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Relatório Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Preços de café avançam, com fatores altistas seguindo predominantes no campo dos fundamentos
 
Fernando Maximiliano
Leonardo Rossetti
William Rutherford-Roberts
Alexis Rubinstein
Apesar da chegada das chuvas, percepção do mercado de oferta limitada e temores com próxima safra têm contribuído para suportar as cotações de café
 
 
Resumo

•    Preços de café arábica avançaram 200 pontos (0,97%) em NY e indicador Cepea indo a R$ 1233/sc, avanço de 2,9%.
•    Robusta avança USD 5 (0,2%) em Londres, mas recua R$ 22,73/sc (2,7%) no Brasil para R$ 811,68/sc.
•    Chuvas retornam ao cinturão cafeeiro e volumes ainda maiores são previstos para as próxima duas semanas
•    NOAA: último boletim indicou que a região do El Niño estava sob efeito do La Niña desde o mês passado, expectativa é que o fenômeno continue até fevereiro
•    NOAA muda perspectiva de intensidade do La Niña de fraco para moderado
•    Exportações brasileira recuam 29,6% em setembro
•    Estoques GCA recuam menos que o esperado
•    Importações dos EUA em agosto avançam significativamente
•    Preocupações com excesso de chuva no Vietnã continua preocupando os agentes – risco de atraso na colheita e problemas de qualidade
•    Trading estima estoques de café no Vietnã em 8,6 milhões de sacas
•    Dólar recua após intervenções do Banco Central
•    Inflação alta Estados Unidos em setembro e ata do FOMC indicam provável início de política monetária contracionista do Fed em breve
•    Votação da PEC dos precatórios deve impactar mercado cambial na semana

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Apesar do retorno das chuvas no cinturão cafeeiro no Brasil, que arrefeceu as preocupações dos agentes, o cenário positivo no campo dos fundamentos suportou valorização durante a semana. Na terça-feira (12), as cotações de café arábica avançaram mais de 800 pontos, em resposta ao cenário positivo e a reduzida atividade no Brasil, devido ao feriado no 12 de outubro. Para o restante da semana, os preços recuaram após maior atividade das origens, além dos fatores técnicos. O contrato de café mais ativo em Nova Iorque, com vencimento em dezembro, avançou 200 pontos (0,97%), encerrando a semana cotado a US₵ 206,25/lb. No mercado doméstico brasileiro, os preços de café arábica avançaram 2,9%, de acordo com o indicador Cepea para a variedade arábica, que fechou a semana cotado a R$ 1.233,994/sc.
Intraday semanal (Contrato mais ativo)  - 11/10 a 15/10
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

O último boletim climático da StoneX continua indicando bons volumes de chuva nas regiões produtoras de café no Brasil. De acordo com o relatório, as regiões Sul de Minas e Mogiana devem receber volumes em torno de 200 mm nos próximos 14 dias. Já as regiões do Cerrado, Matas de Minas, ROSP e Paraná deverão receber volumes em torno de 150 mm no acumulado dos 14 dias. Ademais, as chuvas observadas nas últimas semanas contribuíram pare melhorar a situação hídricas nas regiões – o mapa de anomalia já mostra que o acumulado dos últimos 60 dias está acima da média para o período para quase todas as regiões, com exceção do Espírito Santo, parte de São Paulo e Bahia. 

O último boletim emitido pela agência americana, NOAA, indico que a região do El Niño já estava sob efeito de La Niña desde o mês passado, o que foi notado pela temperatura abaixo da média na superfície do oceano. Ademais, segundo o relatório, o La Niña deve continuar até o trimestre dezembro/fevereiro, com perspectiva de intensidade sendo elevada de fraca para moderada. Como tem sido comentado nos relatórios semanais de café, a ocorrência do La Niña entre dezembro e janeiro pode estar associado ao excesso de chuvas na Colômbia, América Central e Ásia – a maioria dos países localizados nesta região estarão no seu período de colheita.

Na última semana, o Cecafé divulgou os dados das exportações brasileiras de café em setembro, que apontou para uma forte redução nos volumes exportados no mês. Como foi antecipado, as exportações de café apresentaram uma redução de 29,6% em setembro, para um total de 2,75 milhões de sacas. Por ser um ano de bienalidade negativa, é natural ver volumes menores nas exportações em 2021/22, porém o cenário foi acentuado pelos problemas logísticos causados pela pandemia da Covid-19. Assim como outros países, o Brasil vem enfrentando sérias dificuldades com embarques, com limitação da oferta de contêineres, o que tem provocado uma disparada nos custos de frete marítimos.

