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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar emenda sexta semana em queda
e fecha cotado a R$ 5,142
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Semana foi marcada por oscilação de tensões geopolíticas internacionais
e entrada de capitais estrangeiros no Brasil
 
 
fatores altistas
  • Continuidade das tensões entre Rússia e Ucrânia tende a reduzir o apetite por riscos, prejudicando moedas de países emergentes, como o Brasil;

  • Falas de autoridades do Fed podem movimentar o mercado, em função da dispersão de estimativas existentes.

  • Projeto de Lei que altera os preços de combustíveis e cria imposto de exportação para o petróleo pode afastar investidores no segmento de Petróleo e Gás Natural no Brasil, enfraquecendo o real perante o dólar.

 
fatores baixistas
  • Elevado apetite estrangeiro por ativos brasileiros da Bolsa de Valores de São Paulo, favorecendo a valorização do real;

  • Fluxo Cambial deve revelar forte entrada de capitais estrangeiros pela conta financeira, podendo incentivar novos ingressos e fortalecer a moeda brasileira;

  • Estatísticas do Setor Externo para o mês de janeiro podem mostrar saldo positivo expressivo para o mês de janeiro, influenciando a entrada de novos investimentos e favorecendo a queda da taxa de câmbio.

O par real/dólar continua sua trajetória de valorização, emendando sua sexta semana consecutiva de queda consecutiva ao encerrar a sexta-feira (18) negociado a R$ 5,142, variação de -1,9% na semana e de -7,7% no ano. Já o dollar index terminou o pregão de sexta cotado a 96,1 pontos, praticamente estável na semana e com ganhos de 0,5% no ano. O real continua se fortalecendo perante o dólar mesmo diante de uma conjuntura internacional desafiadora, impulsionado por um forte apetite estrangeiro por ativos domésticos. No cenário internacional, os destaques foram os tensionamentos e apaziguamentos alternados entre Rússia e Ucrânia, provocando forte volatilidade nos mercados financeiros internacionais.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

Aparentemente, o foco da próxima semana será as tensões entre Rússia, Ucrânia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O clima de beligerância continua se agravando, com a blitz diplomática entre vários países do Ocidente e da OTAN inábeis em produzir uma redução concreta das hostilidades. Nesta semana, a Rússia expulsou o segundo maior diplomata dos Estados Unidos em seu país, vice-chefe de Missão Bart Gorman. Segundo comunicado à imprensa, o Kremlin expulsou o diplomata em retaliação à decisão americana de não renovarem o visto de um “ministro conselheiro” de sua embaixada nos EUA, sem oferecer mais detalhes, forçando sua substituição, enquanto o Departamento de Estado estadunidense, por sua vez, chamou a medida de “sem motivo”.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, acusa a Rússia de estar simulando um confronto falso para justificar uma invasão ao território ucraniano. “Todos os indicativos são de que eles estão preparados para invadir e atacar a Ucrânia. (...) [O risco de invasão) é muito alto”, afirmou Biden. O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, discursou nesta semana em encontro na Organização das Nações Unidas (ONU) para debater a crise entre Rússia e Ucrânia, apresentando os cenários que a inteligência americana considera como mais prováveis em que Moscou justificaria uma invasão. “Pode haver um evento violento, ou uma acusação ultrajante que a Rússia faria à Ucrânia”, declarou Blinken. “Pode ser fabricado um assim-chamado atentado terrorista à bomba dentro da Rússia, a invenção de uma cova coletiva, um ataque coreografado de um drone a alvos civis, ou um ataque falso – ou até verdadeiro – usando armas químicas. A Rússia pode descrever isto como uma limpeza étnica, ou um genocídio”, continuou. Já o vice-ministro das relações exteriores russo, Sergei Vershinin, condenou os comentários do secretário americano, afirmou que eles eram lamentáveis e perigosos e reafirmou que os soldados russos estavam retornando às suas bases. O país eslavo oriental ainda distribuiu uma carta endereçada ao Conselho de Segurança da ONU em que acusa as autoridades ucranianas de exterminar os civis russos no leste. Na Ucrânia, há uma elevação do número de violações ao acordo de cessar-fogo registrado pela Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE). Na última quinta-feira, a Organização registrou 591 violações entre as regiões independentes de Luhansk e Donetsk, das quais 316 foram explosões, repercutindo nos mercados financeiros a imagem de uma creche atingida por um morteiro em uma cidade próxima a Luhansk.

Está cada vez mais incerto qual será a saída para este difícil impasse, mas ainda existe a possibilidade de uma solução pacífica. Anthony Blinken aceitou um convite para um encontro na próxima semana com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, contanto que não haja uma invasão russa. A estratégia dos EUA parece consistir em denunciar publicamente toda inteligência disponível sobre uma possível invasão russa enquanto persiste em uma laboriosa diplomacia de pouco avanço, porém de pouco retrocesso, parecendo apostar que Moscou não atuará de maneira mais agressiva enquanto as conversas prosseguem.
Como resultado, a volatilidade dos mercados de ativos tem sido pronunciada, com certa tendência à maior cautela. Em dias de algum progresso nas negociações, os agentes de mercado mostram maior apetite por riscos e investem em ações, commodities e moedas exóticas. Em dias de maior tensão ou ameaças, há um retorno para ativos conhecidos por ser portos-seguros em tempos instáveis, como o ouro, títulos de dívidas governamentais e divisas como o dólar, o franco suíço e o iene, além de prejudicar ativos europeus e elevar os preços de commodities energéticas.

