
Panorama Semanal de Câmbio
Dólar deve refletir dados econômicos nos EUA, ata do Copom, inflação no Brasil e Oriente Médio

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Falas públicas de autoridades do Federal Reserve podem provocar oscilações no mercado de moedas, em particular aquelas que defendem um aperto monetário mais agressivo a fim de controlar a inflação no país, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda.
Busca do governo Bolsonaro para melhorar sua popularidade através de projetos que aumentam gastos, reduzem a arrecadação e não respeitam o teto de gastos podem elevar a percepção de riscos fiscais e políticos associados ao brasil, o que resulta em maiores exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e desvalorizando a taxa de câmbio.
Redução das exportações russas de gás natural para a Europa mantém elevados os preços internacionais de commodities energéticas, o que, prejudica o resultado financeiro de importadores de combustíveis no Brasil e da própria Petrobras, pressionando por novos reajustes domésticos.
Ata da decisão de política monetária do Copom pode reforçar o compromisso do Banco Central com a estabilização de preços e auxiliar a atrair investimentos para o mercado de títulos brasileiros.
Melhora progressiva da disseminação de Covid-19 na China permite uma redução progressiva de isolamentos em efeito há semanas, aumento a expectativa de recuperação na produção, nas cadeias logísticas e na retomada da demanda chinesa, o que poderia afetar positivamente as exportações brasileiras para seu principal parceiro comercial.
Queda pontual do IPCA-15 pode melhorar a avaliação de rentabilidade real dos títulos brasileiros e contribuir no fortalecimento do real.
Continuidade do conflito russo-ucraniano mantém a pressão sobre os preços de commodities alimentícias, metálicas e energéticas, o que, indiretamente, beneficia as exportações brasileiras.

