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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio encerra a semana em queda,
cotado a R$ 5,017
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Real se beneficia diante de ambiente positivo no exterior
e investimentos em ativos relacionados a commodities
 
 
fatores altistas
  • Invasão russa à Ucrânia segue causando turbulências e exacerbando a volatilidade nos mercados financeiros. Habitualmente, ativos de países emergentes têm um desempenho pior em situações de aversão ao risco;

  • Falas públicas de autoridades do Federal Reserve podem provocar oscilações no mercado de moedas, em particular aquelas que defendem um aperto monetário mais agressivo a fim de controlar a inflação no país;

  • Declarações e farpas públicas de Bolsonaro contra a Petrobrás e seu presidente, Joaquim Luna e Silva, podem afastar investidores da companhia, reduzindo a entrada de recursos no país e contribuindo para o enfraquecimento do real.

 
fatores baixistas
  • Escalada dos preços das commodities está favorecendo o apetite por ativos de países exportadores de produtos primários, como o Brasil, e pode ajudar na valorização do real;

  • Ata da decisão do Copom e Relatório Trimestral de Inflação podem lançar luz sobre a trajetória da taxa básica de juros (Selic) e seu possível valor ao fim do ciclo de aumentos. Uma Selic elevada pode atrair recursos estrangeiros pelo mercado de renda fixa, atraente por conta do alto diferencial de juros que o país oferece e do menor risco envolvido comparativamente a outros ativos.

A taxa de câmbio recuou pela terceira semana seguida, encerrando a sexta-feira (18) negociada a R$ 5,017, queda de 0,7% na semana, 2,7% no mês e de 10,0% no ano. Já o dollar index terminou o pregão de sexta cotado a 98,2 pontos, variação semanal de -0,9%, mensal de +1,6% e anual de +2,7%. O dólar negociado no mercado interbancário foi beneficiado por uma semana de maior otimismo e apetite por riscos em função de pequenos avanços nas negociações diplomáticas entre Rússia e Ucrânia na busca de uma solução para o conflito entre ambas. No Brasil, o real continuou se valorizando frente ao dólar, mas em ritmo menor, em função de uma retração nos preços internacionais das commodities, sem interromper o apetite estrangeiro por ativos brasileiros relacionados a produtos primários.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

Mais uma semana se passou em que os mercados financeiros, em geral, e as commodities, em específico, oscilaram ao sabor das manchetes e da retórica referente à guerra entre Rússia e Ucrânia. Esta foi uma semana ligeiramente mais otimista em função do estabelecimento da quarta rodada de negociações diplomáticas entre as partes, o que trouxe mais manchetes positivas que negativas. Entretanto, o futuro do conflito militar segue em aberto e sem nenhum progresso significativo desde seu início. Moscou não reduziu o ritmo de ataques enquanto negocia e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou a Ucrânia de estar “tentando prolongar o processo de negociação ao trazer à mesa novas propostas irrealistas”, ao passo que o secretário de Estado americano, Anthony Blinken, afirmou que ele não vê “nenhum sinal” de que Putin esteja “disposto a parar” a guerra. Esta semana, os Estados Unidos alertaram para a possibilidade concreta da Rússia lançar um ataque com armas químicas contra os ucranianos sob um pretexto falso, ou mesmo armas nucleares caso seu exército continue atolado por semanas. As cidades ucranianas sofrem ataques indiscriminados de artilharias, mísseis e bombas, milhões de habitantes já fugiram do país, e os que permanecem sofrem uma catástrofe humanitária. Na próxima semana, os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se reúnem para cúpula em Bruxelas a fim de discutir os próximos passos em meio ao cenário incerto.

