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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina em baixa pela quinta semana consecutiva, cotado a R$ 4,667
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Real continua sendo beneficiado pelo
forte apetite estrangeiro por ativos brasileiros
 
 
fatores altistas
  • Invasão russa à Ucrânia segue causando turbulências e exacerbando a volatilidade nos mercados financeiros, fortalecendo o dólar no cenário internacional em função de seu papel como porto-seguro em momentos de incerteza.

  • Falas públicas de autoridades do Federal Reserve podem provocar oscilações no mercado de moedas, em particular aquelas que defendem um aperto monetário mais agressivo a fim de controlar a inflação no país, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda.

  • Ata da decisão de política monetária do FOMC pode trazer mais detalhes sobre os planos de redução do balanço patrimonial do Fed e o grau de consenso em torno do aperto monetário da instituição, valorizando a divisa americana.

 
fatores baixistas
  • Escalada dos preços das commodities está favorecendo a balança comercial nacional e o apetite estrangeiro por ativos de países exportadores de produtos primários, como o Brasil, e pode ajudar na valorização do real.

  • Divulgação do IPCA de março deve vir elevado em função do reajuste de combustíveis daquele mês, reforçando as expectativas de que o Banco Central precisará aumentar os juros Selic para além da decisão de maio e atraindo investimentos para o real.

     

A taxa de câmbio recuou pela quinta semana seguida, encerrando a sexta-feira (01) negociada a R$ 4,667, variação de -1,7% na semana, e -16,3% no ano. Já o dollar index terminou o pregão de sexta cotado a 98,6 pontos, recuo de 0,2% na semana e ganho de 3,1% no ano. O dólar negociado no mercado interbancário permanece recebendo forte fluxo de divisas estrangeiras, se beneficiando da tendência de alta nos preços internacionais das commodities e do elevado diferencial de juros oferecido pela economia brasileira, enquanto o cenário internacional apresentou maior otimismo e apetite por riscos com a retomada das negociações diplomáticas entre Rússia e Ucrânia para um possível cessar-fogo ao conflito entre ambos.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

Após mais uma semana de conflito, os mercados financeiros devem continuar atentos à evolução da guerra e, principalmente, das negociações diplomáticas entre Rússia e Ucrânia. A volatilidade e o apetite por riscos foram mais favoráveis nesta semana após o início de mais uma rodada presencial na Ankara, intermediada pela Turquia, porém, como suas antecessoras, ainda há poucos resultados concretos. Algumas autoridades encaram com ceticismo a disposição de Moscou para buscar uma saída diplomática, após o Kremlin repetidamente descumprir a própria palavra. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou nesta semana “o povo ucraniano não é inocente” e que “a única coisa que podemos confiar é em um resultado concreto”, enquanto o secretário de Estado americano, Anthony Blinken, declarou a jornalistas que Washington não vê “sinais de uma real seriedade” por parte da diplomacia russa na busca de uma solução pacífica e o líder da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Jens Stoltenberg, disse que Moscou “tem mentido repetidamente sobre suas intenções”. Apesar da Rússia afirmar que irá redirecionar seus esforços para a região de Donbas, ou dizer que negocia de boa-fé em busca da paz, o futuro do conflito continua incerto e provavelmente ainda trará muita volatilidade aos mercados financeiros.

O resultado imediato da guerra para a maior parte das economias globais foi a rápida elevação das matérias-primas, em especial as energéticas, que deve pressionar os já elevados índices de preços desses países. Nos Estados Unidos, em particular, há uma expectativa de piora na inflação para os próximos meses, o que deve pressionar o Federal Reserve a ser mais agressivo em seu aperto monetário, iniciado na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).

Medidas de inflação para os Estados Unidos (acumuladas em 12 meses)
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Fonte: Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.

Desta forma, será importante analisar a ata da decisão de política monetária do FOMC de março, que será divulgada na próxima quarta-feira (06). Por exemplo, busca-se saber mais detalhes sobre o debate a respeito dos planos para a redução (venda) dos ativos de seu balanço patrimonial, como qual seria o prazo para seu início e se há um teto para essa queda mensal de ativos. A redução do balanço patrimonial é um instrumento auxiliar importante para diminuir a liquidez da economia e contribuir para a busca pela estabilização de preços. Além disso, a imprensa deu bastante destaque sobre a opinião dos integrantes do FOMC a respeito da possibilidade de o Comitê realizar ajustes na taxa de juros acima de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros dos Estados Unidos, a federal funds rate, e a ata pode trazer informações sobre quão restritiva poderá ser a política monetária daqui para frente e o nível geral de preocupação com inflação.

