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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar emenda quarta semana em queda
e fecha cotado a R$ 5,325
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Semana foi marcada por decisões de política monetária
no Brasil, na Inglaterra e na União Europeia
 
 
fatores altistas
  • Relatório de Política Monetária do Fed deve detalhar grau de consenso sobre aumento de juros no futuro e pode atrair investimentos para o dólar;
  • Risco fiscal elevado após duas PECs serem apresentadas propondo a possibilidade de reduzir ou zerar alíquotas de combustíveis e outros produtos, podendo afastar investidores;
  • Continuidade das tensões entre Rússia e Ucrânia tende a reduzir o apetite por riscos, prejudicando moedas de países emergentes, como o Brasil;
 
fatores baixistas
  • Elevado apetite estrangeiro por ativos brasileiros está atraindo recursos, em particular, para a Bolsa de Valores;
  • Ata da reunião do Copom pode informar melhor a previsão para a trajetória de juros Selic, o que poderia atrair investidores para o Brasil;
  • Publicação do IPCA de janeiro pode surpreender positivamente, o que tende a fortalecer o real.
A taxa de câmbio prolongou sua sequência de quedas para a quarta semana, e terminou a sexta-feira (04) negociada a R$ 5,325, variação semanal de -1,2% e anual de -4,5%. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 95,4 pontos, em forte queda de 1,9% na semana, acumulando perda de 0,2% no ano. Após forte rali do dólar na semana anterior, esta semana foi marcada por uma reversão tão brusca quanto, em função do esforço coordenado de diversos integrantes do Federal Reserve (Fed) para reduzir a dispersão de estimativas existentes entre analistas de mercados. Contribuiu para a desvalorização da moeda americana, também, decisões de política monetária do Banco Central da Inglaterra, que elevou sua taxa de juros, e do Banco Central Europeu, que manteve inalterados seus instrumentos monetários, porém adotou um discurso interpretado como mais firme no combate à inflação. No Brasil, um comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizando que deve reduzir o ritmo de aperto monetário este ano também levou à queda do real frente à divisa americana, porém não o suficiente para anular seu ganho semanal.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

O foco da próxima semana será a publicação do relatório de política monetária do Federal Reserve, na sexta-feira. O documento é enviado semestralmente à Comissão de Assuntos Bancários do Senado americano pela instituição e detalha a visão do Fed sobre a conjuntura econômica e financeira recente, a condução da política monetária pelo Banco Central estadunidense e as perspectivas da instituição para alguns indicadores econômicos chave, como crescimento do Produto Interno Bruto, evolução da taxa de desemprego e de inflação e a evolução da taxa de juros antecipada como apropriada para cada ano. O relatório deve auxiliar a reduzir a dispersão de estimativas existentes entre analistas de mercados sobre como o Fed deve realizar seu aperto monetário neste ano. As expectativas vão de três aumentos de 0,25 ponto percentual na taxa de juros (por exemplo, Barclays) a sete elevações de mesma magnitude (por exemplo, Bank of America), sendo que a maioria dos analistas antecipam quatro altas.

É digno de nota, também, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de janeiro na próxima quinta-feira. Em dezembro, o indicador acumulado em 12 meses se acelerou em 7,1%, maior marca desde junho de 1982. Com a escalada dos preços do petróleo no mês anterior, a possibilidade de alta no índice é considerável, o que deve pressionar o Fed a elevar sua taxa de juros na próxima reunião, em março, e a ser mais contundente em seu aperto monetário neste ano.

Cenário Doméstico

O foco da próxima semana deve ser a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), após o Comitê surpreender o mercado com um comunicado menos rigoroso do que o esperado no comprometimento ao combate à inflação. Em que pese o aumento em 1,5 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), sua oitava elevação consecutiva, passando de 9,25% ao ano para 10,75% ao ano, a autoridade monetária sinalizou que antevê uma redução no ritmo de aperto monetário para a próxima decisão, sem precisar qual seria o próximo reajuste. Em seu comunicado, o Copom ressaltou que os efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante, sugerindo que deve promover as altas da Selic de forma mais suave, porém por um tempo mais longo. Essa estratégia seria compatível com a convergência da inflação para a meta “em maior grau” no ano de 2023, indicando que o Comitê não está propenso a reajustes bruscos a fim de perseguir a meta inflacionária neste ano.

