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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar fecha sexta em alta, mas encerra semana com queda de 1,0%, cotado a R$5,458
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Semana foi marcada pela volatilidade cambial, provável aliança
de Lula e Alckmin e entrada de capitais no país
 
 
fatores altistas
  • FOMC deve consolidar expectativas de um aumento de juros em março, o que pode fortalecer o dólar contra o real;
  • Índice de preços PCE para os Estados Unidos deve vir em seu maior valor desde 1983, o que pode ampliar as impressões de que o Fed precisa atuar com urgência contra a inflação;
  • Notícias de que o Palácio do Planalto deseja propor uma PEC intervindo nos preços de combustíveis e energia elétrica pode gerar desconfiança sobre a responsabilidade fiscal em ano eleitoral.
 
fatores baixistas
  • Aparentemente, o governo Bolsonaro se mostra resistente às pressões para reajuste de servidores, o que pode pacificar as incertezas sobre os gastos fiscais;
  • Divulgação de dados para o mercado de trabalho deve mostrar a continuidade da queda do desemprego em novembro, o que pode atrair investidores estrangeiros;
  • Divulgação do IGP-M e do IPCA-15 para janeiro podem surpreender e mostrar uma desaceleração do crescimento inflacionário, o que favoreceria a moeda brasileira.
A taxa de câmbio emendou uma segunda semana de valorização e terminou a sexta-feira (21) cotada a R$ 5,458, baixa de 1,0% ante a sexta-feira anterior e queda de 2,1% no acumulado do ano. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 95,6 pontos, variação de +0,5% na semana e praticamente estável no ano. A semana foi marcada por fortes variações entre os fechamentos diários do par real/dólar e uma elevada amplitude entre a máxima intradiária registrada (R$ 5,582, registrada na terça) e a mínima intradiária (R$ 5,380, registrada na quinta). Dentre os fatores mais relevantes da semana, estiveram a entrevista do provável candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, em que ele mostrou bastante moderação em seu discurso, argumentou pela necessidade de alianças políticas amplas que suplantassem ao Partido dos Trabalhadores (PT) e defendeu o nome de Geraldo Alckmin para a formação de chapa “para ganhar as eleições e poder governar esse país”, e a elevada entrada de capitais estrangeiros no país, apostando na valorização do real.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

O foco da próxima semana será a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), na próxima quarta-feira (26). O Fed deve aproveitar o comunicado e a entrevista coletiva após a decisão para consolidar as expectativas de mercado em torno de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião do FOMC de março. A ocorrência de outros reajustes na taxa de juros, que são amplamente antecipados pelos agentes financeiros, deve depender das taxas de inflação, das estimativas futuras para a inflação e do crescimento da remuneração do trabalho. A mediana das expectativas de analistas aponta para três elevações nas taxas de juros ao longo de 2022, porém a perspectiva de quatro aumentos tem ganhado seguidores. Por outro lado, os representantes do Fed sempre frisam que suas decisões são baseadas nos dados disponíveis, e existe uma probabilidade pequena de ocorrer uma redução nas pressões de custos ao longo de 2022, o que poderia postergar o ímpeto da autoridade monetária.

Analistas de mercado também estarão atentos para sinalizações sobre a redução do balanço de ativos da instituição, ou seja, maiores informações sobre como o Federal Reserve e seus integrantes visualizam a operacionalização, o horizonte temporal e o ritmo de aplicação deste instrumento no futuro. Há uma possibilidade de o FOMC definir na reunião da próxima semana um término antecipado ao programa de estímulo de compra de ativos da instituição, instituído após a pandemia de Covid-19, de forma a não acrescer o balanço de ativos ainda mais. A maior parte dos agentes espera que a redução do balanço seja anunciada na reunião de julho do FOMC, com início em agosto, e se dê de forma passiva, isto é, aqueles títulos que vencerem não seriam repostos. É possível, ainda, que o Fed divulgue algum documento técnico de planos, princípios e parâmetros para a normalização da sua política monetária.

Na próxima semana, será divulgado o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), o indicador mais usado pelo Fed para acompanhar a aceleração de preços. A mediana das estimativas mostra um aumento de 0,4% no mês de dezembro, fechando 2021 com uma alta de 4,8% no ano, o que seria o maior valor para a métrica desde 1983. Será informado, também, o Índice de Custos de Emprego para o quarto trimestre de 2021, outro indicador bastante acompanhado pelo Banco Central americano como uma aproximação de quanto a inflação já se enraizou pela economia.

Cenário Doméstico

No cenário doméstico, as preocupações fiscais permanecem em cena, com nova paralisação por reajustes salariais agendado para os dias 25 e 26 de janeiro. No momento da publicação deste texto (18h00min), ainda não haviam sido publicadas os vetos e as sanções do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2022. O prazo se encerra hoje. Aproximadamente 50 categorias protestaram durante a terça-feira (18) e entregaram ofício ao ministro da Economia, Paulo Guedes, mas não foram recebidos para um diálogo. Os servidores públicos ameaçam entrar em greve em fevereiro caso não sejam atendidos pelo Executivo.

A próxima semana deve conter a divulgação de indicadores econômicos importantes. Primeiramente, serão informados o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas, para o mês de janeiro, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), calculado entre as os últimos 15 dias do mês de dezembro e os primeiros 15 dias de janeiro. Estes indicadores poderão mostrar se há um arrefecimento nas taxas de aceleração de preços em curso. Além disso, o IBGE também trará as informações para o mercado de trabalho no mês de novembro, com destaque para a taxa de desemprego, a renda média do trabalho e a taxa de participação da população em idade ativa.

Por fim, aguardam-se mais informações sobre Proposta de Emenda à Constituição (PEC) mencionada por Jair Bolsonaro à imprensa para reduzir os preços dos combustíveis e da energia elétrica, itens que elevaram a inflação em 2021 e se tornaram um ponto de desgaste na aprovação do presidente. A proposta que está sendo desenhada prevê ao menos dois mecanismos, de acordo com veículos de imprensa. Um deles autoriza o governo federal para, em momentos de crise e de forma temporária, reduzir ou até zerar os impostos federais sobre a gasolina, o etanol, o diesel e a energia elétrica. O outro permite a criação de um fundo para aliviar a pressão gerada por uma elevação dos preços.

Hoje, para haver redução de um imposto, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) exige que o Executivo aponte uma fonte de compensação para a perda de receita, seja com aumento de outros tributos ou com cortes em despesas. A PEC em discussão alteraria a Constituição para permitir a redução temporária dos impostos sem a necessidade de compensação, por decisão do governo. Já o fundo seria composto com dividendos pagos pela Petrobrás à União e poderia ser usado no financiamento da redução de tarifas de eletricidade e do preço de combustíveis. Nesta semana, em entrevista a um veículo de TV, o presidente havia afirmado que “Fora do ar, aqui, falava-se de uma proposta que poderíamos enviar ao Congresso que mexe com combustível. Sim, existe essa proposta, não quero entrar em detalhe, vai ser apresentada no início do ano. Nós procuramos aqui reduzir carga tributária, muitas vezes ser obrigado a encontrar uma fonte alternativa, você não pode apenas reduzir isso daí e vamos fazendo o possível”. Como a proposta beneficiaria diretamente Bolsonaro, ela não poderia ser apresentada pelo Executivo neste ano, em função da Lei Eleitoral, e, portanto, precisaria ser apresentada por um congressista.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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