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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar emenda terceira semana em queda
e fecha abaixo da barreira de R$ 5,40
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Semana foi marcada por forte valorização do dólar no exterior
e entrada de recursos estrangeiros na bolsa de valores brasileira
 
 
fatores altistas
  • Rali do dólar diante de outras moedas de economias avançadas, em função da expectativa de vários aumentos da taxa de juros pelo Fed em 2022;
  • Continuidade das tensões entre Rússia e Ucrânia tende a reduzir o apetite por riscos, prejudicando moedas de países emergentes, como o Brasil;
  • Falas de autoridades do Fed podem movimentar o mercado, em função da dispersão de estimativas existentes.
 
fatores baixistas
  • Elevado apetite estrangeiro por ativos brasileiros está atraindo recursos, em particular, para a Bolsa de Valores;
  • Copom deve aumentar a taxa Selic em 1,5 p.p., para 10,75% ao ano, tornando títulos brasileiros mais atrativos para investidores.
  • Divulgação de Estatísticas Fiscais deve trazer primeiro superávit primário do Setor Público desde 2013.
O par real/dólar emendou sua terceira semana de valorização e terminou a sexta-feira (28) negociado a R$ 5,392, recuo de 1,2% ante a sexta-feira anterior e queda acumulada de 3,3% no mês de janeiro. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 97,3 pontos, variação de +1,7% na semana, seu maior ganho semanal desde junho do ano passado. A semana foi marcada por um rali do dólar diante de outras moedas após a ampliação das apostas de aperto monetário significativo pelo Federal Reserve em 2022 após decisão de política monetária afirmar que um aumento de juros “deve ser apropriado em breve” e o presidente da instituição, Jerome Powell, não afastar a possibilidade de reajustes consecutivos para as taxas de juros. No Brasil, a moeda brasileira descolou do padrão internacional e se valorizou expressivamente após a entrada volumosa de recursos estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo, investindo em setores como o financeiro, de mineração e de petróleo e gás.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

O foco da próxima semana serão as falas públicas de autoridades do Federal Reserve. Se, por um lado, o comunicado de decisão de política monetária e a entrevista coletiva em sequência foram amplamente interpretados como uma postura firme do Banco Central americano no enfrentamento às elevadas taxas de inflação, por outro a dispersão de previsões e expectativas sobre a atuação do Fed aumentou após quarta-feira. As estimativas para os reajustes na taxa de juros para os EUA vão de 1,0 ponto percentual a 1,75 ponto percentual, e há quem aposte em uma elevação de 0,50 p.p. já na próxima decisão, em março. A ampliação do leque de estimativas é consequência de uma linguagem excessivamente abrangente, e por vezes dúbia, que visa a garantir a flexibilidade do Federal Reserve em atuar diante dos diferentes contextos e cenários que possam surgir a cada reunião para decisão de política monetária, porém falham em consolidar as expectativas dos agentes sobre a atuação de um dos órgãos reguladores mais importantes da economia mundial.

Em seu comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) informou que “espera que em breve seja apropriado o aumento de juros”, e na entrevista, o presidente da instituição, Jerome Powell, afirmou que “a mente” dos integrantes do Comitê é de realizar o primeiro reajuste na próxima decisão, em março, desde que se mantenham as atuais condições econômicas até lá. Powell não se comprometeu com nenhuma data e nem com nenhuma trajetória particular para os reajustes, afirmando que é difícil prever como os dados econômicos irão se comportar e que essas decisões serão tomadas a cada reunião, porém não afastou a possibilidade de elevações seguidas nas taxas quando perguntado a respeito. Em sua opinião, a recuperação econômica vigorosa dos EUA, o mercado de trabalho “apertado”, ou seja, com escassez de mão de obra, e a inflação elevada e aparentemente se deteriorando permitiriam, hipoteticamente, aumento em decisões seguidas de política monetária. Os integrantes do Comitê se manterão “humildes e ágeis” avaliando os dados e informações a respeito das variáveis macroeconômicas para tomar cada decisão de política monetária
Desta forma, as falas, comunicados e entrevistas de presidentes regionais e outras autoridades do Federal Reserve na próxima semana devem ganhar destaque na medida em que busquem aparar arestas e indicar com maior clareza qual o grau de consenso dentro do FOMC a respeito das intervenções antecipadas para 2022, e contém o potencial de influenciar o mercado de moedas.