Esta postura teve reflexos fortes nos mercados de juros e de divisas. As taxas futuras de juros tiveram forte queda, e as apostas de que a taxa Selic fecharia o ano acima de 12,00% perderam força. As estimativas para os próximos passos da autoridade monetária começaram a crescer de amplitude: Em relação à reunião de março no mercado de opções digitais, que mede as apostas diretas dos agentes para as decisões do Copom, há uma concentração das apostas (59%) em uma elevação de 1,0 ponto percentual na Selic; 16% de possibilidade de um reajuste de 0,75 p.p.; 10% de chance de um aumento de 0,50 p.p.; e 7% de probabilidade de um acréscimo de 1,25 p.p. Há maior dispersão, também, sobre qual será o nível final da taxa básica de juros ao final do ciclo de aperto monetário, perdendo força os cenários que previam uma taxa acima dos 12,00% ao ano.
Desta forma, a ata da reunião desta semana pode trazer importantes elementos sobre o contexto da decisão e consolidar as expectativas em torno de como a autarquia antecipa os próximos passos de política monetária. Embora sejam esperados alertas sobre riscos e sobre a necessidade de observar o comportamento dos dados econômicos, uma maior clareza sobre os cenários de referência para o futuro se faz necessários a fim de manter a credibilidade da instituição e o bom funcionamento dos mercados.

A próxima semana trará dados importantes para a avaliação da conjuntura econômica, como o volume de serviços e o nível de vendas do varejo em dezembro. Contudo, o dado mais importante deve ser o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro. Há riscos tanto para um dado mais elevado como mais reduzido. Por um lado, o mês de janeiro observou uma alta significativa dos preços internacionais do petróleo, o que levou a Petrobrás a reajustar os preços de combustíveis em 11 de janeiro. Além disso, o sul do país passa por uma crise hídrica, o que eleva os preços de alimentos hortifrutigranjeiros. Por outro lado, o câmbio se valorizou em 4,8% no mês passado, o que auxilia a reduzir custos de insumos importados e pode prover algum alívio ao índice de preços.

Por fim, vale observar as Propostas de Emenda à Constituição (PEC) protocoladas esta semana que buscam reduzir a alta de itens que mais contribuem para a aceleração recente de preços. Na quinta-feira, o deputado Christino Áureo (PP-RJ) protocolou na Câmara uma PEC para permitir que União, Estados e Municípios possam reduzir ou zerar alíquotas de tributos incidentes sobre combustíveis e gás de botijão em 2022 e 2023 para reduzir seu preço sem necessitar obedecer à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), isto é, sem a necessidade de indicar outra receita ou corte de despesa para compensar a queda de arrecadação do tributo. A proposta era discutida pelo Palácio do Planalto desde, pelo menos, 20 de janeiro, e o jornal Valor Econômico revelou que o texto protocolado por Áureo no Congresso foi redigido pelo subchefe adjunto de Finanças Públicas (SAFIN) do Ministério da Casa Civil, Oliveira Alves Pereira Filho. Como a proposta beneficiaria diretamente Bolsonaro, ela não poderia ser apresentada pelo Executivo neste ano, em função da Lei Eleitoral, e, portanto, precisou ser apresentada por um congressista. Segundo cálculos feitos pelo Ministério da Economia – que é contrário à proposta –, caso aprovada, a emenda poderia provocar perdas de até R$ 54 bilhões apenas em arrecadação federal, sem contabilizar os entes municipais e federais. Este montante é superior ao total de investimentos públicos previstos para o ano de 2022, de R$ 44 bilhões (menor valor da série histórica).

Na sexta-feira, o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) protocolou outra PEC, desta vez no Senado, ainda mais ampla, propondo desonerar combustíveis, botijão de gás e energia elétrica, criar um auxílio-diesel para caminhoneiros, subsidiar famílias de baixa renda comprarem gás e gerar um repasse de recursos federais para mobilidade urbana de idosos. Como todas essas medidas seriam realizadas sem compensação fiscal, a estimativa inicial á de que a perda de receita federal seja de R$ 100 bilhões. Segundo reportagens de imprensa, o Ministério de Economia apelidou a versão de Fávaro como “PEC da irresponsabilidade fiscal” e “PEC Camicase”.

As constantes alterações no Orçamento e nas prioridades de governo com fins claramente voltados à eleição de outubro reduzem a credibilidade do governo e elevam o risco fiscal, que pode aumentar as exigências de prêmio de risco por parte dos investidores e enfraquecer a moeda brasileira. Em seu último comunicado, o Copom já alertava que “políticas fiscais que impliquem impulso adicional da demanda agregada ou piorem a trajetória fiscal futura podem impactar negativamente preços de ativos importantes e elevar os prêmios de risco do país”.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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