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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Cautela antes de manifestações de 7 de setembro mantém taxa de câmbio em movimento lateral
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Par real/dólar abriu a semana em leve baixa, operando em canal estreito
 
fatores altistas
  • Elevada tensão entre o Palácio do Planalto e demais Poderes às vésperas das manifestações de 7 de setembro;
  • Contração inesperada do PIB no segundo trimestre e percepção de maiores riscos políticos, institucionais e econômicos,  reduzem projeções para o crescimento; 
  • Impactos do avanço da variante delta do coronavírus pelo mundo limitam as perspectivas de retomada mais rápida.
 
fatores baixistas
  • Dados aquém do esperado para o mercado de trabalho americano em agosto reforçam a leitura de que estímulos monetários do Fed possam ser mantidos por mais tempo;
  • Aceleração inflacionária, respondendo à alta na tarifa de eletricidade e aos efeitos da crise hídrica, aumenta apostas por Selic mais elevada ao final de 2021 e 2022.
Em um início de semana caracterizado por baixa liquidez, devido ao feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, hoje (6), e à véspera do Dia da Independência do Brasil, as cotações do par real/dólar continuaram a operar dentro da faixa dos R$5,15 e R$5,20, assim como fizeram nas duas sessões anteriores. No encerramento do dia, o dólar à vista era negociado a R$5,176, recuando 0,1%.
Além dos feriados, o compasso de espera tem sido reforçado pelas incertezas acerca das manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro agendadas para esta terça-feira (7), que podem acentuar o clima de tensão entre os Poderes e elevam os riscos de uma ruptura institucional. Ao longo da última semana, a moeda americana recuou 0,2% ante o real, e operou em um canal estreito se comparado com o comportamento usual de suas cotações, revelando maior cautela dos agentes na definição de suas posições. A título de comparação, no mesmo período o dólar recuou 0,7% ante uma cesta de moedas de economias avançadas e 0,9% ante as moedas emergentes acompanhadas pelo índice J.P. Morgan.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

A moeda americana completou uma sequência de seis pregões consecutivos em baixa na última sexta-feira (6), repercutindo a fala mais recente do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, e a surpresa negativa com os dados do mercado de trabalho americano de agosto. Segundo o Relatório de Situação do Emprego, publicado pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS), foram criados 235 mil postos de trabalho no último mês, número que ficou consideravelmente abaixo da mediana das expectativas dos analistas, que apontava para um saldo de admissões próximo de 750 mil.

Os indicadores aquém do esperado para o período estão, em grande medida, associados ao ressurgimento dos casos de Covid-19 devido à disseminação da variante delta e da readoção de medidas de distanciamento social em alguns estados. O impacto da nova onda da doença foi percebido pela estabilidade na geração de emprego do setor de lazer e hospitalidade, que vinha sendo o motor da recuperação recente do nível de emprego, e pelo registro de número superior de demissões em agosto em determinadas atividades. Bares e restaurantes (-42 mil postos de trabalho), hotelaria (-34,6 mil) e o comércio varejista (-29 mil) registraram desligamentos líquidos de trabalhadores no último mês. Dentre as áreas que adicionaram empregos, os destaques foram a manufatura, serviços profissionais, transportes e educação.

Ao longo dos próximos dias são esperadas as divulgações de dados econômicos de menor impacto para a economia americana, como o Relatório de Abertura de Vagas e Turnover (JOLTS), referente ao mês de julho, na quarta-feira (8); o levantamento dos novos pedidos semanais de seguro-desemprego, para o período encerrado em 4 de setembro, além do Índice de Preços ao Produtor (IPP) para agosto. Apesar de fornecerem detalhes adicionais ao panorama do mercado de trabalho e dos antecedentes da inflação ao consumidor nos Estados Unidos, temas centrais para a política monetária, a agenda de indicadores pode ficar em segundo plano devido às falas de integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) previstas para esta semana.

No próximo sábado (11), inicia-se o período de blecaute que antecederá a reunião do Fed dos dias 21 e 22 de setembro, durante o qual os membros do Comitê não podem dar declarações públicas. Dessa forma, esta semana deve oferecer as últimas janelas para dentro do processo decisório da autoridade monetária com as falas de John Williams, do Fed de Nova Iorque, Robert Kaplan, do Fed de Dallas, Mary Daly, do Fed de São Francisco e Loretta Mester, do Fed de Cleveland.

Como observado em momentos anteriores, é possível que o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, faça um pronunciamento na próxima sexta-feira (10), atualizando o mercado sobre sua leitura acerca da política monetária americana e de seus próximos passos. Além de marcar a primeira decisão desde o simpósio de Jackson Hole, em que Powell deixou em aberto a possibilidade de anunciar o início da retirada de estímulos adotados no primeiro trimestre de 2020, a reunião dos dias 21 e 22 setembro será emblemática devido à publicação do dot plot e das projeções trimestrais do Fed para importantes variáveis macroeconômicas. A aceleração recente do número de casos e mortes por Covid-19 nos Estados Unidos e seus efeitos sobre a normalização e retomada econômica, devem ser capturados pelas estimativas para o crescimento do PIB, para a redução da taxa de desemprego e para a evolução do nível de preços feitas pela autoridade monetária, possivelmente resultando em uma atenuação desses números.

