
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Decisão de política monetária nos Estados Unidos deve consolidar as expectativas de um aperto veloz e rígido no país, redirecionando os fluxos de investimentos para o dólar e fortalecendo ainda mais a moeda americana;
Invasão russa à Ucrânia prossegue em sua oitava semana, causando turbulências e exacerbando a volatilidade nos mercados financeiros, o que fortalece o dólar no cenário internacional em função de seu papel como porto-seguro em momentos de incerteza;
Crise entre os Poderes da República e aumento dos gastos públicos elevam a percepção de riscos fiscais e políticos associados ao brasil, o que pode resultar em maiores exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e desvalorizando a taxa de câmbio.
Aumento da taxa básica de juros (Selic) deve ampliar o diferencial de taxa de juros oferecido pelo Brasil, auxiliando a atrair investimentos para o mercado de títulos brasileiros;
Possibilidade de novas sanções ao petróleo russo pela União Europeia pode provocar novas altas nos preços internacionais de commodities, o que, indiretamente, beneficia as exportações brasileiras de produtos básicos e ajuda a atrair investimentos para o setor.

Cenário Externo
O foco da próxima semana será a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed). Há quase consenso entre analistas de que o FOMC deve elevar as taxas de juros em 0,50 p.p., levando-a para uma faixa entre 0,75% e 1,00% ao ano. Seria o primeiro aumento de meio ponto percentual desde maio de 2000, refletindo a urgência do Fed em atingir uma neutralidade na política monetária americana ainda este ano. O comunicado e a entrevista coletiva após a decisão serão fundamentais para se aferir o nível de rigor com que a autarquia atuará em suas próximas decisões. Embora o mercado de juros aposte como muito provável um aumento de 0,75 p.p. na decisão de junho, algo não visto desde novembro de 1994., este movimento poderia causar choques no mercado financeiro e, por esse motivo, não há consenso se ele seria adotado pelo FOMC. É razoável supor, também, que o Fed anunciará formalmente o início da redução do balanço patrimonial do banco central estadunidense. De acordo com a ata da última decisão do FOMC, seus integrantes “concorda[ram] de forma geral” que uma redução máxima de US$ 95 bilhões ao mês, por um período de três meses, em ativos de seu balanço patrimonial “seria apropriado”, dividido em US$ 60 bilhões mensais em títulos do Tesouro americano e US$ 35 bilhões mensais em títulos atrelados a hipotecas.
Na próxima semana, também, serão divulgados dados para o mercado de trabalho nos Estados Unidos, a saber, o Relatório da Situação de Emprego de abril, que informa o número de novas ocupações e a taxa de desemprego oficial, e o relatório de vagas e turnovers de março, que indica quantas vagas de emprego estavam disponíveis. Estes informes devem mostrar que a contratação de novos empregos continua acelerada, com a taxa de desemprego se mantendo muito baixa e a remuneração média por hora trabalhada se acelerando, tal como nos meses anteriores.
O conflito no leste europeu também pode afetar os mercados financeiros na próxima semana, após os russos terem interrompido o fornecimento de gás natural para a Polônia e a Bulgária nesta semana em resposta à rejeição desses países da demanda de realizar o pagamento em rublos. A Polônia importa 90% de seu gás natural da Rússia e a Bulgária, 76%. Os líderes europeus denunciaram a atitude de Moscou como “chantagem” política e econômica, e insistem que os termos comerciais e legais estão sendo observados. O Kremlin passou a exigir o pagamento em rublos como forma de se proteger de possíveis sanções no futuro, ao passo que a União Europeia (UE) acusa a Rússia de desrespeitar os termos dos contratos vigentes. Há reportagens de imprensa indicando que a EU prepara novas sanções em retaliação a Moscou, proibindo a importação de petróleo russo, o que deve causar novos choques ao preço dessa commodity e pressionar ainda mais os índices de preços mundo afora.
No front de batalha, a proximidade do feriado do “dia da vitória” da Rússia, em 09 de maio, tem motivado uma escalada do tom utilizado pelos russos. O Kremlin continua a usar a ameaça de ataque nuclear em sua retórica beligerante. Nesta semana, a Rússia voltou a realizar ataques aéreos com mísseis balísticos ao longo do território ucraniano, buscando comprometer a infraestrutura logística de Kiyv e reduzir seu rearmamento de tropas nas frentes de batalha ao leste. Contudo, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, denunciou que três ataques foram “suspeitosamente próximos” a três usinas nucleares do país, o que poderia ser uma ameaça em si por Moscou. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, por sua vez, reforçou que “o perigo [de uma guerra nuclear] é sério, real. E não devemos subestimá-lo”. Há uma preocupação, ainda, de que os invasores russos possam avançar em direção à Moldova, situada ao oeste ucraniano, em uma tentativa de unir territorialmente a região de Donbas, Crimea e com a região separatista de Transnistria.
