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Relatório Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Café arábica volta se aproximar dos US₵ 240/lb
 
Fernando Maximiliano
Leonardo Rossetti
Alexis Rubinstein
 
Preocupações com produção no Brasil e na Colômbia e queda nos estoques certificados contribuíram para altas na semana
Resumo

•    Cotações de café arábica avançaram 120 pontos (0,5%) em NY na semana, encerrando cotado a US₵ 239,65/lb. 
•    Indicador Cepea de café arábica avançou 0,3%, encerrando a R$ 1498,14/sc.
•    Preços de café robusta recuaram USD 88 (-3,8%) em Londres, para USD 2228/ton na última sexta-feira.
•    Indicador Cepea para o robusta se mantém em estabilidade, cotado a R$ 822,92/sc.
•    Clima no início de 2022 será fundamental para expansão dos frutos 
•    Chuvas devem voltar a se intensificar no final do mês 
•    Equipe de café da StoneX Brasil está a campo visitando regiões produtoras do país, estimativas oficiais para a produção de 2022/23 serão divulgadas na primeira quinzena de fevereiro
•    Cecafé divulgará os dados de exportação de dezembro nesta segunda-feira 
•    Green Coffee Association deve publicar nesta semana estoques nos Estados Unidos em dezembro 
•    Produção na Colômbia em 2021 recua 9,3% frente ao ano anterior 
•    Nova queda nos estoques certificados da ICE contribuiu para dar suporte aos preços 
•    Estoques da ICE tem sido alternativa à indústria frente à limitação da oferta no curto-prazo 
•    Preços de café acumulam alta dd 50,2% ao consumidor brasileiro em 2021 
•    Alta de 8,24% do café no IPCA de dezembro foi o maior avanço mensal do ano

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Em semana de elevada volatilidade, as cotações de café arábica engataram seu segundo avanço semanal consecutivo na ICE em Nova Iorque. Em meio às preocupações com a produção brasileira e colombiana e à queda dos estoques certificados, o contrato mais ativo (mar/22) encerrou cotado a US₵ 239,65 /lb, um avanço de 120 pontos (0,5%) em relação à sexta-feira anterior (7). Ao longo da semana, os agentes voltaram a testar a resistência dos US₵ 240/lb, quando os preços atingiram máximas de US₵ 244,4 na quarta-feira (12), sessão em que terminaram a US₵ 240,85, maior valor de fechamento desde 8 de dezembro. Já no Brasil, o indicador CEPEA para o café arábica renovou suas máximas na quarta-feira, quando superou pela primeira vez o nível dos R$ 1500 para terminar a sessão cotado a R$ 1502,91/saca, no entanto, recuou para terminar a sexta a R$ 1498,14/saca, ganho semanal de 0,3%.

Evolução das cotações de café arábica e robusta em 2021
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Já o café robusta seguiu sua segunda semana consecutiva em queda, com os preços sendo pressionados pelos sinais de maior disponibilidade do café no Vietnã, com a colheita perto do seu encerramento e com a aproximação do ano novo lunar no país, e por sinais técnicos de liquidação de posições compradas por fundos, após terem atingido máxima histórica na semana encerrada em 4 de janeiro. O contrato mais ativo do robusta (março/22), recuou USD -88 (-3,8%) para encerrar a semana cotado a USD 2228/ton, menor valor desde o final de novembro. Já o indicador CEPEA para o café robusta terminou a semana cotado a R$ 827,92/saca, praticamente estável.

Os indicativos de uma colheita considerada bem-sucedida no Vietnã, apesar das dificuldades com as chuvas e falta de trabalhadores em determinados momentos, e o aumento da oferta do grão nas últimas duas semanas, tem contribuído para pressionar os preços do robusta. No primeiro mês do ano, as exportações no Vietnã tendem a se intensificar, com os produtores e o comércio vietnamita de maneira geral tentando aumentar seus ganhos para o ano novo lunar (Tet), feriado mais importante do ano para o país, que ocorrerá no início de fevereiro. Desta maneira, o aumento da oferta, sem a contrapartida de um aumento em intensidade semelhante da demanda pelo café robusta dos principais parceiro comerciais do país, têm sido um dos fatores de pressão sobre os preços nas últimas semanas.

O mercado de arábica continua aguardando por novas informações acerca da produção brasileira e acompanhando o clima nas regiões produtoras do país. Apesar do consenso de que a temporada 2022/23 não apresentará o potencial produtivo esperado devido aos diversos eventos climáticos que prejudicaram as lavouras no último ano, o clima no início de 2022 continua fator fundamental para amenizar as perdas da safra. Volumes de precipitação adequados nos primeiros meses do ano, onde as plantas se encontram em período de granação dos frutos, garantiria uma boa produtividade das lavouras pouco danificadas pelo clima seco e geadas, reduzindo o potencial de queda da produção.

