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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar emenda quinta semana em queda
e fecha cotado a R$ 5,243
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Semana foi marcada por inflação acima do esperado, nos Estados Unidos,
e ata de reunião do Copom, no Brasil
 
 
fatores altistas
  • Ata de decisão de Política Monetária do Fed deve detalhar grau de consenso sobre aumento de juros no futuro e pode atrair investimentos para o dólar;

  • Continuidade das tensões entre Rússia e Ucrânia tende a reduzir o apetite por riscos, prejudicando moedas de países emergentes, como o Brasil;

  • Falas de autoridades do Fed podem movimentar o mercado, em função da dispersão de estimativas existentes.

     

 
fatores baixistas
  • Elevado apetite estrangeiro por ativos brasileiros da Bolsa de Valores de São Paulo, favorecendo a valorização do real;

  • Fluxo Cambial deve revelar forte entrada de capitais estrangeiros pela conta financeira, podendo incentivar novos ingressos e fortalecer a moeda brasileira.

     

O real continua estendendo seus ganhos perante o dólar, e a taxa de câmbio emendou a quinta semana de queda consecutiva, encerrando a sexta-feira (11) negociada a R$ 5,234, recuo de 1,5% na semana e de 5,9% no ano. Já o dollar index terminou o pregão cotado a 96,0 pontos, variação de +0,6% na semana e de 0,5% no ano. O mercado de divisas no Brasil continua sendo fortemente impulsionado pelo apetite estrangeiro por ativos domésticos. A ata da reunião do Comitê de Política Monetária contribuiu nesta atração de recursos, assim como a divulgação de dados positivos do fluxo cambial. No cenário internacional, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) no maior nível em quarenta anos ampliou as apostas de uma atuação mais contundente do Federal Reserve visando à estabilização de preços no país.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

O foco da próxima semana será a publicação da ata da decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na terça-feira. O documento deve trazer maiores informações sobre o grau de preocupação interna com a aceleração inflacionária e detalhes sobre como a autoridade monetária visualiza sua trajetória de aperto monetário para este ano. Após o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) apresentar crescimento acumulado em 12 meses de 7,5% em janeiro, além das expectativas de analistas e o maior patamar desde fevereiro de 1982, será importante, também, observar as falas públicas de autoridades do Fed para avaliar o grau de consenso em torno dos próximos passos do FOMC. Desde a divulgação do indicador, o mercado futuro de juros tem elevado suas apostas de que o Comitê poderá aumentar em 0,50 ponto percentual os juros na decisão de março.

A próxima semana reserva, também a divulgação de dados importantes sobre a atividade econômica nos Estados Unidos, como vendas do varejo e produção industrial, ambos para o mês de janeiro. As estimativas são de que tanto a produção de bens industriais como as vendas em varejo desses produtos aceleraram de ritmo no mês passado, destacando a demanda vigorosa na economia americana, impulsionada pelo consumo das famílias.

Outro tópico que permanece em primeiro plano são as tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia, com a quantidade de tropas acumuladas em ambos os lados em contínua ascensão. A situação se alterna entre blitz diplomáticas que apaziguam momentaneamente os ânimos, seguidas por trocas de farpas e ameaças de atitudes concretas iminentes. Fato é que não há um sinal claro nem de avanço diplomático e nem de redução de presença militar, prolongando as tensões por mais uma semana e exacerbando as volatilidades dos mercados.

Cenário Doméstico

A próxima semana é vazia de indicadores e eventos para o Brasil. O primeiro indicador de destaque será o Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas, divulgado na terça-feira. O segundo indicador importante a acompanhar será a atualização semanal dos dados de fluxo cambial, na quarta-feira à tarde. A forte entrada de recursos estrangeiros no país está impulsionando a valorização da moeda brasileira frente ao dólar há semanas. Por um lado, a perspectiva de aumentos seguidos para a taxa básica de juros (Selic) no Brasil amplia o diferencial de rendimentos do país e facilita a entrada de capitais que buscam estratégias de “carrego” (carry trade), isto é, estratégias de contrair financiamento em uma divisa externa a taxa de juros baixas para aplicar em países com taxas de juros elevadas.

Outro fator determinante para o fortalecimento do real é a entrada de investimentos estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo. Após o ingresso líquido de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro, maior valor desde novembro de 2020, o saldo entre 01 e 08 de fevereiro já registra R$ 8,238 bilhões. Os setores mais beneficiados tem sido o de petróleo e gás, devido ao aumento do preço das commodities energéticas, o de mineração, devido à escalada do preço do minério de ferro, e o bancário e financeiro, devido ao aumento das taxas de juros.

É possível observar este bom desempenho semanalmente, às quartas-feiras, com a divulgação do fluxo cambial pelo Banco Central. Na última publicação, apenas a conta financeira acumulava saldo positivo em 2021 de US$ 9,465 bilhões. O fluxo cambial se intensificou a partir do dia 27/01, em uma sequência de sete dias de saldo total positivo (último dado disponível de 04 de fevereiro).

Fluxo cambial acumulado (US$ bi) e taxa de câmbio (R$/US$)
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Fonte: Banco Central e CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Por outro lado, após a Proposta de Emenda de Constituição (PEC) do senador Carlos Fávaro (PSD-MT) atingir 31 assinaturas de senadores e ser protocolada junto ao Senado Federal como PEC 1/22, o presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que sua tramitação deve ficar para um “segundo momento”. A PEC busca reduzir a alta de itens que mais contribuem para a aceleração recente de preços ao permitir a redução de tributos sobre combustíveis, gás de botijão, energia elétrica, dentre outros, sem exigir outra receita ou corte de despesa para compensar a queda de arrecadação do tributo.

Segundo Pacheco, o foco do Senado será em avançar dois projetos de lei que já tramitavam na Casa e tratam da mesma temática, a saber, o PL 1472 e o PLP11. Ambos estão com a relatoria do senador Jean Paul Prates (PT-RN). O PL 1472, de 2021, foi aprovado recentemente pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e age em três pontos, segundo Prates: o preço de referência, a política de preços no Brasil e a tributação de combustíveis. Assim, é proposto uma nova “Política de Preços dos derivados do petróleo para agentes distribuidores e empresas comercializadoras”, o estabelecimento de um fundo de estabilização para o preço do petróleo e seus derivados, e a criação de um tributo sobre a exportação sobre estes produtos. Já o PLP 11, também do ano passado, propõe a monofasia na cobrança do ICMS sobre os combustíveis.

"São duas linhas de trabalho, dois projetos. Nossa intenção é pautá-los na semana que vem, quando acredito que teremos condições de enfrentar o assunto. A PEC que já tem 27 assinaturas [mínimo necessário] acaba sendo um instrumento que precisamos considerar, mas foco, neste momento, são esses projetos. Eventualmente, se remanescer alguma questão de índole constitucional que exija alteração da Constituição, já teremos a PEC que poderá eventualmente ser tramitada", declarou Pacheco.

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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