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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina a semana em queda,
cotado a R$ 4,871
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Semana foi marcada por receios de estagflação
e queda do dólar no cenário internacional
fatores altistas
  • Divulgação da ata do FOMC e falas públicas de autoridades do Fed devem reforçar a urgência do banco central americano em controlar a inflação no país através de um veloz e intenso aperto monetário, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda;

  • Insistência da China com políticas de tolerância zero contra a Covid-19 ameaçam tanto piorar o suprimento de cadeias logísticas como desacelerar o crescimento econômico globais, o que poderia afetar negativamente as exportações brasileiras para seu principal parceiro comercial;

  • Crise entre os Poderes da República e aumento dos gastos públicos elevam a percepção de riscos fiscais e políticos associados ao brasil, o que pode resultar em maiores exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e desvalorizando a taxa de câmbio.

fatores baixistas
  • Receios de que a disseminação inflacionária e a desaceleração econômica possam ser mais intensas que o antecipado podem motivar uma realocação das carteiras de investimento, evitando-se, especialmente, os Estados Unidos e buscando, dentre outros, ativos relacionados à commodities;

  • Possibilidade de retaliações russas ao fornecimento de gás natural para a Europa pode provocar novas altas nos preços internacionais de commodities, o que, indiretamente, beneficia as exportações brasileiras de produtos básicos e ajuda a atrair investimentos para o setor;

  • Queda pontual do IPCA-15 e possível votação de limite ao ICMS em combustíveis e energia podem melhorar a avaliação de rentabilidade real dos títulos brasileiros e contribuir no fortalecimento do real

O dólar negociado no mercado interbancário teve forte queda nesta semana e encerrou a sexta-feira (20) negociado a R$ 4,871, recuo de 3,7% na semana, 1,5% no mês e de 12,6% no ano. O Dollar Index deu uma pausa ao seu fortalecimento notável após seis semanas de altas seguidas, terminando o pregão desta sexta cotado a 103,1 pontos, variação de -1,5% na semana e se estabilizando no mês. Ainda assim, o índice acumula ganho de 7,9% no ano. A semana foi marcada por receios crescentes de que a redução do crescimento econômico e a aceleração inflacionária serão maiores que o antecipado e podem lançar o mundo em uma recessão. O movimento foi intensificado por divulgação de resultados de empresas varejistas americanas muito abaixo do esperado, o que motivou um fluxo de saída de investimentos dos Estados Unidos, em geral, e do mercado acionário, em particular, beneficiando mercados europeus, commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como o Brasil.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

Na próxima semana, o foco das atenções deve ser a ata da decisão de política monetária de maio do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), a ser publicada na próxima quarta (25). O documento deve reafirmar o comprometimento do banco central americano em reduzir as taxas de inflação no país, priorizando a estabilização de preços sobre a atividade econômica ou mesmo sobre a geração de empregos. Será importante observar se a ata inclui detalhes sobre qual é o nível de taxa de juros esperada ao final do aperto monetário e sobre o ritmo necessário para essa contração. Nestas últimas duas semanas, diversas autoridades do Comitê se posicionaram a favor de subir a taxa de juros para seu “nível neutro” até o final deste ano, o que incluiria “múltiplos” aumentos de 0,50 ponto percentual. Além disso, todas frisaram a disposição de agir mais agressivamente caso a aceleração de preços continue se disseminando ou se intensificando. Estão programados para se pronunciarem na próxima semana o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, a vice-presidenta do Fed, Lael Brainard, a presidenta do Fed de Kansas City, Esther George, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, e o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic.

Na próxima semana, também, será divulgado o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), que é o indicador de inflação mais utilizado pelo Fed para acompanhar preços ao consumidor. A mediana das expectativas aponta para um crescimento de 0,3% em abril, uma queda em relação ao mês de março (+0,9%) em função de uma desaceleração pontual dos setores de saúde e de serviços financeiros. Desta forma, o recuo do indicador não deve ser interpretado por analistas como um sinal de que as pressões inflacionárias estão menores e provavelmente terá pouco peso no processo de aperto monetário do Federal Reserve. Além disso, a divulgação de dados preliminares do Índice Gerente de Compras (PMI) para o país deve fornecer mais dados sobre as pressões de custos, gargalos logísticos e resiliência da demanda para os negócios do país.