Por fim, é importante destacar que a política de tolerância zero com a Covid-19 na China está agravando os desequilíbrios nas cadeias de suprimento e de produção globais. Uma análise feita pelo banco Nomura estimou que 46 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total em 25 de abril, afetando um total de 343 milhões de pessoas, incluindo o isolamento de mais de um mês de Xangai. A cidade é a mais populosa da China, lar do maior porto em volume de contêineres do mundo e um importante polo industrial e financeiro. Embora o porto permaneça teoricamente em operação, os atrasos estão se acumulando em função do isolamento forçado de caminhoneiros, de armazéns de carga e de funcionários portuários, de forma que as mercadorias mal podem chegar ou sair do porto. Aproximadamente um terço de todos os navios de transporte de contêineres do mundo – cerca de 600 deles – estão parados no porto de Xangai ou próximos a ele. Na quinta, Pequim determinou o fechamento de escolas e alguns espaços públicos em uma tentativa de evitar que a capital do país sofra outro confinamento rígido tal como Xangai. Além disso, quase todos os seus 22 milhões de habitantes participaram de uma testagem em massa para identificar e isolar apenas áreas (distritos) com a presença do vírus. A rigidez do tratamento chinês ao coronavírus continua trazendo custos crescentes e benefícios diminutos.
Cenário Doméstico
O foco da próxima semana no cenário doméstico também será a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Embora o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, tenha mencionado em entrevistas que deseja que esta decisão seja o último aumento da taxa básica de juros (Selic), de 11,75% ao ano para 12,75% ao ano, analistas de mercado apostam que a aceleração de preços, que ainda se encontra muito elevada, persistente e disseminada, vá forçar a autoridade monetária a realizar outro ajuste em junho para 13,25% ao ano. Nesse sentido, o comunicado do Copom deverá auxiliar no alinhamento das expectativas de mercado a esse respeito.
Nesta semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA-15 passou de 0,95%, em março, para 1,73%, em abril. Considerado uma “prévia” da inflação oficial, este foi o maior resultado para o indicador em um mês de abril desde 1995. Em 2022, o IPCA-15 acumula alta de 4,31% e, em 12 meses, de 12,03%. Como nos meses anteriores, este resultado foi influenciado, principalmente, pela alta em transportes (+3,43% no mês) e alimentação (+2,25%), embora a aceleração de preços seja disseminada – oito dos nove subgrupos apresentaram aumento. No mês de abril, diesel se elevou em 13,11%, gasolina em 7,51%, etanol em 6,60% e gás veicular em 2,28%. Além disso, chamou a atenção o reajuste de 8,09% do gás de botijão.

Os riscos fiscais e políticos também se intensificam no país. Por um lado, o presidente da República, Jair Bolsonaro, passou a semana defendendo sua “graça constitucional” ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), que havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de coação no curso do processo e atentado ao Estado Democrático de Direito. O líder do Executivo também voltou a fazer críticas a juízes do Supremo e do Tribunal Superior Eleitoral. O Congresso Nacional também se movimentou para apoiar Silveira e o nomeou para a vice-presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Legislativo.
Já o Ministério da Economia anunciou ao longo da semana uma ampliação do corte o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 25% para 35%, além de um novo programa de financiamentos, o Programa Crédito Brasil Empreendedor. O subsídio do IPI deve ter impacto de R$ 15,2 bilhões apenas no Orçamento de 2022, ao passo que o Programa Crédito Brasil Empreendedor deve ter custo total de R$ 100 bilhões. Desde o fim do ano passado, quando o Planalto aprovou duas emendas constitucionais desobrigando o pagamento integral das dívidas judiciais do governo e aumentando o limite constitucional de gastos, o Executivo está empenhado em aprovar uma série de medidas de incentivos destinadas a impulsionar a candidatura do presidente da República à reeleição, como o aumento do benefício médio do Auxílio Brasil, a ampliação das emendas parlamentares, o reajustes ao funcionalismo e diversos benefícios tributários.
A percepção de riscos fiscais e políticos maiores podem aumentar a exigência de prêmios de risco por parte dos investidores estrangeiros, o que pode resultar em menor entrada de capitais externos no país e, por consequência, pressionar uma desvalorização do real.
Por fim, é digno de nota que os servidores do Banco Central decidiram retomar seu movimento de greve a partir de 03 de maio após a autarquia não apresentar contraproposta aos funcionários da instituição e afirmar que sequer o aumento de 5% a todas as carreiras do funcionalismo foi “oficializado” pelo presidente Bolsonaro, ainda dependendo de aprovação. A greve dos servidores da autoridade monetária estava suspensa desde o dia 19 de abril, quando os funcionários resolveram dar um voto de confiança a Roberto Campos Neto, presidente do BC, na busca “por uma proposta ainda melhor para os analistas e técnicos”. Desde então, eles vinham atuando em operação-padrão e fazendo paralisações diárias, das 14h às 18h.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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