Para além da crise geopolítica europeia, destaca-se a divulgação do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) na próxima sexta-feira (25), o indicador mais usado pelo Fed para acompanhar a aceleração de preços. A mediana das estimativas mostra um aumento de 0,4% no mês de janeiro, o que elevaria o indicador acumulado em 12 meses de 5,8% para 6,2%. A aceleração de preços nos Estados Unidos se apresenta elevada, disseminada e persistente, motivando as autoridades do Federal Reserve (Fed) a debaterem publicamente se seria mais apropriado elevar as taxas de juros em 0,25 ponto percentual ou 0,50 ponto percentual na decisão de política monetária de março. A leitura do PCE pode ajudar a tendenciar esse debate caso venha acima das expectativas.

Cenário Doméstico

A próxima semana guarda a divulgação de alguns indicadores nacionais importantes. Primeiramente, na quinta-feira, serão informadas as estatísticas para o mercado de trabalho no mês de janeiro, com destaque para a taxa de desemprego e para a renda média do trabalho. São esperadas reduções para ambos os indicadores. Também são aguardados para os próximos dias os dados consolidados do mês de janeiro para as estatísticas do Setor Externo e Fiscais, que serão divulgados nos dias 23 e 25 de fevereiro, respectivamente. Além disso, serão divulgados os números da inflação medidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), do IBGE, e pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), da FGV.

Depois de avançar 0,58% em janeiro, surpreendendo os analistas, mas desacelerando em relação a dezembro, o IPCA-15 deve se manter no radar do mercado, que faz uso do indicador na formação das expectativas para a duração e intensidade do ciclo de altas da Selic. As oscilações recentes das cotações internacionais do petróleo, acompanhando o mal-estar geopolítico entre Rússia e Ucrânia, e o excesso de chuvas em diversas regiões do Brasil, oferecem riscos de alta para os preços de combustíveis e alimentos in natura. Dado o peso elevado dessas categorias na constituição do indicador, pode-se presumir um viés de sustentação ou aceleração da inflação ao consumidor em fevereiro.

Já o IGP-M, que atribui importância de 60% aos preços de atacado, possui fatores que podem contribuir tanto para uma aceleração quanto para um arrefecimento do índice. Por um lado, há a elevação dos preços internacionais do petróleo, mencionada acima, e do minério de ferro, em função de estímulos ao setor siderúrgico na China. Contudo, por outro lado, a valorização cambial expressiva durante o ano de 2022 representa custos menores aos insumos importados, que podem se refletir em preços menores no índice.
Na agenda política, espera-se para a próxima semana a retomada das discussões no Congresso acerca do Projeto de Lei (PL) 1472/21, que cria um fundo para a estabilização dos preços dos derivados do petróleo e um imposto de exportação do óleo bruto, e do Projeto de Lei Complementar (PLP) 11/20, que modifica a regra de substituição tributária do ICMS para combustíveis. Ambas as propostas seriam votadas esta semana no Senado, mas tiveram sua apreciação adiada para a próxima semana.

A decisão por postergar a votação foi conjunta dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PL-AL), e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), na busca por consenso e para se evitar uma tramitação longa e marcada por idas e vindas entre as Casas. O caminho escolhido pelo Congresso também afasta por completo a possibilidade de que as mudanças sejam implementadas por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), conforme pretendido pelo governo. No início do mês, representando o Palácio do Planalto, o deputado Christino Áureo (PP-RJ), apresentou PEC que permitiria que a União, estados e municípios reduzissem impostos sobre combustíveis e gás de cozinha entre os anos de 2022 e 2023 sem a necessidade de contrapartida para a manutenção da arrecadação tributária.

Além das medidas de estabilização dos preços dos combustíveis, é esperada para a próxima quarta-feira (23) a leitura do parecer sobre a PEC 110/19, que trata da reforma tributária, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O anúncio foi feito pelo relator, o senador Roberto Rocha (PSDB-MA), após reunião com Rodrigo Pacheco e representantes do comércio varejista nacional.

A PEC prevê a instituição de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, separando as alíquotas destinadas ao governo federal daquelas que compõem a receita tributária de estados e municípios, com cobrança eletrônica. O IVA federal substituiria a cobrança do IPI, PIS e Cofins, enquanto o IVA estadual e municipal, ficaria no lugar do ICMS e do ISS. O IVA dual é considerado uma opção mais segura pela ótica jurídica, já que evitaria questionamentos baseados na autonomia tributária dos entes federativos prevista na Constituição.

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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