Na guerra entre Rússia e Ucrânia, mais uma semana se passa com pouca alteração no cenário de guerra, e sem um fim em vista. As tropas ucranianas foram exitosas em alguns contra-ataques ao norte, na cidade de Kharviv, e os russos obtiveram pequenos avanços ao leste, na região de Donbas, próximos às cidades de Rubijne e Popasna. A guerra continua sendo de intensa artilharia e bombardeio russo, dizimando a infraestrutura civil e militar ucraniana, ao passo que Kiyv segue em compasso de defesa e contra-ataque. O maior avanço da semana foi a rendição dos combatentes de Mariupol, escondidos na metalúrgica de Azovstal, após 82 dias de resistência. Suécia e Finlândia concretizaram seus pedidos de entrada à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e, até o momento, Moscou não retaliou a medida de forma significativa, seja militarmente ou economicamente.

Por fim, é digno de nota que uma análise feita pelo banco Nomura em 16 de maio estimou que 38 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total, afetando um total de 271 milhões de pessoas. Isso corresponde a, aproximadamente, 20% da população chinesa e 27% do Produto Interno Bruto chinês. Em Xangai, as restrições estão sendo lentamente reduzidas, após a cidade passar cinco dias sem novos casos de coronavírus registrados fora da zona de quarentena. Em outras cidades que passaram por isolamento, três dias sem novos casos foi uma meta extraoficial utilizada por autoridades antes de se encerrar o estado de quarentena. A capital, Pequim, caminha em sentido oposto, com restrições sendo lentamente elevadas, mas ainda sem o status de “lockdown” total. As medidas estão sendo administradas divididas por distritos e apenas os setores essenciais estão operando livremente.

Cenário Doméstico

A próxima semana deve ser, uma vez mais, vazia de indicadores, em função da continuidade da greve dos servidores do Banco Central (BC). Após a tentativa frustrada pela diretoria do BC de propor reajuste salarial de 22% e retirar a proposta no mesmo dia, os servidores do Tesouro Nacional decidiram entrar em greve a partir da próxima segunda (23) e 70% daqueles que pertenciam a cargos comissionados solicitaram exoneração. Diversas estatísticas seguem sem atualização, como estatísticas fiscais, monetárias e de crédito, do setor externo, dados semanais de fluxo cambial, índices de commodities e até o boletim Focus. O vácuo de informações agrava a capacidade de interpretação dos movimentos econômicos em tempo real.

Nesta semana, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) afirmou que o Executivo iria promover cortes de despesa de R$ 17 bilhões a fim de financiar um reajuste linear de 5% aos servidores federais, sem especificar quais áreas seriam afetadas pelo corte. Contudo, na divulgação de seu Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, o Ministério da Economia tornou a afirmar que “não está batido o martelo” sobre qualquer reajuste e não realizou nenhuma provisão no Orçamento para reajustes. Houve um bloqueio de R$ 9,9 bilhões para cumprir o teto de gastos, mas ele resultou da previsão de aumentos dos gastos primários. Há meses que o Planalto promete o reajuste de 5% para o funcionalismo público, mas, até o momento, não há formalização da proposta ao Congresso Nacional.

Será importante acompanhar, também, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de maio. O indicador deve apresentar um arrefecimento, após atingir alta de 12,03% no acumulado em 12 meses em abril, devido à alteração da bandeira tarifária de energia elétrica de Escassez Hídrica para Verde. Ainda assim, sabe-se que a queda deve ser pontual e que é preciso observar, também, as demais categorias – em abril, quase 80% dos 377 produtos que compõem o IPCA-15 apresentaram aumento. A expectativa do Banco Central é de que exista uma defasagem entre o aperto monetário realizado desde março do ano passado e seus efeitos sobre os preços, de forma que não seja necessário um aperto muito maior à taxa básica de juros (Selic). Ainda assim, o mercado futuro de juros precificava hoje (20) 97% de chance de um reajuste de 0,50 ponto percentual na Selic em junho, de 12,75% para 13,25%.

Por fim, na próxima semana pode ser votado um Projeto de Lei que tornaria “bens essenciais” as categorias de combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transportes, impondo uma alíquota máxima de 17% sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) desses produtos. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) declarou que pautará o projeto na próxima terça (24), em uma tentativa de reduzir o preço desses bens e serviços e, assim, conter a pressão sobre os índices de inflação. Essa proposta deve contar com forte resistência dos Estados e seus governadores, cuja receita tributária seria reduzida com o projeto, além de possíveis questionamentos de constitucionalidade, visto que, em teoria, cabe aos Estados definir a atribuição de essencialidade na aplicação do ICMS.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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