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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar encerra semana em alta,
cotado a R$ 5,684
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Semana foi marcada por decisões de política monetária
de Bancos Centrais pelo mundo
 
O RESUMO SEMANAL NÃO SERÁ PUBLICADO NOS DIAS 24 E 31 DE DEZEMBRO, RETORNANDO EM 07 DE JANEIRO.
BOAS FESTAS!
 
fatores altistas
  • Possibilidade de surgimento de novas variantes do coronavírus, prolongando a pandemia ou provocando confinamentos regionais;
  • Aperto monetário e expectativa de aumentos de juros pelo Fed estimulam o fortalecimento do dólar em 2022;
  • Incertezas políticas típicas de ano eleitoral podem ser acirradas em um quadro polarizado, afastando investidores do Brasil.

 
fatores baixistas
  • Ciclo longo de aumentos da taxa Selic deve atrair capitais para o Brasil e contribuir para a redução da taxa de câmbio;
  • Perspectivas de redução das taxas de inflação, no Brasil e no mundo, podem estimular o apetite por riscos dos agentes;
  • A balança comercial deve ser significativamente superavitária em 2022, mesmo com a desaceleração econômica chinesa.
O par real/dólar terminou a semana (17) em elevação, negociado a R$ 5,684, aumento de 1,3% em relação à sexta-feira anterior e ganho de 9,5% no acumulado de 2021. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 96,5 pontos, com variação semanal de +0,5% e de +7,4% no ano. A semana foi marcada por diversas intervenções do Banco Central tanto no mercado à vista como no mercado futuro de divisas, em função da demanda mais elevada por dólares por conta de remessas de lucros, dividendos e juros ao exterior, típico nas semanas finais do ano. No cenário internacional, os destaques foram as decisões de política monetária de diversos Bancos Centrais, como o Federal Reserve, que antecipou o fim de seu programa de compras de ativos, o Banco Central Europeu, que programou uma suave redução de seus estímulos em 2022, e do Banco da Inglaterra, que foi a primeira instituição do G-7 a elevar suas taxas de juros.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

No próximo ano, em que pese a possibilidade de surgimento de mutações mais agressivas do coronavírus (Sars-CoV-2), a maior preocupação aparenta ser a aceleração de preços, que se mostra um fenômeno global causado, principalmente, por choques de oferta. Desta maneira, a capacidade limitada de produção de insumos, os estoques reduzidos de matérias-primas, o custo elevado do frete e as cadeias logísticas sobrecarregadas, os altos preços das commodities energéticas, como o petróleo e o gás natural, todos estes fatores contribuem para uma inflação de custos que afeta simultaneamente a quase todos os países.

Com o passar dos meses, entretanto, a tendência é que estas distorções se reduzam, até porque há uma propensão ao enfraquecimento da demanda global, permitindo um reequilíbrio mais fácil entre oferta e demanda. O período de maior impacto da pandemia já passou e os governos estão removendo os estímulos fiscais e monetários à medida que suas economias recuperam o patamar de atividade econômica pré-pandemia. Com isso, há uma redução da demanda agregada. Contribui, também, para essa queda a provável redução do crescimento econômico chinês ao longo de 2022, o que deprime a expansão mundial, contribui para conter os preços de commodities e, dessa forma, auxilia na estabilização dos preços.

A redução das taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês, por sua vez, possui quatro fatores principais: (i) A crise do setor imobiliário deve se aprofundar e, desta forma, reduz os investimentos produtivos; (ii) Um deslocamento da demanda a partir de bens duráveis para o setor de serviços nas economias centrais, com o processo de reabertura e normalização da atividade produtiva, o que deve influenciar negativamente as exportações chinesas; (iii) a estratégia de “Covid zero” deve ser cada vez mais custosa para a China, em particular para as despesas de consumo pessoal; e (iv) o fechamento prolongado das fábricas de 64 cidades em função dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, para se produzir um céu sem poluição durante os jogos. Ainda que o governo chinês esteja estimulando a retomada de sua economia, suas medidas só devem produzir efeito no segundo semestre.

