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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar encerra semana em queda, cotado a R$ 5,614
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Semana foi marcada pelo reajuste da taxa Selic no Brasil
e incerteza sobre variante ômicron no exterior
 
fatores altistas
  • Decisão de política monetária do FOMC, na quarta (15), deve acelerar ritmo do "tapering" e atrair investimentos para títutlos denominados em dólar.
  • Divulgação do PPI elevado para os Estados Unidos aumenta as chances de um aperto monetário mais forte no país, atraindo fluxos cambiais para os EUA;
  • Aversão a riscos causada pela descoberta da variante ômicron e pela onda de casos de Covid-19 na Europa;

 
fatores baixistas
  • Divulgação da ata do Copom, na terça, deve trazer termos duros no combate à inflação e pode atrair fluxos cambiais.
  • Divulgação do Relatório Trimestral de Inflação, na quinta (16), pode trazer uma análise firme do BC sobre o tema, reforçar trajetória de contração monetária e atrair investidores para o país;
  • Apreciação da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados, na terça (14) deve reduzir as incertezas fiscais do país.
O par real/dólar terminou a semana (10) em baixa, negociado a R$ 5,614, queda de 1,1% em relação à sexta-feira anterior e ganho de 8,1% no acumulado de 2021. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 96,1 pontos, praticamente estável na semana e com variação de +6,9% no ano. A semana foi novamente marcada por instabilidades no mercado global de divisas, em função do fluxo descontínuo de informações a respeito da nova variante ômicron do coronavírus e de dados elevados de aceleração de preços nos Estados Unidos. No Brasil, o destaque foi para a firmeza do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) ao elevar a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 p.p., de 7,75% ao ano para 9,25% ao ano. Destacou-se, também, a atualização do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) em 0,95% para o mês de novembro, avanço significativo, porém inferior às expectativas de analistas.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

O grande foco para a próxima semana será a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) dos Estados Unidos, em meio a pressões disseminadas de preço e um mercado de trabalho em forte recuperação, analistas de mercado acreditam que o FOMC anunciará nessa reunião medidas mais firmes contra as altas taxas de inflação. O discurso dos participantes do Comitê se alterou de forma significativa desde a última reunião, no começo de novembro, de modo que o Federal Reserve (Fed) aparenta estar concentrado em controlar o aumento de preços. Para ampliar seu leque de opções disponíveis para aumentos de juros, o Fed deve anunciar que irá dobrar a velocidade da redução em seu programa de compras de ativos, de forma a encerrá-lo em março, ao invés de junho. Após a decisão, será divulgado o gráfico de dispersão de pontos com a previsão da taxa de juros apropriada a médio e longo prazo, o “dot plot”. A estimativa de analistas é de que a mediana dos integrantes do Comitê avalie que os juros anuais devam passar de um mínimo de 0,00% para 0,50% em 2022, de 0,50% para 1,25% em 2023 e de 1,25% para 2,00% em 2024, um aumento considerável para a economia americana.

O presidente do Fed, Jerome Powell, em seu discurso que acompanha a decisão de política monetária, provavelmente deve destacar os passos que o FOMC adotará para evitar que a inflação se torne disseminada na economia estadunidense. Isso pode incluir, possivelmente, menções a um aumento dos juros em 2022 – a mediana das expectativas aposta para o mês de setembro. Em que pese a maior parte das previsões prever que a aceleração de preços se reduza no primeiro trimestre de 2022, caso isso não ocorra, não se descarta a possibilidade desse reajuste de juros ocorrer ainda no primeiro semestre do ano.

Por fim, é digno de nota que os casos de coronavírus continuam em tendência de alta no hemisfério norte à medida que o inverno se aproxima. Há ainda alguma incerteza sobre como será o impacto da variável ômicron globalmente, seja no número de casos da doença e de fatalidades. Na África do Sul, onde foi primeiro detectado a nova variante, o número de casos semanal se elevou em mais de 88%. Nesta semana, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou a jornalistas que “ainda é difícil de estimar” o impacto exato da nova variante, alertando que os dados disponíveis são preliminares e que cientistas ao redor do mundo estão se esforçando para traçar um panorama mais completo. “É muito cedo para concluir”, adicionou.

Cenário Doméstico

No cenário doméstico, o destaque da próxima semana deve ser a ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que, na última quarta, decidiu elevar a taxa básica de juros (Selic) de 7,75% ao ano para 9,25% ao ano. No comunicado divulgado após a decisão, o BC indicou que antevê novo reajuste de mesma magnitude para a próxima reunião, em 01 e 02 de fevereiro, o que levaria a taxa para 10,75% ao ano. O tom duro do comunicado surpreendeu analistas de mercado, que esperavam uma descrição mais ampla do balanço de riscos para o futuro e, possivelmente, alguma cautela para os próximos passos, em função dos sinais de fraqueza vindos da atividade econômica do país. Contudo, o Comitê se mostrou comprometido com a estabilidade de preços, ao descrever que “diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista”. Desta forma, acredita-se que a ata da autoridade monetária pode trazer mais detalhes a respeito do contexto e do processo decisório do Comitê, bem como dos cenários perspectivos visualizados para o BC para os próximos meses.

Contribuirá para o desenho deste quadro a publicação do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, referente ao último trimestre do ano, na próxima quinta-feira (16). Após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar, nesta última sexta (10), que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,95% no mês de novembro, há uma elevada probabilidade de que o indicador encerrará 2021com taxa de dois dígitos. Entre janeiro e novembro, o IPCA acumula aceleração de 9,26%, o que significa que uma taxa de 10,0% será atingida caso ele registre aumento de 0,68% ou mais. Em dezembro de 2020, o IPCA ficou em 1,35%.

A aceleração de preços no Brasil se mostra elevada, persistente e disseminada, com múltiplos focos de pressão. Há um componente global, que advém de desequilíbrios na recuperação econômica pós-pandêmica, com a demanda aquecida por bens industriais, ao passo que a oferta enfrenta dificuldades logísticas, custos elevados de fretes, atrasos produtivos, estoques reduzidos e escassez de insumos. Além disso, os preços relacionados a combustíveis fósseis se acresceram com celeridade, em função tanto da elevação do preço das commodities de petróleo e gás natural, como da desvalorização cambial. Assim, combustíveis automotivos tem sido um dos grandes responsáveis pela inflação recente. Há, também, impactos da forte escassez hídrica, que elevou os preços de produtos alimentícios, por reduzir sua produtividade, e da produção de energia elétrica, ao impactar os reservatórios de hidrelétricas. Por fim, a própria desvalorização cambial, que guarda diversas explicações, acaba por aumentar os custos de insumos importados e encarecer os bens domésticos.

Por fim, é digno de nota a previsão de votação no Congresso da segunda parte da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. Nesta semana, os presidentes do Senado e da Câmara promulgaram de imediato os trechos consensuais do texto-base votado nas duas Casas, ao passo que os deputados precisam realizar nova apreciação no Plenário dos pontos alterados pelos senadores na próxima semana. Assim, a PEC dos Precatórios foi promulgada contendo apenas a mudança no período de correção inflacionária sobre o limite constitucional de despesas e sem a alteração no texto constitucional sobre os precatórios, o que deve ocorrer como uma nova PEC. Em que pese já haver espaço orçamentário suficiente para o novo reajuste do benefício médio do Programa Auxílio Brasil, restam R$ 43,5 bilhões em acréscimo orçamentário a ser votado pela Câmara.

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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