Analistas de mercado continuam acompanhando a situação geopolítica entre a as tensões elevadas no leste europeu em função do acúmulo de tropas russas próximas à extensa fronteira ucraniana, em que pese as intensas negociações diplomáticas envolvendo não apenas Rússia e Ucrânia, como também os Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha. Enquanto as forças do Ocidente alertam para as “enormes consequências” econômicas e políticas para a Rússia no caso de uma invasão, o país eslavo continua denunciando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) por promover uma “histeria informacional” contra a Rússia, disseminando mentiras sobre o país e suas demandas na região, enquanto concentra tropas e faz exercícios militares no lado ucraniano da fronteira de forma a provocar uma reação do país.

Na próxima semana, também, serão divulgados alguns indicadores econômicos importantes para o mês de janeiro, como os índices de atividade econômica do instituto ISM e dados para o mercado de trabalho. Em função da forte onda de casos de coronavírus provocada pela variante ômicron, analistas estimam uma queda pontual no mês nesses indicadores, particularmente no índice de atividade de serviços e na criação de novas vagas de empregos. Aparentemente, este efeito deve se dissipar no mês de fevereiro, e não deve afetar a atuação mais contundente do Federal Reserve.

Vale notar, ainda, que os Bancos Centrais da Inglaterra e da Europa possuem decisão de política monetária na próxima semana, e será interessante acompanhar se a postura agressiva do Fed forçará seus parceiros europeus a alterarem seus planejamentos e, também, elevarem seus juros, ou se manterão firmes em continuar com taxas mais reduzidas.

Cenário Doméstico

Em uma semana de poucos indicadores, os destaques da próxima semana será a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom)do Banco Central (BC) de 2022. Após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrar 2021 em dois dígitos (10,06%) e o IPCA-15 de janeiro não mostrar desaceleração sensível (mostrou aumento de 0,58%, contra crescimento de 0,73% do IPCA de dezembro), as expectativas são de que o Copom aumente a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto percentual, passando de 9,25% ao ano para 10,75% ao ano. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já afirmou repetidamente que levará a Selic para nível significativamente contracionista até conseguir convergir as taxas de inflação para dentro da meta da autoridade monetária. Na próxima reunião, em fevereiro, espera-se mais 1,0 ponto percentual de aumento.

Deve ganhar destaque, também, a possibilidade de crise institucional deflagrada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, com o Supremo Tribunal Federal (STF). Hoje, Bolsonaro decidiu faltar a uma intimação feita pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, para prestar depoimento presencialmente nesta sexta-feira sobre uma investigação que apura o vazamento de uma investigação sigilosa feita, supostamente, por Bolsonaro. Moraes intimou o presidente após Bolsonaro solicitar 60 dias de prazo para agendar uma data para o depoimento, mas, a um dia do término desse prazo, ainda não o tinha feito. Ao faltar, na prática, o presidente da República descumpriu a uma ordem da suprema corte do país.

A Advocacia Geral da União (AGU) tentou entrar com recurso hoje solicitando que Bolsonaro não prestasse o depoimento. Contudo, hoje mesmo o ministro já negou o recurso, notando que o prazo para recurso da decisão se encerrou em 06 de dezembro – portanto, não caberia mais recurso – e que, ao solicitar a primeira prorrogação de prazo de 60 dias, a própria AGU declarou que “o Senhor Presidente da República, em homenagem aos princípios da cooperação e boa-fé processuais, atenderá ao [comparecimento pessoal]” – portanto, não caberia solicitar que não se preste depoimento. Moraes conclui, ainda, que qualquer pessoa tem o direito ao silêncio e ao privilégio de não responder perguntar, porém não é permitido “recusa prévia à observância de determinações legais”. Com o impasse criado, cabe a Moraes analisar as próximas medidas que serão tomadas.

Por fim, é digno de nota a divulgação das estatísticas fiscais pelo Banco Central, na próxima segunda, após o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que o Brasil deve apresentar seu primeiro superávit primário para o Setor Público consolidado desde 2013. Apesar das contas do governo federal ainda apresentarem déficit de aproximadamente R$ 40 bilhões, segundo dados de novembro, estados, municípios e as empresas estatais devem apresentar saldo positivo, tornando o balanço positivo em alguns bilhões de reais. É um excelente desempenho, visto que o déficit de 2020 foi superior a 10% do PIB.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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