Ainda no que se refere ao ritmo de retomada econômica global, a confirmação de uma desaceleração nos fluxos de comércio a partir da China também pode ser um fator de atenção para os ativos e moedas de economias emergentes nos próximos dias. Na madrugada desta terça-feira (7), serão divulgados os dados de exportações e importações do país, para os quais já se espera um desempenho mais fraco do que o registrado em julho devido à interrupção de atividades e problemas logísticos causados surtos regionais de Covid-19 associados à variante delta no país. Depois de registrarem crescimento de 19,3% em julho, no comparativo com o mesmo mês do ano passado, a mediana das expectativas sugere para agosto um avanço de 17,1%. No caso das importações, as projeções são de uma expansão anual de 26,8% em agosto, inferior à taxa de 28,1% contabilizada em julho.

Na semana passada, o PMI da indústria já havia revelado uma leve deterioração nas condições de negócio na China, com o indicador medido pela IHS Markit/Caixin recuando para 49,2 pontos em agosto ante 50,3 pontos em julho. Esta foi a primeira vez que o indicador ficou abaixo dos 50 pontos, limiar que separa situações de contração e expansão, desde abril de 2020, quando a economia chinesa já dava sinais de retomada após os impactos iniciais da pandemia, que afetou o país nos primeiros meses do ano.

O aumento recente de casos de Covid-19, após o surgimento de focos da variante delta no território chinês, e especialmente em importantes terminais de cargas, pressionaram a produção industrial devido aos gargalos registrados pelas cadeias de fornecimento de insumos e componentes. Os impactos sobre as atividades portuárias também dificultaram o escoamento de produtos da indústria chinesa, o que resultou em aumentos nos estoques de produtos prontos e atrasos na logística de exportações.

De maneira semelhante, o ressurgimento da Covid-19 na China impactou a demanda por bens intermediários e por bens finais, já que foi necessária a readoção de medidas de distanciamento social e a suspensão de atividades para a contenção da disseminação do vírus em algumas regiões. Além das dificuldades na recepção de cargas, o desaquecimento da produção industrial em agosto também é um fator negativo para o ritmo de crescimento das importações.

Cenário Doméstico

Indícios de arrefecimento econômico, apresentados pela divulgação das Contas Nacionais Trimestrais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana passada, incertezas no campo político e fiscal e a perspectiva de aceleração inflacionária diante do encarecimento da tarifa de energia elétrica e da crise hídrica, resultaram em ajustes nas projeções das instituições financeiras sondadas pela Pesquisa Focus do Banco Central.

Os dados mais recentes, fechados na última sexta-feira, mostraram uma elevação considerável na estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de uma alta de 0,60% para 0,67% em agosto e de 0,50% para 0,61% em setembro. Com essas revisões, a projeção para o índice ao final do ano saltou de 7,27% há uma semana para 7,58%, ficando 0,7 p.p. acima da mediana estimada há quatro semanas. A mudança da bandeira vermelha patamar 2 para a bandeira tarifária escassez hídrica, que entrou em vigor 1º de setembro, significou um aumento de 49,6% na sobretaxa da energia elétrica, que foi de R$9,49 a cada 100 kWh para R$14,20. Além do efeito direto sobre o bolso dos consumidores, a alta da eletricidade também impactará os custos de produção de inúmeros bens e serviços, tendo efeitos indiretos sobre grande parte da cesta de consumo.

Até a semana passada, a mediana das expectativas para a taxa Selic até o final do ano indicava um aumento de 100 pontos base em setembro, para 6,25%, e ajustes menores de 75 pontos base em outubro e de 50 pontos base em dezembro. Com as projeções para a inflação ao final de 2022 superando o centro da meta de 3,50%, atualmente em 3,98%, tornou-se mais provável que o BC opte por ajustes mais intensos da taxa básica no curto prazo. Segundo o Focus mais recente, o mercado já aposta em mais uma alta de 100 pontos base em outubro e de uma elevação superior a 50 pontos na decisão de dezembro.

Diante dos riscos impostos pela crise hídrica, da contração monetária mais rápida e do clima de incertezas nas esferas política, institucional e econômica, a mediana das projeções para o crescimento do PIB brasileiro também foi revisada para baixo, recuando de 5,22% há uma semana para 5,15% em 2021 e de 2,00% para 1,93% em 2022. As perspectivas também incorporaram a contração inesperada de 0,1% da economia brasileira no segundo trimestre, anunciada pelo IBGE na semana passada.

Ao longo da semana, as atenções devem se voltar ao desenrolar das manifestações pró-governo previstas para esta terça-feira, que servirão de termômetro para os riscos de um aprofundamento das tensões entre os Poderes Executivo e Judiciário, e de radicalização do discurso de Jair Bolsonaro. No final de semana, o presidente convocou policiais militares para a participação dos atos em Brasília e São Paulo, voltou a falar em tendência de "ruptura" institucional e a acusar os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes de agirem de maneira inconstitucional.

Na agenda de indicadores, os destaques serão a divulgação do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), na quarta-feira (8), do IPCA na quinta (9) e da Pesquisa Mensal do Comércio na sexta.

AGENDA DE INDICADORES

 

Brasil
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* Horário de Brasília.
Estados Unidos
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* Horário de Brasília.
 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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