O modelo de previsões climáticas da StoneX aponta para volumes de cerca de 50mm a 90 mm nos próximos 7 dias nas regiões do sul de Minas, Cerrado e Mogiana, com projeções de chuvas mais intensas no final da semana. A perspectiva é de que os volumes se intensifiquem na última semana do mês em todas as regiões produtoras de café arábica.

histórico e previsão de precipitação (mm) nas regiões produtoras de café
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Fonte:  StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2021.

A expectativa do mercado é pela divulgação de novas estimativas nos primeiros meses de 2022 que tragam novas informações sobre as condições da safra, o que deve ajudar os agentes a “recalibrarem” suas expectativas. No atual momento, já é possível averiguar as lavouras que obtiveram sucesso nas etapas de pegamento e expansão dos frutos, o que ajuda auxiliar no grau de precisão das estimativas. Nesta terça-feira (18), a Conab divulgará a primeira versão de suas estimativas para a temporada brasileira de 2022/23. A equipe de café do Brasil da StoneX encontra-se atualmente realizando o estudo a campo, onde passará por todas as principais regiões produtoras de café do país. Na primeira quinzena de fevereiro será divulgado o relatório especial do giro de safra, junto das estimativas oficiais da StoneX para a próxima safra.

Nesta segunda-feira (17), serão divulgados os dados das exportações brasileiras de dezembro pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Os números preliminares de exportação já apontaram para um recuo em dezembro – de acordo com a Secex, as exportações de café em dezembro totalizaram 3,4 milhões de sacas e foram 18,4% inferiores ao observado em dezembro do ano anterior. Além dos números oficiais do Cecafé, será importante acompanhar no relatório como o Conselho tem observado a evolução dos problemas logísticos que tem prejudicado os embarques nos últimos meses, e é possível esperar por alguma melhoria nos próximos meses.

A Colômbia também passa por preocupações de um rendimento aquém do esperado em 2021/22. Os impactos do La Niña por dois anos consecutivos em período fundamental da colheita principal do país têm causado impactos negativos na produção. De acordo com a Federação Nacional dos Cefeteros (FNC), no ano fiscal de 2021, o país produziu 12,6 milhões de sacas, queda de 9,3% frente às 13,89 milhões produzidas em 2020 e menor valor desde 2014, quando a Federação estimou uma produção de 12,14 milhões de sacas. As 12,6 milhões ficaram abaixo das projeções da própria FNC, que esperava entre 13 e 13,5 milhões de sacas.

produção de café na coLômbia por ano fiscal (milhões de sacas)
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Fonte: FNC. Elaboração: StoneX.

Uma manutenção das preocupações com os dois principais produtores globais de café arábica tende a continuar dando suporte para que os preços de maneira geral continuem mantendo os patamares mais elevados observados no último ano.
 

Estoques certificados seguem em queda

A queda dos estoques certificados também continua sendo fator de preocupação para o mercado de café de maneira geral, e contribuiu para favorecer as cotações nos últimos pregões. Na semana passada, a ICE NY registrou em seus estoques certificados uma redução de 97.466 sacas, cerca de -6,5%. Desde o início do ano, as perdas acumulam mais de 132 mil sacas, ou variação de -8,6%. Com a variação, as cerca de 1,409 milhões de sacas chegaram aos seus menores volumes em pouco mais de um ano, já ficando abaixo dos mínimas registradas em 2021.

Evolução dos estoques certificados de café arábica na ICE NY
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Fonte: ICE/NY. Elaboração: StoneX.

O atual problema que o mundo enfrenta com os gargalos logísticos afetando grande parte do comércio global, com estoques baixos, falta de navios e contêineres prejudicando o fluxo de diversas mercadorias, parece estar longe de ser completamente resolvido. No caso do café, a falta de navios e contêineres e o congestionamento nos portos continua sendo um grande problema tanto para os exportadores como para os principais consumidores. O tempo de percurso desde o embarque até o desembarque para os Estados Unidos, por exemplo, passou de semanas para meses, o que tem comprometido a disponibilidade de café no curto-prazo para a indústria no principal consumidor global, assim como em outras regiões produtoras.

Desta maneira, parte dos agentes continuam optando pelo recebimento dos estoques certificados pela ICE como alternativa para suprir os problemas de oferta do café no curto-prazo. Dos estoques que tem sido retirado, nota-se também que o recuo de café com origem em Honduras tem ocorrido de maneira mais lenta, enquanto a retirada de cafés brasileiros vem ocorrendo de maneira mais intensa.

Conforme comentamos no último relatório semanal de café, o crescimento da certificação de estoques brasileiro ocorreu devido a uma retração dos diferenciais, o que durante um período, tornou muito rentável para os produtores entregarem seu café na bolsa.

Se os diferenciais se enfraquecem em comparação com o preço da bolsa de Nova York, ou seja, se houver desvalorização do café numa determinada região, faz sentido que o exportador compre o produto e o entregue à bolsa para certificar. Entretanto, quando os diferenciais são mais fortes, o produtor ganha mais vendendo café FOB em vez de entregá-lo na bolsa.