Cenário Externo
O foco das atenções na próxima semana deve ser o depoimento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Congresso americano, como parte de sua rotina de prestação de contas semestrais. Suas falas, e as cobranças feitas pelos legisladores americanos, devem se concentrar na necessidade urgente de se reduzir a taxa de inflação e aliviar o pesado fardo carregado pelas famílias estadunidenses. Esta semana, o Fed adotar o maior reajuste nos juros desde 1994, Powell se disse “agudamente focado” em retornar os níveis de preço para sua meta de 2%. Contudo, tal decisão provocou intensa volatilidade nos mercados financeiros, que temem que o aperto monetário a ser realizado pelo banco central americano pode provocar uma recessão econômica em um futuro próximo. Hoje (17), o mercado futuro de juros aposta majoritariamente que os juros estarão em um patamar entre 3,50% e 3,75% ao final de 2022, o que representa 2,0 pontos percentuais de aumento em quatro decisões. Os discursos de outras autoridades do Federal Reserve também devem ganhar destaque na mídia. Estão programados para se pronunciarem na próxima semana a presidenta do Fed de Cleveland, Loretta Mester, o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, e o presidente do Fed de Philadelphia, Patrick Harker.
A próxima semana será relativamente escassa em indicadores econômicos, porém pode haver um peso maior que o comum para os dados preliminares do Índice Gerente de Compras (PMI) dos EUA para indústria, serviços e consolidado, que serão divulgados na quinta-feira. Em função das preocupações intensas, e reações exacerbadas, dos mercados financeiros face à possibilidade de uma desaceleração econômica em breve, os PMIs prévios podem ajudar a compreender a situação atual da atividade produtiva nos Estados Unidos.
É importante destacar, também, que guerra entre Rússia e Ucrânia continua se rumando para se tornar um conflito longo e de atrito, com poucos avanços significativos e exaustão significativa de recursos bélicos para ambos os lados. As tropas russas continuam centrando esforços, e avançando a uma lenta taxa, no Donbas, ao leste da Ucrânia. Moscou domina praticamente todo o território de Luhansk e agora procuram ganhar terreno em Donetsk. Líderes militares ucranianos afirmaram que os russos estão lutando com tropas de tamanho menor que o de um batalhão típico, de forma cada vez mais improvisada (“ad hoc”) e avançando em nove frentes simultâneas. Enquanto isso, os ucranianos têm tido mais sucesso em seus contra-ataques na região de fronteira próximo a Kharviv, no norte, e próximo a Kherson, na região sul.
Com a continuidade do conflito, a pressão sobre a oferta de diversas commodities alimentícias, metálicas e, sobretudo, energéticas se mantém elevada. Para piorar, na semana passada houve um incêndio em uma planta de gás natural liquefeito em Freeport, Texas, cujos danos exigirão reparos até o mês de setembro, impedindo o retorno à produção em capacidade máxima até o fim do ano. A planta é responsável por, aproximadamente, 20% das exportações americanas do insumo. Além disso, a empresa russa Gazprom anunciou a redução de cerca de 40% no fornecimento de gás natural à Alemanha devido a supostos reparos necessários ao antigo gasoduto de Nordstream. O novo gasoduto de Nordstream 2 já está pronto, porém seu uso foi impedido por sanções contra Moscou. O segundo semestre é fundamental para a construção de estoques para a época do inverno, movimento que pode estar ameaçado com esta redução.
Por fim, vale mencionar a situação da Covid-19 na China. Em Xangai, menos de duas semanas após sair do status oficial de quarentena, as autoridades municipais voltaram a proibir o atendimento presencial em bares e restaurantes na maioria dos distritos e exigirão testagem em massa da população todos os fins de semana até o fim de julho, na tentativa de conter o número crescente de casos na cidade. Em Pequim, as autoridades estão em uma “corrida contra o tempo” para conter um surto de Covid-19 relacionado a um bar 24 horas. Até o momento, foram 287 casos confirmados ligados a esse incidente. Isso implica que milhões de pessoas estão passando por testagem obrigatória e confinamentos parciais aplicados a distritos com casos confirmados. Por enquanto, as autoridades não reimpuseram as medidas de restrições que estavam em vigor no mês de maio, como a proibição de funcionamento a bares e restaurantes e de locais de convívio social. Ainda assim, investidores temem que a tolerância zero do Politburo chinês frente ao novo coronavírus vá colocar a capital em uma nova rota de quarentena e isolamento. Uma análise feita pelo banco Nomura em 13 de junho estimou que 6 cidades chinesas se encontram em confinamento parcial ou total, afetando um total de 67,9 milhões de pessoas, uma queda semanal de aproximadamente 8% no número de pessoas isoladas. Isso ainda corresponde a, aproximadamente, 4,8% da população chinesa e 9,0% do Produto Interno Bruto chinês.
Cenário Doméstico
O foco da próxima semana deve ser a ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Nesta semana, o BC brasileiro reajustou sua taxa Selic de 12,75% a.a. para 13,25% a.a., em seu 11º aumento consecutivo aos juros. Em comunicado, o Comitê de Política Monetária afirmou que antevê novo ajuste, de igual ou menor magnitude, na próxima reunião, em agosto. Em relação aos preços no Brasil, o documento afirmou que a inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente, tanto em componentes mais voláteis como em itens associados à inflação subjacente. Nesse cenário, o BC agora vê o IPCA em 8,8% no fim deste ano, ante projeção de 7,3% na última reunião, de 3,0% para 4,0%, em 2023, e de 2,7%, em 2024. Entretanto, a autoridade monetária emitiu um alerta para as propostas de subsídios a combustíveis em tramitação no Congresso Nacional, argumentando que elas “reduzem sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária”.
Os riscos fiscais e políticos devem permanecer em destaque na próxima semana. Nesta semana, o Congresso Nacional aprovou, em ambas as casas legislativas, o texto-base do projeto de lei complementar (PLP) 18/22, que classifica combustíveis, energia elétrica, transporte coletivo, gás natural e comunicações como “essenciais e indispensáveis”, limitando a alíquota estadual de ICMS cobrada sobre essas mercadorias. A proposta prevê uma compensação aos Estados por meio de abatimento de dívidas com a União toda vez que a queda de arrecadação estadual passar de 5%. O texto aprovado também reduz a zero as alíquotas de Cide e PIS/Cofins incidentes sobre a gasolina até 31 de dezembro de 2022. Atualmente, tais tributos federais já estão zerados para diesel e gás de botijão. O relator optou também por derrubar a zero a PIS/Cofins incidente sobre álcool hidratado e sobre álcool anidro adicionado à gasolina. Além disso, foi aprovado, também, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que mantém a competitividade de biocombustíveis diante de combustíveis fósseis. Esta competitividade deve ser atingida por meio de um regime fiscal favorecido aos biocombustíveis, a ser detalhado por meio de projeto de lei complementar.
Antes mesmo do presidente da República, Jair Bolsonaro, ratificar estas legislações, porém, a Petrobras anunciou, nesta sexta (17), um reajuste de 5,18% no preço da gasolina (de R$ 3,86 para R$ 4,06 o litro) e de 14,26% no preço do diesel (de R$ 4,91 para R$ 5,61 o litro) vendidos nas refinarias da empresa. Já o gás de botijão não teve seu preço alterado (R$4,23 o quilo). O diesel estava há 38 dias sem reajuste, ao passo que a gasolina estava há 99 dias sem reajuste. Mesmo com estes aumentos, a StoneX estima que o diesel ainda esteja 45 centavos mais barato do que os preços cobrados internacionalmente.
Veja nosso relatório de paridade efetiva de preços aqui: https://stonex.digital/interativos/ea383eba-e06f-4f55-9ebb-ceb6dbb1b56a
A reação do Executivo e do Legislativo foi rápida e enérgica. Bolsonaro declarou, em redes sociais, que “a Petrobrás pode mergulhar o Brasil num caos. Seus presidente, diretores e conselheiros bem sabem do que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, e as consequências nefastas para a economia do Brasil e a vida do nosso povo”. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que o atual presidente da companhia, José Mauro Coelho, já foi “demitido pelo acionista majoritário, que é o Brasil” e que Coelho estaria tentando “massacrar [o governo] pela sua demissão”. O executivo foi demitido com apenas 40 dias na função após anunciar reajuste nos preços do diesel, em 09 de maio. Contudo, o governo demorou a indicar a composição da nova chapa do Conselho de Administração da empresa para avaliação do Compliance e, por isso, Coelho segue no cargo interinamente. Esta será a segunda substituição do presidente executivo e do presidente do Conselho de Administradores da Petrobras realizada pelo governo apenas em 2022, além de já se ter substituído o ministro de Minas e Energia, responsável direto pela estatal.
As declarações públicas inflamadas, além das intervenções mais explícitas em cargos de gestão com poder de influenciar a política de preços da Petrobras, podem amplificar os riscos políticos associados ao Brasil. Tal análise associada aos projetos de subsídios que impõem a perda de arrecadação na ordem de dezena de bilhões de reais a quatro meses de uma eleição, ludibriando o teto de gastos, também podem elevar a percepção de risco fiscal associado ao Brasil. Ambos os riscos podem resultar em exigências maiores de prêmio de risco por parte dos investidores, o que, por sua vez, poderia reduzir o fluxo de capital estrangeiro ao país e enfraquecer o real.

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O conteúdo a seguir foi disponibilizado ao vivo aos clientes membros do programa Focus, da consultoria StoneX, no âmbito da videoconferência mensal sobre câmbio, realizada em sexta-feira, 07 de agosto de 2026, às 10h30.


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