
Abertura de Câmbio
Câmbio deve refletir CPI americano

- Moedas
O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente. Faça seu download. →
By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
Leituras do CPI e PPI devem promover falas públicas de autoridades do Fed reforçando a urgência do banco central americano em controlar a inflação no país através de um veloz e intenso aperto monetário, o que elevaria a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e atrairia investimentos para essa moeda.
Aproximação das eleições de outubro e busca do governo Bolsonaro para melhorar sua popularidade através de projetos que aumentam gastos, reduzem a arrecadação e não respeitam o teto de gastos eleva a percepção de riscos fiscais e políticos associados ao Brasil, resultando na exigência de prêmio de risco mais elevado por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e desvalorizando a taxa de câmbio.
Elevado nível de tensão geopolítica entre Estados Unidos e China pode provocar uma aversão a ativos de risco, prejudicando tanto commodities como moedas de países emergentes, o que favorece um enfraquecimento do real.
Ata da decisão do Copom de elevar a taxa Selic para 13,75% a.a. pode trazer mais detalhes sobre a trajetória da política monetária brasileira e contribuir para a atração de investimentos externos, fortalecendo o real.
Expectativa de forte saldo comercial positivo para o Brasil no mês de julho, após junho apresentar o maior superávit mensal desde maio de 2013, reforçando a capacidade de atração de recursos estrangeiros do país.
Leituras acima do esperado para indicadores econômicos no Brasil podem melhorar as avaliações sobre o desempenho da economia brasileira, auxiliando uma valorização dos ativos nacionais.
O dólar negociado no mercado interbancário encerrou a sessão desta sexta-feira (05) praticamente estável ante à sexta-feira passada, cotado a R$ 5,169. Isto representa uma variação semanal de -0,1%, mensal de -0,1% e anual de -7,3%. O real é apenas uma de três moedas em uma cesta de 33 divisas que acumula ganhos anuais contra o dólar, juntamente com o rublo (-19,8%) e o peso mexicano (-0,8%). Já o dollar index voltou a subir em meio a defesas de autoridades do Federal Reserve de que o banco central estadunidense manterá sua postura agressiva de aperto monetário a fim de reestabelecer a estabilidade de preços e a elevadas tensões geopolíticas no estreito entre China e Taiwan. Ele terminou o pregão cotado a 106,4 pontos, ganho de 0,6% na semana, 0,6% no mês e estonteantes 11,3% no ano.

Cenário Externo
O foco das atenções da próxima semana será a atualização de dados para os Índices de Preço ao Consumidor (CPI) e ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos para o mês de julho. A mediana das estimativas mostra que deve haver leve desaceleração mensal para ambos os índices, reduzindo em alguns pontos o acumulado em doze meses. Ainda assim, não se espera que haja uma mudança nas expectativas por conta destas leituras. Há grande debate nos últimos meses sobre a possibilidade de uma recessão econômica em curto prazo no país, e ainda se está longe de um consenso. Uma queda inesperada do Produto Interno Bruto (PIB) americano no segundo trimestre e o aumento gradual dos pedidos semanais de auxílio-desemprego reforçaram os argumentos daqueles que acreditam que uma desaceleração econômica virá em breve. Contudo, nesta semana, a divulgação de que o país gerou um saldo positivo de 528 mil novas vagas no mês de junho, mais que o dobro do antecipado por analistas, pareceu mostrar que, pelo menos momentaneamente, a economia estadunidense permanece em expansão. A grande dúvida de investidores é sobre como o Federal Reserve (Fed) atuará nos próximos meses, isto é, se manterá um rígido processo de aperto monetário ou se reduzirá o ritmo de elevação nas taxas de juros. Uma economia mais aquecida favorece a aceleração de preços e, em tese, exige doses maiores de juros para conter as taxas inflacionárias, enquanto uma desaceleração da atividade econômica contribui para o arrefecimento dos preços e permite uma postura mais branda pelo Fed.

