
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Cenário Externo
Os mercados continuarão a acompanhar os indicativos de inflação nos Estados Unidos nesta semana, que antecede a decisão de política monetária do Federal Reserve de setembro. Nesta terça-feira, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) publicará os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI). Após alta de 0,5% em julho, a expectativa dos analistas é de que o CPI avance com menor intensidade em agosto, com variação projetada de +0,4%, acumulando uma variação anual de 5,3%. Para o núcleo do CPI, calculado pela exclusão dos preços de alimentos e combustíveis, a mediana das estimativas dos analistas indica uma alta de 0,3% em agosto, repetindo a variação registrada em julho, e de 4,2% em 12 meses.
Na semana passada, o Índice de Preços ao Produtor - Demanda Final (PPI-FD), divulgado pelo BLS na sexta-feira (10), registrou desaceleração em agosto, no comparativo com o mês anterior, mas continuou a manter trajetória ascendente em 12 meses. No acumulado, o indicador avançou para 8,3%, seu maior valor desde o início do levantamento de preços a nível do produtor, em 2010. A continuidade da elevação dos custos das empresas é um antecedente importante da inflação ao consumidor, e sinaliza a possibilidade de que a dinâmica do nível de preços na economia americana se mantenha sustentada por mais tempo.
Ainda na agenda de indicadores para os Estados Unidos, são destaques os dados de produção industrial, vendas no varejo e confiança dos consumidores. Na quinta-feira (16), o Departamento do Trabalho (DOL) publicará a atualização semanal dos novos pedidos de seguro-desemprego, que devem incorporar os efeitos da passagem do furacão Ida, que atingiu os estados da Louisiana e Mississippi como tempestade categoria 4 e avançou pelo Sudeste e Nordeste do país entre o final de agosto e o início de setembro. As inundações, paralisação dos transportes e danos à infraestrutura causados pelo fenômeno climático podem impactar o número de novas solicitações do auxílio desemprego de maneira pontual.
Com o início do período de blecaute, em que os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) não podem fazer declarações públicas, as próximas notícias sobre o Federal Reserve virão apenas na semana que vem, com a divulgação da decisão de política monetária de setembro e a publicação das projeções trimestrais. Na semana passada, o presidente do Fed de Nova Iorque, John Williams, afirmou que considera apropriado que o Fed inicie o processo de redução dos volumes de seu programa de compra de ativos ainda este ano caso a economia americana continue a dar sinais de melhora. Essa sinalização, que poderia ocorrer na reunião dos dias 2 e 3 de novembro, não significaria, no entanto, um sinal verde para a elevação de juros. "Eu não vejo nenhuma decisão que tomemos no sentido do afunilamento [do programa de compra de ativos] como um indicativo do timing" para a alta dos juros.
A leitura de que a inflação possa ser menos transitória do que o Fed esperava inicialmente e a possibilidade de retirada antecipada de parte dos estímulos adotados pela autoridade monetária durante a pandemia conferiram força ao dólar ante uma cesta de moedas avançadas nesta segunda. Nas máximas do dia, as cotações do dollar index se aproximaram dos 93 pontos, rondando seus valores mais elevados desde 27 de agosto.
Fala de tom dovish (menos propensa a alta de juros) da integrante do comitê executivo do Banco Central Europeu (BCE), Isabel Schnabel, também favoreceu o dólar em relação ao euro no início desta semana. Comentando sobre a revisão das projeções de inflação de longo prazo para a zona do euro, que foram elevadas na última reunião de política monetária do BCE, realizada na semana passada, Schnabel afirmou que a perspectiva de "uma inflação persistentemente excessiva, como temida por alguns, continua a ser altamente improvável".
Cenário Doméstico
O par real/dólar voltou a recuar nesta segunda-feira, retornando para perto dos R$5,22 após uma semana bastante volátil marcada pelo acirramento e atenuação das tensões entre os Poderes. Acompanhando o cenário externo relativamente positivo, e ainda repercutindo a sinalização de recuo do presidente Jair Bolsonaro, após carta à nação divulgada no final da tarde da quinta-feira (9), a moeda americana encerrou o dia em baixa de 0,8%.
Assim como havíamos sinalizado no Resumo Semanal de Câmbio da última segunda-feira (6), e ao longo da semana na Abertura e Fechamento de Câmbio, o mercado ajustou rapidamente suas expectativas para a dinâmica do nível geral de preços e para a trajetória da taxa Selic, em vista da forte variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto.
