O mercado de café robusta seguiu a tendência de queda que se iniciou em janeiro, com os preços sendo pressionados pelos sinais de maior disponibilidade do café no Vietnã, com a colheita perto do seu encerramento e com a aproximação do ano novo lunar no país. O aumento nas exportações vietnamitas de 57% em dezembro foi o principal fundamento por trás das quedas. Além disso, nas últimas semanas, o mercado esteve pressionado com as vendas no Vietnã, nas vésperas do feriado mais importante do país, o ano novo lunar Tet. O contrato mais ativo do robusta (março/22), recuou USD -20 (-0,9%) para encerrar a semana cotado a USD 2193/ton. No Brasil, o indicador CEPEA para o café robusta terminou a semana cotado a R$ 828,35/saca, quase inalterado.
No ponto de vista dos fundamentos, o mercado de café segue suportado por vários fatores positivos, como um balanço apertado para o atual ano-safra 2021/22 e expectativa de oferta limitada em 2022/23, devido ao potencial reduzido pelos problemas climáticos na produção brasileira. Além disso, o mercado tem suporte nos problemas logísticos e nos impactos do La Niña na produção de café na Colômbia, principalmente.
Como foi apresentado nas edições anteriores deste relatório, o mercado tem acompanhado de perto as divulgações das estimativas das empresas para a produção brasileira em 2022/23. Em janeiro foram divulgadas novas estimativas para a produção brasileira na próxima temporada, que como sempre apresentaram uma grande diferença.
No lado mais altista das estimativas, podemos destacar a perspectiva de 67 milhões de sacas pela ECOM e 66,5 milhões de sacas estimados pelo Rabobank. Por outro lado, a Volcafé estimou a produção brasileira em 22/23 em 60,9 milhões de sacas, sendo 37,5 milhões de café arábica e 23,4 milhões de café robusta. Ainda na faixa inferior das estimativas, a Conab estimou a produção brasileira em 55,7 milhões de sacas, sendo 38,7 milhões a produção de arábica e 17 milhões a safra de robusta.
estimativas para a produção brasileira de café
Considerando a maior e a menor estimativa, temos uma amplitude de 11,3 milhões de sacas, o que indica uma grande incerteza e deve contribuir para um mercado mais volátil. Apesar de algumas estimativas apontarem para uma produção acima de 65 milhões de sacas, o sentimento do mercado é de que a produção em 2022/23 foi realmente impactada e que o volume ficará aquém do potencial. A StoneX está conduzindo seus estudos sobre a produção brasileira e divulgará suas estimativas na primeira quinzena de fevereiro.
Os dados das agências climáticas continuam indicando a permanência do La Niña até o final do verão no hemisfério sul, o que tende a ser um fator altista, já que a ocorrência do evento tem provocado volumes expressivos de chuva na Colômbia e afetado a produção do país. Os dados da FNC mostram que a Colômbia produziu 12,6 milhões de sacas em 2021, uma redução de 9,28% se comparado com 2020, esta é a menor produção desde 2014. Além disso, já existem relatos de que o volume excessivo de chuva poderá impactar a colheita secundária, Mitaca (abril-junho), que teria potencial para produzir mais de 6 milhões de sacas.
Ainda em janeiro, a Green Coffee Association (GCA) divulgou os dados dos estoques de café nos portos americanos em dezembro. De acordo com a associação, os estoques em dezembro foram vistos em 5.833.692 sacas, mostrando uma queda de 10.029 sacas (0,17%) se comparado com o mês anterior e 144.609 sacas (2,4%) se comparado com dezembro de 2020. Vale destacar que os estoques nos portos americanos estão abaixo do patamar dos 6 milhões de sacas e bem abaixo da média dos estoques dos últimos 5 anos no mês de dezembro, que foi de mais de 6,2 milhões de sacas. Além disso, nos últimos cincos anos, os estoques em dezembro apresentaram um crescimento médio de 39 mil sacas.
Estoques de café nos portos americanos – GCA (milhões de sacas)
Fonte: GCA. Elaboração: StoneX.
Impacto da logística nas exportações brasileiras segue como fundamento positivo para o mercado
Apesar dos leves recuos das cotações nas últimas semanas, as dificuldades logísticas que continuam atrapalhando o fluxo de entregas de cafés dos principais produtores globais e, em especial do Brasil, continuam se mantendo como importante fundamento para sustentar os preços na atual faixa de preços.
Em 2021, o Brasil exportou 40,4 milhões de sacas de café, segundo o último relatório divulgado pelo Cecafé, queda de 9,7% frente ao volume registrado em 2020, com aumento, no entanto, de 10,3% na receita cambial devido ao avanço dos preços e desvalorização da moeda brasileira. De acordo com o Cecafé, cerca de 3 milhões de sacas deixaram de ser exportadas devido à crise logística. No último mês de dezembro, as exportações de café verde totalizaram 3,329 milhões de sacas, uma queda de 17,3% frente ao mesmo mês de 2020. Deste volume, 3,198 milhões de sacas embarcadas foram de café arábica, com recuo de 12,2%, e 131 mil sacas de café robusta, totalizando queda de 66% frente a dezembro de 2020.
exportações brasileiras de café na primeira metade do ano-safra
Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.
Considerando os seis primeiros meses do ano-safra brasileiro de 2021/22, as exportações brasileiras de café verde totalizaram 17,2 milhões de sacas, uma retração de 23,8% frente ao ano anterior, quando foram enviadas 22,6 milhões de sacas, e recuando 5,7% frente ao último ano de bienalidade negativa, quando foram embarcadas 18,2 milhões de sacas. Ainda no comparativo com a última safra de bienalidade negativa, a de 2019/20, as exportações do ano corrente conseguiram até o momento serem superiores apenas em dezembro, quando foram 20,8% maiores, tendo ficado em níveis inferiores nos 5 primeiros meses da temporada. Desta forma, é importante acompanhar se a melhoria do desempenho dos embarques se manterá também no mês de janeiro. Uma eventual maior pressão nas cotações de café deve provavelmente passar pelo reestabelecimento de um melhor funcionamento na dinâmica logística global e, sobretudo, dos embarques brasileiros do grão.
Dólar recua pela 3ª semana consecutiva.
Mercado de trabalho nos EUA e Copom no Brasil devem ser destaques
na semana
Apesar da forte alta da divisa americana no mercado internacional, o par real/dólar registrou sua terceira queda consecutiva no mercado cambial brasileiro, recuando 1,2% para encerrar cotado a R$ 5,392. No exterior, a sinalização do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve de que pode elevar a taxa básica de juros já em seu próximo encontro e as tensões geopolíticas na fronteira entre Rússia e Ucrânia impulsionaram o dólar frente a uma cesta de moedas de economias avançadas, com o dollar index avançando 1,7% na semana para encerrar cotado a 97,3 pontos, seu maior patamar desde julho de 2020. Em sentido contrário, parte da valorização do real nas últimas semanas tem sido atribuído principalmente à entrada de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), que têm considerado os preços de determinados ativos “baratos” para investimento. De acordo com os últimos dados divulgados pela B3, até o dia 26 de janeiro houve uma entrada na bolsa de R$ 24,8 bilhões no mês, valor 71% superior ao fluxo observado em dezembro (R$ 14,5 bilhões) e 6% maior que as entradas em janeiro de 2021.