Exportações mensais de café verde do Brasil
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Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
De forma geral, no ponto de vista fundamental, o sentimento do mercado ainda é positivo. Apesar do retorno das chuvas, ainda existem vários fatores altistas, como o aperto no balanço de oferta e demanda, a ocorrência do La Niña e as complicações logísticas, o que contribui para manter uma perspectiva positiva para o mercado. 
Indo contra as expectativas, estoques GCA recuam abaixo do esperado para setembro 

 

Na sexta-feira (15), foram divulgados os dados de estoque nos portos americanos pela GCA em setembro. O último relatório apontou para uma redução de 107 mil sacas em setembro, volume ainda é 5,9% menor que o observado em setembro de 2020. Para setembro, nos últimos 5 anos, os estoques recuaram aproximadamente 124 mil sacas em média.

Tendo em vista a recuperação do consumo de café nos EUA e os problemas logísticos enfrentados, a expectativa era de uma queda ainda mais acentuada nos estoques GCA, o que não se consolidou em setembro. Para entender esse cenário, é importante analisar os volumes de café importados pelos EUA durante o período. Contudo, os dados de importação do país em setembro ainda não estão disponíveis. Analisando o mês anterior, agosto, é possível notar uma forte alta nas importações de café nos EUA, de acordo com os dados do USDA, que apontaram para um incremento de mais de 156 mil sacas (7%) com relação ao mês anterior, totalizando 2,26 milhões de sacas. Ademais as importações em agosto apresentaram um aumento de quase 750 mil sacas (49,2%) se comparado com agosto de 2020.

Importações mensais de café nos Estados Unidos
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

Os avanços das importações parecem contradizer o atual quadro de desordem na logística global que tem sido observado nos últimos meses. No entanto, é importante notar que as importações de café contabilizadas em agosto foram embarcadas nos meses anteriores, devido ao tempo necessário ao trânsito no oceano – o transporte marítimo pode demorar semanas ou até mesmo meses. De acordo com os dados de importação do USDA, o grande aumento nas importações dos EUA em agosto veio do Brasil, Colômbia e Vietnã. No caso do Brasil e Vietnã, houve a chegada de café que estava em trânsito marítimo. Contudo, o aumento maior foi de cafés oriundos da Colômbia; houve uma alta de 47% nas importações de café da Colômbia, totalizando um aumento de quase 150 mil sacas apenas em agosto.

Exportações mensais de café da Colômbia
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Fonte: Federação Nacional dos Cafeteros. Elaboração: StoneX.
Apesar dos problemas logísticos enfrentados pelos países, as exportações colombianas avançaram nos últimos meses, apresentando recuperação das exportações que deixaram de sair do país em maio, quando o país sofreu com uma greve generalizada – naquela ocasião, houve uma redução de 67% nas exportações da Colômbia, que deixou de embarcar mais de 690 mil sacas, segundo os dados da Federação Nacional dos Cafeteiros. Além disso, a Colômbia segue no período de colheita da sua safra principal, que vai de meados de setembro até meados de fevereiro do próximo ano. Mesmo sem os dados de importação dos EUA em setembro, que deverão ser divulgados no início do próximo mês, é possível inferir que uma maior chegada de cafés oriundos da Colômbia pode ter contribuído para limitar as quedas nos estoques reportados pela Green Coffee Association.
Problemas logísticos levam indústrias a procurarem por estoques de café

Desde o início da pandemia de covid-19, a cadeia global de fornecimento de café tem encontrado problemas logísticos, que incluem atrasos de transporte, espaço limitado em navios, custos crescentes de frete e falta de contêineres disponíveis. 

Do Vietnã ao Brasil, a maioria das nações produtoras tem sentido os impactos de alguma forma, e as indústrias expressaram preocupações quanto à disponibilidade de café e ao cumprimento de contratos.
Os dados mais recentes da Associação de Café Verde (GCA, na sigla em inglês), por exemplo, mostraram que os estoques para consumo nos EUA caíram pela primeira vez em três meses. A queda pode provavelmente ser atribuída à procura das indústrias por estoques para garantir um abastecimento adequado diante das incertezas quanto ao frete e transporte globais.

