileiros de café, incentivando no curto-prazo um aumento da oferta, o que tende a pressionar as cotações na bolsa.
Internamente, os riscos fiscais e políticos continuaram prejudicando o ambiente de negócios. Pelo lado fiscal, a insistência de membros do governo em relação à necessidade de aprovação da PEC que permite o parcelamento da dívida com precatórios, no valor de R$ 90 bilhões, assim com a possibilidade de saldar estes pagamentos com receitas que não seriam contabilizadas no teto de gastos, têm elevado a preocupação com a saúde das contas públicas nacionais. Os precatórios são requisições de pagamento expedidas pela Justiça após derrotas definitivas sofridas pelo governo em processos judiciais. A proposta de expansão do programa de transferência de renda Bolsa Família, que prevê adicionar R$ 35 bilhões no projeto de lei orçamentária anual (PLOA) de 2022, também tem gerado preocupação aos investidores.
A ausência de um posicionamento firme do governo em relação ao comprometimento com a sustentabilidade fiscal, junto de inclinações no presidente Bolsonaro a medida de cunho populista, que têm se tornado cada vez mais frequentes, têm piorado as expectativas do mercado no país.
Junto disso, a continuidade dos ruídos em Brasília, com os frequentes embates entre o presidente da República e os ministros do Superior Tribunal Federal (STF), vem aumentando as incertezas no ambiente político. Na última sexta-feira (20), frustrando as esperanças de alívio na tensão entre os Poderes, Bolsonaro protocolou no Senado um pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, tema que deve continuar no radar dos investidores nesta semana. A instabilidade no cenário político, como um todo, aumenta a incerteza do ambiente de negócios, o que pode resultar na exigência de maiores prêmios de risco por parte dos investidores. Como consequência, a atratividade da moeda brasileira pode ser negativamente afetada.
No exterior, as dúvidas em relação à recuperação econômica global, provocadas pelo avanço da variante delta do coronavírus no mundo, e a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve, também afetaram a aversão ao risco aos agentes. A ata da reunião mostrou uma grande divisão de opiniões entre os membros do colegiado, que passaram a considerar a disseminação da variante delta como novo elemento de imprevisibilidade frente à retomada das atividades e emprego no país. No entanto, de forma geral, os membros demonstraram uma maior inclinação em iniciar uma redução do programa de estímulos ainda em 2021.
Em meio às incertezas e temores quanto à redução dos estímulos monetários, os agentes globais elevaram sua demanda pela segurança e liquidez da moeda americana, que se valorizou frente à maior parte das outras divisas globais. O dollar index encerrou a sexta-feira cotado a 93,5 pontos, alta semanal de 1,1% e maior patamar desde novembro de 2020. A maior busca global por ativos considerados mais seguros tende a afastar os investimentos em mercados emergentes, considerados mais arriscados, como o brasileiro.
Na agenda desta semana, os agentes devem acompanhar a divulgação pelo IBGE do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) na quarta-feira, uma vez que o descontrole do avanço da inflação no país tem limitado as perspectivas de recuperação da economia brasileira e se tornado cada vez mais presente nos debates públicos. O mercado também deve acompanhar as publicações pelo BC das Estatísticas do Setor Externo e de Mercado Aberto de julho na quarta-feira, e as Estatísticas Monetárias e de Crédito na sexta, que caso sinalizem uma continuidade do fluxo positivo de divisas no país, podem contribuir de forma construtiva para o real na semana. No exterior, o destaque fica para o Simpósio de Jackson Hole, que reunirá representantes dos bancos centrais das principais economias do mundo, e pode trazer novas informações acerca da condução da política monetária dos Estados Unidos.
Agenda Semanal
BRASIL
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eSTADOS uNIDOS
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* Horário de Brasília.
Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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