Na Europa, embora a natureza do conflito entre Rússia e Ucrânia continue sendo a de uma guerra de atrito, com avanços territoriais mínimos para ambos os lados, predomínio de posições defensivas e muita troca de artilharia e bombardeios (especialmente pelos russos), o seu foco geográfico se deslocou significativamente nas últimas duas semanas. A intensificação de contra-ataques das tropas ucranianas no sul do país, no eixo entre Mykolaiv, Kherson e Zaporijia, forçou o Kremlin a deslocar batalhões da região de Donbas, ao leste, para o sul. Como consequência, o avanço russo ao leste, significativo nos últimos meses, foi praticamente estancado. A região sul é de importância estratégica vital para ambas as partes. Para Kyiv, significa recuperar uma importante região portuária, além de demonstrar a competência de suas forças militares. Para Moscou, significa a manutenção das ambições de isolar a Ucrânia de seu acesso marítimo e deixar em aberto a possibilidade de integrar seu território com a região separatista de Transnistria, na Moldávia.
Esta semana, a primeira embarcação conseguiu deixar o porto de Odesa em direção ao Líbano sob os termos do acordo marítimo entre Rússia, Ucrânia, Turquia e Nações Unidas. O navio, de bandeia de Serra Leoa e carregado com milho, foi inspecionado conjuntamente na cidade de Istambul. 17 outras embarcações estariam prontas para zarpar, mas não há previsão de quando isso possa ocorrer. A Rússia, que já tinha atacado infraestrutura portuária no porto de Odesa menos de 24 horas após assinar o entendimento, desta vez atacou o porto de Mykolaiv, reforçando as dúvidas de analistas sobre sua intenção de honrar seus acordos. Aparentemente, para Moscou, o maior interesse é se utilizar da insegurança alimentar global para elevar ao máximo as pressões sobre as nações ocidentais a fim de reduzir as sanções sobre sua economia. Como disse o editora-chefe do grupo de mídia RT, Margarita Simonyan, no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo de junho, “todas as nossas esperanças estão na fome”.
Por fim, é importante registrar o aumento das tensões no estreito entre Taiwan e China após a visita da presidenta da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, à Taiwan. É a autoridade mais graduada dos Estados Unidos a visitar o país desde 1997. A chegada da deputada foi recebida por respostas furiosas por parte da diplomacia chinesa, além dos maiores exercícios militares aéreos e navais com munição real e testes de mísseis balísticos convencionais ao longo do estreito na história. As relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a China está sendo deteriorada no episódio, com os governos de ambos os países convocando os diplomatas da outra parte para explicações e repreensões. Além disso, Pequim rompeu os diálogos com Washington em temas sobre clima e segurança marítima e militar. O diálogo entre os líderes militares das nações é importante justamente para que, em momentos de crise, possa haver conversas que assegurar as partes sobre o que está (ou não está) acontecendo, aumentando a possibilidade de um erro em um exercício militar provocar uma resposta pelo o outro lado.
Cenário Doméstico
O foco da próxima semana deve ser a ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reajustou a taxa básica de juros (Selic) de 13,25% a.a. para 13,75% a.a. nesta última quarta-feira. Embora este aumento tenha sido largamente antecipado pelos agentes de mercado, o Comitê não sanou as dúvidas sobre os próximos passos da política monetária do país ao escrever que “avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”. Hoje (05), o mercado futuro de juros apostava majoritariamente (58,50 % das apostas) que o Banco Central (BC) manterá estável a taxa Selic na decisão de 21 de setembro, enquanto outros apostam em um aumento de 0,25 p.p. (35,00%) ou de 0,50 p.p. (3,97%).
As leituras para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2022 devem sofrer uma desaceleração significativa por conta dos subsídios tributários recém aprovados pelo governo federal. Nesse sentido, a mediana das estimativas para a leitura do IPCA de julho, que será divulgado na próxima terça, é de -0,65%. Contudo, há uma incerteza sobre como o Comitê se comportará frente à contínua deterioração das expectativas inflacionárias para o ano de 2023. Ao que parece, a postura escolhida é de observar como os preços se comportarão no atual nível de contração monetária, mesmo que exista um risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos.
Na próxima semana, também, haverá a divulgação de indicadores de atividade produtiva que permitirão uma leitura mais atualizada das condições econômicas atuais da economia brasileira. É digno de destaque a publicação de junho da Pesquisa Mensal do Comércio e da Pesquisa Mensal de Serviços. Enquanto o volume de serviços teve um comportamento mais errático em 2022, com três meses de expansão e dois de queda, o varejo apresentou crescimento nos cinco meses deste ano.

Por fim, é digno de nota o forte superávit da conta comercial do mês de junho, atualizado pelo Banco Central na última quarta-feira (03), no melhor resultado mensal desde maio de 2013. Em que pese o mês ter apresentado um déficit de US% 3,665 bilhões na conta financeira (e um déficit acumulado de US$ 5,167 bilhões no primeiro semestre), este valor é mais que compensado pelo superávit de US$ 10,148 bilhões do mês de junho (que contribui para o saldo positivo de US$ 16,864 bilhões do semestre). O principal fator explicativo por este forte resultado foi a alta sustentada dos preços de commodities alimentícias, metálicas e energéticas, que favorecem as receitas de exportações nacionais.

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.
É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.
© 2026 StoneX Group, Inc.
Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.
Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.
Confiança
Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.
Transparência
Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.
Especialização
Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.