Este novo nível de estoques reportado no final de setembro de 2021 está próximo da mínima registada em junho de 2015, quando chegaram a 5,51 milhões de sacas. 

No entanto, os níveis atuais de estoques de café equivaleriam a mais de 12 semanas de atividade de torrefação, o que a maioria consideraria ser uma reserva segura e ainda significativamente acima da mínima histórica já registada pelos EUA. Em 2011, a GCA registrou um total de 4 milhões de sacas.

Uma atividade semelhante pode ser observada em outros grandes consumidores de café, incluindo o Japão, onde as reservas estão atualmente em queda de 8,3% comparado ao ano passado. É importante notar, no entanto, que os estoques de arábica certificados pela ICE estão 71,4% mais altos na comparação anual.

Londres termina a semana com leve queda em meio a enfraquecimento técnico

A tela mais ativa em Londres, novembro/21, operou de forma lateral por quase toda a semana passada e fechou em queda de 0,3% após fracasso em sustentar o teste do nível de USD 2.150/t, atingido em quatro das cinco últimas sessões. Do ponto de vista técnico, o estudo de retração de um mês mostra resistência em USD 2.155/t, enquanto as quedas acentuadas de sexta-feira, que essencialmente apagaram os ganhos da semana, significam que novembro/21 começa esta semana com suporte técnico no nível de USD 2.100/t. A redução do ímpeto de queda foi evidente ao longo da semana passada, com o contrato operando de forma lateral desde que rompeu o nível de USD 2.100/t. Na verdade, o estudo da banda Bollinger também aponta para uma desaceleração da dinâmica de alta, com a banda superior agora em tendência de queda e convergindo para a banda inferior, um sinal de possível quebra de preços caso estes indicadores continuem a se estreitar (gráfico abaixo).

Contrato de novembro/21 em Londres com bandas de Bollinger 
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Fonte: Bloomberg. Elaboração: StoneX.

De um ponto de vista fundamental, relatos sugerem que a colheita vietnamita ainda não está em pleno vapor, com expectativa de aceleração mais para novembro, devido às chuvas fortes previstas para todo o mês de outubro. As Terras Altas do Centro devem receber volumes cada vez mais pesados durante esta semana, com o acumulado diário atingindo aproximadamente 10 mm até ao início da próxima. Na verdade, estas chuvas fortes teriam resultado em inundações em algumas áreas não especificadas da região durante o fim de semana. Os danos potenciais às safras de café ainda não foram levantados. Do ponto de vista comercial, os atrasos que poderiam surgir de chuvas mais pesadas significariam aperto maior da disponibilidade até que os novos grãos estejam disponíveis, com a maior parte da oferta do ano passado já esgotada. A ComCo Trading relatou na sexta-feira que restam aproximadamente 514 mil toneladas (8,6 milhões de sacas) nos estoques do Vietnã, com 240 mil toneladas (4 milhões de sacas) detidas por fornecedores locais, 3,6 milhões na zona de processamento de exportação e 1 milhão com os produtores. A ComCo também estimou que esta safra produzirá 30,8 milhões de sacas. Mais uma vez, a disponibilidade de contêineres foi citada como causa de interrupção logística, com relatos de que apenas 30% dos funcionários portuários estão autorizados a trabalhar no local. Na verdade, mesmo quando novas ofertas começarem a chegar, a verdadeira questão é tirar a safra do país. 

As exportações de café ugandense para setembro totalizaram 585.576 sacas no mês passado, aumento de 15,6% no ano e elevando os embarques acumulados de 2021/22 para 6,5 milhões de sacas, um recorde.

Exportações acumuladas de café em Uganda
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Fonte: Bloomberg, Giacaphe. Elaboração: StoneX.
 
Dólar recua na semana após sequência de intervenções no Banco Central
Em semana marcada por forte atuação do Banco Central para conter uma desvalorização excessiva do real, a taxa de câmbio da moeda brasileira encerrou a semana em queda de 0,9%, com o par real/dólar encerrando cotado a R$ 5,46.

