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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar recua pela quarta sessão consecutiva
e encerra semana com queda de 2,1%,
cotado a R$ 5,513
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Semana foi marcada pela expectativa de aperto monetário pelo Federal Reserve e pelo otimismo no cenário internacional.
 
 
fatores altistas
  • Pressões de servidores por reajuste e paralização na terça-feira podem gerar insegurança fiscal e afastar investidores, prejudicando o real;
  • Expectativa de aperto monetário pelo Federal Reserve está sendo cada vez mais reforçada por autoridades do próprio Fed.
 
fatores baixistas
  • Cenário internacional mais otimista e com maior apetite por riscos nesta última semana, o que pode se repetir e favorecer o real.
  • Divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) deve surpreender após dados positivos do varejo e do comércio para novembro, o que pode atrair investidores para o Brasil.
Após começar o ano em elevação, o par real/dólar inverteu seu sentido e acumulou ganho significativo, terminando esta sexta-feira (14) negociado a R$ 5,513, valorização de 2,1% ante a sexta-feira anterior. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 95,2 pontos, variação de -0,6% na semana. A semana foi marcada pela declaração de diversas autoridades do Federal Reserve em defesa de um aumento de juros na reunião de março do Comitê Federal de Mercado Aberto, como a indicada à vice-presidência, Lael Brainard, e os presidentes regionais do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, de Chicago, Charles Evans, de Cleveland, Loretta Mester, de Filadelfia, Patrick Harker, de São Francisco, Mary Daly e de St. Louis, James Bullard. Além disso, durante a semana foram publicados o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) de 2021 para o Brasil, com uma alta de 10,06% – seu maior valor desde 2015 – e os Índices de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) de 2021 para os Estados Unidos, com um aumento, respectivamente, de 7,0% e 9,7% – maiores registros desde 1982 e 2010, em ordem.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

Após uma semana marcada pelas sinalizações de aperto monetário nos Estados Unidos, a próxima semana deve ser relativamente vazia de indicadores relevantes. O foco da semana deve ser o quadro do rápido avanço da ômicron deve seguir no noticiário e preocupar investidores. A sua taxa de propagação é tão elevada que mesmo uma aparente menor taxa de hospitalização e de mortalidade não está evitando que os sistemas de saúde sejam sobrecarregados. Esta variante também está provocando um absenteísmo abrupto e arrisca agravar os gargalos de cadeias produtivas e logísticas, especialmente na China, que adota uma política de “Covid zero” para enfrentar sua propagação. Nesta semana, as autoridades chinesas prolongaram o confinamento da cidade portuária de Tianjin em um esforço para controlar a variante ômicron. O caso está sendo tratado com extrema urgência em função da proximidade da cidade com a capital, Pequim, e, também, com a proximidade com os Jogos Olímpicos de Inverno, programados para iniciar na província vizinha de Hubei em 04 de fevereiro. Posteriormente foi a vez da cidade de Anyang ser confinada, que possui pouco mais de cinco milhões de habitantes e fica na província de Henan, que também é vizinha de Tianjin e de Hubei. E Hong Kong decidiu fechar as escolas de educação infantil, oferecer a vacinação para crianças a partir de 5 anos e restringir alguns tipos de entrada e saída à cidade após uma testagem de mais de 920 mil habitantes encontrar 42 casos positivos para a Covid-19.

Cenário Doméstico

No cenário doméstico, o protesto de servidores por reajuste salarial deve ganhar destaque ao longo da semana. Após um pedido pessoal do Jair Bolsonaro, que envolveu ofício do ministro da Economia para o relator do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2022, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), “tendo em vista a decisão do presidente da República” e uma ligação do próprio presidente da República ao relator, o Orçamento deste ano contém reajuste salarial apenas para servidores da segurança federal, isto é, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Departamento Penitenciário Nacional. A reação entre o funcionalismo público não foi positiva. A Receita Federal, a quem havia sido prometido um reajuste neste ano, foi a primeira a se mobilizar, aprovando em assembleia a paralização de todos os projetos nacionais e regionais do órgão, a adoção de operação padrão nas aduanas, o indicativo de paralisação de atividades, a meta zero (não atingir nenhuma meta), o não preenchimento os relatórios gerenciais e o apoio da entrega ostensiva de todos os cargos em comissão e funções de chefia da Receita Federal. Posteriormente, o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) que congrega 37 entidades associativas e sindicais e representa cerca de 200 mil servidores públicos definiu uma primeira paralisação geral nesta terça (18) e, caso não houver progresso nas negociações, outra paralisação em 25 e 26 de janeiro. Se ainda assim não houver avanços, o Fonacate pretende realizar greve geral a partir de 14 de fevereiro.

Em balanço divulgado nesta quinta-feira, o Fonacate afirma que 19 categorias aderiram à paralisação de terça-feira, dentre elas servidores do poder Judiciário, servidores do Itamaraty, diversas categorias de auditores, oficiais da inteligência e servidores do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários e da Superintendência de Seguros Privados. Segundo o presidente da entidade, Rudinei Marques, o governo Bolsonaro desarticulou todas as vias de negociação existentes até o governo Temer e “implodiu” os canais de diálogo, o que criou as condições para uma greve geral. Rudinei lembra, também, que os servidores públicos estão sem reajuste desde 2017. A Receita Federal é a categoria que aparenta, publicamente, estar mais mobilizada. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) arregimentou 1.288 pedidos de renúncia a cargos de chefia e liderança para pressionar o governo a sentar na mesa de negociação, porém, nesta terça (11), o chefe de gabinete da Receita Federal, Antonio Márcio de Oliveira Aguiar, ordenou por escrito a não se efetivar nenhuma demissão no Diário Oficial da União, decisão que o sindicato alega ser ilegal e ameaça ingressar com interpelação judicial

Cálculos feitos pela área técnica do governo e divulgados hoje pela agência de notícias Reuters indicam que o Ministério da Economia avalia vetar até R$ 9 bilhões de reais para “recompor gastos que estariam subestimados nas contas aprovadas pelo Congresso Nacional”, segundo a Reuters. De acordo com a notícia, os problemas iriam desde Ministérios que negociaram verbas diretamente com o relator do Orçamento geral do Congresso – as emendas de relator, chamadas de “orçamento secreto” –, até verbas para as cidades enfrentando emergência ou estado de calamidade com as chuvas. Contudo, dado o ambiente volátil de protestos dos servidores, é possível que o governo busque nesse montante algum valor para atender às demandas do funcionalismo.

Por fim, é digno de nota que Bolsonaro baixou um decreto esta semana em que esvazia ainda mais os poderes do ministro Paulo Guedes. O texto, publicado ontem (13) no Diário Oficial da União, delega ao Ministério da Casa Civil – e ao ministro Ciro Nogueira, presidente do PP, um dos principais partidos do “Centrão” – a prerrogativa de validar as transferências dos recursos públicos para as pastas em 2022, autoridade que tradicionalmente é exercida pela “Fazenda” ou pelo Ministério da Economia. Na prática, o decreto afirma que ambos os ministérios precisam autorizar as transferências dos recursos. O Palácio do Planalto argumentou que buscava, simplesmente, dividir as responsabilidades para haver maior padronização e evitar que gastos ocorressem sem uma contabilização da Casa Civil, ou seja, mais como uma burocracia do que como uma medida de controle. Entretanto, é difícil sustentar que isso não pudesse ser feito nos moldes anteriores, e representa mais um ganho de poder da ala legislativa sobre a destinação de recursos e uma espécie de intervenção sobre a autoridade de Guedes.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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