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Resumo Semanal de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio termina a semana em queda,
cotado a R$ 4,738
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Semana foi marcada por retomada do apetite por riscos dos investidores
e fuga do dólar no mercado internacional
fatores altistas
  • Indicadores de mercado de trabalho americano podem mostrar que a atividade econômica no mês de maio permaneceu aquecida e que uma possível desaceleração econômica ainda não se instalou, atraindo investimentos para o dólar;

  • Falas públicas de autoridades do Fed devem reforçar a urgência do banco central americano em controlar a inflação no país através de um veloz e intenso aperto monetário, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda;

  • Crise entre os Poderes da República e farpas públicas com a Petrobras elevam a percepção de riscos fiscais e políticos associados ao brasil, o que pode resultar em maiores exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e desvalorizando a taxa de câmbio.

fatores baixistas
  • Receios de que a disseminação inflacionária e a desaceleração econômica possam ser mais intensas que o antecipado podem motivar uma realocação das carteiras de investimento, evitando-se, especialmente, os Estados Unidos e buscando, dentre outros, ativos relacionados à commodities;

  • Possibilidade que o PIB do 1º trimestre para o Brasil surpreenda positivamente pode atrair investimentos externos para o país e contribuir com o fortalecimento do real;

  • Melhora progressiva da disseminação de Covid-19 na China permite uma redução progressiva de isolamentos em efeito há semanas, aumento a expectativa de recuperação na produção, nas cadeias logísticas e na retomada da demanda chinesa, o que poderia afetar positivamente as exportações brasileiras para seu principal parceiro comercial.

O dólar negociado no mercado interbancário engatou sua terceira semana de queda consecutiva e encerrou a sessão desta sexta-feira (27) negociado a R$ 4,738, recuo de 2,7% na semana, 4,1% no mês e de 15,0% no ano. Já o dollar index prolongou sua tendência de desvalorização e terminou o pregão desta sexta cotado a 101,7 pontos, variação de -1,4% na semana, de -1,2% no mês, porém ainda com ganho de 6,4% no ano. A semana foi marcada pela recuperação do apetite por riscos dos investidores internacionais, que continuaram a vender posições denominadas em dólar e investir em ativos europeus, índices acionários, commodities e moedas de economias emergentes. No Brasil, os temas políticos dominaram o noticiário após o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), substituir, mais uma vez, o presidente da Petrobras e a Câmara dos Deputados aprovar um projeto de lei que limita em 17% o imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços (ICMS) de combustíveis, energia elétrica, transporte público e telecomunicações.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Cenário Externo

Na próxima semana, o foco das atenções deve ser sobre as condições do mercado de trabalho nos Estados Unidos em meio a preocupações quanto à possibilidade de uma desaceleração da atividade econômica no país. Os Índices Gerentes de Compras (PMI) de maio do instituto ISM para indústria e serviços devem moderar suas taxas de expansão, em linha com outros indicadores de alta frequência de atividade empresarial. O Relatório de Situação de Emprego de maio também deve indicar uma geração líquida de empregos menor que os meses anteriores e uma provável estabilização da taxa de desemprego, atualmente em 3,6% da força de trabalho. Já a remuneração média da hora trabalhada deve arrefecer levemente, de 5,5% em abril para 5,2% em maio. De toda forma, essa moderação nos indicadores devem ser suaves e não causar preocupações excessivas sobre estagnação – ainda. Alguns indicadores recentes de produção e demanda surpreenderam negativamente.

A próxima semana também será a última para autoridades do Federal Reserve antes do período de silêncio obrigatório exigido para a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de 14 e 15 de junho. Nesta semana, a ata da decisão de política monetária de 04 de maio do FOMC indicou que seus integrantes apoiam mais dois aumentos de 0,50 ponto percentual para a taxa de juros nas próximas duas reuniões e sugeriu que, nesse ponto, seria apropriado uma reavaliação da conjuntura econômica para decidir qual a melhor trajetória para o aperto financeiro em curso. Estão programados para se pronunciarem na próxima semana o presidente do Fed de New York, John Williams, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, e a presidenta do Fed de Cleveland, Loretta Mester.