Na última quarta-feira (13), o dólar iniciou a sessão em movimento fortemente altista, de forma a compensar as altas da moeda americana no exterior no dia anterior, quanto o mercado cambial esteve fechado no Brasil devido ao feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, e repercutindo as preocupações internas em relação aos impactos da aceleração da inflação e dos riscos fiscais à economia brasileira. Neste cenário, quando o dólar caminhava para se aproximar do patamar de R$ 5,60, atingindo máxima diária de R$ 5,57, o Banco Central realizou uma intervenção surpresa, promovendo um leilão de 20 mil contratos de swap cambial tradicional, injetando o equivalente a US$ 1 bilhão no mercado de futuro de câmbio para conter a desvalorização da moeda brasileira.

Conforme explicado no relatório de fechamento de câmbio da última quinta-feira (14), O swap é um derivativo que permite troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros. No caso do swap cambial tradicional, o título paga ao comprador a variação da taxa de câmbio acrescida de uma taxa de juros (cupom cambial). Em troca, o BC recebe a variação da taxa Selic. O BC ainda realizou leilões programados de mesmas proporções nas manhãs da quinta e sexta-feira. A atuação no mercado cambial por três sessões consecutivas, com injeção de um total de US$ 3 bilhões, o que consistiu no principal fator para que o dólar encerrasse a semana em queda.

No exterior, os agentes repercutiram a divulgação no Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que registrou alta de 0,4% em setembro, acima das projeções de 0,3% dos analistas, acumulando alta de 5,4% nos últimos 12 meses e 4,0% em 2021. Já o Índice de preços ao Produtor (PPI) marcou avanço mensal de 0,5%, com o acumulado em 12 meses chegando a 8,6%. A continuidade dos aumentos de preços ao consumidor, com a inflação seguindo significativamente acima da meta do Federal Reserve de em média 2,0% ao ano, corroboram para a expectativa de que a autoridade monetária deve iniciar em breve o processo de redução do seu programa de compra de ativos.

Em mesmo sentido, a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) contribuiu no mesmo sentido. Apesar de ainda haver divergência entre os membros do colegiado, o maior consenso é de que se a recuperação econômica continuar “dentro dos trilhos”, o Fed deve iniciar em breve um processo gradual de redução de compra de ativos. Atualmente, o Fed tem realizado compras mensais de US$ 120 bilhões em títulos do Tesouro e US$ 80 bilhões em títulos hipotecários. O relatório indicou um exemplo dado pelos membros de uma possível movimento inicial, diminuindo as compras em US$ 10 bilhões em títulos do Tesouro e US$ 5 bilhões em títulos hipotecários por mês. A redução do programa significaria uma menor injeção de liquidez de dólares ao mercado e uma maior aproximação de uma eventual alta da taxa básica de juros no próximo ano, o que tende a atuar de forma altista para a moeda americana.

Nesta semana com a agenda de indicadores internos esvaziada, o foco do mercado devendo ficar no exterior e no noticiário político. Na terça-feira (19), a PEC dos Precatórios deve ser votada por comissão especial que avalia a proposta na Câmara dos Deputados, com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), afirmando que a proposta deverá ser votada em plenário da Câmara na quinta-feira (21). Caso aprovada, medida permitira que o governo pague em 2022 apenas R$ 39,9 bilhões dos R$ 89,1 bilhões da dívida da União com precatórios, que são dívidas sofridas pelo governo em processos judiciais. Desta forma, o governo abriria espaço de quase R$ 50 bilhões no Orçamento do próximo ano, mais que o suficiente para a implementação do programa Auxílio Brasil, que deve expandir o atual programa Bolsa Família.

Apesar da reconhecida necessidade de maior suporte à parcela mais vulnerável da população, com os índices de desemprego elevados e com queda do rendimento médio, a manobra de postergação de uma despesa (dos precatórios) para a criação de uma nova despesa (com o Auxílio Brasil) é vista de forma negativa por investidores, interpretada como e prejudicial à saúde das contas públicas do país. Desta forma, a aprovação no atual formado pode ter um efeito altista sobre a taxa de câmbio no curto-prazo.
 

Agenda Semanal
BRASIL
image 20011
eSTADOS uNIDOS
image 20012
* Horário de Brasília.
Tabela de indicadores
image 20013
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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