Atualmente, os diferenciais nas principais praças brasileiras seguem em patamares relativamente atrativos, variando entre US₵-30/lb e US₵-40/lb, níveis significativamente baixos se comparados com a média dos últimos 3 anos. Todavia, a menor disponibilidade de cafés nos padrões de qualidade exigidos pela bolsa, a forte elevação dos curtos dos fretes e os transtornos para conseguir entregar o café nos armazéns da bolsa no prazo necessário, tem atuado nos últimos meses para desincentivar a certificação de novos cafés brasileiros pela bolsa.

evolução da Composição dos estoques certificados da ICE NY por país 
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Fonte: ICE/NY. Elaboração: StoneX.

Desde meados de dezembro, Honduras ultrapassou o Brasil e seus cafés voltaram a ter a maior participação nos armazéns da ICE. O atual cenário de elevados preços FOB e problemas logísticos indica uma tendência de que o café com origem brasileira continue recuando nas próximas semanas e que haja poucas entregas de café oriundo do Brasil, com perspectiva de que os grãos vindos de Honduras voltem a predominar como participação majoritária na composição dos armazéns.

Preços do café moído acumulam alta de 50,2%
ao consumidor brasileiro em 2021

 

Na última semana, o IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, que registrou uma aceleração de 0,73% no último mês. Desta maneira, o Índice encerrou o ano de 2021 com uma alta de 10,06%, maior alta para o indicador desde 2015, quando registrou um avanço de 10,67%. A recuperação da demanda, os gargalos produtivos e alta dos custos logísticos, a crise hídrica e energética, o avanço do preço das commodities e a desvalorização do real estiveram entre os principais fatores que contribuíram para que o índice de preços encerrasse com quase o dobro do limite superior da meta do Banco Central para a inflação, de 5,25%.

Entre os dois itens de café que compõem o IPCA, o café solúvel apresentou uma desaceleração na sua elevação de preços, registrando em dezembro alta de 1,26% depois de ter avançado 2,33% e 3,57% em outubro e novembro, respectivamente, e encerrando o ano com um acumulado de 12,77%, avanço relativamente próximo do Índice. Já o café torrado e moído registrou uma variação de 8,24% no seu preço no último mês, superando agosto (7,51%), que até então havia registrado a maior alta mensal do ano. Com isso, o café torrado e moído avançou de um acumulado de 38,81% em novembro para encerrar o ano acumulando a significativa valorização de 50,24%. É válido considerar que o crescimento de 50,24% é uma média entre todos os produtos e todas as localidades pesquisas, com alguns locais registrando aumentos ainda mais intensos que o registrado pelo índice geral. Entre os destaques localidades pesquisadas pelo IBGE, a região da Grande Vitória, no Espírito Santo, indicou a maior alta, com acumulado de 65,15% no ano.

Evolução dos preços de café torrado e moído no Brasil
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Fonte: IBGE. Elaboração: StoneX Inteligência.

Através do gráfico, podemos observar que grande parte das altas passaram a ocorrer com maior intensidade a partir do segundo semestre, mais especificamente, do mês de agosto. Até julho, enquanto os preços domésticos de café arábica já acumulavam cerca de 67% e do café robusta 41%, os valores nas gôndolas, segundo os dados do IBGE, acumulavam valorização de apenas 9,5%. Após a ocorrência das geadas no final de julho, que deram fôlego para fortes avanços tanto do arábica quanto do robusta, as torrefadoras, que já vinham há alguns meses trabalhando com menores margens de lucro desde o início do ano, passaram a repassar com maior intensidade seus maiores custos aos supermercados e, em última instância, ao consumidor final.

Em meio a este quadro, um fator de preocupação é uma possível redução do consumo no mercado doméstico, o que poderia colocar um viés baixista nas cotações, uma vez que o Brasil é o segundo maior consumidor global. A princípio, espera-se que antes de uma redução que seja significativa na demanda, os consumidores brasileiros devam optar pela substituição de seus padrões de consumo por alternativas de cafés mais barato, por exemplo, uma vez que o consumo de café no país é algo muito intrínseco à cultura do brasileiro, e possui baixa correlação com alterações no nível de preços e renda. Todavia, este permanece como um ponto de atenção para as próximas pesquisas de nível de consumo no país.

Por outro lado, uma dúvida que também permanece, é até onde ocorrerão estes repasses. A princípio, a expectativa é que 2022 a inflação no país como um todo consiga ser mais controlada em relação a 2021, uma vez que o Banco Central já lançou mão de diversas ferramentas para conter a forte aceleração dos preços, como as subsequentes altas na taxa básica de juros (Selic), que deve continuar acontecendo nos primeiros encontros do Comitê de Política Monetária (Copom) neste ano. No entanto, considerando que parte das altas dos preços domésticos de café se deram por fatores ligados especificamente a impactos do clima na cultura cafeeira, a tendência é de que os repasses de preços continuem acontecendo com alguma intensidade pelo menos nos primeiros meses de 2022.
 

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Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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