Na guerra entre Rússia e Ucrânia, esta semana, infelizmente, apresentou desdobramentos importantes e que causam preocupação. O Ministério da Defesa ucraniano classifica esta como a fase de “máxima intensidade” na guerra até aqui, com o exército russo ganhando bastante terreno na região de Donbas, particularmente no “caldeirão” composto pelas cidades de Lyman, Serevodonetsk, Popasna e Lysychansk. Além disso, em 24 de maio, o Estado Maior ucraniano alertou que Moscou moveu uma divisão de mísseis Iskander-M, que possuem a capacidade de transportar cargas tradicionais e nucleares, para a região de Brest, na fronteira entre Polônia e Belarus. Estes mísseis balísticos possuem um (curto) alcance entre 400 e 500 quilômetros, o que colocam todo o centro e o norte da Ucrânia em perigo, dependendo de onde forem posicionados no país. O conflito parece destinado a uma longa guerra prolongada, com ameaças crescentes de uso de armamento militar pela Rússia e sem um fim próximo à vista.

Raio de 400km ao redor da cidade de Brest, na Belarus
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Fonte: Google Maps. Elaboração: StoneX.

Por fim, é digno de nota que uma análise feita pelo banco Nomura em 23 de maio estimou que 26 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total, afetando um total de 208 milhões de pessoas. A análise destaca que é a primeira semana com uma grande queda no número de pessoas isoladas (-25%). Contudo, isso ainda corresponde a, aproximadamente, 14,8% da população chinesa e 20,5% do Produto Interno Bruto chinês. Em Xangai, as restrições estão sendo lentamente reduzidas, porém aproximadamente um milhão de residentes (de um total de 25 milhões) ainda estão confinados em suas residências. As autoridades municipais prometeram abrir a cidade até o dia 01 de junho, mas não está claro qual será o grau dessa abertura, visto que alguns casos voltaram a ser registrados. A capital, Pequim, caminha em sentido oposto, com restrições sendo lentamente elevadas, mas ainda sem o status de “lockdown” total. As medidas estão sendo administradas divididas por distritos e apenas os setores essenciais estão operando livremente.

Cenário Doméstico

O foco da próxima semana deve ser a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira (02). Indicadores de alta frequência de atividade econômica, como volume de produção industrial, de serviços e vendas de varejo, apresentaram crescimento nos meses de fevereiro e março, então há uma expectativa de crescimento ao redor de 1,0% para o PIB trimestral. Contudo, caso o indicador surpreenda – positivamente ou negativamente –, investidores poderão reagir e oscilar seus níveis de investimento para o país.

Além disso, a próxima semana trará outros medidores importantes para a conjuntura econômica brasileira. Na terça-feira (31), o OBGE publicará dados do mercado de trabalho para o mês de abril, incluindo a taxa de desemprego e a renda média do trabalho, referências importantes para a capacidade de demanda. Além disso, serão atualizados o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) e o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe), ambos para o mês de maio, permitindo uma leitura mais recente sobre as pressões inflacionárias no cenário doméstico. Por fim, a S&P Global divulgará o Índice Gerente de Compras (PMI) para indústria, serviços e consolidado. Em geral, há uma expectativa de arrefecimento para estes indicadores.

Será importante observar, também, a notícia de que a equipe econômica do governo federal pretende enviar decreto ao Congresso Nacional estipulando um corte no Orçamento de 2022 para solicitar um reajuste salarial linear de 5% a todos os servidores federais. De acordo com reportagens de imprensa, o Palácio do Planalto irá reduzir R$ 14 bilhões no Orçamento das áreas de educação, saúde e defesa para financiar o aumento do salário do funcionalismo federal e acomodar a elevação de outras despesas obrigatórias. Prometido em março pelo presidente Bolsonaro, até o momento o reajuste aos servidores não foi formalizado. Funcionários do Banco Central e do Tesouro Nacional se encontram em greve em busca de melhorias em suas condições de trabalho.

Por fim, vale notar que, nesta semana, foi aprovado pela Câmara dos Deputados o projeto de lei que classifica como “setores essenciais e indispensáveis” combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo, limitando a alíquota do ICMS – um tributo estadual – a um máximo de 17%. O texto também estabelece que haverá até 31 de dezembro deste ano uma compensação paga pelo governo federal aos Estados pela perda de arrecadação, por meio de descontos em parcelas de dívidas refinanciadas pelos entes juntos à União. Agora, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), irá debater com os líderes de bancada se o projeto passará por debates nas comissões permanentes da Casa ou será votado diretamente em Plenário. O Congresso já havia aprovado outro projeto de lei que alterava a alíquota de ICMS sobre combustíveis, desta vez para valores fixos, em março deste ano.

 

 
tabela de indicadores
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
 
  • Moedas

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