Outra preocupação que afligiu os mercados financeiros nesta semana foi a possibilidade de default (calote) no pagamento de títulos de dívida pública russa denominados em dólar em função das sanções econômicas impostas sobre o país, em especial o congelamento de ativos do Banco Central da Rússia no exterior e o desligamento da maior parte dos bancos do sistema de pagamentos SWIFT. Apesar do Ministério das Finanças ter feito o pagamento na quarta-feira, ele só foi identificado pelos bancos europeus, detentores da dívida, quase 24 horas depois, evidenciando a dificuldade que Moscou terá em honrar seus compromissos externos. Em que pese as medidas de distanciamento e mitigação de riscos adotadas pelas empresas e governos após o início da invasão, um default russo pode ter um pequeno efeito contágio no sistema financeiro.

Por fim, após o primeiro aumento da taxa de juros nos Estados Unidos em cinco anos, o tom firme do comunicado e o fato de que sete integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) sinalizaram como apropriado no mínimo um aumento de 0,50 ponto percentual ainda este ano, os agentes de mercado devem acompanhas as falas públicas dos membros do FOMC a fim de obter maiores informações sobre o grau de consenso dentro do Federal Reserve na trajetória do aperto monetário que este realizará ao longo do ano. Durante a semana, estão programados palestras e discursos de Jerome Powell, Raphael Bostic, John Williams, Loretta Mester e Mary Daly.

Cenário Doméstico

O foco da próxima semana, aqui no Brasil, será a ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu elevar a taxa básica de juros (Selic) de 10,75% para 11,75% ao ano e sinalizou novo reajuste de mesma magnitude para a próxima reunião, em maio. A ata deve trazer mais detalhes sobre a decisão em meio à deterioração das expectativas inflacionárias e de atividade econômica em âmbito global. No comunicado desta semana, a autoridade monetária afirmou que “o conflito entre Rússia e Ucrânia levou a um aperto significativo das condições financeiras e aumento da incerteza em torno do cenário econômico mundial (...). Em particular, o choque de oferta decorrente do conflito tem o potencial de exacerbar as pressões inflacionárias que já vinham se acumulando tanto em economias emergentes quanto avançadas”. Em função desse cenário mais desafiador, o Copom “considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”.

Na próxima semana, também, será divulgado o Relatório Trimestral de Inflação de março do Banco Central (BC), em que são apresentados detalhadamente os cenários e as projeções macroeconômicas em que a instituição está baseando suas decisões de política monetária. Dessa forma, o documento pode fornecer informações importantes sobre qual a taxa básica de juros final (terminal) que o BC visualiza após o término do ciclo de aumento de juros, bem como possíveis comentários sutis sobre a sanha fiscal em tempos eleitorais e seus possíveis impactos na inflação deste ano. Será interessante observar, também, como a instituição trabalhará com as previsões de longo prazo frente a este período de volatilidade e incerteza exacerbada por conta do conflito no leste europeu.

Por fim, é digno de nota mencionar o desejo do presidente da República, Jair Bolsonaro, em trocar o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, que deve permanecer no noticiário na próxima semana. Bolsonaro passou mais uma semana tecendo farpas públicas ao atual presidente da empresa estatal em função da sua insatisfação com o aumento dos preços dos combustíveis nos últimos anos. Esta semana, Bolsonaro admitiu que solicitou um adiamento de um dia no reajuste dos combustíveis, e não foi atendido, e que pode solicitar a demissão de Luna e Silva, visto que o presidente seria “o acionista majoritário” da Petrobras (na verdade, é o Estado brasileiro). Segundo o jornal O Globo, o presidente da República deve tentar repetir a estratégia que utilizou para demitir o ex-presidente da estatal, Roberto Castello Branco: não indicar Silva e Luna para o Conselho da Petrobras. Como o CEO da empresa necessita, estatutariamente, pertencer ao Conselho, cria-se uma situação que força um dos lados a ceder: ou Bolsonaro recua e indica Luna e Silva, para se atender ao estatuto, ou Luna e Silva se demite e outro presidente que esteja na lista assume a vaga. O preferido de Bolsonaro é, evidentemente, o Rodolfo Landim, ex-executivo da empresa, presidente do Flamengo e aliado de Bolsonaro.

 

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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