Por essa razão, as atenções também devem continuar sobre as declarações públicas dos membros do Federal Reserve (Fed) à medida que analistas tentam aferir qual o grau de apoio para um ou mais reajustes de 0,50 ponto percentual. Nesta semana, estão agendadas falas públicas de Lael Brainard, James Bullard, Patrick Harker e Raphael Bostic. Habitualmente, os reajustes são feitos a um ritmo de 0,25 p.p., porém a aceleração de preços pela qual passa o país é a maior em quatro décadas, com a perspectiva de piorar (aumentar) no curto prazo em função da valorização dos preços internacionais das commodities agrícolas, metálicas e energéticas, com poucas exceções. Essa alta nos preços de tantos produtos simultaneamente deve encarecer as cadeias produtivas de diversos segmentos de bens e serviços, que, em maior ou menor medida, serão repassados aos preços ao consumidor e podem elevar o patamar inflacionário. Desta forma, as autoridades que integram o Fed estão frequentemente assumindo posicionamentos mais firmes na defesa de uma política monetária rígida que persiga a estabilização de preços.

Por fim, investidores também acompanharão notícias sobre a onda de Covid-19 pela qual passa a China e as medidas de contenção que são implantadas. Shaghai permanece em confinamento até a próxima terça-feira (05), sobrecarregando a cadeia logística do polo industrial do país e local do maior terminal portuário do mundo. Embora o porto se mantenha em operação, as empresas e os galpões de carga foram obrigados a fechar durante o confinamento, provocando atrasos e prejudicando as operações portuárias.

Cenário Doméstico

O foco da próxima semana deve ser, novamente, o forte apetite estrangeiro por ativos brasileiros, que se sustenta desde o fim de janeiro em meio a um panorama geral de valorização dos preços internacionais das commodities alimentícias, metálicas e energéticas. Como resultado, o Índice Thomson Reuters / CoreCommodity CRB Total Return acumulou alta de 27,1% no primeiro trimestre, e o Índice Bloomberg Commodity Index acumulou aumento de 25,5% no mesmo período. Nesse contexto, a diversificada capacidade exportadora de produtos primários expande o valor das exportações brasileiras e aumenta a entrada de divisas pela conta comercial. Semana passada, o Banco Central revisou a estimativa para o superávit comercial brasileiro deste ano de US$ 52 bilhões para US$ 83 bilhões. Hoje, foi a vez do Ministério da Economia revisar a sua expectativa para o saldo comercial do ano de US$ 79,4 bilhões para US$ 111,6 bilhões. Em 2021, o Brasil teve o maior superávit da série histórica iniciada em 1989, no valor de US$ 61,2 bilhões.

Além disso, a baixa exposição, em termos relativos, aos riscos que o conflito russo-ucraniano oferece e o baixo preço dos ativos brasileiros em termos de moeda estrangeira têm atraído recursos estrangeiros pela conta financeira. É possível vislumbrar esta entrada de capitais através do mercado à vista de ações da B3, cuja entrada líquida de recursos estrangeiros se aproxima de R$ 90 bilhões em 2022, maior valor em três meses desde 1994, início da série histórica. O saldo de investimentos é R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro, de R$ 30,129 bilhões em fevereiro e de R$ 28,506 bilhões até o dia 30 de março.

Saldo do fluxo de capitais estrangeiros na B3 – até 30/03 (R$ bilhões):
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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Além do efeito das commodities, o país também atrai capitais externos pelo seu elevado patamar de juros. Enfrentando uma rápida aceleração inflacionária, o Banco Central do Brasil realiza um intenso processo de aperto monetário que reajustou a taxa básica de juros (Selic) de 2,0% a.a. para 11,75% a.a. em um intervalo de doze meses apenas (e que deve ser elevada para 12,75% a.a. em maio). Hoje, a taxa real de juros – diferença entre a taxa nominal de juros menos a inflação – no Brasil só é menor que a da Rússia, país que enfrenta dificuldades em atrair investidores estrangeiros. Este amplo diferencial de juros brasileiro auxilia a atrair investidores que buscam estratégias de “carry trade” – tomar financiamento em um país de juro baixo para aplicar em um país de juro elevado.

A tendência de entrada desses recursos estrangeiros deve permanecer nas próximas semanas, visto que o conflito entre Rússia e Ucrânia não aparenta estar próximo de uma solução, mantendo-se, portanto, a pressão sobre os preços de commodities, e o ciclo de alta na taxa básica de juros (Selic) se manterá, no mínimo, até maio, de acordo com o Banco Central (BC).

Na próxima sexta-feira, haverá a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de março. Em função do reajuste de combustíveis realizado pela Petrobras em 11 de março, a expectativa é de que o índice registre aceleração superior a 1,10%. As leituras deste mês de indicadores como IPCA-15, IGP-M e IPC-S todas superaram as estimativas de analistas. Ainda assim, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reforçou em múltiplas falas que a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio, deve ser o último reajuste para a taxa Selic neste ano, elevando-a de 11,75% para 12,75% ao ano.

É digno de nota, por fim, que diversas publicações do BC não foram divulgadas nesta semana, sem aviso prévio, por conta de greve dos servidores da autarquia, como o fluxo cambial, as estatísticas fiscais, monetárias e de crédito e do setor externo. É provável que isso vá ocorrer novamente com outras publicações enquanto perdurar a greve.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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