Nos Estados Unidos, o panorama é distinto, pois, além das restrições de oferta, há uma demanda robusta que pode tornar a alta de preços mais persistente. O Federal Reserve (Fed) já começou a reduzir, rapidamente, seus estímulos monetários, programando o fim de seu programa de compras de ativos para meados de março. Os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) visualizam, em sua maioria, três aumentos de juros em 2022 de forma a estabilizar os preços no país. Considerando que o Banco Central Europeu julga muito pouco provável que haverá aumentos de juros na União Europeia – pelo contrário, a programação é de uma suave redução nos estímulos monetários, sem encerrá-los – a trajetória mais provável para o dólar deve ser de fortalecimento no próximo ano. Caso as taxas de inflação nos EUA caiam mais rapidamente e a necessidade de aumentos de juros perca sua urgência, nesse caso pode haver um enfraquecimento a partir do segundo semestre.

Cenário Doméstico

No cenário doméstico, 2022 deve ser um ano desafiador. Apesar de ser um fenômeno global, a aceleração de preços no Brasil tem fatores particulares, como rápidos aumentos nos preços de combustíveis, uma grave crise hídrica, que provocou aumento nos custos de produção de energia elétrica e de gêneros alimentícios, e o câmbio desvalorizado, que encarece os insumos importados, como os fertilizantes. A inflação no país ainda se encontra em aceleração e deve levar mais um ou dois meses antes de arrefecer. As atuais previsões para 2022 já situam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) próximo à margem de tolerância máxima da meta de 2022 – 5,0%, e, em relatório divulgado nesta semana, o Banco Central (BC) estima uma probabilidade de 41% de estourar a meta.

Comprometendo-se em retomar a estabilidade de preços, o BC está reajustando em elevadas doses a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 9,25% ao ano. A autoridade monetária já detalhou que o ciclo de ajustes será longo e que não é possível ainda saber qual será a taxa de juros ao final do ciclo. Em que pese a credibilidade que a autoridade monetária inspira aos mercados, estas elevações de juros reduzem o crescimento econômico potencial e comprometem a demanda agregada, de forma que a mediana das expectativas de analistas para 2022 é de uma expansão do PIB de apenas 0,5%. Mais de dois terços da população brasileira já estão completamente imunizados, e o potencial de crescimento do setor de serviços já se encontra próximo ao esgotamento. O baixo crescimento econômico chinês, mencionado na seção anterior, deve contribuir para um crescimento menor das exportações brasileiras, havendo certo risco, também, de queda nos preços das commodities mais exportadas pelo Brasil, como minério de ferro, soja e milho. Desta maneira, o potencial de crescimento do agronegócio pode ser um pouco reduzido em 2022.

O mercado de trabalho, por sua vez, está se recuperando, porém a maior parte das vagas criadas se concentram em ocupações mais precárias e de menor potencial de renda, como os empregados informais e os trabalhadores por conta própria. Assim, a renda média do trabalho é, hoje, 11% menor que há um ano, ainda que o desemprego tenha se reduzido de 14,9% para 12,6% no período. A menor renda disponível da população limita a demanda interna e a capacidade de crescimento no próximo ano.

Por fim, é importante mencionar a possibilidade de incertezas fiscais e políticas em 2022. Tradicionalmente, anos de eleições presidenciais trazem consigo um comportamento cauteloso e avesso ao risco dos agentes, e há a possibilidade das eleições do próximo ano serem polarizadas e conturbadas. O Brasil experimentou este ano diversas crises institucionais e atritos que não faziam parte de seu cotidiano até pouco tempo. Caso as eleições no próximo ano suscitem um quadro político adverso, as variáveis macroeconômicas – em particular, o câmbio – podem oscilar com intensidade.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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