Na última quarta-feira (13), o dólar iniciou a sessão em movimento fortemente altista, de forma a compensar as altas da moeda americana no exterior no dia anterior, quanto o mercado cambial esteve fechado no Brasil devido ao feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, e repercutindo as preocupações internas em relação aos impactos da aceleração da inflação e dos riscos fiscais à economia brasileira. Neste cenário, quando o dólar caminhava para se aproximar do patamar de R$ 5,60, atingindo máxima diária de R$ 5,57, o Banco Central realizou uma intervenção surpresa, promovendo um leilão de 20 mil contratos de swap cambial tradicional, injetando o equivalente a US$ 1 bilhão no mercado de futuro de câmbio para conter a desvalorização da moeda brasileira.
Conforme explicado no relatório de fechamento de câmbio da última quinta-feira (14), O swap é um derivativo que permite troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros. No caso do swap cambial tradicional, o título paga ao comprador a variação da taxa de câmbio acrescida de uma taxa de juros (cupom cambial). Em troca, o BC recebe a variação da taxa Selic. O BC ainda realizou leilões programados de mesmas proporções nas manhãs da quinta e sexta-feira. A atuação no mercado cambial por três sessões consecutivas, com injeção de um total de US$ 3 bilhões, o que consistiu no principal fator para que o dólar encerrasse a semana em queda.
No exterior, os agentes repercutiram a divulgação no Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que registrou alta de 0,4% em setembro, acima das projeções de 0,3% dos analistas, acumulando alta de 5,4% nos últimos 12 meses e 4,0% em 2021. Já o Índice de preços ao Produtor (PPI) marcou avanço mensal de 0,5%, com o acumulado em 12 meses chegando a 8,6%. A continuidade dos aumentos de preços ao consumidor, com a inflação seguindo significativamente acima da meta do Federal Reserve de em média 2,0% ao ano, corroboram para a expectativa de que a autoridade monetária deve iniciar em breve o processo de redução do seu programa de compra de ativos.
Em mesmo sentido, a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) contribuiu no mesmo sentido. Apesar de ainda haver divergência entre os membros do colegiado, o maior consenso é de que se a recuperação econômica continuar “dentro dos trilhos”, o Fed deve iniciar em breve um processo gradual de redução de compra de ativos. Atualmente, o Fed tem realizado compras mensais de US$ 120 bilhões em títulos do Tesouro e US$ 80 bilhões em títulos hipotecários. O relatório indicou um exemplo dado pelos membros de uma possível movimento inicial, diminuindo as compras em US$ 10 bilhões em títulos do Tesouro e US$ 5 bilhões em títulos hipotecários por mês. A redução do programa significaria uma menor injeção de liquidez de dólares ao mercado e uma maior aproximação de uma eventual alta da taxa básica de juros no próximo ano, o que tende a atuar de forma altista para a moeda americana.
Nesta semana com a agenda de indicadores internos esvaziada, o foco do mercado devendo ficar no exterior e no noticiário político. Na terça-feira (19), a PEC dos Precatórios deve ser votada por comissão especial que avalia a proposta na Câmara dos Deputados, com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), afirmando que a proposta deverá ser votada em plenário da Câmara na quinta-feira (21). Caso aprovada, medida permitira que o governo pague em 2022 apenas R$ 39,9 bilhões dos R$ 89,1 bilhões da dívida da União com precatórios, que são dívidas sofridas pelo governo em processos judiciais. Desta forma, o governo abriria espaço de quase R$ 50 bilhões no Orçamento do próximo ano, mais que o suficiente para a implementação do programa Auxílio Brasil, que deve expandir o atual programa Bolsa Família.
Apesar da reconhecida necessidade de maior suporte à parcela mais vulnerável da população, com os índices de desemprego elevados e com queda do rendimento médio, a manobra de postergação de uma despesa (dos precatórios) para a criação de uma nova despesa (com o Auxílio Brasil) é vista de forma negativa por investidores, interpretada como e prejudicial à saúde das contas públicas do país. Desta forma, a aprovação no atual formado pode ter um efeito altista sobre a taxa de câmbio no curto-prazo.