De acordo com o Boletim Focus publicado mais cedo, na última sexta-feira a mediana das projeções dos economistas consultados pelo Banco Central passou a apontar o IPCA em 8,00% ao final de 2021, avançando ante a estimativa de 7,58% divulgada na semana anterior. Se considerada a mediana das atualizações mais recentes nas projeções de inflação, submetidas à pesquisa Focus nos últimos cinco dias úteis, e que representa 60% das instituições participantes do levantamento, o consenso sugere que o IPCA possa encerrar o ano em 8,20%, mais de 1 p.p. acima das projeções coletadas há um mês.
A aceleração inflacionária também é percebida pelas estimativas para o índice nos próximos meses. Para setembro, as projeções do Focus indicam uma variação do IPCA de +0,77%, ante +0,61% há uma semana e +0,43% há um mês. Considerando-se apenas as projeções mais recentes, que também correspondem a cerca de 60% das estatísticas que compõem a mediana apresentada pelo Boletim, a alta do IPCA para setembro já é projetada em 0,92%, o que seria seu maior valor para o mês desde 1995. Para outubro e novembro, as projeções para o índice ainda apontam para variações mais comedidas, mas ainda assim significativas dado o contexto, entre 0,40% e 0,50%.
Diante da perspectiva de inflação persistente, os analistas voltaram a revisar suas expectativas para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Desde a última semana, a projeção para a taxa básica de juros ao final do ano passou para 8,00%, o que seria alcançado por duas altas de 100 pontos base em setembro e outubro e de 75 pontos base em dezembro. O ajuste mais recente se deu nas apostas para a última reunião do Copom de 2021, que foi elevada em 50 pontos base nas últimas semanas.
Observando-se o mercado de juros futuros, as projeções embutidas nos valores dos contratos sugerem a mesma trajetória para a Selic. Para dezembro, os futuros de DI apontavam na tarde de hoje para uma taxa implícita de 8,138%, condizente com a meta esperada para a taxa básica de juros pelo Boletim Focus. A surpresa com os números acima do esperado para o IPCA resultou em mudanças consideráveis na ponta curta (até o final de 2022) da curva de juros futuros, o que acabou contribuindo para pressionar a taxa de câmbio.
Na agenda de indicadores dos próximos dias, as atenções devem se voltar aos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que será divulgada nesta terça-feira (14) e do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), ambos para julho. Para a PMS, a mediana das estimativas dos analistas aponta para um crescimento de 1,0% do volume de serviços prestados, menos expressivo que o avanço de 1,7% registrado em junho.
A semana em Brasília também deve ser cheia, após semana marcada por eventos políticos importantes. Na Câmara, após encerrado o prazo de vista coletiva, a proposta de emenda à Constituição da Reforma Administrativa (PEC 32/2020) deve ser votada e aprovada em sua Comissão Especial nesta terça e encaminhada ao Plenário, podendo ser apreciada já na primeira metade de outubro.
A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Casa também vai pautar o projeto de lei que prorroga a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores beneficiados durante a pandemia (PL 2541/2021), com chances elevadas de aprovação. A proposta tem resistência da equipe econômica do governo, que não enxerga espaço no Orçamento para a extensão da isenção. Caso o PL avance, seriam necessários ajustes ao projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), devido à projeção de redução na arrecadação fiscal.
Com a escalada nas tensões entre o Executivo e o Judiciário nas últimas semanas, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não se posicionaram acerca do acordo negociado com o Ministério da Economia para a prorrogação do pagamento de precatórios que vencerão em 2022. O aumento das dívidas judiciais previstas para o próximo ano, de R$34 bilhões para R$89 bilhões, inviabilizou o projeto do governo de instituir um novo programa de transferência de renda em substituição ao Bolsa Família. Para acomodá-lo nas contas públicas será necessária a aprovação da PEC 23/2021, que autoriza o parcelamento dos precatórios para os anos seguintes. Enquanto aguarda-se a resposta do Judiciário, a PEC deve passar pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara, com possibilidade de aprovação de sua admissibilidade nos próximos dias.
No Senado, a expectativa é de que o presidente Rodrigo Pacheco devolva a Medida Provisória (MP) 1.068/2021 apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada, que limita a remoção de conteúdo e perfis de redes sociais que violem suas regras, criando a exigência de "justa causa" e "motivação" para decisões do tipo. Em parecer ao STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a suspensão dos efeitos da MP, até que seja amplamente debatida no Congresso e pela Corte.



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